12 de setembro de 2006

O Hostel e a varanda

12-Ago-2006, Sábado

Ora bem... 2h40 da manhã!
O rapaz da recepção – uma jóia – indicou-nos a varanda onde podíamos dormir no 4º piso e a sala para guardar a bagagem no piso -1.
Lavámos os dentes e pé-ante-pé, para não acordar os outros, instalámo-nos nos quadrados de tijoleira que nos estavam destinados.
Esta é a noite das Perseiades – a chuva de estrelas do meio de Agosto. As condições de observação não são das melhores por causa da Lua e das luzes da cidade... mas a Nucha jura que viu uma.
Eu já tinha tirado os óculos.

E under the moonspell se dormiu.

Welcome to Greece – part II

12-Ago-2006, Sábado

A rede de metro fecha às 24h, autocarros só de 40-40min. Decidimos ir de taxi.
Nem perguntámos o preço, nada, entrámos, “boa noite”... e ala. Era tarde, estávamos cansadas da dança dos aeroportos... só queríamos o nosso terraço.
O motorista foi muito simpático e procurou no seu GPS a melhor maneira de chegar ao hostel. Claro que a nossa dificuldade em pronunciar o nome da rua com o sotaque grego correcto foi um handicap mas que se pode fazer?
A viagem demorou algum tempo pois o aeroporto ainda é a uns 40km fora de Atenas... ele foi muito simpático e deu-nos dicas sobre o que ver e tal... mas nós só víamos o taxímetro a debitar 3cents ao segundo.
Quando chegámos ao hostel marcava 30 euros (tarifa 2 – nocturna) mas ele cobrou-nos +10 pela taxa de entrada no aeroporto e pelo transporte das malas.
Ficámos pasmas mas pagámos e calámos.

Mais tarde, viemos a descobrir que a taxa de entrada no aeroporto é 60cents e que costuma cobrar-se 40cents por cada mala...


... welcome do Greece.


Estamos felizes de estar aqui!

Welcome to Greece – part I

12-Ago-2006, Sábado

Está um calor de morte em Lisboa e nós preparamo-nos para partir em direcção a um destino igualmente quente.
A Grécia antiga, e a nova também, espera-nos e nós vamos, porque sim. Logo se vê o que o vento nos trás.
O aeroporto está caótico. Porque é Verão, porque é fim de semana, porque houve uma tentativa de atentado terrorista nos vôos de Londres para os Estados Unidos...
... mas mesmo assim as malas chegam e nós também, depois da escala de 3h em Frankfurt.

Atenas, 2h da manhã, 25ºC.
Telefonámos para o hotel a dizer que estávamos atrasadas mas que já estávamos na cidade, ao que ele respondeu que tinha acabado de cancelar a nossa reserva... e que não havia mais quartos disponíveis.


O QUÊ?!


Depois de eu ter dito que ia na mesma para lá, dormir no hall de entrada dele, ele decidiu desligar o telefone aos gritos depois de me dar um nº de telefone de um hostel que alugava o terraço aos viajantes incautos, o Hostel Aphrodite.

1 de agosto de 2006

Casablanca



Branca, pontuada de verde e azul, à beira mar... a grande mesquita de Casablanca é avassaladora.
A sexta feira é dia de oração para os muçulmanos... por isso neste dia não é permitida a entrada aos não-muçulmanos. Assim ficámos a contemplá-la, como bons infiéis, sentadinhos num muro do lado de fora.
É magnífica.

25 de julho de 2006

Paixão Vermelha, MARRAKECH – part III

16-Junho-2006


E mais depressa do que desejei, deixei Marrakech.
Sorridentes atravessámos novamente a Djemma el Fna com o sol a iluminar o caminho em direcção à Koutoubia. As mochilas às costas iam agora um pouco mais pesadas, com aquele tipo de algazarra interna que não custa a carregar...



... só custa a esquecer.

Banca nº42

Depois do jantar fomos até à Praça, à banca onde tínhamos jantado ontem para conversar um pouco. Eles adoram conversar, principalmente sobre raparigas.
Não apanhei os nomes deles mas eram 4 ou 5 à nossa volta e quase todos se chamavam Mohamed ou Mustafá.
Um deles, o mais falador e gozão queria saber tudo da nossa vida. Que idade tínhamos, se éramos casados e tínhamos filhos. Insistiam que eu não teria mais que 18 anos... e quando lhes mostrei o meu passaporte para provar que sou bem mais velha... não acreditaram e pediram para ver os meus dentes....

Hilariante!

Rapidamente ficámos a saber o mesmo sobre eles... incluindo os planos para desposar a próxima noiva, que podem ser 4 ao todo... de preferência estrangeira.
Divertimo-nos imenso... mas tenho pena de o meu francês ser hiper-super-limitado pois teria conversado mais.


Apesar da conversa fiada toda, eles não descuravam o seu trabalho, iam e vinham à vez... e continuavam as suas tarefas de cozinhar e angariar novos clientes.

Também ajudámos nisso.

DAR ESSALAM


O Dar Essalam é um palácio antigo. As paredes são todas trabalhadas e decoradas com aqueles rendilhados típicos árabes. Tudo luxuoso de tal modo que nos leva a esquecer que minutos antes estivéramos numa rua suja e apertada com burros de carga cheios de moscas para cima e para baixo.

“É aqui que o Rei vem jantar quando está em Marrakech”, dizem assim que entramos. Depois somos conduzidos à mesa a nós reservada.
Há música ambiente ao vivo.
Dali a pouco chega um rapaz com um recipiente de cobre enorme para onde verteu água para lavarmos as mãos.... e toalhas....
E depois vieram as hariras, as saladas, os couzcouz, as tajines, as koftas e as brochettes... um manjar.

A meio do jantar surgiram dançarinas que deram um outro colorido ao jantar... dançam 3 músicas, a de apresentação, a principal e a de despedida.


Gostei.

24 de julho de 2006

Paixão Vermelha, MARRAKECH – part II

15-Junho-2006

Hoje levantámos tarde...
Queríamos encontrar um Hammam (banhos públicos com massagens...) para relaxar antes do jantar então fizemo-nos à Riad Zitoun e às suas paredes cor de rosa.


Fomos até ao incomparável Palácio el Badii que agora não passa de uma ruína que alberga dezenas (ou centenas?) de cegonhas.
Não encontrámos um hammam de jeito... ou muito caro, ou muito barato... mas reservámos uma mesa no Dar Essalam para essa noite.


De volta aos souks andámos o resto da tarde em negociatas pra trás e prá frente... comprámos um narguilé (cachimbo de água)...


Estávamos estafados... a hora do jantar aproximava-se e nós decidimos separar-nos. Uns para o hotel, outros de volta aos souks... 


Eu decidi ficar na Praça...
Não acreditava que no dia seguinte ia deixar a cidade.
Não fui para lado nenhum, fiquei lá só.
A olhar para as pessoas, a tirar fotos, a curtir os últimos raios de sol do dia, pedi a uma rapariga para me fazer uma tatuagem de henna. A azáfama e os fumos das bancas surgiam novamente do nada. Os tambores, esses não descansavam...

Será que nasci aqui noutra vida?


Os raios de sol que me douravam e acariciavam a face foram deixando a Djemma el Fna e eu aproveitei cada um.
Gloriosos.

Said e a noite marroquina

Queríamos jantar na Praça e assim combinei com o Said – que tinha conhecido no ano passado – em frente ao café Argana.

Foi engraçado. Ele vinha envergonhado mas foi fácil de reconhecer, conheceu o pessoal todo e correu tudo bem.
Não jantou connosco mas bebeu um chá.
No início ofereceu alguma resistência ao meu convite e enquanto esteve connosco até parecia um pouco desconfortável sempre a olhar por cima do ombro. Não percebi... mas ele explicou. É que a praça é uma zona muito policiada pela brigada turística de Marrocos e supostamente o Said não tinha autorização oficial para estar ali connosco. Não era nosso guia oficial... e poderia ser confundido com um dos muitos “faux guides” que importunam os estrangeiros e que são punidos se forem apanhados. Bem... senti-me uma atrasada mental egocêntrica mas correu tudo bem e ele descontraiu... comemos umas brochettes fantásticas!

Depois do jantar fomos até um dos terraços com vista para a praça e bebemos um chá. O pessoal disse que queria ir a uma discoteca marroquina e o Said levou-nos...
Depois de 40minutos a pé.... chegámos a Gueliz. Foi muito cómico.
Era um discoteca marroquina, com música tradicional ao vivo e sem ser ao vivo...
Vimos cerveja à venda pela primeira vez e aproveitámos. O Said bebeu limonada.
Pudemos ver raparigas marroquinas “ocidentalizadas”... iguais a nós, aliás... melhores que nós tal era a produção. Nas casas de banho não havia 1 cm2 de espelho livre.. e na pista de dança ... elas dominaram completamente... dançam mesmo à oriental... foi o máximo vê-las porque só de pensar dançar ao lado delas já me faziam sentir como um homem desengonçado e sem ritmo... :-) Bem, suponho que depois de algum tempo ganhámos coragem e invadimos a pista... Foi uma paródia.

Mais tarde despedimo-nos do Said e regressámos à Djemma el Fna estafados... mas aqui o forrobodó estava para durar...

21 de julho de 2006

Paixão Vermelha, MARRAKECH – part I

E de repente estou de volta... o meu coração bate ao mesmo ritmos dos tambores vindos da ainda longínqua Djemma el Fna.
Tenho vontade de correr para lá.
O pessoal está preocupado com o hotel, com as mochilas a carregar, mas eu nem penso nisso. Estou de volta a Marrakech, a minha mochila pesa 100gr e só penso em juntar o meu coração ao coração da cidade.
Não sei se os outros se apercebem do meu entusiasmo mas eu fervilho por dentro.

Deixamos o parque de estacionamento e vamos em direcção à Praça. São 18h30, perfeito, o sol inclinado dá uma cor dourada a tudo o que tem o privilégio de ser iluminado por ele.

Chegamos...
A Djemma el Fna saúda-nos com as suas cores. Começa a ser montado o caos organizado diário das barracas de comida.
Sinto que nasci aqui noutra vida, quero dançar perto dos grupos que tocam e cantam à minha frente...
Danço.


Sou toda sorrisos, mil sorrisos, de felicidade.
O sol também me ilumina. Sinto-me cansada e suja, livre e feliz. Quero estar onde estou. Hoje é este o meu lugar no mundo.








Marrakech mexe com as pessoas, revira-nos por dentro. É uma cidade que vibra literalmente.
Assim que entramos na praça e metem-nos cobras no pescoço, vêm os aguadeiros oferecer água, as meninas das tatuagens de henna chamam-nos por debaixo dos seus chapéus de sol, os músicos pedem gorjetas. Os fumos vão-se espalhando.



Mais tarde entramos nos souks. Tentam vender pau-de-cabinda aos rapazes, nós compramos especiarias e brincamos com camaleões.