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12 de julho de 2006

Ao Longe, o Sahara

Faltam 300 km para o Sahara.
Tomámos a estrada Fes – Azrou – Midelt – Er Rachidia que costumava ser conhecida por Royal Road, uma antiga rota de caravanas de sal e escravos vindas da África Ocidental.
A paisagem muda radicalmente de árvores frondosas nas montanhas em Azrou para planícies amarelas de perder de vista em Er Rachidia.
E agora as caravanas são outras...

Foi uma viagem longa e monótona que nos fez passar por muitas terreolas poeirentas, parques eólicos, postos de venda de Coca-Cola e Téléboutiques...
Entretanto houve algo que me fez perceber que vinha desanimada... estávamos quase a chegar mas nunca mais chegávamos... começou a chover entre Er Rachidia e Erfoud... nem uma réstia de sol, céu encoberto... estava aquele tempo húmido e quente e super abafado... aquele tempo que dá dor de cabeça.

Os 25 km entre Erfoud e Rissani fizeram-se com alguma preocupação por causa do céu que continuava baixo e das rajadas de vento que se levantavam de vez em quando. Já tínhamos sido avisados das tempestades de areia que tinham acontecido nas últimas semanas... aiai...


... mas entretanto começámos a avistar as dunas do Erg Chebbi ao longe... ... e algures houve um desassossego interior que principiou.

As mulheres vestem-se de negro... e estão todas tapadas da ponta do pé à ponta do cabelo... Crianças sujas e despenteadas sorriem-nos. Vêem-se jipes e veículos 4x4.
Em Rissani virámos na estrada para Merzouga. Foi recentemente alcatroada. Ainda bem, pois num carro normal como o nosso nunca conseguiríamos fazer 40km numa “piste” (estrada não alcatroada que pode ter pedras ou pior, areia).
O panorama é quase lunar... somos nós e a estrada... e as dunas ao longe... e elas crescem à medida que avançamos.
Nesta estradinha estreita existem muitas indicações de mudança de direcção que nos levam a albergues à beira das dunas... parecem saídas para lado nenhum pois a estrada acaba e restam-nos as “pistes”.
Assim, antes de chegar a Merzouga virámos à esquerda em direcção ao Kasbah Tombouctou.

O sol espreita... será?
Faltam 2 km para o Sahara.


( Fotos de L.Romão)

11 de julho de 2006

Petit Dejeuner

12-Jun-2006, Segunda-Feira


Pequeno Almoço:
sumo de laranja
chá ou café
crepes com doce, mel e manteiga
pão
bolos

10 de julho de 2006

Fes-el-Bali


Fes é uma cidade imensa e está dividida em 2 partes, a parte nova e a parte velha... Mas Ville Nouvelle à parte, resta a medina que por sua vez também está dividida na Fes-el-Djedid e na Fes-el-Bali, o nosso destino.
A chegada a Fes foi algo atribulada por causa de um senhor motociclista algo assustador que se lançou no nosso encalço, se colou ao nosso carro e não desgrudou... queria levar-nos para um hotel que só ele sabia, foi muito insistente. E isto é algo que se deve esperar ao entrar em Fes de carro... perseguições.

O céu de Fes estava baixo e carregado, mesmo cinzento escuro, mas isso não impediu a temperatura de rondar os 40ºC.
Por todo o lado há homens e crianças que se oferecem para ser os nossos guias dentro da medina... “É muito difícil, não vão conseguir voltar ao ponto de partida”, garantiam...
... mas não fizemos caso...Percorremos a rua Tala el Kbira até ao final... mais de 1km de lojinhas e bancas em ruas estreitas ora cobertas ora descobertas... Quando passam os burros com as suas cargas não existe espaço para mais ninguém naquelas ruas... as pessoas espremem-se umas contra as outras e contra as paredes, fica difícil de respirar para alguns... assim é Fes, apertada, comprida, inclinada, amarela, sagrada.

(Foto de L. Romão)
(Foto de L. Romão)

Mais tarde fez-se noite e foi hora de futebol. E numa esplanada absolutamente masculina torcemos por Portugal. Éramos 5 em 50.
Depois do jantar encontrámos outros futebolistas que deliraram ao serem fotografados...

7 de julho de 2006

A caminho do SUL

11-Jun-2006, Domingo


Deixámos o Rif e o azul enfeitiçante de Xaoen e rumámos ao Sul em direcção a Fes.
Os 200km fizeram-se bem. Não se vêem muitos carros pelo caminho. Só alguns camiões facilmente ultrapassáveis e outros tantos grand-taxis, que são carros grandes partilhados por +5 pessoas para além do condutor com destinos diferentes numa determinada rota. São a alternativa competitiva aos autocarros ou comboios para o transporte inter-cidades.
O problema é que consta que os motoristas costumam adormecer ao volante...
Senhores de chapéus coloridos montados em burrinhos acenam-nos e seguem caminho.

A paisagem amarela não engana... estamos a caminho do SUL.

5 de julho de 2006

Azul de CHEFCHAOEN

Xaoen não nos comoveu à chegada... cá de fora a cidadezinha aninhada na montanha parecia uma cidade igual às outras... e a verdade é que nós, depois de tudo o que tínhamos andado para chegar até ali, exigíamos algo não menos que “bombástico”.
Os mais cépticos sugeriram então que não perdêssemos tempo e seguíssemos caminho, mas o cansaço já era algum e por isso ficámos.
AINDA BEM!

Pois em Chefchaoen encontrou-se a tal bomba... uma explosão de bem estar.
Assim que se começa a percorrer a medina, surgem étereas visões azuis glacé que nos refrescam por dentro. É algo que não consigo descrever. Sei de uma moura que ia delirar aqui...


Toda a gente nos pergunta se queremos ajuda e oferecem os seus serviços sem serem requisitados. Somos convidados para o típico chá de hortelã açucarado, falam-nos em todas as línguas e tentam vender-nos de tudo... tapetes, roupas, especiarias, hash...
... porque Xaoen e as montanhas do Rif são conhecidas pelas suas plantações de marijuana... assim que entramos numa loja para ver um artesanato qualquer, enquanto o diabo esfrega um olho e sem dizermos nada, aparecem cachimbos compridos de madeira com Kif para se experimentar e os derivados de marijuana saem de dentro das tajines em exposição e voam para as nossas mãos.



Mas a mim impressionou-me o azul... azul de Chefchaoen... um azul que pinta paredes, portas, chão e céu. Um azul mágico e fresco. Impressionaram-me os recantos deliciosos aqui e ali e as flores cor de rosa nas árvores.


Ao jantar, dá-se a iniciação à gastronomia marroquina: tajine de borrego, couzcouz de legumes, kefta (almôndegas), cenoura com canela... doce com salgado. A sobremesa é simples, laranja.

4 de julho de 2006

O carro

Ainda não tínhamos saído do Porto mas já tínhamos sido interceptados por um motorista de taxi que não nos largou até saber onde queríamos ir. Digamos que 5 pessoas com mochilas enormes às costas, completamente desorientadas a olhar para mapas não são propriamente presas difíceis.
Aceitámos a “ajuda” e por 5 euros ele levou-nos a uma agência de aluguer de automóveis. Conseguimos então um Fiat Siena, sem rádio nem ar condicionado, por 300 euros, para toda a semana.
E pusemo-nos ao caminho pois a nossa 1ª paragem ficava ainda a 100km.

Mas... não existem setas em Tanger!
Devem existir, nós é que não as vimos e então andámos ao “deus dará” por estradas secundárias e terciárias (!) até encontrarmos o caminho mais rápido... mas foi divertido pedir indicações às pessoas por quem passámos.

(foto do L. Romão)

... entretanto, as montanhas do Rif aproximavam-se.

Chegada a Tanger

10-Jun-2006, Sábado

Amanheceu-se em Algeciras às 10h, com um terrível torcicolo depois das 13h de viagem de autocarro desde Lisboa (incluindo a paragem em Sevilha).
Mas era um torcicolo feliz.


Pausa para trocar euros por dirhams e perceber qual o barco que nos lançaria mais rapidamente em Tanger. A resposta foi um barco rápido com partida de Tarifa, a 20km de Algeciras, dali a uma hora.
Chegámos a Tarifa em cima da hora e não contámos com a demora do check in + carimbagem de passaportes + verificação de bagagem à passagem da fronteira espanhola.
Estamos numa fronteira entre continentes e culturas que não se passa em 5minutos.
Mas, também estamos na fronteira entre Espanha e Marrocos, por isso o barco atrasou-se e nós conseguimos apanhá-lo....
Fizemos uma pequena parte da viagem na rua ao sol e ao sal, e uma grande parte da viagem dentro do barco na fila pró senhor marroquino que recebia os formulários da imigração, carimbava e conferia os nossos passaportes.

... mas dali a 45 minutos, enfim Tanger.