17 de janeiro de 2008

Manhã na Toca

Foi difícil dormir com uma pedra espetada na omoplata, mas eventualmente a manhã chegou. E que manhã. Prepara-se o café da manhã. Toma-se banho na cachoeira. Relaxa-se nas pedras gigantes antes de pôr pés ao caminho até à base da Cachoeira da Fumaça.

15 de janeiro de 2008

Chapada Diamantina - Day ONE

De manhã bem cedo (4h40) saímos de mochila feita em direcção à Chapada Diamantina. Mas não sem antes tomar o café da manhã que a D. Eulina preparou para nós. Assim ficava mais descansada, disse-nos.

Apanhamos o ônibus da Real Expresso em direcção a Palmeiras e depois um taxi colectivo até ao Vale do Capão. Pelo caminho vamos passando por paisagens tipo canyons e mesas, mas como é de manhã está nublado.


No Capão, um casal hippie serve-nos o (2º) café da manhã... e depois começamos o trekk pela subida da Fumaça que demorou uns 45min.

Connosco viaja um grupo de raparigas italianas. Os guias, o Wagner e o Nilson, carregam as panelas, e os utensílios para cozinhar e 1ºs socorros. Nó ajudamos a carregar a comida para os 3 dias, mais as mudas de roupa que entendemos, o saco-cama, a espuma, o impermeável, o protector, a máquina fotográfica. Andamos pesaditos.


Depois de andarmos uns 3 ou 4 km no plateau chegamos à zona onde podemos ver a Cachoeira da Fumaça de cima. Fantástica! 400m de paredão até lá abaixo, que nós podemos espreitar deitados numa pedra meio inclinada para o precipício. Parece que o corpo ganha rodas e escorrega em direcção ao abismo! Livra!...



Almoça-se à beira rio, uma salada de atum com tomate, pepino, queijo e sumo.

Da parte da tarde descemos a Serra do Macaco. Foi duro. O cansaço acumulou-se ao longo do dia, próprio de quem não está habituado a estas andanças, os joelhos cediam, as costas doridas... mas eventualmente lá chegámos à base da serra.


Por falar nisso, alguém consegue ver dito cujo Macaco...?



Lá em baixo montamos acampamento na Toca do Macaco onde já estava outro grupo que partilhou o espaço connosco. É comum ir encontrando outros grupos que fazem o percurso no sentido inverso. Fez-se uma fogueira para cozinhar um prato de massa e frango mas aqui anoitece cedo. Às 19h já estava toda a gente na toca a dormir.


Mais info sobre a Chapada aqui e aqui.

10 de janeiro de 2008

LENÇÓIS

Por Lençóis apaixonamo-nos imediatamente. É uma cidadezinha mineira de ruas com calçada irregular e casas coloridas, cujo nome derivou da época em que disparou o garimpo de diamantes na zona da Chapada Diamantina. Consta que os garimpeiros montaram um acampamento com lençóis nas ruas da cidade.
Lençóis é conhecida também por ser a base para inúmeros passeios e expedições na Chapada Diamantina.


Só chegam 2 ônibus por dia a Lençóis por isso assim que saímos somos abordados por pessoas que alugam quartos, que organizam trekkings etc... era mesmo o que queríamos. Conhecemos o Wagner que nos indica o caminho para a pousada mas ao contrário de Salvador aqui sentimo-nos seguros, em casa. É inexplicável.

Ficamos na Pousada Safira onde nos recebeu de braços abertos a D. Eulina. Mal entrámos pela porta para averiguar a disponibilidade, já ela nos comunicava que ia preparar um café para nós.



Na sala, combinamos com o Wagner a trilha da Fumaça por Baixo um trekking de 3 dias do Vale do Capão até Lençóis e depois passeamos pela vila hippie e deliciosa.





9 de janeiro de 2008

Em direcção ao SERTÃO

No ônibus das 7h partimos em direcção a Lençóis, numa viagem de 300km e 6h para o interior da Bahia.
Mais uma vez me apercebo da dimensão da favela que aqui é decepada pela auto-estrada e não deixa nem um espacinho livre nas colinas que rodeiam Salvador. As pessoas fazem a sua vida, passamos tão perto que vemos mulheres a lavar roupa e homens a preparar churrasco nas ruas íngremes. Tão íngremes que às vezes são sob forma de escadas.


A viagem prossegue e curiosamente, ao contrário do que eu pensava, o autocarro é super moderno, não há nem um grãozinho de poeira para me alegrar.

Ao longo do caminho vamos parando em várias cidades e vilas. A paisagem vai-se modificando, torna-se árida, desértica e menos acidentada. É uma zona que sofre com secas ano após ano. Uma espécie de farwest brasileiro que aqui se chama sertão e me faz imaginar rancheiros a cavalo saídos de uma qualquer novela brasileira que vi algures quando era miúda.

8 de janeiro de 2008

Orixás e Candomblé

Hoje jantou-se cedo.
Tinhamos combinado ir assistir a uma sessão de candomblé, hoje em honra dos Orixás Oxalá e Iemanjá.

O candomblé é uma pratica religiosa afro-brasileira que derivou da proibição feita aos escravos vindos de África de adorarem as suas próprias deidades.
Assim, estes camuflaram os seus rituais fazendo corresponder santos católicos aos seus orixás, podendo reunir-se em comunidade para os seus rituais sem sofrer represálias.


Apanhamos um taxi até aos subúrbios de Salvador e quando chegamos a casa da mãe de santo - o terreiro - ouviam-se cânticos vindos da sala principal.

Disseram-nos pra vestir roupa clara, preto nunca. Assim o fizemos. Quando entramos 2 senhores vestidos de fato saudam-nos e indicam-nos onde sentar. Homens à direita, mulheres à esquerda.
A sessão já tinha começado mas não se incomodaram com a nossa chegada... não é uma celebração para turistas.



Numa roda mulheres dançam e homens ao lado tocam instrumentos. Todos cantam e todos vestem de branco - é a côr de Oxalá - e as vestes das mulheres parecem vestidos e panos sobrepostos ao acaso. Usam turbantes também.
Os ritmos e a percussão africana são tais que vão induzindo transes aos participantes um após o outro. O corpo estremece-lhes, os olhos reviram-se. Ás vezes rebolam no chão e gritam. São apoiados por colegas que lhes tiram o turbante e indicam o caminho. Mesmo em transe continuam a dançar de olhos fechados.

Há um intervalo no ritual durante o qual servem à assistência um mingau de mandioca quente e guaraná fresco. Certificamo-os que as outras pessoas também comem antes de o fazermos, pois fomos alertados para a presença de comida nestas celebrações que nem sempre é para comer mas para utilizar nas oferendas.
Há também uma espécie de comunhão em que a "mãe de santo" serve à comunidade praticante arroz cozido numa colher.



Na segunda parte a música e os batuques recomeçam e aparecem os sacerdotes em transe vestidos com as vestes sagradas do orixá que encarnaram. Continuam a dançar todos juntos até irem despertando do transe conjunto um a um.

No geral são celebrações muito longas e esta durou 3 horas. É sempre interessante e gratificante ter a oportunidade de conhecer coisas novas e desconhecidas... Mas pessoalmente foi um grande esforço para me manter acordada... Não sei se não terei entrado também num transe sonolento lá pelo meio...

7 de janeiro de 2008

Cidade Baixa

Quando se resolve ir até à Cidade Baixa – junto ao mar – a melhor maneira é utilizar o Elevador Lacerda que desce os 70 metros em 30 segundos e 5 centavos.






Hoje – 8 Dezembro – também é feriado em Salvador pois é o dia da padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição, a.k.a. Iemanjá.
Quando saímos, somos largados dentro da confusão total, ruas de trânsito cortado, barracas de gelados, bebidas, comidas, procissões misturadas com demonstrações de capoeira. Mulheres que lavam legumes na rua, moleques com geladeiras de esferovite a tira-colo que vendem bebidas.

Experimentamos acarajé, um must na culinária afro-brasileira, comida de orixá. Um pastel feito de uma massa de feijão e camarão seco moído, frito em azeite de dendê e servido com pimenta, camarão seco e salada de tomate e coentros. Uma delícia.


Entramos no Mercado Novo junto ao porto, o sítio onde se pode comprar tudo, e aproveitamos para olhar à nossa volta um pouco.

Mais tarde pegamos o ônibus para o Bonfim onde visitamos o milagroso Senhor do Bonfim, a.k.a. Oxalá, a 6 km de Salvador.
Este é um local de peregrinação para muitos católicos que aqui vêm pagar as suas promessas. Existe uma capela impressionante onde estão expostos milhares de tributos de fiéis cujas preces foram ouvidas.

Paramos um minuto e saímos com fitinha colorida no pulso.
Os 3 desejos, esses, se não se realizarem, pelo menos foram pedidos.

6 de janeiro de 2008

ventos do Brasil #1


Uma visão recorrente na parte baixa da cidade de Salvador da Bahia, são senhoras a vender refrescos em caixas de esferovite cheias de gelo. E "orelhões".
Não me lembro de ver outro tipo de caixas isotérmicas...

4 de janeiro de 2008

Cidade Alta - PELOURINHO

O orçamento não chega para quartos com ar condicionado por isso dormimos de janela aberta. Na manhã seguinte acordo com alguém a varrer da rua, 2 andares abaixo, o lixo deixado pela animação da noite anterior. Estamos mesmo no meio do bairro do Pelourinho – o mais antigo e agitado de Salvador e está na hora de começar a conhecer os cantos à casa, o Terreiro de Jesus, a Praça da Sé.

A Praça do Pelourinho é a zona onde se realizava um antigo mercado de escravos trazidos pelos Portugueses da Guiné e Angola. Não foi um facto histórico que me fizesse orgulhar mas a Praça é especial. É uma Praça peculiar por causa do declive acentuado e desconcertante. A cabeça no ar a olhar para tudo faz como que os pés tropecem nas pedras irregulares da calçada uma e outra vez.


A Igreja de Nossa Senhora dos Pretos pintada de azul e branco guarda a praça de esguelha. Ao longe outros campanários pontuam o horizonte.
Nota-se a degradação dos edifícios mas isso dá charme a Salvador.

Numa esplanada inclinada bebe-se um chopp geladinho ao final da tarde. Alguém me tenta vender colares. E eu aproveito.

3 de janeiro de 2008

Sentidos Baianos

Na Cidade Alta procuramos uma pousada barata e saímos para jantar uma moqueca de camarão.

Há sempre música na rua a toda a hora. Estamos em Dezembro mas já começaram os ensaios gerais do Carnaval. Ouvem-se sons brasileiros, batucada da tambor, berimbau, há muitos artistas que tocam na rua.
Vendem-se colares, frutos secos e quadros coloridos. Há gente que se oferece para nos guiar como em todo o lado. Cheira a fruta.

É quase Natal por isso as iluminações estão presentes mas a nós parecem estranhas. É quase Natal e estão 30ºC.

2 de janeiro de 2008

Chegando...

A chegada ao Brasil no mês de Dezembro percebe-se antes do avião aterrar: é que as pessoas mudam de roupa no avião. Trocam-se os cachecóis, as camisolas de gola alta e os sapatos fechados por vestidinhos de alças e sandálias.
Nós não trocamos de roupa, trocamos só o início do Inverno pelo início do Verão.

No aeroporto convertem-se euros em reais e “pega-se o ônibus” para a Praça da Sé, no centro da cidade. Mas antes disso alguém me diz para guardar as pulseiras douradas que trago no braço... não vá o diabo tecê-las.
A viagem é longa, está um trânsito infernal porque é 6ª feira – e isso é igual em qualquer país seja no hemisfério Norte ou Sul – e quando chegamos já é de noite.
Anoitece cedo, por volta das 17h30, mesmo sendo Verão. Reparamos que um pôr do sol às 20h nesta estação é um luxo a que só se podem dar povos de outras latitudes.

Salvador parece-nos pobre com uma favela gorda em vias de engolir a cidade, mas nada nos prepara para a vista da praia com palmeiras e rochas mar adentro debaixo de um céu cor de rosa.