27 de janeiro de 2006
'SAN SEBASTIAN/BILBAO'
O dia anterior foi passado em estações e comboios... Os comboios franceses atrasaram-se e então não conseguimos chegar a tempo de apanhar o SUD em Hendaye... É SEMPRE TÃO DIFICIL SAIR DE FRANÇA! Decidimos ir até San Sebastian e apanhar o BUS para Bilbao, ainda não conhecia o Guggenheim.. e adorei... principalmente o edifício em si e as suas formas... que lembram um peixe a navegar preguiçoso.
Em San Sebastian ainda se percorreram as ruas da cidade velha... bandeiras hasteadas faziam crer que havia alguma manifestação especial... mas não... esta é uma cidade animada por natureza... há uma mistura heterogénea de pessoas na rua... e riem.
'Diários de Motocicleta #2'
Saímos de Avignon em direcção a Isle-sur-la-Sorgue e depois é sempre em frente, uns 50km até Apt. Adorei a viagem apesar de atravessarmos uma Provence a caminho do Outono. Pelo caminho parámos no Musée de la Lavande, um museu dedicado aos métodos de destilação e fabrico do aroma que depois pode ser aproveitado para produtos de cosmética, etc...
APT: descobri-a na internet como sendo uma cidade de artífices... assim que nos aproximávamos (já completamente enregelados do vento) avistavam-se cartazes que diziam “APT MÉTIERS D’ART JEUDI 26 ÂOUT”... era hoje. Estava a haver um mercado de artesãos e via-se de tudo, trabalhos em ferro, quadros pintados a óleo, bijuteria de todo o tipo, couros, fotografias... fiquei in love por um vestido super lindo... mas custava 90€...
É assim o artesanato...
ROUSSILON: À medida que nos aproximamos desta cidade vestida de vermelho a paisagem vai-se alterando... cheira a morango... a terra toma tons ocres e vão surgindo formações rochosas muito características. Daqui provêm inúmeros pigmentos... antes de chegarmos à cidade parámos no “Conservatoire des Ocres” onde entre outras coisas se vendia material de pintura... telas, pincéis e mil cores... corres de terra, e o meu indispensável Rouge de Siena... imensos!
Mesmo no meio da cidade, que está empoleirada numa colina, existem mais formações rochosas amarelas, vermelhas... que me deixaram de boca aberta por estarem inseridas num contexto que me pareceram pouco provável...
A cidade.. é o tipo de cidade medieval que eu me queixava de ainda não ter encontrado: vermelha.
GORDES: Fica no caminho para Avignon, a 10 km de Roussilon... e se Roussilon foi a cidade vermelha, Gordes é a cidade branca. Devem haver 2 ou 3 maneiras de entrar na cidade, acho que nós entrámos por aquilo que se chama de entrada triunfal... no caminho vêm-se panfletos afixados que avisam os viajantes: “Você está a entrar numa das vilas mais bonitas de toda a França”...
Acreditamos.
'Unfinished businesses @ PROVENCE'
De regresso a casa resolvemos voltar ao ponto de partida, Avignon, alugar uma mota e partir à descoberta de campos de lavanda...
Se percebêssemos alguma coisa de agricultura saberíamos que o final de Agosto não é altura de ver campos de lavanda, pois nesta altura já foi colhida.... Mas só chegámos à posse dessa informação no posto de turismo da cidade provençal...
Decidimos ficar e acampámos em frente à ponte de Saint Bénezet, do outro lado do rio.
Foi engraçado e estranho estar de volta a Avignon.... Estivemos lá no início do mês e agora no final... o calor já não é tão intenso e está vento. Nas montras vêem-se placards a anunciar a rentrée escolar... Já não se fala no verão que é mas no verão que foi.
Para o dia seguinte estávamos decididos a alugar a motinha e viajar pela Provence com girassóis secos em vez de campos lilases da lavanda.
25 de janeiro de 2006
'CESKY KRUMLOV'
Fiquei imediatamente apaixonada por esta cidade medieval, património da UNESCO. Mais uma vez só me apetecia fotografar tudo e acho que tirei imensas fotos repetidas no mesmo sítio.
Fizemos uma “city walk” guiada por um antigo professor de história reformado que na altura trabalhava nos arquivos do castelo. Contou-nos imensas histórias e lendas das ruas e casas de Cesky Krumlov. E há imensas. Também há muitas lojas de brinquedos antigos de madeira e artesanato... encantadoras.
Depois da visita fomos até ao centro de arte Egon Schiele, o pintor ex-libris de Cesky Krumlov, que foi expulso da cidade por pintar raparigas nuas.

Jantámos num restaurante à beira do rio e do castelo que prometia cozinha checa da idade média, ambiente e música tradicional. Pedimos um prato que chamam de Festim... delicioso.
'CESKE BUDEJOVICE'
A República Checa é mágica! Parece que fazem de propósito para não pintarem 2 prédios seguidos da mesma cor! Cada edifício parece um obra de arte de tão cuidado e ornamentado que está! Fico pasmada e apetece fotografar todas as casas.
Mais tarde apanhámos um autocarro para Cesky Krumlov, a 30-50min de distância. Pagámos 4 bilhetes: nós e as mochilas.
'A caminho da República Checa...'
O comboio para norte ia apinhado de gente... dormitámos na estação de Zagreb encostados às mochilas e mais tarde apanhámos a ligação para Viena onde reparei numa miúda que ao contrário de 80% dos leitores daquele comboio não ia a ler o Código DaVinci mas sim a estudar música com o nariz enfiado numa pauta. Em Linz trocámos novamente de comboio em direcção a Budweis/Ceske Budejovice onde chegámos já de noite.
24 de janeiro de 2006
'fuga da Croácia'
Na manhã seguinte, os barcos dos italianos tinham desaparecido.... e a nossa vontade imensa de mergulhar foi reprimida pela imagem de milhares de águas-vivas que tinham vindo para ficar nas nossas águas!
Fomos para a vila e conseguimos perder o autocarro para o barco por 1minuto, mas um senhor muito simpático deu-nos boleia. Durante o caminho para o traject explicou-nos que esta ilha não tinha rede de águas e que toda a água potável vinha de Zadar em camiões que depois a distribuíam à população.
Por isso havia muito poucas infra-estruturas para acolher os turistas, nomeadamente parques de campismo.
De volta a Zadar considerámos fazer uma excursão no dia seguinte pelas ilhas Kornati. Por mais ou menos 30€ apanharíamos um barco e navegaríamos durante 10h pelas ilhas desabitadas com paragens para mergulhar e apanhar sol e tirar fotos, pequeno almoço e almoço incluído e bebidas à descrição a viagem inteira...
Agora parece-me uma óptima ideia... mas na altura achámos que estávamos fartos de sol e mar e que o nosso tempo de Croácia se tinha esgotado.
Resolvemos partir para o próximo destino: República Checa.
23 de janeiro de 2006
'BRBINJ'
Depois da saída de Mostar, o regresso à costa da Croácia, para além de atribulado (nessa noite mudámos 3 vezes de transporte, com esperas entre eles...) fez-se com pouco entusiasmo da minha parte... tanto que nem tirei fotografias a Zadar. Acho que vinha atordoada com o que inesperadamente encontrei no dia anterior.
Nesta cidade organizam-se imensas excursões às ilhas Kornati, cerca de 170 ilhas não habitadas que também fazem parte de um parque natural onde existe um lago mais salgado que o mar etc... Queríamos fazer isso mas para hoje o plano era ir acampar numa ilha na costa de Zadar e voltar no dia seguinte à cidade.
Metemo-nos no 1º barco que saiu dali e fomos para uma ilha cujo nome só descobri meses mais tarde quando consultei um guia da Croácia na FNAC: Dugi Otok.
Na altura referíamo-nos a essa ilha através da palavra BRBINJ (já de si difícil de pronunciar) nome da localidade que vinha escrita no bilhete de barco mas mais tarde começámos a utilizar a expressão “aquela ilha onde fizemos campismo selvagem”.

Quando chegámos viam-se pessoas no cais à espera de familiares ou amigos a quem estes se dirigiram ao sair do barco. Os restantes dirigiram-se ao único autocarro que lá estava parado mas nós fomos ao posto de turismo: uma espécie de cabine telefónica com um vidro enorme através do qual se pediam as informações.
“There are no campings on this island” disse o rapaz simpático embora de sorriso apreensivo… Perguntámos se não poderíamos alugar um quarto e onde... ele respondeu que ninguém nos daria alojamento só por uma noite.... “Now what?!” pensei.... e o rapaz respondeu… apontou para um mapa as localidades de Veli Rat e Soline onde poderíamos montar a tenda ao pé do mar sem ninguém nos chatear... e depois aconselhou-nos a despachar pois o autocarro era o único e estava prestes a sair.
Completamente “ao deus dará”... metemo-nos dentro do BUS e acho que fui descomposta pelo motorista por causa do atraso... mas não percebi o que ele disse.
Dali a pouco, "deus deu mesmo"... uma senhora americana e o seu marido croata tentaram ajudar: 1º ficaram surpreendidos por estarmos ali, porque ninguém ia ali assim... mas depois mostraram os horários dos próximos autocarros (3 por dia, só na nossa metade da ilha) que levavam as pessoas para o TRAJECT (cais de embarque)... poucos minutos depois saíram.
Veli Rat é uma pequena vila com um café, um pontão e algumas casas.
Montámos a tenda num sítio porreiro afastado da vila a um muro de pedra e dois passos da água, debaixo de uns pinheiros com muita resina... A água do mar é absolutamente transparente...
Ao longe vindo dos barcos ouvia-se falar italiano.
Mas tirando isso, estávamos completamente sozinhos... tínhamos pouca água, tivemos ke racioná-la "um gole pra ti, um gole pra mim"... e à noite lavei os dentes com água salgada.... ughhh...
Adorei!
'MOSTAR'
Logo pela manhã apanhou-se o BUS em direcção a Sarajevo e disse-se adeus a Dubrovnik. A viagem foi boa, tirando o tempão que se esteve parado na fronteira Croácia-Bósnia Herzgovina com passaportes pra trás e pra frente.
Depois de 13dias desde a minha saída de casa, passados noutras paragens, em comboios e barcos, heis que me encontrava em Mostar de olhos postos na ponte reconstruída 10anos depois de ter sido destruída pela Guerra que assassinou a Jugoslávia.
Dou por mim numa cidade com cicatrizes de edifícios ainda cravejados de balas, uma cidade dividida com mesquitas e igrejas à distância de um quarteirão, as esplanadas, os expressos e a fast food a partilhar as ruas com o Little Bazaar, que parece retirado de qualquer cenário marroquino e uma PONTE a ligar as duas margens do Neretva cuja cor parece ter sido manipulada digitalmente de tão irrealmente verde...
... na entrada da ponte uma pedra diz “REMEMBER 93”...
Conversou-se nos jardins de uma mesquita e jantou-se numa esplanada em mesas de madeira. Mostar tem algo que a distingue... é especial, será que o tempo lá pára? Deve ter parado durante um minuto ou dois, aqui e ali, tenho a certeza... mas depois continuava a correr desenfreadamente e às 23h30 já estávamos no BUS de volta à Croácia...
... de coração pleno e tranquilo.
20 de janeiro de 2006
'MLJET'
Depois do impasse de bilheteira relacionado com a frase “No more tickets!” logo às 9h00 para o barco rápido que ia para a ilha de Mljet, andámos a vaguear pela cidade até ao barco seguinte às 12h00. Conseguimos o bilhete de autocarro para Mostar para o dia seguinte, experimentámos sapatos, comprámos damascos no mercado, burek’s na pekara (padaria/pastelaria) mais próxima e sentámos relaxados em poltronas de verga a beber café, olhar para o relógio e a escrever postais. Incrivelmente quase perdemos o barco... e o resultado da correria pelo cais foram bolhas nos pés e pior... damascos esmagados.
Uma vez em Mljet, tínhamos 3h ou 4h até ao último barco de volta a Dubrovnik. No sítio onde alugámos a motinha recomendaram-nos entusiasmadamente as “sandy beaches!” de um lado da ilha ou então o “natural park” do outro.
'DUBROVNIK'
A viagem para Dubrovnik foi óptima: 6h de barco pela costa da Dálmacia, adorei. Viemos no exterior e arranjámos lugares em cima dos armários que servem para armazenar os coletes salva-vidas.
A cidade velha (Stari Grad) está contida dentro de uma muralha enorme, uma fortaleza com 2 ou 3 pontos por onde se pode entrar e sair.
Lá dentro, as casas estão dispostas segundo ruas paralelas e perpendiculares, ruas estreitas com degraus de perder de vista.
Há imensos reclames de restaurantes cujos empregados vêm falar connosco com o menu do dia na mão.... Tudo o que faz esta a cidade mais turística da Croácia.










































