Mostrar mensagens com a etiqueta interrail II. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta interrail II. Mostrar todas as mensagens

17 de janeiro de 2006

'Stari Grad'

15-Agosto-2004, Domingo



Hoje adormeceu-se ao Sol.

'HVAR'

14-Agosto-2004, Sábado

Hvar é uma ilha ao largo do distrito de Split. A viagem durou 2h e foi agradável. Sol de torrar.
Surpreendeu-me (mas também não sei porquê) encontrar cidadezinhas medievais tão luminosas, de pedra clara. Sempre achei que as cidadelas antigas tinham que ser escuras e vermelhas ou castanhas.
Como qualquer uma destas cidades, Hvar tem as suas ruas sinuosas, estreitinhas e de paredes tortas com as suas janelas com flores (a agradável constante).



Depois da passeata pela cidade rumámos até ao sítio que estava indicado no mapa como BEACH.
Nada melhor que deitar na areia e relaxar.... pensei........ só que, como descobrimos depois, as praias da
Croácia não têm areia!
“BEACH” são os vários pontões ou rochas ao longo da costa com sítio para mergulhar e escadinhas para depois subir.
Praias com areia aqui são raríssimas.
Cada espacinho que desse para estender a toalha, neste caso o colchão de ar, estava ocupado por alguém ávido de sol e mar...



Mais tarde, percorremos a ilha de autocarro para ir acampar em Stari Grad, de onde partiria o nosso barco para Dubrovnik dali a 2 dias.

16 de janeiro de 2006

'“Split Split Split”'

14-Agosto-2004, Sábado

A viagem de Ljubljana para Zagreb demora 2h30. Como o comboio se atrasou íamos perdendo a ligação Zagreb-Split (só há 2 por dia) mas correu tudo bem e às 7h00 de sábado tínhamos chegado ao Adriático: Split, o céu nublado e chão molhado.... mas calor.....
A Croácia só tem comboios até Split e quem quiser visitar as cidades mais a Sul tem que ir de autocarro ou barco.
No verão a língua que mais se ouve falar aqui é o italiano... vêm-se mulheres lindíssimas, sorrisos e bronzes de fazer inveja.
O meu último banho tinha sido de chuva e enganei-me a pagar os capuccinos com uma mistura de moedas eslovenas e croatas.


'MAPA' #2

'Mercado em LJUBLJANA'

13-Agosto-2004, Sexta Feira

Choveu toda a noite...
Ensopados, embrulhámos a tenda o melhor que se conseguiu e pusemo-nos a caminho dos “25 minutes walk” até Lesce Bled (do outro lado do lago) para assim atalhar a viagem de comboio para Ljubljana. Claro que por causa da mochila e da chuva teimosa os “25 min walk” se transformaram nuns “40 minutos molhados até aos ossos”....
Era um comboio novo com ar condicionado quente... o que foi óptimo pelo menos para secar as sandálias.

Ljubljana, ainda que mais triste por causa das nuvens baixas e do frequente chuvisco é a mesma cidade acolhedora que já tinha visitado, ainda que por outros caminhos.
No mercado da cidade comprámos pêssegos e damascos para a viagem até Split dessa noite.
Aprecio o ambiente de mercado, fresco e colorido, frutas e flores.


'BOHINJ'

12-Agosto-2004, Quinta Feira

A umas escassas 3 paragens de comboio de Bled Jezero, fica Bohinj, outra zona de lagos e cataratas. Não conseguimos ver as cataratas mas deliciámo-nos com a beleza do lago e com as suas mudanças de tonalidade à guarda do Monte Triglav e dos outros picos montanhosos.
As árvores parecem sussurrar à nossa passagem, ou pelo menos assim a minha imaginação o ditou.


'BLED'

11-Agosto-2004, Quarta Feira

Trocámos de comboio em Jesenice e continuamos pelo meio das montanhas até à estação de Bled Jezero (Jezero=Lago)... À nossa volta é só árvores, e o velho comboio depois de nos deixar no apeadeiro rapidamente desapareceu na curva.


Acampámos no meio das árvores e fomos logo mergulhar no lago.
Sensacional!
Mesmo com a minha miopia deu para perceber que a vista de dentro do lago é mil vezes melhor que de fora... e a sensação é a de pertencer ao cenário.

'MAPA' #1

'Em trânsito...'

10-Agosto-2004, Terça Feira
6h29: comboio para Valence
8h15: comboio para Chambery-Challes
11h00: perdeu-se o TGV para Torino por falta de lugares... sorry Ana!

18h59: 2ºTGV, agora com reserva, para Milano

11-Agosto-2004, Quarta Feira
00h15: comboio para Verona
02h00-05h30: dormir no chão da estação de Verona
05h52: comboio para Veneza-Mestre
07h30: comboio para Trieste
10h52: comboio para Ljubljana
13h00: ... puf puf... ainda em viagem .... pelo caminho perdeu-se a tenda...
14h20: meia hora para comprar uma tenda em Ljubljana
15h22: comboio para Bled

“Baby baby, ain’t it true? I’m immortal when I’m with you… but I WANT A PISTOL IN MY HEAD… I want to go to a different land” PJ Harvey

Os interrails têm destas coisas.

12 de janeiro de 2006

'AVIGNON'

9-Agosto-2004, Segunda Feira, tarde e noite

Depois de deixarmos as mochilas nos cacifos da estação fomos explorar a cidade fortaleza, Avignon, o reduto dos papas fora do Vaticano.
O Palais de Papes é o maior palácio gótico do mundo e à sua volta tem jardins que dão acesso à Pont Saint Bénezet, semi-destruída por uma companhia militar e também pela força das águas.



Depois do jantar ao som de djambés, sentados no chão da praça do palácio, deambulámos por ali até chegarmos à beira-rio onde dormitámos na relva até à 1h. Fomos acordados pelas melgas e pelo sistema de rega...

'Conclusões...'

9-Agosto-2004, Segunda Feira

No autocarro para Avignon concluímos finalmente – principalmente eu – que é difícil visitar a Provence de mochila às costas com um pass de interrail que aqui é completamente inútil, pela simples razão que não existem comboios. Para além disso, os autocarros que ligam as vilas são quase inexistentes (tipo 2 por dia) e os bilhetes são caríssimos. Assim, perdida a batalha, decidimos largar a Provence com o rabo entre as pernas.
Novos planos: apanhar um comboio em direcção a Itália, para beber um café com a Ana em Torino e depois partir no mesmo dia para a Eslovénia.... O nosso comboio partia às 6h29 da manhã, o que quis dizer noite ao relento em Avignon.

'St. Remy de Provence'

9-Agosto-2004, Segunda Feira

Apanhámos um autocarro turístico (só existe de Junho a Setembro) que atravessa o countryside e percorre as estradinhas secundárias que ligam Arles a Avignon passando por povoações como Les Baux e St Remy de Provence.



Saímos em St Remy, que se diz ser a cidade mais provençal da Provence. É uma vila parecida com Arles, mas mais pequenina, mais tradicional. Existe uma cidadela dentro de muralhas e foi por aí que nos perdemos mais uma vez em recantos encantadores.



Dá vontade de fotografar tudo, lojas de tecidos e retrosarias com velhinhas, lojas de livros, lojas de arte e galerias de pintura e escultura... tudo organizado com um bom gosto rigorosíssimo para satisfazer a gula visual do viajante.


Mas St Remy vê-se num instante e algumas horas depois era tempo de reclamar as mochilas tão gentilmente guardadas num hotel ali perto e partir no 2º autocarro para Avignon.

St Remy também está no mapa dos admiradores de Van Gogh uma vez que ele se internou aqui num asilo de livre e espontânea vontade, depois de ter mutilado a sua própria orelha em Arles.
Há um percurso pedestre por toda a cidade através do qual se pode acompanhar um pouco da sua obra e aprender sobre como ela se relaciona com cada local.
Apesar de ter estado num asilo, por vezes deixavam-no sair para ele poder continuar a criar e os entendidos na matéria percebem nos quadros deste período uma grande carga de angústia, ansiedade e agitação.

Cypresses

Starry Night

Um ano depois, Vincent suicidar-se-ia em Paris no auge do seu génio.

10 de janeiro de 2006

'ARLES'

8-Ago-2004, Domingo

Depois do choque fantasma inicial, Arles surpreendeu pela sua vida cheia de cor e contentamento. Passeou-se por entre as ruínas romanas em volta das quais cresceu simbioticamente o resto da cidade. O Anfiteatro de Arles apresenta-se como a 2ª maior arena romana depois do Coliseu de Roma.
Mas a Provence que eu queria ver e a que mais gostei... foi a das ruelas estreitas, a das janelas com flores.


Cheira a oregãos... Em todas as esquinas há uma banca a vender bouquets de lavanda, saquinhos com
“herbes de Provence”, óleos e vinagres, livros de receitas. Dá vontade de cozinhar e depois pegar no cesto e na toalha aos quadrados... e sair para fazer um picnic.


Encontrámos muitas iniciativas culturais. Acontecia o festival de fotografia “Rencontres d’Arles”, por isso por toda a cidade se distribuíam panfletos com sugestões de exposições.

Vincent Van Gogh viveu em Arles durante um período de tempo que se considera ser o seu mais criativo. Ele veio para esta cidade com o intuito de criar uma colónia de artistas (à qual se juntou Gauguin) mas aparentemente não teve sucesso. Pelo contrário, foi na Provence que descobriu as cores vivas do campo e do mediterrâneo que lhe inspiraram as obras primas.

Um dos meus quadros preferidos foi pintado no sítio mais emblemático de Arles, a onde todos os caminhos da cidade parecem ir dar, cheia de esplanadas e sítios onde apetece sentar, a Place du Forum:


The Cafe Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night

Este sítio existe e é agora o Café Van Gogh.

9 de janeiro de 2006

'DOMINGO não é dia de chegar a lado nenhum...'

8-Ago-2004, Domingo

E depois de uma longa viagem que passou pelo super florestado santuário de Lourdes e com direito a troca de comboio a meio da noite em Marseille... chegou-se a Arles no domingo cedo de manhã. Mas Domingo não é dia de chegar a lado nenhum, principalmente quando ainda não se faz ideia de onde se vai ficar, se há ou não parque de campismo e se é longe da estação.
A cidade parecia abandonada, não havia um posto de informação aberto, ninguém para pedir uma informação, autocarros só dali a 2 horas... ficámos super ofendidos com esta falta de apoio ao turista mas queríamos o quê? No meio de uma cidade quase rural, num domingo às 7h30!!

Imaginei-me na pele de um jovem
mochileiro acabado de chegar a Sta Apolónia no mesmo dia e á mesma hora e achei que ele também se veria em apuros... e Lisboa é uma capital!!

Mas lá se desenrascou a localização de um parque de campismo e pusemo-nos a caminho... era super longe, pedimos boleia mas ninguém parou, excepto um grupo de rapazes aparentemente bêbedos... levámos 1h a chegar... e o calor ganhou todo ele uma nova definição.
Depois de tomado o 1º banho após a partida de Lisboa partimos à descoberta da cidade onde o Van Gogh pintou o meu quadro preferido.
NOTA: não sei porquê mas o 1º banho acaba sempre por ser sempre um ponto abordado quando se trocam experiências de interrails...

'Direcção: PROVENCE'

7-Ago-2004, Sábado


Um dos destinos desta viagem foi o Sul de França, mais precisamente a bela região da Provence. Ainda em Hendaye pedimos informações sobre como chegar lá e a cidade de referência era Arles, cidade onde morou e pintou o Van Gogh e outros artistas que procuravam o Sol do Sul e as cores vivas desta região para se inspirarem.
Mas é absolutamente incrível como se torna difícil chegar aos lugares se tomarmos os caminhos menos percorridos! E quem decide visitar as pequenas e pitorescas vilas da Provence a pé e de mochila às costas é completamente doido, principalmente se esse alguém não quiser desperdiçar tempo! Mas só me apercebi mais tarde.

'De volta ao SUD EXPRESS'

6-Ago-2004, Sexta Feira

Três anos depois da primeira viagem neste comboio, o regresso faz-se com muita expectativa. As circunstâncias em que se faz de novo a viagem são outras... diferente é a vida que agora se deseja desordenar momentaneamente.
E sem mais demoras, às 18h01, partimos.
Mas na mesma continua a estopada de 12h de viagem até Hendaye e aí a longa espera de 8h para todos os que se decidirem pelos caminhos do Sul.
Não interessa... o melhor que há é pegar na mochila e sentir o vento no cabelo, ver o mundo e o mundo ver-nos a nós.