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31 de maio de 2016

buenos aires: uma noite e umas horas

Buenos Aires, também chamada Capital Federal pelos argentinos, é conhecida por ser a cidade “Europa na América” com as suas avenidas largas e edifícios de arquitectura grandiosa. Mas também é a cidade do tango e dos emigrantes que melhor encarnam o espírito porteño, resultado de séculos de importante actividade portuária, no grande ponto de partida e chegada à América do Sul.
Buenos Aires é uma verdadeira cidade de misturas.

A caminho de Lisboa, fazemos uma pit stop de uma noite e umas horas, que não é, de todo, tempo suficiente para conhecer uma das cidades mais vibrantes e míticas do planeta. 
Mas garantiu-nos a vontade de voltar. 

Milonga

Existem inúmeras opções para os visitantes apreciarem ou experimentarem o Tango, muitas destas opções foram até criadas propositadamente para os turistas, como os shows com jantar, a horas compatíveis com excursões matinais. Depois existem os dançarinos de rua, no Caminito ou em qualquer praça propícia a ajuntamentos turisticos, que tal como o senhor mascarado de gladiador à porta do Coliseu em Roma, montam a sua performance em troca de umas moedas.

Os argentinos dizem que o verdadeiro Tango, esse encontramo-lo nas milongas, todos os dias, pela noite fora. As milongas são eventos sociais organizados por e para pessoas normais que não são profissionais de tango mas gostam de dançar tango.

Normalmente existe uma pista de dança rodeada de mesas onde as pessoas se sentam a petiscar ou a beber um copo de vinho, a ver e ser visto, sempre intercalando com um pezinho de dança. Os pares não são fixos, vão rodando: os homens convidam as mulheres e uma boa dica para a disponibilidade de uma mulher para dançar baseia-se nos seus sapatos. Ou seja, calçando botas de trekking ou havaianas será pouco provável ser convidada.
Em algumas milongas poderão existir exibições de bailarinos profissionais convidados pela organização em que todos deixam a pista para os ver.

Chegamos à cidade já bem depois da meia-noite, mas Buenos Aires não dorme no que ao Tango diz respeito. Buenos Aires é o próprio Tango e uma milonga sempre me pareceu a melhor maneira de começar.
Esta é a Milonga Parakultural, no Salon Canning.




Palermo Soho

Palermo é o maior bairro de Buenos Aires. Como é um bairro maioritariamente residencial muitos porteños moram em Palermo, ou frequentam o bairro por causa das infinitas possibilidades de cafés, bares, restaurantes, jardins, museus, galerias e mercados.

Mas Palermo divide-se em vários sub-bairros e o mais boémio é Palermo Soho, assim nomeado por uma comprovada semelhança ao seu homónimo novaiorquino, com ruas ladeadas por árvores, boutiques vintage, um ambiente fresco e internacional, cafés de inspiração industrial que trespassam as paredes dos edifícios e invadem os passeios.

Podiam escrever-se livros inteiros sobre os cafés de Palermo Soho.

Provavelmente começariam com um pedido: “un cappuccino y una medialuna con dulce de leche, por favor”.



Casa Rosada

A Casa Rosada, na Plaza de Mayo, é provavelmente o mais importante ex-libris da história da Argentina em Buenos Aires, de cujas varandas Eva Perón (Evita) fez o famoso discurso aos descamisados e é um marco incortornável da cidade.

Como curiosidade, diz-se que a cor rosada surgiu da junção de tinta branca com sangue de boi, como adjuvante de impermeabilização, mas entretanto já foi recriada a cor original que tem o seu próprio código no catálogo RAL e só pode ser usada para pintar este edifício.



San Telmo

O bairro de San Telmo é o bairro mais antigo de Buenos Aires, onde se concentram os edifícios de estilo colonial, muitos abandonados e com grafittis artísticos.



O Mercado de San Telmo, que ocupa um quarteirão inteiro, foi construído em 1897. Ainda mantém a sua cobertura original de ferro que o transforma num dos edifícios mais atmosféricos de Buenos Aires.
No seu interior ainda se vende carne, peixe e fruta, com várias lojas de antiguidades na periferia.



A Plaza Dorrego é a praça mais antiga da cidade, depois da Plaza de Mayo, famosa pela sua feira-da-ladra ao domingo. 
Nesta praça encontramos os cafés mais antigos da cidade que nos transportam no tempo e que são perfeitos para terminar esta breve pit stop com uma empanada e uma Quilmes fresquinha.




27 de maio de 2016

beagle

Grande parte do tempo que passámos em Ushuaia fizémo-lo com os olhos postos no mar. A cidade está rodeada de montanhas fenomenais, como o Monte Olivia, mas verdade seja dita, é o Canal Beagle que rouba a atenção do viajante. 

E nós não fomos excepção. Adoramos montanhas, mas fomos criados à beira mar.


Assim, no último dia em Ushuaia decidimos fazer-nos ao mar numa experiência de navegação no Canal Beagle.

O Canal Beagle é, junto com o Estreito de Magalhães a Norte e a Passagem de Drake a Sul, uma das três ligações navegáveis entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, contornando a América do Sul.

O Canal herdou o nome do navio HMS Beagle, que navegou na Patagónia e Terra do Fogo, sob comando do capitão Robert FitzRoy, e ficou célebre pelas expedições científicas conduzidas pelo naturalista Charles Darwin.
Isto, 300 anos depois de Fernão de Magalhães. 


De manhã cedo, o nosso pequeno barco zarpa do porto de Ushuaia e navega para o coração do Canal Beagle.
Ao longo da viagem, observamos várias ilhas que albergam colónias de animais como leões-marinhos e cormoranes, uma espécie de corvo-marinho preto e branco.

É fantástico ver os animais no seu habitat natural que fazem as delícias de qualquer amante da fotografia. E os «clicks» vão-se sucedendo.









Mais à frente chegamos ao Farol de Les Eclaireurs, construído em 1920 e um dos ícones de Ushuaia.



No regresso à cidade, paramos numa ilha onde viviam índios Yámanas e caminhamos para apreciar a paisagem. É a última etapa da nossa viagem. 

No caminho encontramos o arbusto de calafate, com as suas bagas arroxeadas.
O nosso guia diz, como é costume, que quem comer uma baga de calafate voltará certamente à Patagónia e estende-me uma mão cheia de bagas. 



Nem penso duas vezes, pelo sim pelo não.
São doces.

Sweet Patagónia.


25 de maio de 2016

pinguinera

Uma das coisas que mais gostei, nesta minha incursão à Patagónia e Terra do Fogo, foi poder encarnar o fotógrafo da National Geographic que há em mim.

Estando em Ushuaia, o que não faltam são oportunidades para fazê-lo, umas mais disputadas que outras, por isso a única coisa que levei reservadíssima de Lisboa foi a caminhada na Isla Martillo, uma ilha no Canal Beagle relativamente perto de Ushuaia.



A Isla Martillo faz parte da Estancia Harberton, a primeira estância a ser fundada na Terra do Fogo, e alberga uma vasta colónia de Pinguins de Magalhães, que aqui vêm fazer os seus ninhos de Setembro a Abril.

Todos os anos os pinguins voltam a esta ilha. Primeiro chegam os machos que escolhem o melhor local para construírem o seu ninho quando não é possível aproveitar o mesmo do ano anterior. Alguns dias depois chegam as fêmeas que põem normalmente 2 ovos por casal. Sempre o mesmo casal de pinguins.

As crias nascem a meados de Novembro e ficam no ninho durante o primeiro mês. Nesse período são alimentadas por ambos os progenitores que se vão revezando.

No fim de Fevereiro as crias tornam-se independentes, deixam a ilha e lançam-se imediatamente ao mar em busca de novas paragens. Depois seguem-se os adultos. 
Foi nesta fase que visitamos a colónia da Isla Martillo.






Por razões de segurança e de preservação do habitat só podem desembarcar nesta ilha 60 pessoas por dia, que depois têm a hipótese de caminhar em trilhos designados, acompanhados por um guia especializado, e estar o mais próximo possível dos animais no seu habitat natural.

Para além dos Pinguins de Magalhães (de bico preto, em grande maioria) também vimos alguns Pinguins Papua (de bico laranja) e 2 Pinguins-Rei (maiores, com uma coloração laranja na cabeça).



Foi assim uma das experiências mais espectaculares de sempre.
National Geographic, já estou a treinar!

23 de maio de 2016

ushuaia

O grande plano de marketing turístico de Ushuaia, a maior cidade da Terra do Fogo, deriva da sua localização geográfica e panorâmica, na margem do Canal Beagle, e baseia-se no conceito de fim do mundo.

“Bem-vindo! Chegou ao fim do mundo!” mostra o cartaz no centro da cidade.


Sempre achei esse slogan um pouco limitador. A viagem de autocarro desde Puerto Natales é muito longa, atravessa paisagens desérticas e estéreis, mas na verdade não senti ter chegado ao fim do mundo quando finalmente me vi na cidade. 
Nem de perto nem de longe. 

Primeiro porque é uma cidade enorme. Foi a maior cidade em que estivemos nesta viagem à Patagónia e Terra do Fogo, uma zona franca que nas últimas décadas se desenvolveu exponencialmente e que apresentou oportunidades de prosperidade aos seus habitantes.

Depois porque, de facto, o mundo não acaba em Ushuaia. E isso nota-se.
Do outro lado do Canal Beagle, a vila chilena de Puerto Williams vai-se desenvolvendo com a crescente demanda turística e a localização destas cidades na zona do planeta mais próxima da Antárctida, faz com que existam muitas agências especializadas em organizar cruzeiros com destino ao continente branco e ao Cape Horn. 
Muitas das pessoas que chegam à cidade continuam ainda em direcção a Sul.
Não parecem existir limites.

Ou seja, mesmo com a Antárctida a menos de 1000 km de distância, não encontrei os pubs poeirentos e parados no tempo onde, no meu imaginário, se costumavam juntar velhos lobos de mar, a beber whisky, à espera de boleia para uma qualquer expedição em direcção ao grande desconhecido.

Antes pelo contrário. A cidade vibra de agitação de pessoas que se vão movimentado entre experiências outdoor, lojas de roupa de aventura, mercearias vintage que viraram bares, chocolatarias gourmet e restaurantes que servem as maiores (e mais deliciosas) santolas que já vi.

O movimentado porto de Ushuaia faz parte integrante da dinâmica da cidade.
Misturam-se os cargueiros que atracam e zarpam carregados de contentores e os barcos de lazer, sejam os cruzeiros para a Antárctida ou os barcos turísticos de navegação no Canal Beagle, que proporcionam aos visitantes uma observação muito próxima da fauna característica desta região, como os lobos marinhos e cormoranes.

Ushuaia é uma cidade bem viva onde a única coisa que está realmente parada é o navio St Christopher, o rebocador encalhado no porto desde 1954.

Desculpa Ushuaia, mas não me soubeste a fim do mundo.






20 de maio de 2016

terra do fogo


Sempre achei estranho chamarem Terra do Fogo à terra que está mais próxima do Pólo Sul. Parecia-me um contra-senso, uma incoerência.

O que se passa é que os indígenas desta terra andavam com pouca roupa. Mesmo numa zona de clima tão frio e áspero eles optavam por andar despidos porque depois de uma chuvada, algo que é bastante frequente nestas paragens, demoravam muito mais tempo a secar e a aquecer-se se estivessem vestidos.

Eram, assim, muito adeptos de fogueiras. As mesmas fogueiras que Magalhães avistou na margem Sul do Estreito quando o navegou em 1520 e que deram origem ao nome da Terra do Fogo.


A Terra do Fogo é um arquipélago, separado do continente sul americano e da Patagónia pelo estreito de Magalhães. Este arquipélago tem uma Ilha Grande e outras ilhas mais pequenas e está dividido entre a Argentina e o Chile por uma fronteira desenhada a régua e esquadro desde o Estreito de Magalhães até ao Canal Beagle. 


Dizem que a Terra do Fogo com os seus lagos, montanhas nevadas e florestas densas é o Alaska na sua “versão hemisfério Sul”.

No Inverno as montanhas são muito procuradas para desportos de inverno e no Verão as hipóteses de camping + trekking no Parque Nacional da Terra do Fogo são infinitas. 

Os visitantes têm contacto muito próximo com a flora e fauna local, para além de poderem desfrutar de paisagens inesquecíveis e contemplar a natureza no seu melhor. 
Será muito provável conseguir avistar uma raposa vermelha, ver muitas barragens construídas por castores, ou visitar centros de treino de cães tipo Husky, que puxam trenós no Inverno.


Mas também há outra coisa que a Terra do Fogo tem em comum com o Alaska e que faz as maravilhas de numerosos papa-léguas espalhados pelo mundo.

A icónica estrada Panamericana. 
A estrada que percorre todo o continente americano de Norte a Sul, ao longo de mais de 25.000 km, começa em Prudhoe Bay, no Alaska e termina em Ushuaia, a maior cidade da Terra do Fogo, nas margens do Canal Beagle. 

É para lá que vamos. 

14 de abril de 2016

vida na estância



Numa zona do mundo com clima tão hostil, muito frio, seco e com um vento arrasador, é fácil imaginar que a agricultura sempre esteve muito limitada.
Por isso a economia da Patagónia desenvolveu-se e prosperou fundamentalmente devido a actividades relacionadas com a pecuária.

O povoamento desta região baseou-se na distribuição de terras para estabelecimento de estâncias destinadas a criação de ovelhas. As terras eram concedidas e após um período de arrendamento, caso cumpridas as exigências de permanência, tornavam-se propriedade do ocupante.
Ou seja, uma “estância” era o lugar para se "estar".

As ovelhas foram trazidas pelos ingleses para Patagónia no fim do sec XVII, e os primeiros negócios dedicavam-se apenas à produção de lã devido à inexistência de instalações frigoríficas.

Por toda a Patagónia encontramos muitas estâncias que hoje em dia também acolhem turistas e lhes possibilitam contactar e aprender sobre as diferentes tarefas diárias dos gaúchos da Patagónia.

Ver os gaúchos trabalhar como o gado, tosquiar ovelhas ou percorrer o campo a cavalo são algumas das actividades possíveis de rechear uma experiência de vida na estância, que o mais certo é terminar à mesa, a saborear um belo asado argentino acompanhado por um tinto malbec.








Estas fotos foram tiradas na Estância Nibepo Aike, perto de El Calafate. 


11 de abril de 2016

perito moreno

Perito Moreno, o homem, era um explorador argentino, especialista na Patagónia, que nessa região ajudou a definir a linha de fronteira entre a Argentina e o Chile, com base na linha de cumeada das montanhas dos Andes, no entanto nunca chegou a ver o glaciar que hoje leva o seu nome e que é, provavelmente, o glaciar mais conhecido do mundo.

Desde El Calafate é muito fácil visitar o glaciar Perito Moreno. Existe uma estrada que liga a cidade à península de Magalhães, onde o glaciar desemboca, literalmente, e nesse ponto de encontro foi colocado um conjunto de passadiços que permitem ao visitante observar os vários ângulos do glaciar.  

Mesmo de perto.


Essa proximidade, que possibilita uma experiência espectacular, também faz com que este seja o glaciar mais famoso do mundo, mas existe uma “multidão” de outros glaciares ligados ao Campo de Gelo Patagónico Sul, igualmente espectaculares, apenas não tão acessíveis para o comum dos visitantes.

O glaciar Perito Moreno tem outra importante característica que é a de ser um dos únicos glaciares do mundo que, para além de não estar em regressão, até está a crescer. Ou seja, o seu ritmo de formação na base é superior ao ritmo de desprendimento de blocos na frente, de modo que o seu avanço é constante.


Ficar à espera de ver o desprendimento de blocos na frente do glaciar é uma experiência tão sedentária quanto emocionante. São blocos do tamanho de contentores que sem prévio aviso se desprendem e caem nas águas do Canal de los Tempanos (canal dos icebergues), num splash gigante, acompanhado por um som de trovão que ecoa no vale e pelas respectivas ondas que agitam a água até à península de Magalhães.



Como está em crescimento, de tempos a tempos, o glaciar alcança a península, bloqueia a passagem de água entre os braços do Lago Argentino e forma-se uma pequena barragem que faz aumentar o nível da água do braço Sul do Lago.
A pressão causada pelo aumento do nível de água vai desgastando o gelo até se formar um túnel que permite a passagem da água. Com o passar do tempo e da água, o túnel vai aumentando e transforma-se numa ponte que acabará por colapsar num fenómeno chamado "ruptura do glaciar".

O ciclo de ruptura do glaciar é irregular e pode ocorrer a cada 2-4 anos, ou 10. 
A última ruptura aconteceu no dia 10-Março-2016. (Estas fotografias foram tiradas no dia 25-Fev-2016)


Para além de observar o glaciar Perito Moreno percorrendo os vários quilómetros de passarelas, também existem outras opções para o apreciar em todo o seu esplendor. 
Por exemplo, de barco, numa navegação no Lago Argentino que nos aproxima também de outros glaciares (Upsala, Spegazzini), ou a pé, no mini-trekking que nos leva a caminhar sobre o seu azul infinito.







De uma maneira ou de outra, visitar o Glaciar Perito Moreno (património da Unesco) é uma experiência inesquecível que uma vez mais nos recorda de como a Natureza é poderosa, sublime e genial.