21 de outubro de 2006

A ACRÓPOLE

22-Ago-2006, terça-feira

Começámos a subir a rocha da Acrópole pelo lado Sul. O bilhete é 12€ e dá acesso a quase todos os monumentos arqueológicos espalhados pela cidade.

Está tudo apinhado de gente! Pessoas amontoadas acotovelam-se para obter o melhor ângulo de fotografia e ouvem-se resmunguices quando alguém passa à frente das câmaras. Foi assim nos degraus da Propilaya.
Entramos... está um Sol escaldante às 10h30.
O Parthenon continua imponente, apesar de ter sido parcialmente destruído na altura do bombardeamento dos canhões venezianos contra os Turcos, que ali estavam estabelecidos e o utilizavam como armazém de pólvora.
Gostei muito do Eractheion e das suas colunas em forma de mulher, as carátides.



Há muitas pedras no chão que dão a impressão de estarmos num lugar permanentemente desarrumado. Mas são pedras muito importantes e é estritamente proibido levar nem que seja um grão de areia do território da acrópole. Há vigilantes que estão lá só para controlar o tráfico e o contacto dos visitantes com os mármores da Grécia antiga.


A vista é ampla mas Atenas parece uma favela que cresceu desmesuradamente encosta acima e encosta abaixo.

Porém agradam-nos os telhados que avistamos do bairro de Plaka, a zona mais antiga, perto da Acrópole. Estamos inquietas para percorrer aquelas ruas.


Ouve-se falar português a cada esquina. Está um calor infernal. Temos saudades do mar. Bebemos um granizado de morango e fugimos.

19 de outubro de 2006

ATHINA

The Cheapest in Athens

22-Ago-2006, terça-feira

Não tínhamos sítio para dormir mas tínhamos a varanda do HOSTEL APHRODITE fisgada, assim, apanhámos um taxi – caríssimo, mas infelizmente o metro fecha às 00h e autocarros só de hora a hora – e regressamos ao hostel, do outro lado da cidade...

A noite na varanda roçou o horripilante, pois aconteceu algo que não esperávamos.
À chegada, o mesmo simpático rapaz da recepção disse-nos que havia um problema... é que já estavam 24 pessoas a dormir na varanda minúscula e mais algumas nos patamares e corredores dos pisos.... o hostel estava a rebentar pelas costuras.

Hum...
Implorámos, claro está.

Só queríamos um sítio para coxilar um pouco... e lá nos foi concedida a graça de pernoitar no atrium encolhidas entre a porta do elevador, a saída para o terraço e um caixote do lixo. Mas o pior foram os 30ºC que estavam às 3h. Pensei que íamos passar a noite em claro mas eventualmente adormecemos e às 6h30, completamente desidratadas, já estávamos prontas para tomar o apetitoso banho de água fria.
De um trago bebeu-se o sumo de laranja do pequeno almoço e rapidamente se deixou o apinhado mas conveniente Hostel Aphrodite em direcção à Platia Omonia, onde tínhamos um quarto apalavrado para as 3 noites que se seguiam.


O quarto na ATHENS HOUSE não tinha praticamente condições, sem lençóis, sem toalhas, sem cortinas, sem casa de banho, sem água quente, sem climatização...
... mas auto-intitulava-se “The Cheapest in Athens”
... perfeito.

18 de outubro de 2006

ATENAS perdida no tempo...

22-Ago-2006, terça-feira

19h00: vamos no barco, sentadas num espaço que lembra o McDonalds... chegamos daqui a 6h... Falamos com uma família de franceses que vai ao nosso lado, mas eles saem logo a seguir na illha de Paros... Jogamos ao “stop”... e eu apercebo-me que a minha ginástica mental já não é o que era. Sou um desastre nas categorias de marcas e comidas... Só penso em pastéis de bacalhau, mas não há maneira de sair a letra “P”.

Não consigo dormir – claro – então acabo por decidir lançar-me ao capítulo de história de Atenas do Rough Guide. A Nucha dormita alegremente em cima da mesa.


Atenas transformou-se numa grande metrópole depois de sucessivas vitórias sobre os Persas em 480 AC. Enriqueceu devido a exportação de azeite e prata das minas de Attica. O grande líder PÉRICLES conseguiu grandes ganhos para a cidade nas áreas do teatro, FILOSOFIA (Sócrates), lazer, construção, devido a fundos vindos da Liga de Delos, uma associação das cidades-estado da antiga Grécia de protecção contra os persas.
Surgiu a DEMOCRACIA, conceito que se fundava no principio de que até o cidadão mais pobre tinha direito a decidir os desígnios da sua cidade. A sociedade ateniense floresceu debaixo da efígie da Democracia ainda que só 1 em cada 7 habitantes pudessem votar (mulheres, escravos e estrangeiros ficavam de fora).

O grande desabar da Democracia deu-se aquando da guerra do Peloponese entre Atenas e a sua arqui-rival Esparta. Atenas sucumbiu e perdeu as suas forças bélicas uma atrás da outra, vivendo as décadas seguintes na sombra de Tebas. Mais tarde chega uma nova fase de Democracia, a era de PLATÃO.

Quase 150 anos depois de ter derrotado os Persas, Atenas e as outras cidades-estados da Grécia são chamadas a entrar em guerra contra um novo invasor vindo do Norte, FILIPE da MACEDÓNIA. Foram derrotados pelo filho deste que tomou a cidade com a sua cavalaria. Aos 25 anos tinha conquistado metade do mundo conhecido mas neste momento estava ainda a começar. Chamava-se ALEXANDRE.
Mas, tendo sido um pupilo de ARISTÓTELES, Alexandre respeitava a Democracia e a cultura Ateniense pelo que favoreceu a cidade e esta conheceu uma nova época de desenvolvimento.

Após a morte de Alexandre, todo o império macedónico caiu num período incerto, e também Atenas... até 146 AC, quando foi incorporada no IMPÉRIO ROMANO.

Os Romanos, porém, respeitavam Atenas pela sua antiguidade e os filhos dos mais influentes romanos eram enviados para Atenas para estudar durante o período da “pax romana”.
Atenas passou pelo período Romano sem grandes alterações mas perdeu o seu lugar cimeiro no império Grego-Romano quando este foi dividido em 2 partes, Ocidente e Oriente. Bizâncio (Istambul) foi nomeada a capital do Oriente.

O império BIZANTINO começou assim que uma consciência CRISTÃ tomou conta de Atenas. Em 529 DC, as escolas de filosofia (pagãs) foram encerradas, os templos da cidade – incluindo o Parthenon – transformaram-se em igrejas.


Com as cruzadas vieram os FRANCESES e a Acrópole transformou-se numa corte. Em 1311 vieram os ESPANHÓIS, depois os FLORENTINOS, depois os VENEZIANOS, até 1456 quando chegou o grande sultão Mehmet II, conquistador TURCO de Constantinopla (Istambul).
Atenas regrediu no tempo. Foram cortadas as ligações com o estrangeiro, desapareceram os visitantes, restavam embaixadores e um ou outro ocasional viajante. O Parthenon foi transformado numa mesquita e a vida de Atenas transformou-se numa vida rural, assim como a do grande porto de Piraeus.
O império OTONOMANO durou 400 anos até ser deposto por uma rebelião.

Em 1834, uma monarquia de origem ALEMÃ tomou conta de uma Atenas no seu nadir com apenas 5000 habitantes. Deixou de ser a capital da Grécia moderna, mas um golpe de estado transformou Atenas novamente na capital, apenas por razões simbólicas, pois na altura tinha um número de habitantes insignificante e situava-se num extremo do território.

O SEC XIX veio calmamente. Começaram as escavações arqueológicas e uma cidade modesta tomou forma. O porto de Piraeus cresceu.
Mas o grande “boom” populacional de ambos aconteceu repentinamente em 1921 como resultado de uma trágica guerra entre Grécia e Turquia. Um tratado de paz resolveu a guerra mas foi determinado que haveriam de ser trocadas as populações de cada etnia, muçulmanos por cristãos. As pessoas viram a sua identidade ser avaliada com base apenas na RELIGIÃO e assim, chegaram a Atenas e Piraeus cerca de 1 MILHÃO de refugiados vindos da Turquia. A sua integração e sobrevivência são um dos grandes eventos da história da cidade que deixou marcas até hoje, e que na altura mudou numa acentada a organização e aspecto da capital.
A problemática da integração dos refugiados dominou os anos que antecederam a 2ª GUERRA MUNDIAL, quando Atenas foi ocupada por Alemães.

A cidade começou a desenvolver-se rapidamente durante os 1950’s devido a um massivo investimento industrial financiado por AMERICANOS. Pessoas vindas do countryside fustigado e empobrecido pela guerra preencheram os poucos espaços deixados pelos refugiados e assim cresceu uma cidade durante os 1960’s, desorganizada, sem planeamento, com edifícios antigos a serem demolidos sem a preocupação de preservar o passado.
Rapidamente se chega à Atenas feia, sobrepopulada e suja de hoje... pudera.

Entretanto, o BLUE STAR PAROS também chegou ao Porto de Piraeus. E nós, quais refugiadas vindas do Oriente desembarcamos à 2h00, sem sítio para dormir.

16 de outubro de 2006

Adeus, oh EGEU!

22-Ago-2006, terça-feira

Hoje é a despedida das ilhas. E dá até alguma nostalgia do tempo que se passou aqui.
Vamos para a praia AYIOS GIORGIOS, a 100m do nosso quarto, a baía enorme dos km’s até chegar à água pela cintura. A areia é branca e vê-se o fundo do mar.
Às 17h00 partimos em direcção ao porto para apanhar o barco BLUE STAR PAROS em direcção a Atenas.
Quando passamos na nossa rua, de mochila, a senhora das tartes de espinafres deseja-nos boa viagem e diz “até para o ano”...





Quem nos dera
...

12 de outubro de 2006

Dolce – e barato - Fare Niente, em NAXOS

21-Ago-2006, segunda-feira

De volta a Naxos, e uma vez determinado o dia de regresso a Atenas – amanhã - decidimos comprar o bilhete de barco e levantar algum dinheiro pois entre viagens de taxi do aeroporto para o centro às 2h, bilhetes de comboio, bilhetes de barco, estadias em quartinhos, alugueres de moto4, one day excursions, comida de supermercado, uns mil litros de água e absolutamente zero (!) souvenirs, o nosso budget de 500€/cada estava praticamente gasto e nós incredulamente tesas que nem carapaus.
Assim, foi decretado o dia de PRAIA e RELAX!

Resolver a parte do dinheiro foi fácil.
A do bilhete nem por isso por causa de algo relacionado com a palavra “ESGOTADO”. É que a partir de 20-Ago já há muitas pessoas a regressar a Atenas, explicaram. Acabámos por ficar com os bilhetes de outras pessoas que entretanto desistiram, num barco que chegaria a Atenas à 1h00... era isso ou ir no dia seguinte.



Posto isto começou-se a exploração diurna da cidade velha de Naxos, do Old Market ao Castelo, calcorrearam-se as ruas propositadamente labirínticas feitas de modo a despistar piratas. Já nos conhecem aqui na rua de Naxos onde passamos 3-4 vezes por dia. A senhora das tartes de espinafres sorri e acena com a cabeça, o rapaz da loja de sandálias diz “bom dia”.

A praia aconteceu em Ayios Prokopios. O clima é perfeito. Penso mil vezes que a pergunta “está bom tempo?” quando acordamos, não faz sentido aqui.


De noite percorreram-se as ruelas da cidade velha. Encantámo-nos com as suas tavernas, nos recantos mais inimagináveis.

6 de outubro de 2006

1day excursion: DELOS+MIKONOS

20-Ago-2006, domingo

É muito fácil comprar bilhetes para os barcos. Em cada esquina há agências onde o podemos fazer sem termos que nos deslocar ao porto, que muitas das vezes fica fora de mão. E estas agências também organizam excursões de 1 dia para os mais variados sítios. Assim, aproveitamos a oportunidade para visitar Delos, a ilha museu e Mykonos, a ilha fetiche das Cyclades.

DELOS
É uma ilha arqueológica, um local sagrado da Grécia antiga que só pode ser visitado durante algumas horas do dia.
Foi neste local que nasceram os divinos gémeos Apolo e Artemísia, filhos ilegítimos de Zeus e Leto, uma ninfa.
Assim, descansei sob a palmeira que deu sombra a Leto, durante o nascimento do deus do Sol e da música e da deusa da Natureza e das donzelas eternamente jovens. 

Estes locais arqueológicos acabam sempre por deixar muito à imaginação do comum dos mortais que os visitam... Mas lá estava a fileira de leões a guardar o local sagrado olhando para Oriente, local do Sol nascente.


MYKONOS
A ilha mais apinhada das Cyclades veio rapidamente ao nosso encontro. As suas praias e a vida nocturna que começa bem antes de anoitecer dão-lhe um certo ar de “Ibiza” mas a parte velha da cidade é muito engraçada, cheia de cor e fiquei agradavelmente surpreendida.
A arquitectura é diferente. As casinhas brancas tipo cubos de gelo sucedem-se umas às outras sendo as varandas de madeira pintada a única coisa que as distingue.

3 de outubro de 2006

Motorcycle Diaries @ NAXOS

19-Agosto-2006, sábado

Hoje de manhã cedo, alugámos uma moto4 novamente e fomos passear para o countryside de Naxos. Depois de nos enganarmos 2 ou 3 vezes no caminho, de termos ficado paradas no meio do nada com a mota avariada e de termos sido ajudadas por um velhote que sempre de cigarro ao canto da boca nem nos deu tempo de agradecer... lá fizemos um percurso porreiro pela ilha, que nos levou pelos caminhos de Halki, Filóti, Apíranthos.
Estas são cidadezinhas empoleiradas nas colinas, com as suas construções de pedra e florezinhas na janela.
Adorámos.












Acabámos nas praias de Plaka, as melhores de Naxos.
Adormeceu-se ao Sol, como sempre, depois do primeiro mergulho. A vida aqui é fácil... mas não posso deixar de ter saudades de outros sítios, mais sujos, com outros cheiros e outras cores mais exóticas.

NAXOS

18-Ago-2006, sexta-feira



Decidimos partir para Naxos, a maior e mais verde das Cyclades, no dia seguinte.
Mais uma vez apanhámos o Express Aphrodite e 2h e muito vento depois, atracamos no porto de Naxos à guarda da portada com mais de 2500 anos que constitui o Santuário de Apollo.


Há uma marina cheia de barcos muito simpática, as ruas são pedonais e frescas, mas o dramatismo das ilhas anteriores desapareceu. Esta é uma ilha maior, mais plana e principalmente é uma ilha com vida para além do turismo.

Ficámos mais uma vez em casa da família de uma senhora que nos “capturou” no porto, que ficava entre a cidade antiga e a praia.
A praia mais perto da cidade é uma baía enorme daquelas em que andamos km’s até ter a água pela cintura. Que bela vida.


À noite comemos uma gyros pita deliciosa. Já sabíamos o que era uma pita mas não tínhamos ainda comido à moda grega, em que a carne + tomate + cebola + vegetais + batata frita + molho tzatziki vêm enrolados dentro do pão tipo pita... ai que delícia.

2 de outubro de 2006

IOS @ night

17-Ago-2006, quinta-feira

Mas o grande atractivo de Ios é outro.
Para além da praia que é muito agradável – mas também o são as das outras ilhas – Ios começa a surgir como um dos grandes pólos de atracção nocturna das Cyclades, principalmente entre o pessoal mais novo.
Se riscarmos a romântica Santorini e a louca e exorbitantemente cara Mykonos do mapa, surge Ios como local de divertimento garantido e ambiente de festa constante.
O clima de Ios é o clima de verdadeiro “dolce fare niente” de praia de dia e festa de noite.
Depois do jantar as ruas enchem-se de gente bronzeada e sorridente, ouvem-se todas as línguas e todo o tipo de música e de algum modo acho que toda a gente se entende.