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31 de agosto de 2015

Pico, Pico, Piquinho

A grande atracção e encanto que o Pico exerce sobre as pessoas, deve-se em grande parte à sua montanha, perfeita e feiticeira.

Para quem gosta de caminhadas, a subida ao topo da montanha do Pico é sem dúvida um dos pontos altos de qualquer visita aos Açores, mas se não for devidamente acautelada também poderá transformar-se numa missão inglória.

Isto porque como na maior parte das montanhas, no Pico o tempo também muda sem aviso, de uma hora para a outra, e nós deixamos de ser propriamente senhores do nosso destino no que diz respeito às vistas e principalmente no que diz respeito ao desfrutar da caminhada.

Para a boa saúde das expectativas a decisão de “subir ou não subir” deve ser tomada in situ, com um olho nas previsões meteorológicas e outro na montanha. Neste caso não vale muito a pena programar com antecedência. 
A montanha é que sabe. Feiticeira.

E se por acaso estiver bom… let’s go! É agora! Pés ao caminho!


O ponto de partida é na Casa da Montanha, perto do Cabeço das Cabras, onde acaba a estrada que vai para a Montanha, aos 1200 m de altitude.
Na Casa da Montanha faz-se o registo dos caminhantes através de um Sistema de Rastreamento por GPS, ou seja, é entregue ao caminhante um dispositivo GPS que, em caso de emergência, permite activar uma equipa de resgate. É ultra-recomendável fazer este registo, principalmente se estiver mau tempo ou se dormir na cratera fôr uma opção (para ver o nascer do Sol no Piquinho, por exemplo).

A partir da Casa da Montanha só é possível seguir a pé, num trilho de aproximadamente 4 km até ao topo, bem assinalado por 46 marcos sucessivos que se destinam a guiar o caminhante. Caso não haja nebulosidade é sempre possível avistar o marco seguinte. Se isso não acontecer é um bom indicador para não continuar.

Normalmente são 3h e muita persistência para subir, seguidas de 3h e algumas dores nos joelhos para descer. Já vi pessoas de todos os tipos e idades a fazer este percurso, desde o experimentado caminhante solitário, às famílias com crianças e avós, por isso eu diria que, no que diz respeito à subida ao Pico, se aplica muito bem a máxima do “querer é poder”.

A roupa e botas devem ser confortáveis, levar impermeável para alguma eventualidade e um agasalho pois a temperatura no topo pode ser 10 a 15ºC mais baixa que aos 1200 m, levar água, um bastão que ajuda sempre na caminhada e máquina fotográfica. Para dormir lá em cima não é má ideia levar agasalhos redobrados e tenda ou sujeitam-se à noite mais mal dormida de todo o sempre.

O resto é caminho. Vistas deslumbrantes e uma experiência sempre inesquecível.

 a furna (a 30 minutos do início)

trilho 

seguir os marcos

chegada a cratera 

 piquinho

 vista do piquinho - são jorge

  vista do piquinho - faial

breves instantes de nevoeiro no piquinho (ah pois é!)

 descida 


enjoy the view!


next stop, faial

Dados (aproximados): distância: 8.0km | duração: 6h | desnível total: 1151m(up) 1151m(down)

28 de agosto de 2015

PICO, the grey


O Pico é daqueles locais que exercem um certo magnetismo sobre as pessoas que o visitam. Mesmo ao longe, do Faial, de São Jorge ou a sobrevoar de avião, é conhecida a boa disposição que a visão do Pico por entre as nuvens transmite às pessoas.

O Pico desenvolveu-se durante séculos entre a produção de vinho e a caça ao cachalote, sempre em contacto directo com o Faial e São Jorge (as ilhas do triângulo) e hoje alberga um dos sítios Património Mundial da Humanidade da UNESCO, é a base perfeita para a observação dos gigantes marítimos que todos os anos cruzam estas águas, apresenta uma das mais fantásticas e selvagens oportunidades de trekking na montanha mais alta de Portugal e é uma das ilhas açorianas mais procuradas pelos viajantes.

A ilha do Pico também é uma das minhas favoritas. 
Aqui fica o meu best of Pico:

1. Subir aos 2351m


A magnífica montanha do Pico impõe-se na paisagem da ilha graças aos seus majestosos 2351m de altitude e a caminhada que nos leva até ao topo é uma das actividades mais apetecíveis que a ilha oferece.

A partir dos 1200m são 3h sempre a subir até à cratera onde está o Piquinho, a cereja no topo do bolo das vistas fantásticas e únicas.



2. Perder o Norte nas vinhas da Criação Velha

O cultivo da vinha foi introduzido pelos primeiros povoadores da ilha que não encontraram o terreno arável próprio para o cultivo de cereais como nas outras ilhas.

Assim improvisaram a inteligente solução de pequenos currais de pedras de basalto empilhadas à mão que protegem as videiras da maresia e do vento, plantadas praticamente sem terra nas fendas entre as rochas.

Os currais são multiplamente inventivos pois tiram partido da riqueza mineral dos terrenos pedregosos de lava e ainda servem de estufa armazenando o calor durante o dia e libertando-o à noite.


Numa ilha aparentemente inóspita encontramos um monumento à imaginação, ao engenho e à arte do Homem que aqui criou algo a partir do nada e que é, desde 2004, Património da Humanidade da UNESCO.

Existem diversos percursos pedestres assinalados onde nos podemos perder nesta paisagem ímpar. Mas info aqui.



3. Provar os vinhos do Pico e debater sobre qual é o melhor

Nas vinhas do Pico cultivam-se as uvas das castas verdelho, arinto e terrantez e o vinho aqui produzido chegou, em tempos, à mesa dos czares russos.

Produzem-se vinhos brancos, tintos e rosé que tentam recuperar o prestígio do antigamente: “Curral Atlantis”, “Terras de Lava”, “Basalto”, “Lajido”… marcas que celebram a relação Homem-Natureza.

O difícil é escolher por onde começar mas o melhor é ir provando um de cada vez. 


4. Percorrer a "Longitudinal" e a "Transversal"


Não adoram estradas que têm nomes em vez de números?

5. Ver a Lagoa do Capitão

Provavelmente a lagoa mais fotogénica do Pico

6. Percorrer a Rota da Faina Baleeira


É no Pico que encontramos os principais vestígios e património da época da caça à baleia nos Açores.

Em São Roque o Museu da Indústria Baleeira, no edifício da antiga fábrica Armações Baleeiras Reunidas, ainda preserva fornalhas, caldeiras e outros equipamentos utilizados na transformação do cachalote.



Nas Lajes do Pico, o Museu dos Baleeiros, que foi arquitectado dentro das antigas casas dos botes, mostra-nos arpões, utensílios da época e como a vida das pessoas que andavam na caça à baleia era dura.

Só sei que nunca mais olhei para uma “rampa da baleia” com os mesmos olhos.



Também nas Lajes, foi fundada a primeira empresa de observação de cetáceos dos Açores, o Espaço Talassa, responsável por reavivar a chama cosmopolita desta antiga vila baleeira, agora com os olhos postos no futuro e na preservação dos animais.

7. ver o Pôr do Sol nas Lajes

A vila mais pitoresca do Pico

8. Perceber porque o Pico é a ilha cinzenta

E apreciar os campos de lava (lajidos) e os "mistérios" que pontuam a paisagem 

9. Almoçar na Ponta da Ilha

Quando estou no Pico programo sempre uma pit stop para almoço no restaurante Ponta da Ilha, na Piedade. É um restaurante simples e familiar que faz parte da Associação de Armadores de Pesca Artesanal do Pico e onde o peixe fresco acabado de pescar é o protagonista.

Para além disso também se pode aproveitar e visitar o farol da Manhenha, um dos poucos abertos ao público, em plena paisagem protegida.


10. Dar um mergulho na baía do Pocinho

O Pico não tem praias mas oferece várias zonas balneares e piscinas naturais que aproveitam o recorte da costa e proporcionam um cenário natural único.

Se não ficarem no exclusivo Pocinho Bay dêem pelo menos um mergulho nesta encantadora enseada.


11. Ficar a ver passar os navios na Madalena


Quando é preciso fazer tempo à espera de barco para atravessar o Canal, já com o coração dividido entre o Pico e o Faial.



25 de agosto de 2015

SÃO JORGE, the brown


São Jorge é a ilha comprida bem a meio do Grupo Central. 
Por ser atravessada por uma cordilheira montanhosa, uma sucessão de cones vulcânicos, ao longe parece um animal pré-histórico ou imaginário que adormeceu no meio do oceano.

No litoral as escarpas abruptas dão lugar às fajãs, áreas planas ao nível do mar. As fajãs são as características paisagísticas mais instantaneamente reconhecidas da ilha de São Jorge e resultaram de correntes de lava que avançaram mar dentro ou de sismos que instabilizaram as arribas.

São Jorge faz parte do meu trio maravilha (junto com o Faial e Pico) e é uma das ilhas onde ainda podemos encontrar a sensação de termos um bocadinho de paraíso só para nós.

Mas para além do que é invisível aos olhos, aqui ficam algumas das coisas que são verdadeiramente imperdíveis em São Jorge:

1. Visitar as Fajãs


São Jorge é “a ilha das fajãs”, porque elas são mais de 70.
Estes abatimentos de falésias ou escoadas lávicas que os anos tornaram férteis, e também por estarem protegidos das intempéries da montanha, foram transformados em campos de cultivo onde tudo parece crescer.

A mais conhecida é a Fajã da Caldeira de Santo Cristo pela sua inacessibilidade e lagoa encantada, seguida de perto pela fotogénica Fajã dos Cubres. Na Fajã dos Vimes é cultivado um café muito especial e na Fajã de São João são produzidos licores.

Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Fajã dos Cubres

Fajã de São João

Fajã das Almas

2. Mergulhar na Fajã do Ouvidor

Numa piscina natural formada por rochas vulcânicas.

3. Fazer percursos pedestres

São Jorge tem uma série de percursos pedestres que utilizam a antiga rede de caminhos usados pela população entre povoações e/ou gado nas idas e vindas das pastagens. Estes percursos levam-nos a recantos de beleza excepcional onde não se chega de carro. Mais info aqui.


4. Caminhar da Fajã dos Cubres à Fajã da Caldeira de Santo Cristo


A melhor maneira de conhecer as fajãs é percorrer os trilhos que as ligam a pé. 
No caso da Fajã da Caldeira não existe mesmo alternativa.

5. Apanhar uma onda, a olhar para a Graciosa

São Jorge tem das melhores ondas dos Açores. 
Na Fajã da Caldeira de Santo Cristo.

6. Amanhecer na ponta do Topo, a olhar para a Terceira

Da vila do Topo avista-se o Ilhéu do Topo e a ilha Terceira. 
Diz que o ilhéu é uma zona de pastagem onde o gado chega a nado, rebocado por um barco.

7. Ver o pôr do Sol na ponta dos Rosais


8. Subir ao Pico da Esperança

O ponto mais alto de São Jorge é no Pico da Esperança (1056m), de onde se pode apreciar (caso o tempo ajude) uma panorâmica sobre todas as ilhas do Grupo Central.
A natureza selvagem e vulcânica da ilha observa-se à medida que é percorrida a cordilheira montanhosa, espinha dorsal da ilha, onde antigos vulcões deram lugar a lagoas.


9. Ver o Pico por cima das nuvens


10. Perceber porque São Jorge é a “ilha Dragão”

 da terra 

e do mar

11. Apreciar o verde e as vacas


12. Ver como se constrói com pedra vulcânica

na Calheta

13. Provar a gastronomia tradicional

O queijo da ilha é, na verdade, da ilha de São Jorge e é provavelmente o produto gastronómico mais conhecido dos Açores. Percebe-se porquê. 

A linha gourmet do atum Santa Catarina além de ser deliciosa e ter ganho prémios por aí fora, é preparada segundo métodos artesanais usados pelos antigos mestres conserveiros. E o Atum é pescado de “Salto e Vara” no mar dos Açores, ou seja: 1 homem, 1 cana, 1 anzol, 1 peixe. A única pesca considerada Dolphin Safe.

Espécies. Erva doce, canela e especiarias.
schlep!