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13 de novembro de 2005

Grande Alma



“Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade”

Mahatma Gandhi

As CORES de Goa


Houve um dia em que tivemos a ideia peregrina de participar numa excursão para famílias indianas com uma guia indiana... éramos as mascotes alienadas que não entendiam uma palavra do que se dizia. Mas sempre deu para conhecer alguns templos hindus perto de Margao e principalmente a Velha Goa com os seus monumentos mandados construir por portugueses onde se incluía a Basílica de S. Francisco Xavier, onde repousa o corpo movedor_de_multidões já desmembrado do santo...




Aqui estamos sempre a tropeçar em vestígios portugueses, nomes de ruas, nomes de lojas, igrejas... tudo misturado com o coloridos dos templos a Ganesh, os colares de flores cor de laranja, os carros todos enfeitados, as vacas à solta na praia, os porquinhos a correr na relva, a chuva tropical e a humidade nas pastagens, as praias com palmeiras e barcos, as conchinhas brilhantes na areia, o sol a escaldar e a água fresca do mar.




Noutro dia andámos de motinha a percorrer as praias a norte de Candolim, onde ficámos hospedados: Calangute, Baga, Anjuna e a nossa preferida Vagator.




Goa é fácil de amar.

“Diários de Motocicleta”

Para nos mexermos em Goa, alugámos uma scooter por 200rupias (4euros). Não se vêm muitas bombas de gasolina pelo que o combustível que se vai gastar tem que ser calculado antes de partir e é vendido ao litro, dentro de garrafas de água ou whisky, por senhoras à beira da estrada.
E sem capacete, arrancámos...“Se aparecer a polícia digam que são meus amigos!” era o conselho recorrente. Era 4ª feira, dia do Flea Market em Anjuna, que é um belo chamariz para turistas desprevenidos como nós. E na estrada para Anjuna lá estavam eles de uniforme castanho.... à espera. Depois de interpretarem a nossa carta de condução dispararam “não têm carta de mota?!” “não têm carta internacional?!”... “mas ok, paguem só esta pequena multa de 450 rupias –9 euros, uma fortuna- e depois podem continuar!” ... mas depois de debatermos um pouco a questão, mais uma vez na pele de pobres estudantes portugueses, partimos impunes...
Estas intercepções devem ser lendárias pois até vinham descritas no Rough Guide.



Prosseguimos para Anjuna mas o tempo estava meio chuvoso e o mercado pareceu a meio gás. É aqui que se fazem as célebres raves que deram origem ao festival de trance Goa Gil que durante o ano percorre o mundo inteiro.
A época alta de Goa, que atinge o seu auge nas festas de Natal e Fim de Ano, estava agora a começar (meados de Outubro) pelo que não nos apercebemos de movimentos anormais de hippies que devem povoar esta zona nas alturas das grandes festas, cujo auge foi nos anos 90.

11 de novembro de 2005

Finalmente... GOA

Eu achei a zona de Udaipur muito verde mas a primeira impressão de Goa foi a de chegar a uma selva tropical.



A segunda impressão foi a de que se tinha saído da Índia.
Goa só há 50 anos é que é território indiano e quando se fala de Goa a outros indianos eles olham para nós como se estivéssemos a falar de outro país. Goa é diferente. As pessoas parecem mais descontraídas, felizes e risonhas e desejosas de aproveitar as boas coisas da vida. Há quem diga que isso se deve à influência portuguesa no passado ao contrário do resto da Índia que teve influência britânica....
Parece mesmo que a única coisa que nos lembra que são indianos é aquela maneira de abanar a cabeça quando querem dizer que sim!



E reparámos noutra coisa. Reparámos em indianos a falar inglês entre si. É que apesar de viverem no mesmo país as pessoas do Sul não entendem a língua falada no Norte e vice-versa... nem sequer têm o mesmo alfabeto ( ! ) ... então falam em inglês, que toda a gente sabe!
Eu que já achava estranho falar-se inglês entre portugueses e espanhóis. Mas a Índia é muito maior e tem muito mais gente que Portugal e Espanha juntos.

9 de novembro de 2005

As RELIGIÕES da Índia

A Índia será provavelmente um dos países com maior diversidade religiosa do mundo.

HINDUÍSMO

É a religião predominante (85% dos indianos são hindus) e é conhecida como a religião mais antiga do mundo, o produto de milhares de anos de evolução de várias práticas e tradições indianas, em que não existem profetas nem fundadores e em que cada pessoa acredita num espírito supremo cósmico, que pode ser adorado de várias formas e representado por várias divindades. O hinduísmo assenta em várias práticas vistas como meios para ajudar cada um atingir o seu próprio estado divino.
O conceito de deus é algo vasto pois depende das filosofias individuais de cada um e o panteão hindu é do mais complexo que existe.

Existe a trindade principal: Brahma (o Criador), Vishnu (o Preservador) e Shiva (o Destruidor), cada um deles tem a sua consorte ou lado feminino (Saraswati, Lakshmi e Parvati, respectivamente) e todos podem assumir várias formas, ser conhecidos por vários nomes e, claro, ter várias encarnações ou avatares.

Depois existem Hanuman, o deus macaco e figura central do Ramayana, o poema épico hindu e o meu preferido, Ganesh, o deus-elefante, filho de Shiva e Parvati e um dos deuses hindus mais adorados: é o deus da boa sorte, conhecido como o Destruidor de Obstáculos... o que dá sempre jeito.



ISLÃO

Também está muito presente na Índia.
No entanto, a existência de um só deus, Allah, e os costumes religiosos dos muçulmanos separam-nos brutalmente dos hindus de modo que existem, como se sabe, conflitos graves entre uns e outros.
A chegada do Islão ao subcontinente indiano teve grande impacto na civilização de tal modo que levou à divisão do território e à criação de 2 estados muçulmanos separados da Índia, o Bangladesh a Este e o Paquistão a Oeste.
Mas é impossível viajar na Índia e não reparar nas influências que esta religião teve na arquitectura, por exemplo.


SIKISMO

É uma religião relativamente recente, tem apenas algumas centenas de anos e nasceu na zona onde hoje é fronteira entre o Paquistão e a Índia. O seu fundador, o Guru Nanak, filho de mãe muçulmana e pai hindu, estava igualmente ligado ao hinduísmo e ao islão e então chegou à conclusão que Deus não era hindu nem muçulmano e que todos os deuses eram várias faces de um só Deus.
O sikismo convida à meditação e tende a não se cingir ao sistema de castas hindus. Os seus seguidores são facilmente reconhecíveis pois usam um turbante onde acomodam o cabelo que não deve ser cortado, tal como a barba.




7 de novembro de 2005

KONKAN RAILWAY

O comboio é o meio de transporte mais utilizado pelos indianos e a rede ferroviária da Índia pode gabar-se de ser a maior do mundo.
Só na CST - diminutivo para Chatapatri Shivaji Terminus, uma das estações de Mumbai – movimentam-se por dia cerca de 2milhões de pessoas. Quer sejam 6h ou 23h30 a estação está sempre apinhada de gente e não deve haver salas de espera para toda a gente – e muito menos bancos - porque as pessoas se amontoam no atrium principal sentadas e deitadas no chão o que faz com que atravessar aquele atrium se torne numa verdadeira prova de obstáculos.

É que os vôos internos são tão caros que é normalíssimo gastar 3 dias num comboio para chegar ao destino em vez de apanhar um avião e chegar lá em 3 horas.
O Konkan Railway, que liga Mumbai a Goa, é relativamente recente e veio reduzir drasticamente o tempo que se levava a ir de uma cidade à outra de carro ou autocarro. A distância de 400km passou a ser feita em 12h de comboio, o que se tornou uma alternativa muito mais apetitosa à viagem de autocarro de 16-18h, dependendo das condições da estrada e do tempo...

Isto tudo para dizer que é uma viagem de comboio muito concorrida e que os bilhetes estão sempre esgotados! Claro que nós já tínhamos sido alertados para isso e por isso é que comprámos os bilhetes 10 dias antes!
Mas com esta viagem descobrimos que há uma maneira de se fazer as coisas... e depois, há a maneira indiana.

Pois para o que não fomos alertados foi para a necessidade de confirmar alguns bilhetes mesmo depois de comprá-los. E assim, quando chegámos à plataforma de embarque verificámos que nos tinha sido atribuído o mesmo lugar, aos dois!

Os indianos com quem falámos não entenderam o nosso pasmo... quando perguntámos se aquilo era possível limitavam-se a abanar a cabeça de um lado para o outro como quem diz “não tenho a certeza”, reacção que depois descobrimos querer dizer “sim!”
Só mais tarde é que as pessoas que viajaram connosco nos explicaram que vender-se o mesmo lugar a pessoas diferentes era algo que acontecia frequentemente.
Ok... ....

Acabou por correr tudo bem... uma das camas do compartimento miraculosamente permaneceu vazia e ninguém teve que dormir no chão.
Entretanto, quando nos apercebemos de como viajava a larga maioria dos ocupantes daquele comboio, compreendemos que estávamos de facto a viajar numa carruagem de semi-luxo. Não sei, mas aquelas carruagens pareciam-me as que levavam os judeus para os campos de concentração. Em vez de janelas têm grades e no mesmo espaço que eu partilhei com mais 2 pessoas, sentavam-se 4 ou 5... em bancos de madeira.

Nós viajámos com a classe média-alta indiana, estudantes universitários mais ou menos da nossa idade e famílias que iam de férias para Goa. Uma família de hindus muito simpática que ia visitar os templos de Panjim e uma família cristã de Kolkata, ex-Calcutá, que ia para a praia.

6 de novembro de 2005

BOLLYWOOD





É em Bombaím que está a mega-indústria cinematográfica indiana apelidada de Bollywood! Estava um calor abrasador e abafado de modo que a perspectiva de estar dentro de uma sala durante 3h a ver um filme falado em hindi pareceu bem melhor que andar a deambular pelas ruas.

Foi muito cómico! Era um filme sobre triângulos e rectângulos amorosos e a língua acabou por não ser um grande entrave pois estes filmes não primam especialmente pela complexidade do enredo. Apesar de ser um filme romântico e cheio de mulheres sensuais e provocantes, os indianos são muito conservadores neste aspecto e os actores nunca se beijam no ecrã. Para colmatar... enchem o espectador de coreografias espampanantes e sequências de sonho em que mudam de roupa consoante o cenário e é tudo uma grande galhofa.

Estas fotos foram tiradas do filme que vimos, NO ENTRY.

MUMBAI

É uma cidade imensa.
Perguntámos se ainda faltava muito para Mumbai uns 30 minutos antes de chegarmos ao terminal... Responderam que já tínhamos entrado em Mumbai há 1h atrás.....

A aproximação foi outro choque imenso – como o de Delhi – ao ter consciência da pobreza extrema em que milhares... ou milhões (?) de pessoas vivem, ali nos arredores da grande cidade, da locomotiva económica da Índia inteira.
Passámos por bairros de lata em que pessoas vivem no meio de esgotos a céu aberto, em casas com a largura de um passeio, com 2 andares, feitas de tábuas de madeira ou chapas. O lixo é imenso... e o calorrrr.....

Incrivelmente quando voltámos, algumas pessoas perguntaram-me por fotos desses locais... que deviam ser espectaculares...

... não fotografei nada...

de volta aos CARRIS



O nosso motorista deixou-nos na estação de comboio de Falna (perto da Ranakpur) onde íamos iniciar a nossa viagem de 2 dias para Goa.
A sensação de estarmos novamente sozinhos e por nossa conta foi muito boa e até o peso da mochila teve um je ne sais quoi de saboroso... pelo menos no início! Nem se vacilou com a perspectiva de uma viagem de 17h até Mumbai, ex-Bombaím! Estávamos de volta aos carris e delirantes com o cliché que diz que “não se conhece realmente a Índia se nunca se andou nos seus comboios”.


Entrámos na estação... paredes sujas e gordurosas, lixo no chão, filas enormes em que os homens se encostavam uns aos outros para encurtá-las e claro, toda a gente a olhar. Pensámos “já temos bilhete ... estamos safos” ... Íamos só sentar e esperar... Mas até isso não foi muito fácil, porque mesmo numa estação apinhada de gente, 2 estrangeiros sobressaem como se estivessem a gritar “ESTAMOS AQUI!”.

As pessoas rodeavam-nos a pedir rupias e outras pessoas rodeavam essas pessoas para ver a nossa reacção. Assim que nos sentámos e pousámos as mochilas veio uma miúda com um bebé ranhoso ao colo pedir dinheiro e não desgrudava... tive a sensação que se desse alguma coisa o resto da estação me caía em cima. Tentei ignorá-la depois de dizer que não lhe ia dar nada mas ela começou a puxar-me a saia, estava praticamente em cima de mim, não me largava. Acho que os outros indianos que tinham parado para ver tiveram pena de mim porque depois de algum tempo começaram a enxotá-la. E ela foi.


Depois vieram os miúdos engraxadores... Mas eles queriam o quê? Engraxar havaianas?!!

3 de novembro de 2005

RANAKPUR


Nesta cidade entre Udaipur e Jodhpur visitámos templos jainistas e eles nunca desiludem. Exuberantemente esculpidos com dançarinos e amantes entrelaçados.
No jardim, raparigas arrancavam ervas daninhas e borboletas voavam em redor dos nossos tornozelos.

Às COMPRAS na Índia

Para quem gosta de artesanato, de tecidos e cores, a Índia deve ser, teoricamente, um dos melhores sítios que existe para fazer compras! E eu digo teoricamente porque um "bom dia de compras" não é caracterizado apenas por encontrar o melhor sítio, com os melhores preços, e onde existem os melhores artigos capazes de tirar raparigas incautas do sério.

Não... Um "bom dia de compras" também é ficar a olhar para a loja da porta, é entrar se nos apetecer, é ver tudo o que queremos sem ser muito maçadas, perguntar o preço e obter uma resposta e depois, das duas uma: ou sair da loja com um saco cheio de compras e felicidade no coração, ou claro, se nada nos agradar, sair rápida mas educadamente, sem ver aborrecimento na cara do vendedor.


Isto na Índia, é ficção e pura realidade virtual.
Na Índia, só por andarmos na rua já temos os vendedores a chamar a nossa atenção com um "Madame!!" gritado... e isso aumenta exponencialmente se por acaso abrandarmos o passo ou pararmos. Mesmo que a paragem não se deva a nenhuma das apetecíveis mercadorias. Mesmo que tenhamos parado só para tirar uma foto, consultar o mapa ou ver as vistas.

Aparentemente, parecem não se aperceber que este comportamento predatório até lhes é contra-producente porque o primeiro instinto de sobrevivência que se tem quando se pressente a presença destes vendedores-predadores é passar depressa, continuar a andar e não olhar para trás nem para nada.

Mas ok. Supondo que a tal paragem até se deve mesmo à apetecível mercadoria e até vamos entrar numa loja, partindo do princípio que os donos das lojas adjacentes não vão guerrear com o dono da loja sortuda e depois tentar arrastar-nos para a loja deles, iniciamos um ritual com tempo de duração incerto.
Primeiro sentamos num sofá ou banquinho confortável, depois chega-nos o chá indiano com leite, com ou sem açúcar, e finalmente começam a mostrar-nos as coisas. Não necessariamente aquelas coisas que entrámos na loja para ver, outras coisas que, nos dizem, nem imaginamos que queremos.

Como se sabe, o preço é uma coisa muito relativa, quanto mais artigos comprarmos maior é o desconto, e há sempre desconto, mas também pagamos sempre mais do que o artigo vale na realidade. O importante é encontrar um equilíbrio.

O grande problema começa quando não gostamos de nada e queremos ir embora.
Começam por nos dizer que mesmo não gostando de uma certa coisa podemos sempre levar de souvenir para amigos. Depois fazem o que poderia muito bem ser chamado de chantagem emocional, dizendo que os artesãos ganham tão pouco e mostram fotografias de alguns que até ficam com deficiências físicas depois de tantos anos a utilizar os instrumentos da arte. Por fim, é possível que alguns, mais directos até culminem num se gastámos tanto dinheiro para chegar até ali porque não gastamos mais um pouco na loja deles? 

Ou seja, fazer compras no melhor sítio que existe para fazer compras pode tornar-se uma grande chatice! E quem pensava, como eu, que tinha aprendido bem a lição em matéria de regateanço só porque deu uma volta nos souks marroquinos, é melhor que esteja preparado para ser surpreendido.

Incredible India!


31 de outubro de 2005

UDAIPUR


O palácio da cidade é um espectáculo de sumptuosidade e dá acesso ao local de onde se tem a vista absolutamente estrondosa para o Lago Pichola e para o Palácio Flutuante.
O pôr do sol foi indescritível. Parece que tudo era perfeito ali. O dourado do Sol reflectido na água do lago, os bandos de pássaros que decidiam levantar voo de quando em quando, a calma e o conforto da esplanada, a bebida fresca, o som da cítara e dos batuques a acompanhar....

O CAMINHO para Udaipur

E eventualmente continuamos a viagem para o próximo destino.
É um percurso em curva e contra curva espectacular, saltamos das planícies do deserto para colinas verdes. Apercebemo-nos porque no nosso mapa quase não haviam linhas de comboio a ligar as outras cidades do Rajastão a Udaipur. É que é uma cidade aninhada num vale rodeado de montanhas. O ar ficou mais fresco, mais ameno. Viam-se vacas e bois descontraídos a pastar, macaquinhos nas árvores, miúdos de uniforme a caminho da escola, senhoras de cântaros à cabeça, lagos com flores de lótus, campos verdes. Foi uma bomba de bem estar calmante dado o stress de querer chegar cedo a Udaipur.

Conversas entre MULHERES

A viagem para Udaipur foi longa. Principalmente porque tivemos 2 furos que nos obrigaram a parar durante muito tempo pois o pneu teve que ser remendado.
Durante o tempo que estivemos parados despertámos a curiosidade das pessoas que fazem a sua vida por ali, que se aproximavam do carro e ficavam a olhar lá para dentro como se de atracções circenses nos tratássemos. Entretanto iam pensando em algo para nos dizer.


Esta mulher aproximou-se. Era muito porca, tinha o sari roto, mascava tabaco e cuspia pró chão! (toda a gente cospe pró chão!!) Queria champô. Tentei trocá-lo pela pulseira que ela tinha no pé mas as negociações foram infrutíferas. Estava sempre a pedir coisas, era muito chata mas eu achei-lhe graça porque se ria muito. Entretanto lá se fartou de nós e foi lavar os pés num poço ali ao pé.

Mais tarde voltou. Era muito curiosa! Depois de alguns gestos, descobrimos que somos da mesma idade mas ela fez um ar de “os meus pêsames” quando eu disse que não era casada nem tinha filhos. Ela já tinha 4.

E depois posou vaidosa para esta foto.

29 de outubro de 2005

DURGA festival

Depois da janta, quando descemos para a rua caímos dentro de um festival dançante.
É que era a altura da DURGA, uma divindade feminina que é adorada nesta altura por toda a Índia. Havia imensas pessoas a dançar com uns pauzinhos, principalmente miúdos e miúdas.
Fomos convidados! Sem sabermos de onde apareciam pessoas que nos davam a mão e puxavam para a roda. Do lado de fora uma senhora ofereceu-nos bebidas. As crianças apareciam e davam-nos a mão e diziam “Namaste” e riam.
Toda a gente ria e dizia para voltarmos.

JODHPUR, The Blue City

Chegámos a Jodhpur no final da tarde pelo que tivemos que aproveitá-la de noite. Esta é uma das cidades mais poluídas do Rajastão. Ficaram-me a doer os pulmões do pouco que andámos a pé no meio do trânsito e muitas vezes era impossível respirar sem um pano à volta da cara!!

Mas quando entrámos nas muralhas da cidade antiga isso mudou pois o trânsito lá está condicionado. E assim, também nos encantámos com este lugar de ruas estreitas e paredes azuis e com o Forte Mehrangarh sobranceiro na sua colina.


No caminho para o forte encontrámos um rapaz que nos mostrou a sua - impressionante - colecção de notas de imensos países dos 4 cantos do mundo onde constava também uma nota de 100 escudos! E depois convidou-nos a jantar no restaurante dele que ficava num terraço 4 andares acima do nível da rua.
E nós aceitámos.

28 de outubro de 2005

Regresso às DUNAS

De Jaisalmer partimos dentro do um jipe poeirento com um condutor sorridente e um rapaz chamado Bhati, fumador de folhas de tabaco enroladas, para a aldeia de Khuri a 40Km.
Lá esperavam-nos 2 camelos que nos levaram até às dunas onde partilhámos o pôr do sol com imensa gente. Eram turistas novos e velhos, eram camelos em pé, sentados e a rebolar na areia, eram os guias dos camelos, eram miúdos a vender bebidas frescas, e foi também a algazarra de meninos de escola que chegaram de camioneta mais tarde...
Uma paródia! Que fez deste um deserto diferente. Mas a sua imensidão e a simplicidade das pessoas que lá vivem transmitem-me sempre uma tranquilidade especial e incompreensível.


De noite jantámos num patiozinho à média luz. Montaram uma mesa à nossa frente onde colocaram em vários tachinhos as iguarias do deserto do Rajastão.
Estava delicioso e para mim foi um dos melhores jantares da viagem. O que me fascina é como pessoas com tão poucos recursos se desenrascam tão bem.
No céu as estrelas adensavam-se.

Depois do jantar o Bhati perguntou se queríamos dormir nas cabanas tradicionais do deserto, feitas de terra e com tecto de palha, ou ao ar livre nas dunas... e nós, depois de “esclarecida” a questão dos bichos rastejantes (que foi quando ele disse que o seu irmão tinha sido picado por um escorpião no dia anterior... mas que ia rezar para que não nos acontecesse nada), escolhemos as dunas.
E assim foi. Aparelharam uma carroça a um camelo que nos levou (e às camas, almofadas, lençóis e cobertores quentes) para lá. Ainda montaram uma tenda para se tivéssemos frio ou medo das cobras....





E de tecto e paredes estreladas adormeceu-se...
No outro dia, quando acordei de nariz frio e deitada numa cama no meio do deserto senti-me no meio de um daqueles filmes absurdos em que não se distingue a realidade do sonho.

JAISALMER, The Golden City


No caminho para a longínqua Jaisalmer o horizonte foi-se amarelecendo e aplanando.
Esta é a última cidade indiana antes da fronteira sul com o Paquistão e está situada numa zona árida e poeirenta. As aldeias escasseiam cada vez mais. Desponta o deserto do THAR.
Jaisalmer é uma cidade dominada pelo seu forte, e apesar do calor é fantástico andar pelas ruas dentro das muralhas e perdermo-nos por lá, onde como em qualquer sítio, os velhotes descansam à sombra das árvores, as mulheres varrem o chão à porta de casa e conversam com as vizinhas.
É uma verdadeira cidadela medieval com os seus templos jainistas magníficos e a peculiar arquitectura dos HAVELIS que me deixou fascinada e de boca aberta.



26 de outubro de 2005

PUSHKAR, cidade de Brahama

Esta é a cidade de Brahama, o criador do Universo. E segundo as crenças hindus foi ele que criou esta cidade ao deixar cair a sua flor de lótus no deserto. Nesse local nasceu o lago sagrado à volta do qual tudo gira em Pushkar.


Foi um dos sítios que mais gostei de visitar.
Aqui se relaxou longe do buliço das grandes cidades.
De repente estávamos metidos numa cidade que é uma cidade sagrada para os hindus (tem mais de 500 templos) mas que ao mesmo tempo parece um ajuntamento de hippies modernos e viajantes de mochila de todas as partes do mundo... ingleses, australianos, israelitas, checos e até outros portugueses!


Há a rua principal que alberga um mercado permanente. E toda a gente se passeia por lá como se fosse de lá. Ouvem-se os guizos das pulseiras de tornozelo das raparigas de cabelo solto, as suas saias de seda esbanjam cores e brilho, na pele tatuagens de henna. Música e cantares ao longe e ao perto, de dia e de noite. Cheira a incenso e a hash.



De manhã as mulheres lavam a roupa no lago e alguns velhos tomam banho. Cozinha-se na rua em frigideiras impossíveis de enormes. No templo de Brahama, pessoas de pés descalços oferecem flores cor de rosa. Ao final da tarde toda a gente se reúne no ghat principal, cada um com os seus afazeres sagrados: os judeus rezam, os hindus banham-se e nós estamos ali para ver mais uma vez o sol a pôr-se.
E tudo é acompanhado por tambores que nos envolvem e vão aumentando cada vez mais a cadência à medida que o tempo se esgota.


Aqui se quis que o tempo parasse.