Xaoen não nos comoveu à chegada... cá de fora a cidadezinha aninhada na montanha parecia uma cidade igual às outras... e a verdade é que nós, depois de tudo o que tínhamos andado para chegar até ali, exigíamos algo não menos que “bombástico”.
Os mais cépticos sugeriram então que não perdêssemos tempo e seguíssemos caminho, mas o cansaço já era algum e por isso ficámos.
AINDA BEM!
Pois em Chefchaoen encontrou-se a tal bomba... uma explosão de bem estar.
Assim que se começa a percorrer a medina, surgem étereas visões azuis glacé que nos refrescam por dentro. É algo que não consigo descrever. Sei de uma moura que ia delirar aqui...
Toda a gente nos pergunta se queremos ajuda e oferecem os seus serviços sem serem requisitados. Somos convidados para o típico chá de hortelã açucarado, falam-nos em todas as línguas e tentam vender-nos de tudo... tapetes, roupas, especiarias, hash...
... porque Xaoen e as montanhas do Rif são conhecidas pelas suas plantações de marijuana... assim que entramos numa loja para ver um artesanato qualquer, enquanto o diabo esfrega um olho e sem dizermos nada, aparecem cachimbos compridos de madeira com Kif para se experimentar e os derivados de marijuana saem de dentro das tajines em exposição e voam para as nossas mãos.
Mas a mim impressionou-me o azul... azul de Chefchaoen... um azul que pinta paredes, portas, chão e céu. Um azul mágico e fresco. Impressionaram-me os recantos deliciosos aqui e ali e as flores cor de rosa nas árvores.
Ao jantar, dá-se a iniciação à gastronomia marroquina: tajine de borrego, couzcouz de legumes, kefta (almôndegas), cenoura com canela... doce com salgado. A sobremesa é simples, laranja.