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13 de novembro de 2009

Chillout en San Pedro de Atacama

18-Setembro-2009

San Pedro de Atacama era uma cidade de encruzilhada de caravanas de lamas que se dirigiam do Altiplano até ao Pacífico para trocar com as comunidades piscatórias. E de facto a cidade gira à volta de meia dúzia de ruas que se entrecruzam em terra batida.

Chegamos no dia em que se festeja a independência do Chile (Fiestas Pátrias) por isso encontramos a cidade toda enfeitada com bandeiras.

As casas são de adobe, castanhas da cor da terra do chão, pontuadas com anúncios de agências de viagens de tours para o dia, ou menus gigantes escritos em quadros de giz, promocionando bebidas em happy hour ou a quantidade interminável de pastas ou pizzas servidas nesse restaurantes.
A decoração dos sítios é étnica, mesas de madeira, pinturas tribais.



Nos cruzamentos encontramos jovens que tentam angariar clientes fazendo publicidade dos restaurantes onde podemos comer, dos sítios que podemos conhecer, actividades para fazer, bares com as melhores bebidas.
Há muita gente nova a trabalhar em San Pedro. Muitos vêm temporariamente, outros imigraram de outras cidades do Sul do país, por causa do bom clima, da descontracção da vila e das oportunidades de trabalho relacionadas com o turismo, virtualmente infinitas.

Estamos num local muito turístico e não faltam os requisitos necessários à satisfação de qualquer turista.

Ao longe o vulcão Licancabur perscruta a cidade. E nós, de cabelo lavado e tshirt de manga curta, misturamo-nos facilmente com o turista despreocupado, desfrutamos do calor de San Pedro e deixamos de vez o pó e o frio de outras terras mais altas.




San Pedro é verdadeiramente um oásis no meio do deserto.

9 de novembro de 2009

Chegada a San Pedro de Atacama

18-Setembro-2009

A poucos km’s da Lagoa Verde fica um posto fronteiriço da Bolívia.
Despedimo-nos dos nossos companheiros e carimbamos o passaporte. Estamos no Chile.


Assim que entramos no Chile, tudo muda... A paisagem é a mesma (consta que o próprio vulcão Licancabur é metade chileno e metade boliviano, ainda que para mim isso seja difícil de imaginar..) mas de resto tudo é diferente. Do lado chileno as estradas são alcatroadas até ao posto fronteiriço e há placas com indicações quilométricas. Sabemos que faltam exactamente 45km para San Pedro de Atacama.

São 45km sempre a descer. Baixamos dos 4300m da Lagoa Verde até aos 2400m de San Pedro em 30min. Os ouvidos estalam. Á medida que descemos, sobe a temperatura até uns 30ºC com os quais estamos mais familiarizados, mas em termos de altitude continuamos mais altos que outras cidades como por exemplo o Katmandu.

No posto fronteiriço chileno à entrada da cidade somos todos revistados pois não podemos trazer nenhum tipo de comida ou vegetal... mas de algum modo as folhas de coca lá arranjam maneira de passar unnoticed.

Para além de hiper-vestidos estamos hiper-empoeirados do altiplano. Termos acordado às 04h30 com -10ºC perto da Laguna Colorada na Bolívia já parece ter sido noutra vida.

6 de novembro de 2009

Rota de Jóias II

18-Setembro-2009

São 04h30. Estão -5ºC na rua. O ar é muito seco por isso não há nem um pico nevado.
Vamos ver os geysers “Sol de Mañana”, que são mais extraordinários antes do nascer do sol. Vemos impressionantes lagoas de lama em bolhas gigantes.
Alertam-nos para a altitude, aqui 5000m “é melhor mascar umas folhas de coca” mas a única coisa que me incomoda neste momento é o frio, entranhado nos ossos. Estou gelada.




O Sol nasce.
Descemos em direcção à Lagoa Polques onde encontramos spots de águas termais. Como estão abrigados do vento lá perco a cabeça e a vergonha e começo a despir-me com aquele frio para entrar na água a 35ºC.
Excelente. O antídoto perfeito para os meus pés gelados a noite toda.



Ao pequeno almoço, muitíssimo bem dispostos, comemos panquecas com doce e iogurte com frutos enquanto tagarelamos com os nossos companheiros argentinos.
Delicioso.

Quando partimos o meu coração começa a bater mais depressa.
Estamos a poucos km da Lagoa Verde. E ainda passamos por cenários inacreditáveis. Não acredito que estou aqui. Estou completamente feliz.



A Lagoa Verde aninhada no Vulcão Licancabur aparece em 1 segundo depois de subirmos uma colina, é como uma descarga de adrenalina. Ficamos de boca aberta de espanto.


Só penso que na primeira vez em que imaginei viajar na Bolívia achei que este sítio escondido num cantinho do país seria algo de remoto e inalcansável. Mas ainda bem que aqui estamos. É o tipo de local que nos faz vir lágrimas aos olhos. Uma verdadeira rota de jóias no deserto.

3 de novembro de 2009

Rota de Jóias I

17-Setembro-2009

Deixamos o Salar e à medida que nos vamos aproximando da fronteira com o Chile, vai aumentando a altitude, mas está tudo bem, já estamos aclimatizados.
Apreciamos o vulcão Ollagüe, atravessamos a linha de comboio Uyuni-Calama, passamos por um controlo policial... a viagem é longa e desconfortável.
Não há estradas, só trilhos... penso que seria impossível distinguir qual deles seguir.
Por outro lado a paisagem é esmagadoramente estrondosa....






Passamos por várias lagoas: Cañapa, Hedionda, Ramaditas e Chiar Khota, povoadas de flamingos cor de rosa e rodeadas de montanhas.
Vemos vicuñas a pastar e uma raposa ao longe... somos só nós e a natureza.







O deserto de Siloli e as suas estranhas formações rochosas aparecem depois de um promontório. É um deserto de areia que junto com o vento faz surgir verdadeiras esculturas.



Na Laguna Colorada, uma nuvem tapa o Sol brincando com a cor vermelha da água.
Esta cor deve-se aos pigmentos naturais das algas que existem nas suas águas pouco profundas.





À noite no refúgio jogamos às cartas e ao jantar oferecem-nos uma garrafa de vinho de Tarija.
Há muitos cobertores nas camas, ainda bem.. pois estamos a 4500m e na rua a temperatura desce a baixo de zero.

O Salar de Uyuni

16-Setembro-2009


O tour começa com grande entusiasmo em direcção a Colchani, alguns km’s acima de Uyuni, uma povoação à beira do Salar que subsiste à base de venda de artesanato e de extracção de sal.

O Salar de Uyuni é o maior Salar do mundo e ocupa agora a parte mais funda do que foi antigamente o Lago Tauca, um lago gigante que cobria o sul do altiplano há 12000 anos. Formou-se depois das águas do lago terem evaporado.
Desde então faziam-se caravanas de lamas que transportavam o sal até outras províncias da Bolívia, voltando com produtos não cultivados no altiplano como milho ou folhas de coca.






Almoçamos no Hotel de Sal, construído integralmente à base de blocos de sal extraídos directamente da superfície do Salar.
O branco da paisagem deixa-nos a todos espantados... é quase impossível abrir os olhos sem óculos escuros... há aqui qualquer coisa de irreal... parece infinito....

Como é de dia e o sol brilha, até está calor, mas a altitude e o alto índice reflectivo do branco do Salar fazem com que praticamente nenhum calor seja absorvido pelo solo e que as temperaturas à noite caiam bem abaixo dos 0ºC...
Estou preocupada com a chegada da noite, mas entretanto vou-me deliciando com a paisagem absolutamente fantástica e onírica.









Dormimos num Hotel de Sal e para meu espanto as instalações são muito confortáveis... e climatizadas... Há quartos duplos, colchões, lençóis, cobertores e até duches quentes...

Quando chegamos temos chá quente com bolinhos de canela à nossa espera.




Na rua há lamas a pastar... e à medida que a noite chega, adensam-se as estrelas... mas sobre isto não há descrição possível.

28 de outubro de 2009

Uyuni, a ferroviária

16-Setembro-2009

Uyuni é uma cidade ferroviária e só isso faz-me logo “levantar a orelha”, pelo menos à minha faceta de train lunatic.
O troço Oruro-Uyuni-Villazon é o único troço ferroviário que se mantém de Norte/Sul na Bolívia. As outras cidades perderam as suas ligações ferroviárias por causa dos autocarros serem agora muito mais rápidos e baratos, mesmo em condições terríveis de asfalto.

Existe “outro” comboio que também sai de Uyuni, uma vez por semana.
O Uyuni-Calama: 20h de comboio por paisagens inolvidáveis entre a Bolívia e o Chile... ainda pensámos duas vezes nele... talvez para uma próxima.


Uyuni costuma ser a base de exploração para o Salar de Uyuni e Reserva Eduardo Avaroa.
Vêem-se muitos backpackers, jeeps artilhados até aos dentes, a cidade está apinhada de pizzarias, lojas que vendem roupa quente e claro, hoteis.

Isto é algo que à primeira vista não se entende por ser uma cidade em si tão pouco atractiva de casas rasteirinhas de tijolo, ruas não pavimentadas e cujo edifício de referência é uma estação de comboios “fantasma”, dado o pouco movimento e a horas tão tardias.


E esta também é conhecida por ser a cidade mais fria da Bolívia, por isso a nossa principal preocupação foi encontrar um hotel com chuveiros de água quente, na última noite antes da partida para a expedição no Salar....... :-)

27 de outubro de 2009

BUS MEMORIES II - Potosí to Uyuni

15-Setembro-2009

No terminal de autocarros de Potosí tentamos comer qualquer coisa pois vamos fazer uma viagem longa durante a tarde. Mas não encontramos absolutamente nada que não seja “pollo frito” ou qualquer outra variante de “pollo”: milanesa de pollo, salteñas de pollo, caldo de pollo, etc... o que para pessoas que não comem carne pode ser complicado...

Por outro lado, o sumo de laranja feito na hora com recurso a material de carpinteiro em carrinhos improvisados é absolutamente delicioso e refrescante.
(Já agora, alguém sabe porque são tão caros os sumos de laranja naturais em Lisboa?)




Na hora da viagem para Uyuni, carregamos as mochilas no porta-bagagens do autocarro e deixamos a cidade. A viagem dura 6h30 e é sempre em estrada não asfaltada... Pensamos “ainda bem que as dores de cabeça já se foram”. Este tempo todo para percorrer 210km.

São km esburacados e desconfortáveis mas lindíssimos, vêem-se formações rochosas fantásticas a fazer lembrar outras paragens americanas.


Há muita gente a trabalhar na estrada e nós pensamos que apesar do sentimento de isolamento que se sente nestes locais também ser algo espectacular, esta paisagem merecia mesmo uma estrada alcatroada.

Conversamos. Uma vez que ler, escrever ou tirar fotografias está completamente fora de questão.
Lembramos que só 10% das estradas da Bolívia são alcatroadas e tentamos aproveitar a viagem lentamente kilómetro a kilómetro...




Pelo caminho vemos rebanhos de alpacas e fazemos uma pit stop de 10min para esticar as pernas. Mas não existe nada nesse local. Uma casa de adobe a cair, uma senhora a vender chicharrón, dois cães pulguentos.

Os bolivianos que viajam connosco aproveitam para petiscar o chicharrón.
Os estrangeiros não se atrevem.