13 de março de 2006

Tempo de Quinta












E chegou o calor... será que veio pra ficar?

É um calorzinho bom que se cheira e aquece a pele.

Dá vontade de sair mas ainda não é tempo de praia... é tempo de quinta.

11 de março de 2006

'VERONA'

3-Out-2003, Sexta-Feira

Verona é uma cidade romana por excelência. Tem o 3º maior anfiteatro da época romana da Europa (o maior é o Coliseu de Roma, e o 2º é a arena de Arles), onde se fazem grandes concertos e óperas todos os anos.


Mas esta cidade é célebre principalmente por causa do trágico romance entre Romeu e Julieta, do Shakespeare, e passado aqui.
Visitámos a casa dei Capuleti (família de Julieta), de cujo pátio se vê a varanda por onde terá subido o Romeu apaixonado. As paredes do pátio estão completamente cheias de declarações de amor, escritas com marcador, em grafitti, ou até gravadas na própria parede, escritas em papéis em forma de coração e colados com pastilha elástica... trocas de juras de amor eterno.




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5 de março de 2006

'VENEZIA, La Sereníssima'

2-Out-2003, Quinta-Feira


Veneza!
Dada a sua localização na intercepção de várias rotas, Veneza era nos tempos idos um grande centro de comércio do Mediterrâneo... a porta de ligação entre o Oriente e o Ocidente que se reflecte até hoje na arte, arquitectura e costumes da cidade.
Mas a cidade cresceu também devido aos contínuos investimentos do tempo das cruzadas em que eram trazidas para cá grande parte das riquezas dos saques produzidos nas cidades a Oriente, nomeadamente Bizâncio (agora Istambul).

O nosso hotel ficava em Veneza-Mestre, pelo que foi necessário apanhar o meio de transporte público utilizado em Veneza: o vaporetto. Assim, largamos o autocarro no Tronchetto e apanhámos o vaporetto nº82 em direcção à Piazza San Marco.
É uma viagem fantástica, dura mais ou menos meia hora e percorre-se todo o Grande Canal. É muito bom deixarmo-nos perder nas ruelas e sotoportegos de Veneza mas esta é definitivamente uma cidade para se ver também dos canais. As suas casas mais emblemáticas estão localizadas ao longo do Grande Canal assim como a mais bonita das suas 400 pontes, a ponte do Rialto.



A Basílica de S. Marcos é um óptimo exemplo de arte cristã primitiva, com fortes influências da arte bizantina: várias cúpulas, mosaicos, figuras estáticas em fundos dourados.
A Piazetta, a praça entre o Campanile e o Palazzo Ducale (dos Doges) era onde se reuniam os nobres antigamente, entre as 10-12h, para saberem de intrigas e fofocas da vida dos outros. Aqui, se olharmos com atenção para o Palazzo, encontramos na imensidão de colunas de mármore branco, 2 colunas cor de rosa. Era onde se proferiam sentenças e se informava a população de assuntos de interesse público.
Na subida ao Campanile apercebemo-nos bem da imensidão de canais e da quantidade enorme de ilhas que constituem esta cidade.



O passeio iniciou-se depois de fotografada outra ponte famosa, a dos Suspiros, que liga o palácio dos Doges à prisão...



A aparente desorganização de Veneza pode assustar aqueles que têm medo de se perder... ao início... Mas há imensa sinalização para o percurso mais rápido da Piazza San Marco até à Ferrovia, atravessando o Grande Canal no Rialto, e quem se mantém nas ruas principais (porque as há) não se perde... mas quanto a mim, para se aproveitar uma visita a Veneza é melhor mesmo sairmos desses caminhos e andarmos sem rumo por aquelas ruas e travessas... e sottoportegos!


Encontram-se imensas lojas de máscaras de Carnaval, algumas são verdadeiras obras de arte... vidro de Murano, de todas as cores, trabalhado com a perícia de 1000 anos de ofício... e as Gôndolas negras (cor do luxo e da ostentação)... que deslizam preguiçosamente nos canais.



À noite, a Piazza San Marco fica diferente.
Os pombos desaparecem... a praça é iluminada, as esplanadas ganham outra vida, orquestras começam a tocar e as pessoas juntam-se para ouvir...



O Florian e o Quadri são os 2 cafés mais célebres da Piazza San Marco. Existem desde o séc XVIII e preservaram ao longo do tempo a tradição de bem servir de acordo com padrões que passaram de geração em geração.
... sentámos na esplanada do Florian. Pedimos um café e um capuccino e ficámos a ouvir a música... que é sem dúvida nenhuma uma condutora de emoções, uma linguagem universal. Quando decidimos sair...



1 café ............ 4.5€
1 capuccino .... 7.0€
Música............ 9.0€


... não se vem a Veneza todos os dias. :-)


As pessoas vestem-se para andar na rua... para serem vistas, senhoras de vestido e saltos altíssimos fumam cigarros finos ao lado de homens de fato e lenço ao pescoço... Nós, os de gabardine quando não há chuva, mala a tiracolo e pernas cansadas sabemos que não pertencemos a este mundo... e tivemos que regressar.


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'PADOVA'

2-Out-2003, Quinta-Feira


Em Pádua visita-se a Basílica de Sto António.
O nosso Santo António (nasceu em Lisboa) morreu em Pádua por isso há grande discussão entre portugueses e italianos sobre de onde é afinal o santo...
Era conhecido por ser casamenteiro e por ser um grande orador.


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3 de março de 2006

'FIRENZE'

1-Out-2003, Quarta-Feira


Florença é a cidade-berço do Renascimento, aqui criaram Leonardo, Boticelli, Donatello, Miguelângelo.
A visita começou na que deve ser a minha igreja preferida de
sempre: Basilica Sta Croce.


Sta Croce é uma igreja Franciscana, o chão de terracota e o tecto de madeira (com 600 anos) vão de encontro à ideologia de pobreza da Ordem que até procurava construir as suas igrejas com os materiais mais pobres.
Aqui repousam grandes vultos da cultura italiana... e os seus túmulos são obras de arte incontestáveis pois são acompanhados por estátuas que representam as suas artes.

O túmulo de Galileo está ladeado pela Astronomia e pela Geometria. Por sua vez, Miguelângelo está acompanhado por 3 estátuas: Pintura, Arquitectura e no meio, Escultura, a sua preferida e verdadeiramente triste com a morte do mestre. Dante, o autor da Divina Comédia, também tem aqui o seu túmulo honorário, só honorário pois ele foi exilado de Florença. O seu verdadeiro túmulo está em Ravenna com uma lamparina permanentemente acesa com azeite vindo precisamente de Florença, onde não pôde regressar. Dante protagonizava com Beatriz o amor proibido de Florença, como o Romeu e Julieta de Verona e o Pedro e Inês de Portugal. A sua maior obra chamava-se inicialmente apenas Comédia, mas Miguelângelo quando a leu apelidou-a de Divina. Ao lado do seu túmulo honorário repousa uma Poesia chorosa. Também está aqui o túmulo de Rossini, e a Música escuta os sons vindos do seu interior. Verdadeiramente poética esta igreja...

O melhor de Florença, pelo menos quando comparada com Roma, é o poder-se andar agradavelmente a pé para todo o lado.
A uma curta caminhada de distância está a praça do Duomo, Sta Maria dei Fiori. Famoso pela sua enorme cúpula projectada por Bruneleschi.


Na Piazza dela Signoria encontramos a réplica do David de Miguelângelo, um dos ex-libris da cidade. Feito de um só bloco de 5m de altura de mármore de Carrara, é considerado a melhor representação de sempre do corpo masculino em escultura. Miguelângelo tinha 29 anos quando o esculpiu, há 500 anos.
Esta praça está cheia de obras de arte, parece um museu ao ar livre. Uma das minhas peças preferidas é o sensualíssimo Rapto das Sabinas, de Giambologna.


Perto da Piazza dela Signoria está a Galeria dos Ufizzi (ufizzi=escritórios), que alberga uma colecção de mais de 1400 quadros de imensos pintores renascentistas... incluindo o famosíssimo “Nascimento de Vénus” de Boticelli.


No Mercado da Palha esfregou-se o nariz do Javali (um dos símbolos de Florença) para dar boa sorte... e regateou-se.

Mais à frente atravessamos a Ponte Vecchio, a única ponte da cidade que não foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial, dado o seu valor histórico e rapidamente chegamos ao Palazzo Pitti, o palácio da segunda maior família de Florença, rivais dos Medici.



É óptimo caminhar por estas ruas... as pessoas são simpáticas, as ruas são lindas, há pinturas nas paredes das casas, janelinhas verdes em paredes amarelas... o ambiente medieval muito presente.


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24 de fevereiro de 2006

'PISA'

1-Out-2003, Quarta-Feira


Pisa era um grande centro de comércio na época do império Romano, mas com a passagem do tempo foi perdendo protagonismo para outros portos como Lucca, Livorno e Génova.
Passadas as glórias imperiais, é hoje famosa pela sua torre inclinada... a torre mais inclinada de Itália (e do mundo?), pois torres inclinadas é que não faltam por lá.

Foi aqui que nasceu Galileo, no ano em que morreu Miguelângelo, e aqui estudou a aceleração da gravidade deixando cair objectos do cimo da torre inclinada.
Negar a Teoria Geocêntrica e defender a Heliocentrismo, que diz que a Terra se move à volta do Sol e não o contrário, fez com que Galileo fosse excomungado pela Igreja. Mas para se livrar à morte na fogueira – onde morreram outros estudiosos avançados demais para o seu tempo, como Nicolau Copérnico - Galileo negou a sua teoria num tribunal em público. Mas, consta que ao sair da sala terá proferido as palavras que o vincaram eternamente na história “No entanto, Ela move-se”...

O Campo dei Miracoli, onde estão o baptistério, a catedral e o seu campanário (a torre) tem um relvado super verde e é muito agradável passear lá...


A Torre de Pisa começou a ser construída no século XII. Dada a constituição arenosa do terreno das fundações, não tardou para que os problemas com a inclinação começassem a aparecer. Ainda só estavam construídos 3 dos 8 andares quando o afundamento de um dos lados se começou a notar.
Os arquitectos da Torre tentaram corrigir o problema fazendo os andares seguintes com altura variável, o que resultou num edifício ligeiramente curvo, mas isso só agravou o problema, a torre afundou-se ainda mais devido ao aumento do peso mas acabou por ser concluída mesmo inclinada, 200 anos após o início.



Esta torre exerce grande fascínio sobre mim. Se calhar é porque corre risco de colapsar... Com o gradual aumento da inclinação tiveram que ser tomadas medidas... No inicio do século XX foram injectadas toneladas de argamassa no solo mas isso continuou a piorar a situação. Fizeram-se estudos nos anos 80 que indicavam que a torre se desmoronaria em 20 anos. O seu acesso foi interditado ao público e a torre até foi amarrada com cabos de aço. Finalmente concluiu-se que a solução seria retirar terras debaixo da torre de modo a que esta estabilizasse a sua inclinação.





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20 de fevereiro de 2006

'SIENA'

30-Set-2003, Terça-Feira

Ai, Siena medieval! «suspiros»


Esta é uma cidade construída sobre 3 colinas de cor ocre, vermelho ocre. Até há um pigmento que se chama “Rouge de Siena” que é utilizado para fabricar tintas e óleos. Siena é a segunda maior cidade da Toscana e desde a sua fundação que é vista como a rival da capital, Florença.
Diz a lenda que a cidade foi fundada pelos filhos de Remo, por isso podemos ver em vários sítios a estátua da loba a amamentar os gémeos. Na altura da construção dos Duomos destas cidades havia entre as duas competição desenfreada para ver qual teria o Duomo maior, mais bonito, com melhor mármore. Consta que a espécie de competição foi ganha por Florença apenas por causa de uma peste que assolou a rival e matou grande parte dos seus habitantes.


É uma cidade com o centro medieval pequenino e acolhedor, com ruelas estreitas e vermelhas que sobem e descem mas acabam sempre por nos levar à praça principal, Il Campo. É uma praça dominada pela sua torre que tinha a dupla função de defesa e de sítio para pendurar os belos tecidos produzidos pela região da Toscana. Bebemos o café no “Alessandro Nanninni” e provámos Pão Forte, a especialidade de Siena.


Mas Siena também é famosa por causa da corrida de cavalos que acontece todos os anos nos dias 2-Julho e 16-Agosto, desde 1856: “ Il Palio
dela contrade”.

16-Agosto-2001
“Não percebo porque tive que sair de Florença a toda a pressa! Ver uma corrida de cavalos? Que ainda por cima dura 90 segundos?”
Foi o pensamento dominante. Mas rapidamente se diluiu assim que Siena começou a lançar o seu feitiço sobre nós. Encontramos uma vila pequena parada no tempo, regressamos à idade das trevas. Não faltam os archotes ao lado das janelas de madeira e bandeiras coloridas enfeitam as ruas. Delimitam as “contrades”, os bairros.
Cada bairro tem o seu símbolo, a sua bandeira e hoje vai decidir-se quem é o melhor, o vencedor. Avisaram-nos logo pela manhã “se quiserem ver a corrida vão logo para o centro da praça para ficarem com bons lugares”. E às 14h, lá estávamos a torrar ao Sol, presos dentro da cerca, porque este não era um espectáculo tradicional em que o público está fora da arena e lá dentro estão as atracções. Não, na arena estávamos nós, e os cavalos iam correr à nossa volta.
Também há bancadas com lugares na periferia na praça... mas já haviam esgotado há muito... hum... mesmo que não tivessem esgotado... 10-20-30 contos cada um... será?
Aceitam-se apostas... Quem será o vencedor... Será o Porco-espinho? A Girafa? A Torre? A Tartaruga?... Há 17 bairros, 17 cavalos... mas nem todos podem participar, só 10, os melhores que foram escolhidos em eliminatórias. Eu torço pelo Unicórnio... mas desta vez não participa... então elejo as cores rosa e verde do Dragão.
Nas janelas as pessoas vão-se acumulando à medida que o tempo passa... e à medida que o tempo passa vai o sol descendo e a sombra invadindo a praça para nos aliviar... a uns mais rapidamente que a outros. Quem ficou por baixo da torre teve sorte!
A Piazza Il Campo vai-se enchendo... a partir de uma certa altura já não se pode sair, só entrar. Algumas pessoas saem em macas, se calhar desidratadas do calor...
Mas finalmente começa... são 17h... É a hora do cortejo. Os gonfalonieri (=porta-estandartes) vão entrando vestidos a rigor, com as cores de cada bairro, e percorrem todo o perímetro da praça atirando as bandeiras ao ar. Atrás dos gonfalonieri desfilam os cavalos depois de terem partido das suas igrejas onde foram benzidos pelo padre que lhes deu a preciosa missão "Vai e regressa vitorioso!" São as verdadeiras estrelas.
Os malabarismos e as palmas vão-se sucedendo contrade atrás de contrade, bandeira atrás de bandeira.... e só por volta das 19h se começam a juntar cavalos e jockeys no local da partida. As pessoas levantam-se, mais despertas sem o calor sufocante. E depois de algumas falsas partidas... começa a corrida!
Há regras muito especiais... é o último cavalo que começa a correr... e eles correm sem estribos e sem sela. A multidão acotovela-se e move-se em bloco... eu sinto-me a asfixiar e os meus pés saem do chão... quando os cavalos se aproximam confunde-se o bater do coração com a ferocidade dos cascos no chão... toda a gente se atropela, grita com efervescência e estica a mão para tirar fotos ao acaso. É um delírio!
Mas um minuto e meio depois do início tudo cessa... E há um vencedor... Drago.
Agora é tempo de festejo... Por toda a cidade se festeja, uns mais que outros... vêm-se grupos de raparigas solteiras com cartazes à procura de noivo... as pessoas jantam na rua... o bairro vencedor percorre em comitiva a cidade agitando furiosamente as bandeiras e os estandartes do Dragão.
E nós acompanhamos... porque não?”



Para grande tristeza minha desta vez estivemos em Siena apenas 2 horas. Gostei de rever tudo mas apetecia-me sentar no chão inclinado da Piazza Il Campo e recostar-me a olhar para a torre. Tentar ouvir o pulsar da multidão, dos cascos dos cavalos... será que havia ainda algum restinho por ali?... Não foi possível e fiquei infelicíssima :-) ... mas é o preço que se paga quando se decide fazer este tipo de viagem organizada em que os minutos estão contados e não há volta a dar.

Ficou a certeza absoluta de um regresso. Há qualquer coisa nesta terra chamada Toscana... e há definitivamente qualquer coisa em Siena que faz o meu olho brilhar.... Parece que já tinha saudades dela mesmo antes de a conhecer.



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