21 de setembro de 2006

EXPRESS APHRODITE

14-Ago-2006, segunda-feira
O barco que nos espera é o expresso das Cyclades, o Expresso Aphrodite. Parte de Piraeus às 22h30 e faz o percurso Paros – Naxos – Ios até chegar a Santorini às 9h00.
Espera-nos uma viagem e pêras.
Não tínhamos nada para fazer por isso entrámos no barco às 21h00. O nosso bilhete, classe DECK, a +barata, só dava acesso aos dois pisos superiores. Um com 2 ou 3 salas com sofás e bancos, outro no convés propriamente dito, ao ar, ao sal e à água do mar. Uma hora e meia antes da partida já praticamente não havia lugares para sentar no piso interior. Os melhores bancos estão ocupados com pessoas, os outros com bagagem de pessoas que foram dar uma volta ou que não apareceram simplesmente.
Passei-me.
Lá conseguimos encontrar 2 lugares para nós e para as mochilas entalados entre sacos de plástico e malas de outras pessoas.

A viagem começa. Noite escura. É incrível... há gente a dormir no chão molhado do convés lá em cima e cá em baixo pessoas esticadinhas a ocupar 3 lugares nos sofás.
Foi-me impossível dormir. Provavelmente não tinha assim tanto sono mas é horrível ter toda a gente à nossa volta a dormir e nós não.
Depois da paragem em Paros – por volta das 3h00 – consegui esticar-me mais ou menos pois vagou o lugar ao meu lado. Não dei pela paragem em Naxos... só acordei por volta das 8h00 quando atracámos em Ios.
Há imensos italianos e a algazarra é constante onde quer que eles estejam.

20 de setembro de 2006

Plano II

PIRAEUS

14-Ago-2006, segunda-feira

Este local é uma constante algarviada de gente a correr de um lado para o outro. Para o metro, para os barcos, para as agências de cada companhia de barcos anunciadas em placards de proporções gigantescas. Rapidamente nos apercebemos das principais companhias de ferryboats que servem as ilhas gregas: a Hellenic Seaways e a Blue Star... as dos placards maiores.
Uma passagem superior assegura a ligação ao terminal de embarque onde barcos enormes repousam preguiçosos.


Queríamos ver horários de barcos para saber para onde poderíamos partir nessa mesma noite.
A vantagem do sistema grego é que os bilhetes dos barcos têm um preço fixo independentemente da companhia. Isto poupa-nos a correria de agência em agência à procura do preço mais barato.
A desvantagem do sistema grego – pelo menos para nós que não sabíamos para onde queríamos ir – é que ainda é desorganizado ao ponto de não terem panfletos com os horários de todos os barcos... No máximo há horários disponíveis nas maiores companhias, na altura do Verão.
À nossa pergunta “Têm horários?” respondiam “Para onde querem ir?”... e era isso que ainda não sabíamos. Só que para quem ainda não sabe... é mesmo por aí que se deve começar :-) É que há tantas ilhas e tantos barcos que é quase impossível ter horários actualizados.
Por isso houve alguma resistência para nos entendermos ao início... mas rapidamente reparámos que estávamos a fazer a pergunta errada.

No nosso esboço de plano tínhamos Mykonos como a primeira ilha a visitar... mas após conversa com algumas pessoas Mykonos surgia agora como a ilha proibida de tão absurdamente cara que é no Verão... Paros, outra das Cyclades, estava fora de questão por causa do mega-festival religioso de 15-Agosto, com procissões e grande confusão em que nem para os gregos costumava haver alojamento, para além de que chegaríamos lá a meio da noite... por isso, após alguma inércia inicial lá nos decidimos pela incontornável... Santorini.

De volta a ΑΘΗΝΑ

14-Ago-2006, segunda-feira

Às 13h30 apanhamos o comboio de volta a Atenas. Trocamos no apeadeiro de cruzamento com a linha norte-sul, Paleopharsalos.
O comboio de Thessaloniki vinha apinhado.

À chegada resolvemos ir ver o que se passa no porto principal de Atenas, esse grande hub de ligação com as ilhas, o porto de Piraeus. Assim, saímos do comboio e metemo-nos no metro.
Está um calooooorrr.... O suor escorre pelas costas e pelas pernas abaixo... sinto que me vou desintegrar com o peso da mochila e ficar feita numa papa no meio do chão.

19 de setembro de 2006

Bandeiras

14-Ago-2006, segunda-feira


Antes de deixarmos Kalambaka visitámos a antiga igreja bizantina, cheia de bandeirinhas e mesmo no sopé das rochas.

É incrível a construção aqui.. que se faz mesmo mesmo até à raiz dos rochedos, o que impossibilita a vista para os mesmos excepto em pontos mais altos... como é o caso do adro da igrejinha bizantina.

De volta a Kalambaka

13-Ago-2006, Domingo

Já de noite, os 2 ou 3km de volta a Kalambaka fizeram-se bem... agradecemos a nós próprias a caminhada pois quando nos levantámos da mesa reparámos que tínhamos tido mais olhos que barriga ao jantar...

No caminho vamos passando por “meteoros” iluminados.

Jantar em Kastraki

13-Ago-2006, Domingo

Quando chegámos à vila subimos a uma colina a tempo de ver o por do Sol que dá sempre aquele brilho dourado delicioso a tudo.
Os rooms for rent e as típicas tavernas gregas partilham o espaço da pequena vila com as mercearias de fruta.
As velhotas daqui são um achado. Não falam uma palavra de inglês mas sorriem, acenam sempre a quem passa e saúdam-nos com o “olá” grego mais doce.


Não faltam setas a indicar roof gardens para se jantar e nós decidimos ir checkar um que vemos ao longe decorado com candeeiros e buganvílias.
Não sabíamos muito bem por onde se entrava. Mas entretanto uma rapariga chama-nos de uma porta: “Querem ver o que estou a cozinhar?”
De repente estávamos dentro da cozinha dela a espreitar para dentro do forno.
Delicioso.
Explicou-nos o nome e como se cozinhavam os vários pratos típicos gregos e nós decidimo-nos por uma Moussaka – uma espécie de empadão com puré de batata e recheio de beringela – e por Yemisté – tomates e pimentos recheados com arroz e queijo feta.
Adorámos.
Simpatiquíssimos, no final ofereceram-nos melancia e não nos deixaram sair sem antes provar o bolo de laranja especial da cozinheira.


Acho que foi a segunda vez que me apeteceu deixar gorjeta.

15 de setembro de 2006

METEORA

13-Ago-2006, Domingo


Começámos a explorar Meteora no Mosteiro Varlaam. A vista é avassaladora lá de cima. Só vendo:




Os mosteiros de Meteora têm a particularidade de serem especialmente inacessíveis, o que certamente os tornaria, no passado, mais convidativos à meditação e ao isolamento.
Antigamente, a única maneira de se subir era sendo içado por cestos feitos de corda. Cordas essas que segundo algumas versões só seriam substituídas quando se partiam. E isso roça o macabro.


Para mim são mágicos.
Depois de visitarmos o mosteirinho ortodoxo, ornamentado mas simples preparámo-nos para começar o nosso caminho de 10km de regresso.
A descida é passeio muito agradável e nós não éramos as únicas maluquinhas de Meteora a vir por ali abaixo a pé.


Passámos também no Mosteiro de Roussa’nou que tem localização privilegiada mesmo no meio do vale. Só o alcançámos depois de subir inúmeros degrauzinhos de pedra e atravessar uma ponte suspensa.


Para além do habitual dress code em locais religiosos (não usar mini-saias ou ombros descobertos)... aqui os homens também não podem usar calções e as mulheres só entram de saia. Infelizmente ninguém respeita o code.

Kalambaka e Kastraki

13-Ago-2006, Domingo

A única coisa que Kalambaka tem de especial é a estação de comboios que permite aos viajantes, que não têm outro modo de se deslocar, chegarem até aos famosos mosteiros ortodoxos empoleirados nos “meteoros”.
Kastraki a 2 ou 3 km de distância e base de exploração dos mosteiros tem uma atmosfera bem mais engraçada. Mas há poucos autocarros ao domingo e estava um calor de morte, assim resolvemos ficar no primeiro quarto que apareceu em Kalambaka logo à saída do apeadeiro.

De Kalambaka até ao mosteiro de Gran Meteora (o mais alto) são mais ou menos 10km de estrada em curva e contra curva a subir... por isso para quem está a pé –como nós- o melhor é apanhar um autocarro até lá. Mas não são muito frequentes. Tivemos sorte pois ao pedirmos informação a um guia turístico ele ofereceu-nos boleia no seu autocarro, uma excursão de velhinhos do Chipre.

14 de setembro de 2006

Calma e stress gregos

13-Ago-2006, Domingo

Relembrada a lição das reservas em bilhetes de comboios de longa distância, a primeira coisa que fizemos quando chegámos – depois de fechar a boca que se abriu assim que vimos a paisagem – foi reservar os bilhetes de regresso.
Mas tivemos que aturar o stress de uma senhora grega cheia de pressa que queria passar à nossa frente a todo o custo, e pior, à frente das nossas mochilas... que estavam às nossas costas. E também a aparente calma do único funcionário do apeadeiro de Kalambaka, o senhor do guichet que acumulava na sua pessoa as funções de guarda de estação, atendedor de telefones, sinaleiro para comboios de partida e finalmente... muito finalmente... vendedor de bilhetes.