3 de maio de 2006

Alfons Mucha


E aqui se chegou ao encontro do grande génio da art-deco...
E derrepente não se sabe explicar o prazer de olhar para a sua arte.

2 de maio de 2006

PRAHA


Encontrou-se uma PRAGA atormentada pela forma avassaladora que é agredida pelas gentes dos outros países... mas ainda assim a PRAGA de sempre, a que se fica horas a olhar...
... a olhar a forma como se compõem as casas umas a seguir às outras, os volumes, as formas cheios de personalidade.
Linda de incoerente... Haverá outra assim?

não...

19 de abril de 2006

ventos de Marrocos #1


Um rapaz ofereceu-se para nos mostrar a vista do terraço e assim dar-nos esta panorâmica do souk que de outra maneira é impossível ter.
Quando descemos as escadas tínhamos o tio e o primo dele - simpatiquíssimos - à nossa espera com tapetes expostos...
... digamos que a desculpa "je suis allergique aux tapis" não pegou... mas valeu a pena!

18 de abril de 2006

Narguile



O narguile, ou shisha, ou cachimbo de água, é uma maneira antiga de fumar tabaco no mundo árabe que foi muito popular durante o império Otomano (sec 17 – sec 19) mas está de novo na moda.

Os bares ao estilo marroquino onde o ambiente nos lembra os ventos das arábias, onde se servem chás e se fumam cachimbos da paz estão a proliferar a grande velocidade.
Ainda bem para os que de nós apreciam um chá de hortelã bem quente e doce e um cachimbo com aroma de fruta.

O tabaco é aquecido através de uma peça de carvão incandescente e depois filtrado pela água. De repente estar num sítio com toda a gente a fumar não se torna desagradável pois o fumo não é irritante...
... melhor ainda se a conversa for agradável e se se ouvirem aqui e ali palavras de uma língua que – para nós - se escreve ao contrário.

13 de abril de 2006

ventos da Índia #2


um senhor vende maçãs num apetrecho que pode servir de banca para vender frutas, transporte de pessoas e mochilas.. e cama.

8 de abril de 2006

Doce Além-Tejo

tango


O Tango nasceu no final do século XIX, nas ruas de uma Buenos Aires pejada de emigrantes vindos de todo o mundo. Tem fortes raízes cubanas e africanas.
No início era considerada uma forma de dança indecorosa e de classe baixa por isso só era compreensível entre os pobres...
Estava associada à prostituição como resultado de uma sociedade maioritariamente masculina que procurava esquecer a miséria do dia a dia... por isso é a dança com a grande carga sensual que lhe conhecemos.

“En Argentina, se puede cambiar todo... menos el Tango”



O Tango é uma ligação, um momento de empatia entre duas pessoas.
Os argentinos dizem que este conceito de conexão é desconhecido entre os europeus e norte americanos... pois estes só consideram a quantidade de passos que já conseguem fazer... e o esforço necessário para brilhar e impressionar a possível assistência.
E isso é verdadeiramente a contradição do conceito do Tango.
Acima de tudo, a maior parte do tango é improvisação e captação da energia da música... ora forte ora fraca, que depois é passada a outra pessoa que aguarda para nos passar a sua.
É algo mágico e imperecível que acontece durante 5 minutos entre 2 pessoas e que depois acaba.

5 de abril de 2006

"a pátria dos roma é onde estão os seus pés"

Acredita-se que o povo cigano nasceu no norte da Índia antiga, onde é hoje o Paquistão. Isto porque a língua que falam – o romani – é comparável a um dos mais antigos idiomas do mundo, o sânscrito, escrito e falado precisamente nessa região.

fotos: Sam Abuzar Eftegarie


Os ciganos são conhecidos como os filhos do vento por serem um povo de costumes nómadas. Há teorias românticas que sugerem as razões para os seus movimentos migratórios: a busca de fortuna, a descoberta de novas terras, o simples espírito de aventura.

Terão eventualmente atravessado o Médio Oriente em direcção à Europa e constituído diversos clãs que predominavam nas regiões do Sul de Espanha, Rússia, Roménia, Jugoslávia. Mas a verdade é que nunca se conseguiram integrar socialmente devido vários factores que vão desde o tom escuro da sua pele, à vontade de viver à margem das outras pessoas não permitindo contactos nem uniões entre raças diferentes... e claro as diferenças religiosas. Sempre foram desprezados pelas diferentes religiões cristãs por causa das suas actividades conotadas com bruxaria, como a adivinhação.

Os ingleses chamaram-lhes “gypsies” pois pensavam tratar-se de um povo vindo do Egipto, mas os ciganos autodenominam-se de “roma” que significa “homem”.


Enquanto nómadas não criam raízes nos sítios por onde passam que não possam ser arrancadas quando chega a vontade de partir.
O romani é uma língua sem forma escrita pelo que apenas se transmite oralmente de uma geração para a outra. E é expressamente proibido ensinar o dialecto cigano aos “gadje”, ou seja, a todas as pessoas que não nasceram ciganas.



Desde sempre que o ofício do cigano está ligado às artes, principalmente à música e à dança.
Assim, foram concerteza aproveitados os ritmos indianos e as melodias islâmicas na génese de ritmos como o Flamenco da Andaluzia.

Consta até que a palavra flamenco se destinava a designar ciganos, do árabe "fellahu" e "mengu", que significava "o camponês errante".

imagens: Fabian Perez


Tanto as danças orientais como o flamenco se podem misturar e é agradável verificar que uma se pode dançar ao ritmo da outra. Ambas têm o que se chama de “alma gitana” o que faz com que não necessitem propriamente de uma coreografia para ser dançadas... são ritmos apaixonados que pedem apenas a vontade de libertar os movimentos e entregar o corpo à música.

Por falar nisso....


... o espectáculo de dança que depois da estreia bombástica em Sintra vai correr o país e passar a sua mensagem.
A companhia de dança CUADRO FLAMENCO convida a AL-MAHIRA, companhia de dança oriental, e o desejo de unir o Ocidente ao Oriente e misturar os mundos mostra que estes não são assim tão diferentes. Os ventos lânguidos e sensuais das arábias juntam-se ao poderosíssimo flamenco e ainda sobra um espacinho... para o Fado.

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