
20 de janeiro de 2011
18 de janeiro de 2011
Kom Ombo
Tem duas metades idênticas, uma dedicada ao deus crocodilo Sobek, deus da criação do mundo e da fertilidade e outra dedicada ao deus falcão Horus.
De qualquer modo, eu nunca tinha visto NADA assim por isso adorei cada detalhe, cada inscrição, cada hieróglifo. O pormenor com que foram esculpidos há 2000 anos foi algo que considerei “out of this world”.

17 de janeiro de 2011
Cruzeiro no Nilo
E afinal como é que funcionam os célebres cruzeiros no Nilo? Há-os para todos os gostos e para todas as carteiras.
Dos rápidos de 2 dias entre Aswan e Luxor, perfeitos para quem não tem muito tempo para gastar mas não dispensa a sensação de relax de viajar de barco rio acima, até aos cruzeiros de semanas entre o Cairo e Abu Simbel...

Não somos “cruise-persons” por isso o tipo de cruzeiro mais rápido foi sem dúvida, a maneira melhor e mais conveniente de seguir viagem.
E por 40€ a noite, o esquema dos cruzeiros é o seguinte:
07:00 – 09:00 – pequeno almoço
piscina
13:00 – 14:00 – almoço
piscina
16:00 – lanche
piscina
19:30 – 21:00 – jantar
22:00 – show
Claro que dada a proximidade ao trópico de cancer, a piscina só é possível debaixo de guarda sol... e pelo caminho fazemos paragens para visitar os templos de Kom Ombo e Edfu.


À noite damos por nós numa espécie de freak show com os turistas russos e franceses mascarados de faraós para as fotografias, depois vendidas a 5€ cada...
Nós aproveitamos para ir para o terraço ver as estrelas e ouvir a água do rio a escorregar no casco do navio.
Mas não estamos sozinhos. Lá, a bailarina de dança do ventre espera escondida pelo momento da sua actuação.
Nem vamos sozinhos. Acompanham-nos duas cervejas geladinhas que contrabandeámos para dentro do barco. É estritamente proibido consumir bebidas não adquiridas a bordo... mas o preço inflaccionado faz com que seja uma grande tentação comprá-las aos vendedores de rua.
A verdade é que os cruzeiros no Nilo, apesar de serem um grande sucesso entre os turistas, não são nem podem ser representativos do que é o verdadeiro Egipto.
A bailarina desce e os gritos e aplausos dos turistas sufocam o tilintar das moedas que ela balanceia à cintura.
Continuamos no terraço. Continua a escorregar a água do Nilo. E a cerveja contrabandeada também.
13 de janeiro de 2011
Abu Simbel



E diz bem.
Este é o templo do Sol que Ramsés II dedicou às divindades mais veneradas no Egipto Antigo: Amun, o rei dos deuses, Ra-Horakhty, o deus do sol e Ptah, o deus do submundo... e a si próprio também, Ramsés II, o Deus.
Diz a lenda que o templo foi construído pelos antigos egípcios milimetricamente de modo a que o Sol entrasse no santuário e iluminasse todas as esculturas das divindades excepto a do deus Ptah que convenientemente ficaria sempre na escuridão.
Este fenómeno Solar acontecia precisamente nos dias que se pensam ser o do nascimento do Faraó (21 Fev) e o da sua coroação (21 Out).
Por isso visitámo-lo num dia especial.
Claro que com a passagem dos mais de 3000 anos e com a deslocação do templo para terrenos mais elevados, o fenómeno já não é o que alegadamente costumava ser... No entanto –como pudemos ver- são dias que continuam a ser amplamente celebrados em Aswan e em Abu Simbel com festivais.
Outra obra-prima da engenharia arqueológica que sempre me impressionou nestes templos foi o facto de, nos anos 60, terem sido completamente transladados.
A subida do nível das águas do Nilo como consequência da construção da Grande Barragem de Aswan fez com que a UNESCO decidisse desmantelar os 2 templos e reconstruí-los bloco a bloco numa cota mais elevada, livres de submergirem.
Ao lado do templo principal há outro mais pequeno que Ramsés II construiu como presente à sua mulher preferida, Nefertari. E isso percebe-se perfeitamente ao vermos o tamanho das estátuas colossais da Rainha existentes na fachada principal, do mesmo tamanho que as do Faraó... isto ao contrário da tradição em que as estátuas das rainhas nunca ultrapassavam a altura dos joelhos das estátuas dos faraós.
10 de janeiro de 2011
feluccas @ Aswan
Isto porque aqui onde o deserto se fecha em dunas gigantes sobre o Nilo, Aswan oferece-nos um cenário delicioso e arrebatador.

5 de janeiro de 2011
Aswan timing
20-Outubro-2010
Aswan fica 950km a Sul do Cairo, mas a viagem nocturna foi um instante e sem nenhum incidente daqueles que, quem visse o 1º vagão do comboio cheio de militares fardados e armados, pudesse imaginar.
Mas antes de lá chegarmos já sabíamos que tínhamos o tempo contado. Uma das consequências do dia extra no Cairo.
E outra das consequências é a possibilidade fortíssima e quase garantida de não podermos visitar os templos de Abu Simbel.
Vicissitudes de quem tenta viajar durante 2 semanas como se tivesse 1 mês.
Mas durante o tempo em que temos de esperar na recepção do hostel, enquanto limpam o nosso quarto, decidimos seguir a estratégia de outros tempos e perguntamos onde podemos falar com um agente de viagens.
“Aqui mesmo!” Respondem.
Tal como nos outros tempos.
Perfeito.
O agente chega em 5 minutos e noutros tantos regateamos um cruzeiro no Nilo de 3 dias e 2 noites (Aswan - Kom Ombo – Edfu - Luxor por 40€ a noite, pensão completa).
Não que sejamos -como se sabe- grandes craques do regateanço.... e já nem a conversa do “somos estudantes” resulta tão bem como nos outros tempos.
Mas ele precisava mesmo de vender.
Depois na recepção do hostel garantem-nos que é o timing perfeito para ir e voltar a Abu Simbel.
Só que Abu Simbel fica ainda a 245km a Sul de Aswan, quase na fronteira com o Sudão. E tal como para viajar de comboio entre o Cairo e Aswan, também para visitar o templo do Sol de Ramsés II não é permitido aos estrangeiros ir como e quando lhes apetecer... é necessária uma escolta militar.
Como fomos percebendo não é fácil viajar independentemente no Egipto.
Simplesmente desaparece todo o conceito. Por isso temos que nos adaptar.
E adaptar a timings muito restritos. Estar a pé às 2h45, sair do hostel às 3h30, sair em convoy às 4h00, chegar a Abu Simbel às 7h00, sair de Abu Simbel às 9h30, chegar a Aswan às 12h30, zarpar em direcção a Luxor às 13h00.
Pegar ou largar.
Avizinhava-se um dia stressante por isso achamos que por enquanto este é o timing perfeito para preguiçar numa felucca com um karkady geladinho na mão.
4 de janeiro de 2011
train to Aswan
O comboio Cairo-Aswan, aquele onde os turistas podem viajar, sai às 20h30. Mas nós já estamos na estação às 19h30.
Para já, não gosto de chegar em cima da hora.
Só assim, a ver as pessoas a ir e a vir, a tentar imaginar de onde vêm e para onde vão e porque vão tão carregados, a tentar interpretar os placares dos horários em árabe, a meter conversa com a pessoa do lado...
3 de janeiro de 2011
Coptic Cairo
Mas José, o pai adoptivo de Jesus, é avisado em sonhos por um anjo para se apressarem a fugir para o Egipto...

E quem andou na catequese, sabe que este foi um momento importante...
30 de dezembro de 2010
Museu de Antiguidades, a antiguidade
Ou... quase sempre.
O Museu de Antiguidades Egípcias do Cairo, fundado em 1858, é um dos museus mais formidáveis do mundo e desde sempre tive imensa curiosidade em visitá-lo.
Mas na realidade o Museu já é em si uma espécie de antiguidade.
Está muito desactualizado em termos de infra-estruturas, os artefactos para além de mal iluminados, amontoam-se uns em cima dos outros (consta que para além dos milhares de items que estão expostos, existem outros tantos escondidos na cave por não haver espaço para eles), não há praticamente legendas nos items em display sem ser em árabe... e para mal dos meus pecados, nem sombra de ar condicionado. Isso e os milhares de pessoas à nossa volta.
Mas apesar de tudo, sentimos claramente que qualquer uma das peças aqui expostas poderia perfeitamente ser a "highlight" de qualquer exposição de Egiptologia em qualquer museu do mundo.
E depois ainda há o Tutankamon...
A grande descoberta de Howard Carter em 1922, o túmulo do rapaz faraó, encheu as páginas dos jornais da época assim como as salas deste museu. Foi uma das maiores descobertas de sempre por se terem encontrado todos os tesouros do seu recheio ainda completamente intactos.
O ouro encontrado no túmulo, os vários sarcófagos, a estatuária, etc... estão dispostos ao longo dos corredores junto à movimentada galeria principal, onde se encontra a famosa e absolutamente espectacular máscara de ouro, lápis-lazuli, quartzo e obsidiana.
(não podemos fotografar dentro do museu, mas não resisto a colocar aqui esta foto fabulosa que encontrei no site da National Geographic.)
Infelizmente o túmulo de Ramsés II foi assaltado várias vezes, encontra-se muito deteriorado e do seu espólio funerário restam poucos objectos, espalhados por vários museus do mundo....
No Museu de Antiguidades do Cairo há ainda a sala das múmias onde estão expostos os restos mortais de faraós como Seti I, o grande Ramsés II, Tuthmosis etc, todos com mais de 3000 anos...
29 de dezembro de 2010
Koshary experience
18-Outubro-2010
A hora de jantar é a hora perfeita para apanhar um taxi para o restaurante “Abou Tarek” sugerido no Rough Guide como o melhor sítio para comer koshary do Cairo... O que quer que isso seja.
E foi um verdadeiro achado!
Assim que entramos no estabelecimento reluzente do Abou Tarek, somos recebidos por um empregado sorridente que nos indica uma mesa.
Estamos ainda a olhar em redor quando o mesmo empregado nos põe um prato cheio de comida à frente...
“E o Menu?” perguntamos.
O empregado –simpatiquíssimo- responde: “Koshary! Aqui só se come Koshary!”
Fantástico! Olhamos e fazemos como as pessoas da mesa ao lado.
O Koshary é –a par do falafel- uma espécie de fast food típico egípcio, uma mistura de esparguete e arroz, com grão, lentilhas pretas, molho de tomate e cebola frita. E como percebemos mais tarde, o que não faltam são casas de Koshary em cada esquina das cidades egípcias.

O empregado sorridente de vez em quando vinha ter connosco e explicava como se faz: junta-se sumo de limão com alho e um pouco de picante. Pegava na nossa colher e misturava tudo.
Sorria e ao mesmo tempo exclamava “Koshary”!
Posso garantir que é fabuloso.
whirling dervishes
Mais tarde seguimos a recomendação do nosso mais recente companheiro de duty free e assistimos a um espectáculo grátis (!!) que acontece em alguns dias da semana: Whirling Dervishes no Wikalat Al-Ghuri, um antigo caravenserai para mercadores, no coração do Islamic Cairo.
Neste culto sufi os sacerdotes/bailarinos, pretendem ser “um” com Deus através de cerimónias de transe em que rodopiam sem parar durante horas.
O gesto de estender o braço direito para o céu e o esquerdo para o chão significa que as dádivas recebida por deus são distribuídas pela humanidade sem nenhuma parte ser retida pelo dervishe.
A percussão é fantástica, a música, as luzes, as cores... fiquei fascinada e tirei imensas fotografias que me coloriram o álbum até agora ainda tão amarelado.































