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21 de fevereiro de 2008

OUT OF GAS

Em Genipabu combinamos um passeio de buggy com o Renato para mais tarde. É a despedida... Depois de alguns mergulhos, passeios a cavalo na praia (que por muito romântico e poético que possa parecer, se revelou bem mais doloroso do que eu imaginava!!), faltas de gasolina na “cinquentinha” a meio do caminho da praia seguinte, ser transportada numa pick up por 2 simpáticos desconhecidos até à borracharia mais próxima, cravar 1L de gasolina ao fantástico Jacaré (um bugueiro filho de portugueses), decidimos ficar o resto da tarde numa esplanada a comer marisco, ensopado de “sururu”, tapioca de caranguejo, espetinhos de queijo com oregãos, e muitas capirinhas. :-)
 



Mais tarde lá nos rendemos aos encantos das dunas brancas tipo farinha e embarcamos numa aventura resvalante com o Renato. Quando entramos no seu buggy branco de ronco ensurdecedor, ele sorri e faz a pergunta da praxe.
É a despedida do Brasil...
“COM MUITA EMOÇÃO!!” respondemos.

RIDE&DIVE – Diários de Motocicleta part II

Acordamos cedo e saímos para o RIDE&DIVE part II, desta vez pelo litoral Norte de Natal, em direcção às dunas de Genipabu.
A nossa scooter – uma “cinquentinha” 50cc – não passava dos 60Km/h, a subir 30Km/h, mas lá arranjamos maneira de atravessar a ponte e chegar ao destino.






Paramos na Praia da Redinha, onde começam as primeiras dunas. A paisagem é dramaticamente diferente do que estávamos habituados mais a Sul. As dunas descem até ao mar. Nota-se mais pobreza e algumas casas abandonadas. Quanto mais para Norte mais desértica é a paisagem que atinge o seu cume no estado seguinte, o Ceará.



Entretanto, por nós passam dezenas e dezenas de buggys“o” transporte por excelência nas praias do Nordeste – carregados de turistas a caminho das dunas.
Há 850 “bugueiros” em Natal, 150 dos quais só em Genipabu. É uma profissão como as outras esta de andar a cavalgar por essas dunas adiante, num carrinho aparentemente frágil mas de rugido aterrador. Sendo uma das atracções turísticas do Nordeste do Brasil, o turista é sempre saudado com um sorriso largo e uma pergunta:

- “Com emoção?”

18 de fevereiro de 2008

praia em NATAL


Em Natal – a capital do Rio Grande do Norte - decidimos ficar no bairro de Ponta Negra que vinha no guia como uma das zonas mais hip’s da zona.

A vista do Morro Careca dá a sensação de estarmos no centro da cidade com os prédios mesmo por trás da praia. A praia é curta e o Sol a pique logo às 10h torna-se desagradável. Não gostei.


Mas por outro lado é engraçado ver a logística que envolve o funcionamento de uma praia como esta. Isso adorei!

Há montes de barracas na praia com guarda sóis a servir petiscos. De manhã vêem-se rapazinhos a levarem os seus estaminés com rodas para o areal, sejam eles:
- geladeiras de esferovite cheias de gelo e côcos verdes para vender a água de côco geladinha;
- mini-fogões para vender comida quente em pratinhos ou espetinhos, de queijo ou camarão;
- mini-bars com a palavra “cachaça” escrita por todo o lado, a preparar bebidas. Outros vendem sucos e saladas de fruta deliciosas;
- carrinhos que são colunas gigantes a vender CD’s e a passar música na praia;
- senhores que percorrem a praia a vender gelados e picolés.

Estes já conhecia!

15 de fevereiro de 2008

Vida Brasileira

O Brasil é um país tão fértil e verde. Nota-se a fartura... cheira-se, o verde, a fruta, o peixe, a carne de sol, tudo fresco e saboroso. Aqui parece que tudo o que plantarmos a terra dá.

A quantidade de frutas desconhecidas para mim até agora: graviola, acerola, mangaba, cupuaçu, pitanga, e o misterioso açaí que dá as sementes para os colares que eu adoro.

Devolvemos a mota de manhã e vamos para a praia. Mas o Sol está tão quente que não aguentamos... a pele escalda.
Só penso: "que estupidez vir para o Brasil com protector solar factor 15!" Temos que comprar factor 30 e é caríssimo. Segundo alguns guias, no Brasil tudo é barato menos elementos electrónicos, peças de carro e protector solar...


Almoçamos numa lanchonete um chamado “Prato Feito” que aparece nos cardápios como “PF” e consiste num bocado de carne ou peixe que vem acompanhado por arroz, feijão, farinha de mandioca e salada, por 5Reais (2€).

Estão 33ºC.
Mas quando vemos a previsão meteorológica para o Brasil reparamos que todo o país está debaixo do que eles chamam de chuvas de Verão originadas no Amazonas... menos o Nordeste onde estas acontecem em Abril.

Na TV há um pequeno noticiário por volta das 19h30 mas reparamos que entre as 18h e as 21h são as telenovelas que deitam cartas. Os brasileiros vêem muita telenovela e referem-se a elas conforme o horário a que são emitidas. A “novela das 8h” é um momento de reunião familiar e toda a gente vê.
Nós também vemos.
Pior que novela, só futebol. Aí o país pára! O Brasil não vai trabalhar quando a selecção joga e as vitórias mais celebradas são qualquer uma relacionada com as derrotas das Argentina.

É engraçado perceber como somos tão parecidos em algumas coisas... mas o Brasil tem um potencial virtualmente infinito... e nós em Portugal não petiscamos em sítios chamados “A caminho do Hexa”...

RIDE&DIVE - Diários de Motocicleta

Hoje foi o dia reservado para o Ride&Dive. Alugamos uma motinha e fazemo-nos à estrada percorrendo as praias e parando para mergulhar onde nos apetece. Absorvem-se as cores e a vibração do local, parecem mentira mas não são.





Assim, exploramos a Praia do Madeiro, a Praia da Cacimbinha com as suas dunas de areia, a Praia dos Golfinhos com as suas ondas – onde não conseguimos avistar golfinhos, a Praia do Tibau do Sul com balsas que fazem a travessia para o outro lado do Rio que aqui desagua – muito usadas pelos day trippers que partem em buggys de Pipa em direcção a Natal.
Na Praia da Barra do Cunhau atravessamos o braço de mar com a roupa na mão e a água pela cintura e almoçamos camarão num terraço com vista para o mar ao som de Forró Pé de Serra.







Há muita areia no caminho pelo que a mota resvala a todo o instante, mas é divertido.
No caminho de volta paramos na Praia das Minas para beber um suco de maracujá à beira mar, e os últimos raios de Sol são aproveitados na Praia do Amor, que supostamente tem uma forma de coração... não vi nada disso... devia tar distraída.



Jantamos num sítio simplezinho e brasileiro, peixe com molho de côco divinal (eu nem gosto de peixe!) acompanhado com arroz e puré de mandioca. Provei suco de açaí mas ainda não percebi o que é...

11 de fevereiro de 2008

PIPA e a nostalgia pelo nosso PORTUGALINHO


Pipa é uma Rua ao longo da costa com aproximadamente 2Km de comprido cheia de pousadas, restaurantes e lojas. Pela 1ª vez vemos muitos turistas não brasileiros, e também muitos portugueses.

Aqui chegamos a um Brasil mesclado com restaurantes fashion e caros, cozinha internacional, e água de côco ao preço astronómico de 3Reais.

Acedemos às praias (que é sempre a mesma) através de escadinhas que existem de quando em quando, falésia abaixo.
A praia é de areia fina e o mar azul turquesa, mas há uma coisa que os brasileiros nunca terão melhor do que nós... é que aqui o Sol põe-se em terra, o que faz com que as praias de falésia fiquem à sombra a uma hora tão prematura como as 16h30 em pleno Verão!!

Ou seja, é chegado o momento da nostalgia pelo nosso Portugalinho e por aquelas tardes de praia até às 20h com o Sol quentinho a mergulhar devagar no Atlântico...

Em direcção ao NORTE

Na manhã seguinte tentamos pegar o ônibus das 9h em direcção a Natal, mas a hora de ponta do Recife não deve ser encarada de ânimo leve... “Oxênti” exclamava o hippie simpático que nos deu carona.

Assim, às 11h lá partimos do TIP do Recife a caminho do Norte. A viagem é esburacada mas dura 3h, o que não é nada quando comparada à última...
Saímos em Goianinha onde apanhamos um taxi até Pipa.

Aqui percebemos que acabamos de entrar noutro universo. O universo das pessoas que sabem exactamente onde fica Portugal e quanto dinheiro têm os Portugueses e onde têm casa em Pipa e quando vêm passar férias.
Não nos agrada especialmente, mas estamos aqui pela praia...


... que até nem é má... :-)

7 de fevereiro de 2008

Praia na COROA do AVIÃO

Como é ? Há 9 dias no Brasil e ainda nenhum banho de mar ?
Isso tinha que mudar hoje, algures numa praia do Pernambuco.

Posta de parte a urbana praia da Boa Viagem, no Recife, decidimos rumar ao Norte em direcção a Itamaracá, a uns 50Km de Olinda.
Para isso apanhamos 3 conduções (ônibus para Rio Doce, ônibus para Igarassu, ônibus para Itamaracá). Como é Domingo, este é um processo que demora umas 2 ou 3h.
Mas não faz mal... há sempre gente para conversar nos pontos de ônibus.

Descemos em Forte Orange, uma praia junto a um forte em forma de estrela, construído pelos Holandeses quando tentaram - e conseguiram - invadir o Nordeste do Brasil aos Portugueses.


Para chegar à ilha de Coroa do Avião, é necessário “pedir carona” a um dos muitos marinheiros que por ali andam nos seus barcos.
Esta é uma ilha deserta com palmeiras e barzinhos de praia onde se come marisco e se bebem skol’s geladinhas.
A água do mar por seu lado é morna.



De tarde apanhamos Sol e negociamos um prato de ostras fresquinhas com um vendedor ambulante...

Depois de algum tempo à espera do ônibus de volta, alguém nos diz que após determinada hora não passam mais ônibus por ali. Só 2km mais acima na estrada.
Não faz mal, porque por estes lados há sempre alguém disposto a oferecer carona por 1Real (40cênt.)



De volta a Olinda e à sua animação non-stop, jantamos na Praça da Sé: sentados nas únicas cadeiras de plástico vagas, junto a uma barraca de petiscos, rodeados de centenas de pessoas morenas e sorridentes, saboreamos uma tapioca de frango, queijo e catupiry (ainda estou para descobrir o que é), queijio assado num espetinho e uma caipifruta de morango, com leite condensado...
Comemos até mais não... sempre com a música e o som das pandeiretas no ar.


Mais tarde elegemo-lo o melhor jantar da viagem.

6 de fevereiro de 2008

Olinda


Chegamos ao TIP (Terminal Integrado de Passageiros) do Recife, com atrasos e paragens para pequeno almoço não aproveitadas, 14h depois de sairmos de Salvador. Foi uma viagem e pêras... mas não afectou a boa disposição.

O Recife é uma cidade industrial. A sua avenida marginal é adepta da cultura do betão com arranha-céus mesmo até à praia. É também uma das cidades mais violentas do Brasil, a par de S. Paulo e Rio de Janeiro... por isso queríamos passar lá o mínimo tempo possível. Seguimos imediatamente para Olinda, a 10km - e uns séculos - de distância.

Olinda vende-se como sendo uma das mais valiosas jóias da arquitectura colonial do Brasil. As ruas de calçada e as casinhas coloridas dizem que sim. As palmeiras ao lado de cada igreja dão-lhe o ar tropical e as ladeiras inclinadas de fazer doer as pernas, o ambiente saloio que eu adorei.


 
Aqui - em Dezembro - já se prepara afincadamente o Carnaval. As bandas ensaiam, e os blocos saem à rua caracterizados de tambores e pandeiretas na mão. O Carnaval de Olinda é dos mais concorridos do Brasil, depois dos do Rio e Salvador.



Olinda também é uma cidade de artistas. Porta sim, porta sim há um atlier de um pintor/escultor/ilustrador/fazedor de máscaras de carnaval. Adorei bisbilhotar em tudo, só queria ficar mais tempo.


 
De noite, experimentamos um camarão com molho de côco e mais tarde vamos até à Bodega do Veio onde uma banda tocava um chorinho na rua, um samba lentinho. Há muita gente a dançar, toda gente está misturada a ouvir o chorinho a sair dos instrumentos, sentados no passeio, o turista, o novo, o velho, o camisa rota, o cão. Gostei.



Com o passar da noite Olinda vai-se enchendo de gente - não sei de onde apareceram - fiquei boquiaberta. Perguntamos se é alguma data especial, mas não... é sempre assim quando o Reveillon e o Carnaval se aproximam. São as "prés" como lhes chamam.

31 de janeiro de 2008

tarde no SHOPPING

Afastado o sonho de visitar a terra da Tieta do Agreste (Mangue Seco), imortalizada no romance de Jorge Amado, decidimos saltar o respectivo estado do Sergipe e também o Alagoas (Maceió e Maragogi).
Pegamos o ônibus nocturno em direcção ao Recife, no Pernambuco... 12h de viagem!

Mas quando há 6 ou 7 horas para queimar até à noite... faz-se o quê?
Entra-se no shopping IGUATEMI, para ver as vistas e tentar encontrar um sítio para arranjar a minha máquina (a esperança foi de facto a última a morrer)...

O shopping é enorme... e tem um enormíssimo movimento de gente, tenebroso mesmo, se paramos quase somos abalroados...

Reparamos que tudo o que é importado é mais caro que em Portugal, mas derretemo-nos pelas marcas brasileiras...


Chilli Beans


Melissa

30 de janeiro de 2008

On the move

Depois de alguns azares próprios de dias 13, tipo a minha máquina fotográfica ter morrido para sempre de paralisia cerebral, eu ter sido picada por uma abelha no pé que me impediu de andar bem e termos perdido o ônibus da noite para Salvador, estamos de volta à estrada no dia seguinte.
Mas até houve nisto uma grande vantagem... é que levámos o maravilhoso café da manhã da D. Eulina dentro da barriga...




Saímos da Chapada e voltamos ao sertão baiano. A vegetação à escassa, a paisagem amarela, há cactos (“daqueles que deitam sangue quando são apertados"), passamos por caminhões e quando chegamos às povoações as pessoas estão sentadas em frente às casas sem portas.



A viagem de 6h é longa e a estrada de Feira de Santana a Salvador é particularmente má. É esburacada e o ônibus transforma-se numa batedeira gigante.

De volta estão também as favelas até à beira da estrada. À nossa frente viaja um policial que antes de sair veste o colete à prova de bala.

Uma semana depois de chegarmos ao Brasil, estamos de volta a Salvador e a caminho das praias do Nordeste. Ainda não sabemos para onde vamos. Depois de alguma deliberação decidimos apanhar o 1º ônibus que sair em direcção ao Norte.
Não tem nada que enganar.

24 de janeiro de 2008

Chapada Diamantina - Day FOUR

O último dia na Chapada Diamantina reservámo-lo para passear de carro e ver outros locais mais distantes.

Rio Mucugezinho e Poço do Diabo



Gruta da Lapa Doce




Pratinha e Gruta Azul



Morro do Pai Inácio



Aqui contaram-nos a história de Inácio, o escravo jagunço que se apaixonou pela sinházinha filha do patrão dos diamantes, o coronel Horácio.
Consta que o escravo Inácio se terá refugiado neste morro, perto de Lençóis, quando iniciou a sua fuga, tendo sido cercado por um grupo que o procurava... mas é uma história que só pode ser contada neste local....

Mais info sobre a Chapada Diamantina aqui

21 de janeiro de 2008

Chapada Diamantina - Day THREE

O último dia da trilha na Chapada afigurava-se como o mais difícil em termos de intensidade – a subida íngreme da Serra do Palmital, e a descida da Serra do Veneno.
E se a bruma matinal pode ser uma vantagem nas subidas – menos calor - é certamente uma desvantagem na descida – piso escorregadio e bate-cus.

O primeiro troço de subida é intercalado com uma paragem na Cachoeira do Palmital e a sua piscina vermelha. Um belo refresco.


Depois iniciamos a subida até à Toca da Onça, um miradouro sobranceiro a vários vales de onde avistamos a cachoeira do Capivari e o encontro dos três rios: Capivara, Capivari e Muriçoca.


A etapa final, a descida da Serra do Veneno até ao Ribeirão foi fácil e tranquila. Estavamos inquietos para chegar, para relaxar, apanhar Sol nas pedras e escorregar no "Tobogan" improvisado.



É uma sensação optima - o chegar.
Apesar do corpo dorido, das noites mal dormidas, o frio, o calor, os escaldões, banhos "à gato". Chegar é optimo. E foi de facto um regresso pois vindos de nenhures, estávamos agora a 30min de Lençóis. Não há um taxi para apanhar, não há ninguém à nossa espera, não fomos depositados no hotel. Não.
Decidimos dispensar o Nilson que meio hesitante lá partiu e ficámos a gozar o "gran finale" na piscina do Ribeirão, com ossos moídos e uma água de côco na mão.

18 de janeiro de 2008

Vida de GARIMPEIRO

Ao jantar o Nilson falou-nos um pouco da vida dele quando era garimpeiro e de como um diamante pode mudar a vida da pessoa que o encontra, a maior parte das vezes pelo lado negativo.

“O diamante transtorna a cabeça das pessoas. O diamante pede sangue” diz-nos. “Você encontra um diamante e mostra ele para o seu maior amigo e no dia seguinte você tá na beira da estrada morto pelo seu amigo.”

Dizia que um diamante tinha o nome da pessoa que o ia encontrar. “Você pode tar meses procurando diamantes e passar ao lado de um, mas se ele não tem o seu nome, você não vai encontrá-lo”. A crendice que permite ao garimpeiro adormecer à noite.

Contava com alguma amargura que o garimpeiro era quem lucrava menos no negócio do diamante pois tinha que se ver livre dele rapidamente vendendo-o por tuta e meia. Por dois motivos: a obvia necessidade do dinheiro mas principalmente para não atrair invejas e mau olhado.

Depois, com um olhar meio hipnotizado, meio sonhador, olhou para um bocado de maçã que tinha na colher e disse que já tinha encontrado um daquele tamanho.
“Não esteve na minha mão nem 15 dias”.

17 de janeiro de 2008

Chapada Diamantina - Day TWO

Deixamos as mochilas na toca, despedimo-nos do grupo que seguia no sentido inverso e partimos em direcção à base da Cachoeira da Fumaça. A trilha faz-se no meio de uma floresta exuberante, pelo que a pele escaldada do Sol do dia anterior agradece.
Subimos o rio Fumaça ora saltando de pedra em pedra no leito, ora caminhando nas margens por entre árvores esguias. Senti-me uma daquelas personagens dos livros do Mowgli que agarram as caudas de serpentes pensando que são árvores. Aliás essa ideia não me saía da cabeça, mas felizmente não tive nenhum encontro com um desses animais mais escorregadios. As árvores são fininhas e ajudam à nossa progressão, ainda que desajeitada.


Em 2h chegamos à Fumaça e ao paredão de 400m onde ela se encaixa... é esmagador.

A água não chega até cá a baixo, esfumaça-se a meio caminho (daí o nome) e depois ao bater na parede escorrega por ele abaixo até chegar cá a baixo à lagoa.
É uma lagoa vermelha e gelada segundo o Nilson. Vermelha e deliciosa para mim.

Almoçámos numa pedra dentro da lagoa. O Sol escaldava e caía a pique, mas num instante também desapareceu.


De volta à Toca do Macaco apanhamos as mochilas e seguimos rio abaixo em direcção ao próximo acampamento, no Rio Capivara.
Aqui acampamos numa rocha lisa. Conseguimos uma tenda emprestada pelo outro grupo pois segundo os guias, "faz muito frio no Capivara "... Antes do jantar toma-se banho de cachoeira e depois cozinha-se. É uma vida boa.
À noite para mim não é muito fácil dormir. Os sapos coaxam, ouve-se o som da água do rio ali ao lado, o vento nas folhas das árvores, os bixinhos a passar...
Resolvemos não colocar o tecto impermeável da tenda, porque é engraçado adormecer de óculos a olhar para as estrelas...
Mas umas horas mais tarde acordamos... e está a chover...