31 de outubro de 2006

Sandálias

23-Ago-2006, quarta-feira


As sandálias aqui são um fenómeno.
Acho que se pode dizer que é rara a pessoa que sai da Grécia sem ter umas sandálias de tiras como os gregos de antigamente. Umas mais perto do antigamente que outras.
Desenvolvemos até uma teoria através da qual conseguíamos calcular há quanto tempo uma pessoa já estava na Grécia baseada precisamente no que trazia calçado...

... mas a verdade é que não chegámos a nenhuma conclusão digna de nota...

30 de outubro de 2006

PLAKA

23-Ago-2006, quarta-feira

De tarde rumámos ao bairro mais pitoresco de Atenas: PLAKA (o ex-bairro turco da altura do cerco à Acrópole) e à Rua Adrianou, a rua circular que em conjunto com a Rua Dionisio fecham um anel pedonal à volta da Acrópole.
Visitaram-se incontáveis lojas de souvenirs porta sim, porta sim, que ao final da tarde já me davam dor de cabeça... Queríamos comprar um “Dorius Hyppos”... um cavalo de Tróia.

Mas se nos afastarmos um pouco da apinhada Rua Adrianou em direcção à rocha da Acrópole, encontramos a colorida e amena Plaka... são os verdes das trepadeiras, as luzinhas vermelhas e azuis penduradas nas janelas, bandeirinhas e balões a fazer lembrar os santos populares... há sempre uma escadinha para nos levar aos patamares mais deliciosos que escondem uma esplanada fresca, ou uma taverna típica.


Nesta parte de Atenas notam-se as influências a que a cidade esteve sujeita ao longo dos séculos, a cada esquina. Atenas é Atenas... mas também é Roma e Bizâncio.

27 de outubro de 2006

Marathon

23-Ago-2006, quarta-feira



Visitámos ainda o Panathinaic Stadium onde termina anualmente a maratona de Atenas.
É uma construção reabilitada e muito bonita e aqui dei-me conta de um facto interessantíssimo sobre o significado real do nome da prova. Ao que parece é algo que faz parte da cultura geral de uma pessoa normal... mas eu... que ainda não sabia fiquei encantada por descobri-lo.

E essa grande descoberta foi perceber que há muitos séculos atrás, aquando de uma importante batalha entre Gregos e Turcos numa cidade próxima de Atenas, foi enviado um mensageiro com a notícia da vitória aos atenienses o mais depressa possível... a correr, portanto.
Esta cidade chama-se Marathon e fica exactamente a 42km de Atenas.

Fiquei fascinada.
Consta é que o mensageiro que correu a 1ª maratona de sempre caiu morto após entregar a mensagem.

E quase mortas estávamos também nós que agora tínhamos que nos arrastar novamente até ao centro da cidade oprimidas por uma temperatura estupidamente elevada.

26 de outubro de 2006

ZEUS Olímpico

23-Ago-2006, quarta-feira

O colossal templo de Zeus Olímpico foi visitado debaixo de um Sol absolutamente tórrido. Não me canso de dizer isto mas apesar das nuvens estava realmente um calor insuportável... péssimo para andar a pé... péssimo para fazer turismo de cidade... Sentimos que o tempo é muito mal aproveitado... Atenas é grande e nós não conseguíamos percorrê-la por causa do calor... Parávamos em todas as sombras e em quase todos os quiosques para comprar água e bebê-la de um trago... antes que entrasse em ebulição :-)


O templo de Zeus Olímpico era o maior templo grego da altura com as suas 104 colunas com 1.70m de diâmetro, das quais restam agora 15 + 1 caída no chão...


Colossal.

25 de outubro de 2006

Souvlaki

22-Ago-2006, terça-feira


Para o almoço rumámos à rua Mitropoleos para almoçar um Souvlaki de porco, a grande especialidade da muitíssimo recomendada taverna Thanassis.


Os souvlakis são espetadas feitas com bocados de carne grelhada, enormes deliciosos e suculentos, que nós acompanhámos com uma salada grega... tudo bem regado com o ouro líquido dos gregos sem o qual eles não conseguem conceber a culinária e a vida... azeite.


Foi de lamber os beiços.

AGORA, fugir da Acrópole...

22-Ago-2006, terça-feira

A fuga da escaldante e super populada Acrópole, levou-nos até ao Agora, que em comparação tem uns surroundings muito mais frescos e verdes que o ex-libris da cidade.
O Agora era um espaço de comércio e actividade socio-política mas hoje o seu highlight é o super bem conservado Templo de Hephaestion.

Foi aqui que aconteceu o julgamento que condenou à morte o grande vulto da filosofia, Sócrates.

21 de outubro de 2006

A ACRÓPOLE

22-Ago-2006, terça-feira

Começámos a subir a rocha da Acrópole pelo lado Sul. O bilhete é 12€ e dá acesso a quase todos os monumentos arqueológicos espalhados pela cidade.

Está tudo apinhado de gente! Pessoas amontoadas acotovelam-se para obter o melhor ângulo de fotografia e ouvem-se resmunguices quando alguém passa à frente das câmaras. Foi assim nos degraus da Propilaya.
Entramos... está um Sol escaldante às 10h30.
O Parthenon continua imponente, apesar de ter sido parcialmente destruído na altura do bombardeamento dos canhões venezianos contra os Turcos, que ali estavam estabelecidos e o utilizavam como armazém de pólvora.
Gostei muito do Eractheion e das suas colunas em forma de mulher, as carátides.



Há muitas pedras no chão que dão a impressão de estarmos num lugar permanentemente desarrumado. Mas são pedras muito importantes e é estritamente proibido levar nem que seja um grão de areia do território da acrópole. Há vigilantes que estão lá só para controlar o tráfico e o contacto dos visitantes com os mármores da Grécia antiga.


A vista é ampla mas Atenas parece uma favela que cresceu desmesuradamente encosta acima e encosta abaixo.

Porém agradam-nos os telhados que avistamos do bairro de Plaka, a zona mais antiga, perto da Acrópole. Estamos inquietas para percorrer aquelas ruas.


Ouve-se falar português a cada esquina. Está um calor infernal. Temos saudades do mar. Bebemos um granizado de morango e fugimos.

19 de outubro de 2006

ATHINA

The Cheapest in Athens

22-Ago-2006, terça-feira

Não tínhamos sítio para dormir mas tínhamos a varanda do HOSTEL APHRODITE fisgada, assim, apanhámos um taxi – caríssimo, mas infelizmente o metro fecha às 00h e autocarros só de hora a hora – e regressamos ao hostel, do outro lado da cidade...

A noite na varanda roçou o horripilante, pois aconteceu algo que não esperávamos.
À chegada, o mesmo simpático rapaz da recepção disse-nos que havia um problema... é que já estavam 24 pessoas a dormir na varanda minúscula e mais algumas nos patamares e corredores dos pisos.... o hostel estava a rebentar pelas costuras.

Hum...
Implorámos, claro está.

Só queríamos um sítio para coxilar um pouco... e lá nos foi concedida a graça de pernoitar no atrium encolhidas entre a porta do elevador, a saída para o terraço e um caixote do lixo. Mas o pior foram os 30ºC que estavam às 3h. Pensei que íamos passar a noite em claro mas eventualmente adormecemos e às 6h30, completamente desidratadas, já estávamos prontas para tomar o apetitoso banho de água fria.
De um trago bebeu-se o sumo de laranja do pequeno almoço e rapidamente se deixou o apinhado mas conveniente Hostel Aphrodite em direcção à Platia Omonia, onde tínhamos um quarto apalavrado para as 3 noites que se seguiam.


O quarto na ATHENS HOUSE não tinha praticamente condições, sem lençóis, sem toalhas, sem cortinas, sem casa de banho, sem água quente, sem climatização...
... mas auto-intitulava-se “The Cheapest in Athens”
... perfeito.

18 de outubro de 2006

ATENAS perdida no tempo...

22-Ago-2006, terça-feira

19h00: vamos no barco, sentadas num espaço que lembra o McDonalds... chegamos daqui a 6h... Falamos com uma família de franceses que vai ao nosso lado, mas eles saem logo a seguir na illha de Paros... Jogamos ao “stop”... e eu apercebo-me que a minha ginástica mental já não é o que era. Sou um desastre nas categorias de marcas e comidas... Só penso em pastéis de bacalhau, mas não há maneira de sair a letra “P”.

Não consigo dormir – claro – então acabo por decidir lançar-me ao capítulo de história de Atenas do Rough Guide. A Nucha dormita alegremente em cima da mesa.


Atenas transformou-se numa grande metrópole depois de sucessivas vitórias sobre os Persas em 480 AC. Enriqueceu devido a exportação de azeite e prata das minas de Attica. O grande líder PÉRICLES conseguiu grandes ganhos para a cidade nas áreas do teatro, FILOSOFIA (Sócrates), lazer, construção, devido a fundos vindos da Liga de Delos, uma associação das cidades-estado da antiga Grécia de protecção contra os persas.
Surgiu a DEMOCRACIA, conceito que se fundava no principio de que até o cidadão mais pobre tinha direito a decidir os desígnios da sua cidade. A sociedade ateniense floresceu debaixo da efígie da Democracia ainda que só 1 em cada 7 habitantes pudessem votar (mulheres, escravos e estrangeiros ficavam de fora).

O grande desabar da Democracia deu-se aquando da guerra do Peloponese entre Atenas e a sua arqui-rival Esparta. Atenas sucumbiu e perdeu as suas forças bélicas uma atrás da outra, vivendo as décadas seguintes na sombra de Tebas. Mais tarde chega uma nova fase de Democracia, a era de PLATÃO.

Quase 150 anos depois de ter derrotado os Persas, Atenas e as outras cidades-estados da Grécia são chamadas a entrar em guerra contra um novo invasor vindo do Norte, FILIPE da MACEDÓNIA. Foram derrotados pelo filho deste que tomou a cidade com a sua cavalaria. Aos 25 anos tinha conquistado metade do mundo conhecido mas neste momento estava ainda a começar. Chamava-se ALEXANDRE.
Mas, tendo sido um pupilo de ARISTÓTELES, Alexandre respeitava a Democracia e a cultura Ateniense pelo que favoreceu a cidade e esta conheceu uma nova época de desenvolvimento.

Após a morte de Alexandre, todo o império macedónico caiu num período incerto, e também Atenas... até 146 AC, quando foi incorporada no IMPÉRIO ROMANO.

Os Romanos, porém, respeitavam Atenas pela sua antiguidade e os filhos dos mais influentes romanos eram enviados para Atenas para estudar durante o período da “pax romana”.
Atenas passou pelo período Romano sem grandes alterações mas perdeu o seu lugar cimeiro no império Grego-Romano quando este foi dividido em 2 partes, Ocidente e Oriente. Bizâncio (Istambul) foi nomeada a capital do Oriente.

O império BIZANTINO começou assim que uma consciência CRISTÃ tomou conta de Atenas. Em 529 DC, as escolas de filosofia (pagãs) foram encerradas, os templos da cidade – incluindo o Parthenon – transformaram-se em igrejas.


Com as cruzadas vieram os FRANCESES e a Acrópole transformou-se numa corte. Em 1311 vieram os ESPANHÓIS, depois os FLORENTINOS, depois os VENEZIANOS, até 1456 quando chegou o grande sultão Mehmet II, conquistador TURCO de Constantinopla (Istambul).
Atenas regrediu no tempo. Foram cortadas as ligações com o estrangeiro, desapareceram os visitantes, restavam embaixadores e um ou outro ocasional viajante. O Parthenon foi transformado numa mesquita e a vida de Atenas transformou-se numa vida rural, assim como a do grande porto de Piraeus.
O império OTONOMANO durou 400 anos até ser deposto por uma rebelião.

Em 1834, uma monarquia de origem ALEMÃ tomou conta de uma Atenas no seu nadir com apenas 5000 habitantes. Deixou de ser a capital da Grécia moderna, mas um golpe de estado transformou Atenas novamente na capital, apenas por razões simbólicas, pois na altura tinha um número de habitantes insignificante e situava-se num extremo do território.

O SEC XIX veio calmamente. Começaram as escavações arqueológicas e uma cidade modesta tomou forma. O porto de Piraeus cresceu.
Mas o grande “boom” populacional de ambos aconteceu repentinamente em 1921 como resultado de uma trágica guerra entre Grécia e Turquia. Um tratado de paz resolveu a guerra mas foi determinado que haveriam de ser trocadas as populações de cada etnia, muçulmanos por cristãos. As pessoas viram a sua identidade ser avaliada com base apenas na RELIGIÃO e assim, chegaram a Atenas e Piraeus cerca de 1 MILHÃO de refugiados vindos da Turquia. A sua integração e sobrevivência são um dos grandes eventos da história da cidade que deixou marcas até hoje, e que na altura mudou numa acentada a organização e aspecto da capital.
A problemática da integração dos refugiados dominou os anos que antecederam a 2ª GUERRA MUNDIAL, quando Atenas foi ocupada por Alemães.

A cidade começou a desenvolver-se rapidamente durante os 1950’s devido a um massivo investimento industrial financiado por AMERICANOS. Pessoas vindas do countryside fustigado e empobrecido pela guerra preencheram os poucos espaços deixados pelos refugiados e assim cresceu uma cidade durante os 1960’s, desorganizada, sem planeamento, com edifícios antigos a serem demolidos sem a preocupação de preservar o passado.
Rapidamente se chega à Atenas feia, sobrepopulada e suja de hoje... pudera.

Entretanto, o BLUE STAR PAROS também chegou ao Porto de Piraeus. E nós, quais refugiadas vindas do Oriente desembarcamos à 2h00, sem sítio para dormir.