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30 de maio de 2014

monastery life

Os mosteiros de Drepung e Sera, nos subúrbios de Lhasa, para além de terem vistas fantásticas sobre a cidade e montanhas circundantes, são (a par do mosteiro de Ganden) os grandes mosteiros universitários originais da ordem Gelukpa, no Tibete.
Aqui os monges dedicam grande parte do seu tempo a aprender e estudar os ensinamentos dos grandes mestres budistas e a aprofundar a sua filosofia.

A população de monges nestes e noutros mosteiros tibetanos foi consideravelmente reduzida, de vários milhares para algumas centenas, durante os anos que se seguiram à ocupação chinesa.  Tal como o Dalai Lama, muitos monges refugiaram-se na Índia, onde foram construídos mosteiros paralelos aos originais, que continuam as suas tradições.

No entanto, uma das tradições que ainda continua bem viva nos mosteiros de Drepung e Sera são os debates diários entre os monges, que fazem parte da aprendizagem da doutrina budista.
Estes debates são complementados com gestos, principalmente no mosteiro de Sera, em que os monges gesticulam intensamente e batem palmas enquanto defendem o seu ponto de vista.













como será viver aqui?

29 de maio de 2014

jokhang





Lhasa é uma cidade de pessoas calorosas e profundamente religiosas.
Sempre que nos aproximamos da Praça Barkhor, percebemos que lá se passa algo de muito especial.

Junto às portas do templo Jokhang, palpa-se a devoção dos peregrinos que ali se encontram em incessantes prostrações de corpo inteiro.

Assim que entramos no templo, invade-nos o cheiro a manteiga de yak e a incenso.
É constante o entra-e-sai das várias capelas onde existem estátuas de budhas, protectores ou outras divindades e onde os devotos fazem as suas oferendas, de dinheiro, mas principalmente de manteiga de yak que mantem as velas acesas. 
Mas não se demoram. Depois de uma breve oração seguem rapidamente para a capela seguinte, enquanto vão dizendo baixinho “om mani padme om”.

Vemos monges a meditar, dedicados a estudar escrituras antigas e a cuidar das capelas. Tanto dividem a manteiga de yak pelas centenas de velas, como varrem as notas do chão que colocam junto às estátuas.






Nas primeiras vezes que entramos em templos tibetanos, é difícil entender o significado daquilo que estamos a ver. A simbologia é extensa e diversa, são muitas as estátuas que encontramos com diferentes significados, algumas são originais, outras são réplicas de estátuas destruídas durante a Revolução Cultural Chinesa, mas isso não parece tirar-lhes a importância pois todas elas são tidas em consideração com grande reverência pelos tibetanos.

Os visitantes sentem-se naturalmente esmagados, não pela grandiosidade das construções, porque todos os espaços que vamos encontrando dentro destes locais sagrados são pequenos, quase individuais, mas pela concentração, desprendimento e devoção das pessoas que lá encontramos.



Tenho que dizer, que junto ao Templo Jokhang há outra coisa difícil de entender. Que é o facto de após várias décadas, Lhasa continuar a ser claramente uma cidade ocupada, espiada e guardada, com câmaras de vigilância em todas as ruas, detectores de metais, revistas de bagagem obrigatórias junto às zonas mais religiosas e soldados armados em cada esquina da cidade e em todos os telhados da zona de Barkhor.

Não é difícil abstrairmo-nos disso, mas dá-nos que pensar.

28 de maio de 2014

barkhor



Barkhor é o centro nevrálgico da Lhasa antiga.
Na Praça Barkhor encontramos a entrada principal para o templo de Jokhang, o templo mais sagrado do budismo tibetano.

Barkhor também é a kora mais percorrida de Lhasa, a circumambulação de peregrinos no sentido dos ponteiros do relógio, à volta do templo de Jokhang.

As ruas da zona antiga da cidade junto ao templo são labirínticas e transportam-nos no tempo. Também é aqui o mercado tradicional onde se vende todo o tipo de apetrechos religiosos, manteiga de yak, roupas quentes, fotos de lamas, antiguidades, thangkas (pinturas tibetanas).





Mas o melhor são as pessoas.

As mulheres de vestidos escuros, com o tradicional avental riscado, indicando que são casadas, e brincos de turquesa, os homens Khampa, conhecidos por serem ferozes guerreiros, com a pele curtida pelo sol e o cabelo comprido apanhado numa trança vermelha, as velhotas a girar rodas de oração enquanto entoam mantras totalmente indiferentes à nossa presença.




O melhor são sempre as pessoas.

27 de maio de 2014

potala


O Potala foi construído no sec.XVII pelo 5º Dalai Lama.
Era o centro administrativo e governamental do Tibete, mosteiro, fortaleza e casa dos chefes de estado, os Dalai Lamas.

A altitude obriga-nos a subir a escadaria um degrauzinho de cada vez. 
A taquicardia já é grande por estar aqui, mas o coração ainda bate mais rápido por estarmos a 3700m de altitude.

Connosco sobem muitos peregrinos tibetanos com as suas oferendas que vão deixando em todos os altares de todas as capelas por onde passamos.




Não consigo refrear a impaciência de fotografar o Potala de todos os ângulos possíveis e imaginários não vá algum dia correr o risco de me esquecer dele.
Mas ele não cabe dentro da minha máquina! 


Depois lembro que esquecer-me será impossível. 
Enjoy the moment! 

26 de maio de 2014

lhasa

Desde sempre que é difícil chegar ao Tibete.
O planalto tibetano está arrumado entre várias cordilheiras montanhosas, os Himalaias a Sul, o Karakoram a Oeste, o Kunlun a Norte, que dificultam qualquer aproximação terrestre. "Que o digam" os primeiros missionários portugueses que lá chegaram no sec.XVII atravessando os Himalaias vindos da Índia.

E ao longo do sec.XIX, o Tibete sempre forçou o seu isolamento por temer os planos de expansão da Rússia para Sul e da Índia para Norte. 
Com medo de ser entalado no meio de dois gigantes, o Tibete baniu simplesmente todos os estrangeiros do planalto, que eram vistos como demónios e considerados destabilizadores da paz e da liberdade.

Agora tudo mudou, é o próprio Dalai Lama que, à distância, encoraja todos os viajantes a visitarem o Tibete e a aprenderem sobre o seu povo e costumes.
Depois da ocupação chinesa, são as burocracias, permits e autorizações, que dificultam a chegada de estrangeiros.
Chegamos a Lhasa, no comboio que liga umbilicalmente o Tibete à China mas contam-se pelos dedos de uma mão os estrageiros no chekpoint militar da estação faraónica.

Mas tinhamos mesmo muita vontade de chegar.
É muito difícil descrever o magnetismo que o Tibete e mais especificamente Lhasa exercem sobre os viajantes, mas ver o Potala ao longe eriça os pêlos a qualquer um.
Quando saimos do comboio, tiritamos de frio e de entusiasmo por termos chegado à verdadeira cidade proibida, Lhasa, que tantos exploradores tentaram alcançar em vão ainda há menos de 100 anos atrás.

Encontramos uma cidade ao mesmo tempo antiga e moderna, que não esconde o seu glorioso passado longínquo, nem o seu trágico passado recente. 
Uma cidade que nos apaixona imediatamente.












Tashi delek! Bem vindos a Lhasa!

22 de maio de 2014

qinghai railway to Tibet


O Qinghai Railway to Tibet liga Xining, capital da província de Qinghai, a Lhasa, na Região Autónoma do Tibete e o último troço de 1142km entre Golmud e Lhasa foi inaugurado em 2006 com grande euforia por parte do governo chinês.

Este é o caminho de ferro mais alto do mundo com perto de 1000 km situados acima dos 4000 m de altitude, metade dos quais construídos em permafrost.
Permafrost?... Bem, vou só dizer que esta é uma extraordinária obra de engenharia!



Mas recordes à parte, há um misto de emoção no momento em que embarcamos numa viagem de 33h num comboio que nos vai levar de Xi'an até Lhasa. Lhasa!
Para nós viajantes e train lunatics é sensacional saber que podemos chegar ao Tibete de comboio, mas rapidamente percebemos que esta linha de comboio não se destina a aumentar o turismo internacional.

Nada está escrito em inglês.
Quando embarcamos verificam os nossos passaportes, permits, e alguém nos ajuda a descodificar o bilhete para encontrarmos o nosso lugar. 
Toda a gente tem que assinar um termo de responsabilidade de saúde, por causa da viagem em altitude, incluindo nós que assinamos "de cruz" sem conseguir ler nada do que está escrito. 

Em Xining trocamos para carruagens diferentes, com janelas seladas e dispensadores de oxigénio. Vamos mesmo a caminho do tecto do mundo.



As 33h até passam mais rápido do que se pode imaginar.
Conhecemos pessoas simpáticas que mesmo sem falar uma palavra de inglês, para além de nos ajudarem nas traduções, ensinam-nos umas palavrinhas de chinês, arranjam maneira de nos dar dicas sobre como preparar e o que acrescentar aos nossos noodles instantâneos, e ainda me oferecem soluções de medicina tradicional chinesa quando percebem que entretanto fiquei constipada.

Praticamente todos os que interagem connosco querem saber porque escolhemos o comboio.
Para mim, são vários os motivos pelos quais ir de comboio é sempre melhor que ir de avião: mantemos a noção da distância, vemos a paisagem, conhecemos pessoas, vamos sentados, deitados ou de pé, é mais barato.
E neste caso especifico, uma questão prática, porque a aclimatização à altitude de Lhasa (3700m) é mais fácil.

Pelo caminho vamos passando por planícies, montanhas, lagos e glaciares.
À medida que avançamos no Tibete parece que entramos numa terra de ninguém. Não se vê vivalma e as construções são raras à excepção da estrada que acompanha a linha de comboio e do eventual apeadeiro que nos vai informando de onde estamos e da altitude.
Vemos yaks e outros animais a pastar e uma ou outra tenda de nómadas.

Depois de uma China hiperpovoada, hiperindustrializada, hiperpoluída, entramos num mundo vazio de gente, de construção, de confusão.

Durante este percurso ficamos com a perfeita noção de porque o Tibete sempre foi considerado um dos sítios mais remotos do planeta.

Mas agora, cada vez menos, graças ao Qinghai Railway to Tibet.