
31 de outubro de 2005
UDAIPUR

O CAMINHO para Udaipur
É um percurso em curva e contra curva espectacular, saltamos das planícies do deserto para colinas verdes. Apercebemo-nos porque no nosso mapa quase não haviam linhas de comboio a ligar as outras cidades do Rajastão a Udaipur. É que é uma cidade aninhada num vale rodeado de montanhas. O ar ficou mais fresco, mais ameno. Viam-se vacas e bois descontraídos a pastar, macaquinhos nas árvores, miúdos de uniforme a caminho da escola, senhoras de cântaros à cabeça, lagos com flores de lótus, campos verdes. Foi uma bomba de bem estar calmante dado o stress de querer chegar cedo a Udaipur.

Conversas entre MULHERES
Durante o tempo que estivemos parados despertámos a curiosidade das pessoas que fazem a sua vida por ali, que se aproximavam do carro e ficavam a olhar lá para dentro como se de atracções circenses nos tratássemos. Entretanto iam pensando em algo para nos dizer.
Esta mulher aproximou-se. Era muito porca, tinha o sari roto, mascava tabaco e cuspia pró chão! (toda a gente cospe pró chão!!) Queria champô. Tentei trocá-lo pela pulseira que ela tinha no pé mas as negociações foram infrutíferas. Estava sempre a pedir coisas, era muito chata mas eu achei-lhe graça porque se ria muito. Entretanto lá se fartou de nós e foi lavar os pés num poço ali ao pé.
Mais tarde voltou. Era muito curiosa! Depois de alguns gestos, descobrimos que somos da mesma idade mas ela fez um ar de “os meus pêsames” quando eu disse que não era casada nem tinha filhos. Ela já tinha 4.
E depois posou vaidosa para esta foto.
29 de outubro de 2005
DURGA festival

JODHPUR, The Blue City
Mas quando entrámos nas muralhas da cidade antiga isso mudou pois o trânsito lá está condicionado. E assim, também nos encantámos com este lugar de ruas estreitas e paredes azuis e com o Forte Mehrangarh sobranceiro na sua colina.


No caminho para o forte encontrámos um rapaz que nos mostrou a sua - impressionante - colecção de notas de imensos países dos 4 cantos do mundo onde constava também uma nota de 100 escudos! E depois convidou-nos a jantar no restaurante dele que ficava num terraço 4 andares acima do nível da rua.
E nós aceitámos.
28 de outubro de 2005
Regresso às DUNAS
Lá esperavam-nos 2 camelos que nos levaram até às dunas onde partilhámos o pôr do sol com imensa gente. Eram turistas novos e velhos, eram camelos em pé, sentados e a rebolar na areia, eram os guias dos camelos, eram miúdos a vender bebidas frescas, e foi também a algazarra de meninos de escola que chegaram de camioneta mais tarde...

De noite jantámos num patiozinho à média luz. Montaram uma mesa à nossa frente onde colocaram em vários tachinhos as iguarias do deserto do Rajastão.
No céu as estrelas adensavam-se.
Depois do jantar o Bhati perguntou se queríamos dormir nas cabanas tradicionais do deserto, feitas de terra e com tecto de palha, ou ao ar livre nas dunas... e nós, depois de “esclarecida” a questão dos bichos rastejantes (que foi quando ele disse que o seu irmão tinha sido picado por um escorpião no dia anterior... mas que ia rezar para que não nos acontecesse nada), escolhemos as dunas.
E assim foi. Aparelharam uma carroça a um camelo que nos levou (e às camas, almofadas, lençóis e cobertores quentes) para lá. Ainda montaram uma tenda para se tivéssemos frio ou medo das cobras....
E de tecto e paredes estreladas adormeceu-se...
No outro dia, quando acordei de nariz frio e deitada numa cama no meio do deserto senti-me no meio de um daqueles filmes absurdos em que não se distingue a realidade do sonho.
JAISALMER, The Golden City
No caminho para a longínqua Jaisalmer o horizonte foi-se amarelecendo e aplanando.
Esta é a última cidade indiana antes da fronteira sul com o Paquistão e está situada numa zona árida e poeirenta. As aldeias escasseiam cada vez mais. Desponta o deserto do THAR.
Jaisalmer é uma cidade dominada pelo seu forte, e apesar do calor é fantástico andar pelas ruas dentro das muralhas e perdermo-nos por lá, onde como em qualquer sítio, os velhotes descansam à sombra das árvores, as mulheres varrem o chão à porta de casa e conversam com as vizinhas.
É uma verdadeira cidadela medieval com os seus templos jainistas magníficos e a peculiar arquitectura dos HAVELIS que me deixou fascinada e de boca aberta.
26 de outubro de 2005
PUSHKAR, cidade de Brahama

Foi um dos sítios que mais gostei de visitar.
Aqui se relaxou longe do buliço das grandes cidades.
De repente estávamos metidos numa cidade que é uma cidade sagrada para os hindus (tem mais de 500 templos) mas que ao mesmo tempo parece um ajuntamento de hippies modernos e viajantes de mochila de todas as partes do mundo... ingleses, australianos, israelitas, checos e até outros portugueses!
Há a rua principal que alberga um mercado permanente. E toda a gente se passeia por lá como se fosse de lá. Ouvem-se os guizos das pulseiras de tornozelo das raparigas de cabelo solto, as suas saias de seda esbanjam cores e brilho, na pele tatuagens de henna. Música e cantares ao longe e ao perto, de dia e de noite. Cheira a incenso e a hash.
De manhã as mulheres lavam a roupa no lago e alguns velhos tomam banho. Cozinha-se na rua em frigideiras impossíveis de enormes. No templo de Brahama, pessoas de pés descalços oferecem flores cor de rosa. Ao final da tarde toda a gente se reúne no ghat principal, cada um com os seus afazeres sagrados: os judeus rezam, os hindus banham-se e nós estamos ali para ver mais uma vez o sol a pôr-se.
Aqui se quis que o tempo parasse.
Os TECIDOS do Rajastão
O tecido é esticado numa mesa e depois os artesãos carimbam-no com os blocos molhados de tinta.
Eu fiquei deslumbrada com esta técnica, tanto que arranjei logo maneira de ter uns bloquinhos desses!

O mistério dos SARIS
Os saris não são mais do um tecido maravilhoso que pode ser de todas as cores e padrões com 6m de comprido que, como toda a gente sabe, se enrola à volta da cintura pondo o restante por cima do ombro... mas aquilo tem uma arte qualquer porque 3 vezes depois ainda não conseguia vestir um sari sozinha.... e continuo sem conseguir!
Foi a 1ª peça de roupa que eu vi a venderem com um papelinho de instruções!
A sensação é a de “como é que ELAS conseguem andar enroladas neste pano todo - que já me parecia uma mortalha - com ESTE CALOR?!!”...
Mas andam!

E eu, apesar de aparecer vestida com um sari magnífico no meu imaginário da Índia, reduzi-me à minha insignificância e continuei a percorrer os caminhos indianos com as minhas roupinhas de algodão....















