16 de janeiro de 2006

'MAPA' #1

'Em trânsito...'

10-Agosto-2004, Terça Feira
6h29: comboio para Valence
8h15: comboio para Chambery-Challes
11h00: perdeu-se o TGV para Torino por falta de lugares... sorry Ana!

18h59: 2ºTGV, agora com reserva, para Milano

11-Agosto-2004, Quarta Feira
00h15: comboio para Verona
02h00-05h30: dormir no chão da estação de Verona
05h52: comboio para Veneza-Mestre
07h30: comboio para Trieste
10h52: comboio para Ljubljana
13h00: ... puf puf... ainda em viagem .... pelo caminho perdeu-se a tenda...
14h20: meia hora para comprar uma tenda em Ljubljana
15h22: comboio para Bled

“Baby baby, ain’t it true? I’m immortal when I’m with you… but I WANT A PISTOL IN MY HEAD… I want to go to a different land” PJ Harvey

Os interrails têm destas coisas.

12 de janeiro de 2006

'AVIGNON'

9-Agosto-2004, Segunda Feira, tarde e noite

Depois de deixarmos as mochilas nos cacifos da estação fomos explorar a cidade fortaleza, Avignon, o reduto dos papas fora do Vaticano.
O Palais de Papes é o maior palácio gótico do mundo e à sua volta tem jardins que dão acesso à Pont Saint Bénezet, semi-destruída por uma companhia militar e também pela força das águas.



Depois do jantar ao som de djambés, sentados no chão da praça do palácio, deambulámos por ali até chegarmos à beira-rio onde dormitámos na relva até à 1h. Fomos acordados pelas melgas e pelo sistema de rega...

'Conclusões...'

9-Agosto-2004, Segunda Feira

No autocarro para Avignon concluímos finalmente – principalmente eu – que é difícil visitar a Provence de mochila às costas com um pass de interrail que aqui é completamente inútil, pela simples razão que não existem comboios. Para além disso, os autocarros que ligam as vilas são quase inexistentes (tipo 2 por dia) e os bilhetes são caríssimos. Assim, perdida a batalha, decidimos largar a Provence com o rabo entre as pernas.
Novos planos: apanhar um comboio em direcção a Itália, para beber um café com a Ana em Torino e depois partir no mesmo dia para a Eslovénia.... O nosso comboio partia às 6h29 da manhã, o que quis dizer noite ao relento em Avignon.

'St. Remy de Provence'

9-Agosto-2004, Segunda Feira

Apanhámos um autocarro turístico (só existe de Junho a Setembro) que atravessa o countryside e percorre as estradinhas secundárias que ligam Arles a Avignon passando por povoações como Les Baux e St Remy de Provence.



Saímos em St Remy, que se diz ser a cidade mais provençal da Provence. É uma vila parecida com Arles, mas mais pequenina, mais tradicional. Existe uma cidadela dentro de muralhas e foi por aí que nos perdemos mais uma vez em recantos encantadores.



Dá vontade de fotografar tudo, lojas de tecidos e retrosarias com velhinhas, lojas de livros, lojas de arte e galerias de pintura e escultura... tudo organizado com um bom gosto rigorosíssimo para satisfazer a gula visual do viajante.


Mas St Remy vê-se num instante e algumas horas depois era tempo de reclamar as mochilas tão gentilmente guardadas num hotel ali perto e partir no 2º autocarro para Avignon.

St Remy também está no mapa dos admiradores de Van Gogh uma vez que ele se internou aqui num asilo de livre e espontânea vontade, depois de ter mutilado a sua própria orelha em Arles.
Há um percurso pedestre por toda a cidade através do qual se pode acompanhar um pouco da sua obra e aprender sobre como ela se relaciona com cada local.
Apesar de ter estado num asilo, por vezes deixavam-no sair para ele poder continuar a criar e os entendidos na matéria percebem nos quadros deste período uma grande carga de angústia, ansiedade e agitação.

Cypresses

Starry Night

Um ano depois, Vincent suicidar-se-ia em Paris no auge do seu génio.

10 de janeiro de 2006

'ARLES'

8-Ago-2004, Domingo

Depois do choque fantasma inicial, Arles surpreendeu pela sua vida cheia de cor e contentamento. Passeou-se por entre as ruínas romanas em volta das quais cresceu simbioticamente o resto da cidade. O Anfiteatro de Arles apresenta-se como a 2ª maior arena romana depois do Coliseu de Roma.
Mas a Provence que eu queria ver e a que mais gostei... foi a das ruelas estreitas, a das janelas com flores.


Cheira a oregãos... Em todas as esquinas há uma banca a vender bouquets de lavanda, saquinhos com
“herbes de Provence”, óleos e vinagres, livros de receitas. Dá vontade de cozinhar e depois pegar no cesto e na toalha aos quadrados... e sair para fazer um picnic.


Encontrámos muitas iniciativas culturais. Acontecia o festival de fotografia “Rencontres d’Arles”, por isso por toda a cidade se distribuíam panfletos com sugestões de exposições.

Vincent Van Gogh viveu em Arles durante um período de tempo que se considera ser o seu mais criativo. Ele veio para esta cidade com o intuito de criar uma colónia de artistas (à qual se juntou Gauguin) mas aparentemente não teve sucesso. Pelo contrário, foi na Provence que descobriu as cores vivas do campo e do mediterrâneo que lhe inspiraram as obras primas.

Um dos meus quadros preferidos foi pintado no sítio mais emblemático de Arles, a onde todos os caminhos da cidade parecem ir dar, cheia de esplanadas e sítios onde apetece sentar, a Place du Forum:


The Cafe Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night

Este sítio existe e é agora o Café Van Gogh.

9 de janeiro de 2006

'DOMINGO não é dia de chegar a lado nenhum...'

8-Ago-2004, Domingo

E depois de uma longa viagem que passou pelo super florestado santuário de Lourdes e com direito a troca de comboio a meio da noite em Marseille... chegou-se a Arles no domingo cedo de manhã. Mas Domingo não é dia de chegar a lado nenhum, principalmente quando ainda não se faz ideia de onde se vai ficar, se há ou não parque de campismo e se é longe da estação.
A cidade parecia abandonada, não havia um posto de informação aberto, ninguém para pedir uma informação, autocarros só dali a 2 horas... ficámos super ofendidos com esta falta de apoio ao turista mas queríamos o quê? No meio de uma cidade quase rural, num domingo às 7h30!!

Imaginei-me na pele de um jovem
mochileiro acabado de chegar a Sta Apolónia no mesmo dia e á mesma hora e achei que ele também se veria em apuros... e Lisboa é uma capital!!

Mas lá se desenrascou a localização de um parque de campismo e pusemo-nos a caminho... era super longe, pedimos boleia mas ninguém parou, excepto um grupo de rapazes aparentemente bêbedos... levámos 1h a chegar... e o calor ganhou todo ele uma nova definição.
Depois de tomado o 1º banho após a partida de Lisboa partimos à descoberta da cidade onde o Van Gogh pintou o meu quadro preferido.
NOTA: não sei porquê mas o 1º banho acaba sempre por ser sempre um ponto abordado quando se trocam experiências de interrails...

'Direcção: PROVENCE'

7-Ago-2004, Sábado


Um dos destinos desta viagem foi o Sul de França, mais precisamente a bela região da Provence. Ainda em Hendaye pedimos informações sobre como chegar lá e a cidade de referência era Arles, cidade onde morou e pintou o Van Gogh e outros artistas que procuravam o Sol do Sul e as cores vivas desta região para se inspirarem.
Mas é absolutamente incrível como se torna difícil chegar aos lugares se tomarmos os caminhos menos percorridos! E quem decide visitar as pequenas e pitorescas vilas da Provence a pé e de mochila às costas é completamente doido, principalmente se esse alguém não quiser desperdiçar tempo! Mas só me apercebi mais tarde.

'De volta ao SUD EXPRESS'

6-Ago-2004, Sexta Feira

Três anos depois da primeira viagem neste comboio, o regresso faz-se com muita expectativa. As circunstâncias em que se faz de novo a viagem são outras... diferente é a vida que agora se deseja desordenar momentaneamente.
E sem mais demoras, às 18h01, partimos.
Mas na mesma continua a estopada de 12h de viagem até Hendaye e aí a longa espera de 8h para todos os que se decidirem pelos caminhos do Sul.
Não interessa... o melhor que há é pegar na mochila e sentir o vento no cabelo, ver o mundo e o mundo ver-nos a nós.

4 de janeiro de 2006

Moleskine



Começam-se os anos com desejos...
O maior... o desejo de novas aventuras, novos atrevimentos.

E para prevenir o incontornável adormecimento da memória nada melhor que um caderninho novo para assentar as andanças a nós reservadas pelo destino.