30 de setembro de 2008

Capri - ilha de magotes

24-Agosto-2008

Hoje levantamos cedíssimo às 06h00 para apanharmos o barco para Capri. Mas para chegarmos ao Mollo Beverello (pois do nosso porto –Mergellina- não saem barcos para Capri) temos que apanhar um BUS a um domingo antes das 07h00. O que por muito boa que seja a rede de transportes, pode levar o seu tempo. E o BUS não passou “every 10 minutes” como nos informaram...
O que vale é que num domingo de Agosto há um número de barcos infinito cheios de day trippers a sair de Nápoles entre as 8h00 e as 9h00... Foi muito fácil e ainda deu tempo para tomar o pequeno almoço do costume.

Em Capri, na Marina Grande, somos literalmente abalroadas por magotes de pessoas enfurecidas no minuto em que saímos do catamaran. Confesso que já imaginávamos que a ilha estivesse sobrepovoada... mas isto bateu tudo... Decidimos então fugir pró mar novamente e fazemos um passeio de barco à volta da ilha. Enquanto espero na doca, regozijo interiormente por ainda me terem reduzido o preço do bilhete - desconto de estudante...




O passeio foi muito bom. Vamos parando em várias grutas... Bianca e Verde... mas é preciso ter alguma imaginação para achar que são realmente espectaculares. Gostei muito de passar pelos ilhéus mais famosos da ilha “i faraglioni” mas verdadeiramente espectacular é a cor da água do mar: cristalina turquesa, vê-se o fundo, todas as pedrinhas e peixinhos, é fantástico.

Quando chegamos à Gruta Azzurra é que eu percebo como se entra para lá.
Os barcos grandes param e perto da entrada para a gruta estão pequenos botes com os seus marinheiros que vêm buscar 4 pessoas de cada vez aos barcos grandes. A entrada é um buraco pequeníssimo onde só cabe um bote destes de cada vez e só quando as ondas o permitem!
A entrada custa 10 euros por pessoa e é paga aos marinheiros dos botes que dizem ter o direito exclusivo de exploração da gruta, e que após a ginástica feita ao entrar e sair da gruta e dos míseros 5 minutos que ficam lá dentro ainda esperam gorjeta. Nós decidimos não entrar nesse esquema, e assim acabámos por não entrar na gruta azzurra.
Combinámos vir cá daqui a uns anos e entrar a nadar ao fim do dia.... (sempre quero ver se cumpres, Nuchita) porque pelas fotos que vi... parece realmente muito bonita e muito... guess what... azul...


Depois do passeio de barco subimos da Marina Grande até Capri por uns degrauzinhos bem assinalados. Há outras maneiras: podemos ir de funicular ou autocarro mas num domingo de Agosto isso é praticamente impossível. Está muito calor. Chegamos lá acima lavadas em suor mas é um passeio muito pitoresco e relativamente pouco povoado.

Quando chegamos à vila tudo muda. São magotes e magotes de pessoas na praça das colunas com buganvílias onde desemboca o funicular, a acotovelarem-se furiosas pelo melhor ângulo de fotografia. É impossível estar descontraidamente a apreciar a vista.



Há quem diga que a beleza de Capri está irremediavelmente arruinada por causa da quantidade de pessoas que visitam a ilha todos os dias.

Eu só não assino por baixo, pois seguiram-se momentos muito bons....

26 de setembro de 2008

Napoli

23-Agosto-2008

Nota-se uma grande religiosidade na cidade, com uma Nossa Senhora em todas as esquinas. Aprendemos sobre o milagre da liquefação do sangue de S. Gennaro que acontece por 2 vezes por ano em Nápoles e a importância que isso tem para a população. Acontece que se não se der a liquefação isso é um presságio muito mau que pode anteceder uma catástrofe: uma erupção do Vesúvio em 1944, um terramoto em 1980 ou o Nápoles ter perdido contra o Milan em 1988... são alguns exemplos de catástrofes napolitanas.

Nápoles é uma base de partida para explorar as ruínas de Hercolano e Pompeia, as cidades destruídas numa erupção do Vesúvio..... e é também uma ponte para as ilhas de Capri e Ischia – o nosso destino final.


Decidimos visitar as ruínas de Hercolano. Apanhamos a linha Circumvesuviana e em 20 minutos estamos no sopé do vulcão. Está um calor de morte. Gostei de visitar os subúrbios de Nápoles. São pobres e áridos e Hercolano assemelha-se em muito a sítios que vemos em Marrocos. A comida –ao contrario de Marrocos- é que é sempre fresca. Os mercados de rua mostram isso. Cheira a mangericão. Há tipos de tomate de todos os tamanhos e aposto que sabem muito melhor do que os que compro no supermercado. Adoro mercados!

De volta a Nápoles está tanto calor que decidimos visitar o Museu Arqueológico. Depois passeamos pela cidade. Descemos até ao porto passando pelo Quartieri Spagnoli. As ruas são tão estreitas que a roupa se estende de um lado ao outro. O Sol quase não entra e as condições de saneamento básico são muito precárias.
Mais em baixo na Piazza Plebiscito encontramos uma tentativa de grandeur na cidade. Uma praça inspirada na Piazza San Petro em Roma, um templo inspirado no Panteão de Roma, galerias comerciais inspiradas nas galerias Vittorio Emanuel em Milão...





Na minha opinião, o que Nápoles tem de realmente especial é a baía ao longo da qual a cidade se estende, aninhada no Vesúvio. Ao longo dos tempos as populações habituaram-se a viver sob a alçada do vulcão... e isso fascina-me.




À noite queremos finalmente experimentar uma verdadeira pizza napolitana, mas não resistimos às misturas de ingredientes. É que as verdadeiras pizzas napolitanas consistem numa base de massa, tomate e uma folha de basílico. Só!
E nós gostamos de queijinho... então pedimos uma Caprese. Deliciosa feita em forno de lenha... hummm

25 de setembro de 2008

Napoli - 1ª impressão

23-Agosto-2008

Quando saímos em Nápoles – em Campo Flegrei – despedimo-nos dos nossos companheiros e já na estação tratamos de tentar perceber como se compram bilhetes num sábado às 06:00 quando não há ninguém nas bilheteiras. Não nos podemos queixar porque em qualquer estação secundária de Portugal passar-se-ia o mesmo.
Ficamos com a certeza que podemos e devemos sempre dirigir-nos aos Tabachis para comprar bilhetes.

Fala-se muito mal de Nápoles. Violência, crime organizado, sujidade e lixo, pintam o quadro quase como se fosse impossível sair de lá sem ser assaltado.
O que eu acho é que Nápoles se está a borrifar. Para o visitante e para as más línguas.

A verdade é que Nápoles –cidade- não tem um chamariz de turistas. Está tudo graffitado, incluindo estátuas e palácios, não há um monumento grandioso, uma praça central, ruínas fantasmagóricas ou uma obra de arte famosa dentro de um museu. Não. Nos guias só ouvimos falar da Camorra e de como controla o último grito do contrabando -agora é o marisco, de como a Piazza Garibaldi -ponto de chegada da maior parte dos outsiders- é também o principal porquê da fuga dos mesmos. E de como quem se aventurar no Quartieri Spagnoli só pode estar a pedi-las.

Nápoles é o que é e está-se a borrifar. Gosto.

24 de setembro de 2008

back on tracks II

22-Agosto-2008


O jantar é em La Spezia. Nota-se que é uma cidade maior. Pelo trânsito, pelo lixo no chão, pela quantidade de imigrantes encostados sem fazer nada.
Na estação levantamos a bagagem e depois de uma lavagem “à gato” no WC do MacDonalds típica destas andanças, esperamos pelo comboio da meia noite no binário.
Notamos que todos os comboios vêm bastante atrasados e vazios.. Mas o nosso não. Vem “on time” e vem apinhado de gente!


Lá nos acomodamos no nosso cantinho à janela e preparamo-nos para a noite mal dormida ao lado de 4 desconhecidos. O facto de serem italianos vetou completamente qualquer oportunidade de diálogo. Mas eram simpáticos. Sorriam tímidos e eventualmente adormeceram ocupando o menor espaço possível.
Eu também adormeci... ia acordando aqui e ali com frio nos tornozelos ou quando a N. mexia os pés.

23 de setembro de 2008

Portovenere

22-Agosto-2008

O nosso comboio para Nápoles é à meia noite em La Spezia.
Assim, despedimo-nos das Cinqueterre e apanhamos um comboio para La Spezia onde deixamos as mochilas. Aqui apanhamos um autocarro para Portovenere: o Porto de Vénus.

O autocarro para Portovenere vai cheio de velhotas. Eu gosto de vê-las, todas muitíssimo bem arranjadas, cheias de jóias e de cabelo bem penteado, e as senhoras mais novas vão de saltos altos mesmo com saco da mercearia na mão a balançar dentro do autocarro. Gosto de vê-las.
O que não gosto é de perceber que não são muito simpáticas. Uma delas insiste em baixar as persianas tapando a vista aos turistas que viajam de pé.
Penso cá para mim, "ainda bem que vou sentada", porque a paisagem do percurso de autocarro até Portovenere é magnífica.
As montanhas por trás da baía de La Spezia vêem-se ao longe por trás do mar. O cenário é inacreditável.









Compramos pão fresco, rúcula para o almoço. Depois provamos o limoncello...

19 de setembro de 2008

Portofino

21-Agosto-2008

Portofino é um resort de luxo, um pouco mais acima na costa da Liguria, conhecido por albergar estrelas do cinema, do futebol e sheiks do petróleo. Está tudo bem acima do nosso budget de mochileiras por isso limitamo-nos a fazer o que se chama “window shopping”.

As casas alinhadas, pintadas de tons quentes e de janelas verdes, são a agradável constante mas em Portofino também vemos casas apalaçadas com jardins de árvores e outra vegetação luxuriante que garantem privacidade.






Jantamos em Sta Marguerite de Ligure (onde é a estação de comboio que dá acesso a Portofino). Experimentamos o prosciutto e o fromaggio da região que compramos nas charcutarias da zona comercial, na rua principal. Delicioso.

18 de setembro de 2008

Cinqueterre

21-Agosto-2008

Hoje é o dia em que visitamos o Parco Nazionale delle Cinqueterre.

Esta é uma zona protegida por isso temos que comprar um passe que dá acesso a trilhos assinalados entre as 5 terras. Pode ser combinado com viagens de comboio ilimitadas entre as vilas, La Spezia e Levanto.

Nós fazemos o Percurso Azul.



Da nossa casa em RIOMAGGIORE há um atalho para a Via d’el Amore, a 1ª etapa da caminhada (1km).
É uma etapa romântica por ser mesmo em cima do mar. Ao longo do caminho, tento abstrair-me dos graffitis, e vamos encontrando placas com nomes relacionados com histórias de amor: Penélope e Ulisses, Helena e Paris, Eros, Afrodite...



É uma caminhada rápida e quando chegamos a MANAROLA, depois de passar por um túnel com luzes vermelhas tomamos o pequeno almoço. O costume: um croissant simples e um capuccino.
Manarola é muito parecida com Riomaggiore, mais pequena, se isso é possível, com as suas casinhas de vila piscatória rua acima. Os barcos estacionados em pequenas rampas de acesso ao mar.




A 2ª etapa (1km) é a subir e continua pelas colinas em trilho de floresta. Pinheiros e outras árvores presenteiam-nos com um aroma perfumado que nos acompanha até chegarmos a CORNIGLIA – a terra do meio.

Antes de chegarmos à vila é preciso subir 320 degraus desde a estação de comboio até ao topo do promontório. Não contei os degraus, mas há uma placa que nos congratula assim que chegamos ao fim.





Corniglia é de todas a mais pequena e remota mas foi a que mais gostei. Tem uma praça com árvores e bancos e uma vista fenomenal para o mar. Depois de uma pausa para café, seguimos.


A 3ª etapa (3km) é demorada. Leva-nos 1h30 a subir e descer por trilhos muitas vezes não apropriados para havaianas. Quando chegamos temos os pés sujos com o pó do caminho. Mas compensa. A chegada a VERNAZZA é extraordinária. Chegamos vindas de cima e somos surpreendidas com uma perspectiva sobre um "braço protector” de terra que parece envolver a vila e o seu porto. É muito bonita.




Dizem que o trilho entre Vernazza e MONTERROSSO, a última terra, é mais dificil. Levar-nos-ia cerca de 2h30, o Sol torra, tentamos ir de barco, mas os marinheiros também têm que almoçar.
Assim, decidimos deixá-la para outra altura e começamos a noutras paragens... mais finas.

17 de setembro de 2008

Riomaggiore: dolce fare niente

20-Agosto-2008

Chegamos a Riomaggiore –a 1ª das cinqueterre de quem vem de Este- às 14h30 e temos que encontrar sítio para ficar.
De mochila às costas, a escorrer suor rua acima, vamos levando nega atrás de nega até que na última agência alguém sorridente –de gozo- nos diz que há um quarto disponível... caríssimo.
Aceitamos e alegremente pagamos o preço da liberdade de decisão. Mas fazemos uma mental note: “da próxima vez que vier a 5terre, vou reservar com antecedência!”

Continuamos a subir a vila até chegarmos ao topo, perto da igreja, onde fica a nossa casa com terraço. A vista é fantástica. Custa a crer que hoje acordamos no campo da Toscana.


A vila sobe colina acima. Casas altas e estreitas de paredes amarelas, cor de rosa e laranja, sucedem-se. As suas janelas verdes também. É um festim de cores vivas a contrastar com o azul do mar.



Andamos por ali a passear nas falésias, sentamos em esplanadas a beber granizados de melancia
O jantar resolvemos com uma pizza suculenta e uns damascos de sobremesa, que fazemos sentadas num banquinho de rua assistindo a um glorioso pôr do Sol.






16 de setembro de 2008

back on tracks I

20-Agosto-2008

Depois de alguma deliberação decidimos saltar Volterra e às 9h40 –debaixo de um calor tórrido- deixamos a mágica S. Gimignano e iniciamos a nossa viagem até ao mar de Riomaggiore, uma das 5terre.
Parece que voltei ao interrail: comboio atrás de comboio:
-BUS para Poggibonsi
-TRAIN para Empoli
-TRAIN para Pisa
-TRAIN para La Spezia com ligação a Riomaggiore.
Imagino a nossa viagem a ser traçada no mapa, qual Indiana Jones...



Em Pisa saltamos para trocar de comboio e ainda conseguimos avistar da janela a torre inclinada.
Adoro viajar de comboio, ver o mundo a passar pela janela...

ventos de S. Gimignano

20-Agosto-2008