19 de outubro de 2006
The Cheapest in Athens
Não tínhamos sítio para dormir mas tínhamos a varanda do HOSTEL APHRODITE fisgada, assim, apanhámos um taxi – caríssimo, mas infelizmente o metro fecha às 00h e autocarros só de hora a hora – e regressamos ao hostel, do outro lado da cidade...
A noite na varanda roçou o horripilante, pois aconteceu algo que não esperávamos.
À chegada, o mesmo simpático rapaz da recepção disse-nos que havia um problema... é que já estavam 24 pessoas a dormir na varanda minúscula e mais algumas nos patamares e corredores dos pisos.... o hostel estava a rebentar pelas costuras.
Hum...
Implorámos, claro está.
Só queríamos um sítio para coxilar um pouco... e lá nos foi concedida a graça de pernoitar no atrium encolhidas entre a porta do elevador, a saída para o terraço e um caixote do lixo. Mas o pior foram os 30ºC que estavam às 3h. Pensei que íamos passar a noite em claro mas eventualmente adormecemos e às 6h30, completamente desidratadas, já estávamos prontas para tomar o apetitoso banho de água fria.


O quarto na ATHENS HOUSE não tinha praticamente condições, sem lençóis, sem toalhas, sem cortinas, sem casa de banho, sem água quente, sem climatização...
... mas auto-intitulava-se “The Cheapest in Athens”
18 de outubro de 2006
ATENAS perdida no tempo...
19h00: vamos no barco, sentadas num espaço que lembra o McDonalds... chegamos daqui a 6h... Falamos com uma família de franceses que vai ao nosso lado, mas eles saem logo a seguir na illha de Paros... Jogamos ao “stop”... e eu apercebo-me que a minha ginástica mental já não é o que era. Sou um desastre nas categorias de marcas e comidas... Só penso em pastéis de bacalhau, mas não há maneira de sair a letra “P”.
Não consigo dormir – claro – então acabo por decidir lançar-me ao capítulo de história de Atenas do Rough Guide. A Nucha dormita alegremente em cima da mesa.
Atenas transformou-se numa grande metrópole depois de sucessivas vitórias sobre os Persas em 480 AC. Enriqueceu devido a exportação de azeite e prata das minas de Attica. O grande líder PÉRICLES conseguiu grandes ganhos para a cidade nas áreas do teatro, FILOSOFIA (Sócrates), lazer, construção, devido a fundos vindos da Liga de Delos, uma associação das cidades-estado da antiga Grécia de protecção contra os persas.
Surgiu a DEMOCRACIA, conceito que se fundava no principio de que até o cidadão mais pobre tinha direito a decidir os desígnios da sua cidade. A sociedade ateniense floresceu debaixo da efígie da Democracia ainda que só 1 em cada 7 habitantes pudessem votar (mulheres, escravos e estrangeiros ficavam de fora).
O grande desabar da Democracia deu-se aquando da guerra do Peloponese entre Atenas e a sua arqui-rival Esparta. Atenas sucumbiu e perdeu as suas forças bélicas uma atrás da outra, vivendo as décadas seguintes na sombra de Tebas. Mais tarde chega uma nova fase de Democracia, a era de PLATÃO.
Quase 150 anos depois de ter derrotado os Persas, Atenas e as outras cidades-estados da Grécia são chamadas a entrar em guerra contra um novo invasor vindo do Norte, FILIPE da MACEDÓNIA. Foram derrotados pelo filho deste que tomou a cidade com a sua cavalaria. Aos 25 anos tinha conquistado metade do mundo conhecido mas neste momento estava ainda a começar. Chamava-se ALEXANDRE.
Mas, tendo sido um pupilo de ARISTÓTELES, Alexandre respeitava a Democracia e a cultura Ateniense pelo que favoreceu a cidade e esta conheceu uma nova época de desenvolvimento.
Atenas passou pelo período Romano sem grandes alterações mas perdeu o seu lugar cimeiro no império Grego-Romano quando este foi dividido em 2 partes, Ocidente e Oriente. Bizâncio (Istambul) foi nomeada a capital do Oriente.
O império BIZANTINO começou assim que uma consciência CRISTÃ tomou conta de Atenas. Em 529 DC, as escolas de filosofia (pagãs) foram encerradas, os templos da cidade – incluindo o Parthenon – transformaram-se em igrejas.
Atenas regrediu no tempo. Foram cortadas as ligações com o estrangeiro, desapareceram os visitantes, restavam embaixadores e um ou outro ocasional viajante. O Parthenon foi transformado numa mesquita e a vida de Atenas transformou-se numa vida rural, assim como a do grande porto de Piraeus.
O império OTONOMANO durou 400 anos até ser deposto por uma rebelião.
O SEC XIX veio calmamente. Começaram as escavações arqueológicas e uma cidade modesta tomou forma. O porto de Piraeus cresceu.
Mas o grande “boom” populacional de ambos aconteceu repentinamente em 1921 como resultado de uma trágica guerra entre Grécia e Turquia. Um tratado de paz resolveu a guerra mas foi determinado que haveriam de ser trocadas as populações de cada etnia, muçulmanos por cristãos. As pessoas viram a sua identidade ser avaliada com base apenas na RELIGIÃO e assim, chegaram a Atenas e Piraeus cerca de 1 MILHÃO de refugiados vindos da Turquia. A sua integração e sobrevivência são um dos grandes eventos da história da cidade que deixou marcas até hoje, e que na altura mudou numa acentada a organização e aspecto da capital.
Rapidamente se chega à Atenas feia, sobrepopulada e suja de hoje... pudera.
Entretanto, o BLUE STAR PAROS também chegou ao Porto de Piraeus. E nós, quais refugiadas vindas do Oriente desembarcamos à 2h00, sem sítio para dormir.
16 de outubro de 2006
Adeus, oh EGEU!
Vamos para a praia AYIOS GIORGIOS, a 100m do nosso quarto, a baía enorme dos km’s até chegar à água pela cintura. A areia é branca e vê-se o fundo do mar.
Às 17h00 partimos em direcção ao porto para apanhar o barco BLUE STAR PAROS em direcção a Atenas.
Quando passamos na nossa rua, de mochila, a senhora das tartes de espinafres deseja-nos boa viagem e diz “até para o ano”...



Quem nos dera
12 de outubro de 2006
Dolce – e barato - Fare Niente, em NAXOS
De volta a Naxos, e uma vez determinado o dia de regresso a Atenas – amanhã - decidimos comprar o bilhete de barco e levantar algum dinheiro pois entre viagens de taxi do aeroporto para o centro às 2h, bilhetes de comboio, bilhetes de barco, estadias em quartinhos, alugueres de moto4, one day excursions, comida de supermercado, uns mil litros de água e absolutamente zero (!) souvenirs, o nosso budget de 500€/cada estava praticamente gasto e nós incredulamente tesas que nem carapaus.
Assim, foi decretado o dia de PRAIA e RELAX!
Resolver a parte do dinheiro foi fácil.
A do bilhete nem por isso por causa de algo relacionado com a palavra “ESGOTADO”. É que a partir de 20-Ago já há muitas pessoas a regressar a Atenas, explicaram. Acabámos por ficar com os bilhetes de outras pessoas que entretanto desistiram, num barco que chegaria a Atenas à 1h00... era isso ou ir no dia seguinte.


6 de outubro de 2006
1day excursion: DELOS+MIKONOS
DELOS
É uma ilha arqueológica, um local sagrado da Grécia antiga que só pode ser visitado durante algumas horas do dia.
Foi neste local que nasceram os divinos gémeos Apolo e Artemísia, filhos ilegítimos de Zeus e Leto, uma ninfa.
Assim, descansei sob a palmeira que deu sombra a Leto, durante o nascimento do deus do Sol e da música e da deusa da Natureza e das donzelas eternamente jovens.

MYKONOS
A ilha mais apinhada das Cyclades veio rapidamente ao nosso encontro. As suas praias e a vida nocturna que começa bem antes de anoitecer dão-lhe um certo ar de “Ibiza” mas a parte velha da cidade é muito engraçada, cheia de cor e fiquei agradavelmente surpreendida.
A arquitectura é diferente. As casinhas brancas tipo cubos de gelo sucedem-se umas às outras sendo as varandas de madeira pintada a única coisa que as distingue.




3 de outubro de 2006
Motorcycle Diaries @ NAXOS
Adormeceu-se ao Sol, como sempre, depois do primeiro mergulho. A vida aqui é fácil... mas não posso deixar de ter saudades de outros sítios, mais sujos, com outros cheiros e outras cores mais exóticas.
NAXOS

Mais uma vez apanhámos o Express Aphrodite e 2h e muito vento depois, atracamos no porto de Naxos à guarda da portada com mais de 2500 anos que constitui o Santuário de Apollo.

Ficámos mais uma vez em casa da família de uma senhora que nos “capturou” no porto, que ficava entre a cidade antiga e a praia.
A praia mais perto da cidade é uma baía enorme daquelas em que andamos km’s até ter a água pela cintura. Que bela vida.

À noite comemos uma gyros pita deliciosa. Já sabíamos o que era uma pita mas não tínhamos ainda comido à moda grega, em que a carne + tomate + cebola + vegetais + batata frita + molho tzatziki vêm enrolados dentro do pão tipo pita... ai que delícia.

2 de outubro de 2006
IOS @ night

Se riscarmos a romântica Santorini e a louca e exorbitantemente cara Mykonos do mapa, surge Ios como local de divertimento garantido e ambiente de festa constante.
O clima de Ios é o clima de verdadeiro “dolce fare niente” de praia de dia e festa de noite.
Depois do jantar as ruas enchem-se de gente bronzeada e sorridente, ouvem-se todas as línguas e todo o tipo de música e de algum modo acho que toda a gente se entende.
29 de setembro de 2006
A ilha vizinha, IOS


Dadas as más condições das estradas de Ios, as atenções de quem visita esta ilha dividem-se quase sempre entre 3 sítios não muito distantes uns dos outros:
- Yalos, o porto natural, muito menos inóspito que o de Santorini, com os seus cafés e esplanadas onde se come bom peixe e onde existe até uma pequena praia;
- Hora, a vila principal da ilha apinhada escarpa acima, onde ficámos num quartinho muito pitoresco mesmo no centro da vila;
- Mylopótas, a praia fantástica.
Mas 3km podem tornar-se muito longos se contarmos com o peso das mochilas, o declive acentuado para ir do porto ou da praia para a vila... e o factor não menos importante... o calor... Está um calor imenso aqui nas ilhas e é necessário contar sempre com a hora a que vamos passear, principalmente se essa hora for a hora de maior calor em que a única coisa que se suporta é estar sentado à sombra a lamber gelo.


























