17 de novembro de 2008

Thanon Khao San

29-Outubro-2008

Somos largados dentro de um mercado de madeira sobre água. Os miúdos atiram bocadinhos de pão ao rio e os peixes concentram-se à barbatanada para ver o que lhes calha. São aqueles peixes que vemos desenhados nas paredes dos restaurantes chineses, com bigodes compridos.

Vemos muitas bancas de fruta fresca e comida feita na hora mas à medida que descemos a rua multiplicam-se as guest houses, os cyber cafés, os restaurantes de comida ocidental, os centros de massagens a preços mixurucas. Estamos no bairro de Banglaphu. É aqui que se concentra a maioria de turistas - principalmente backpackers - de Bangkok. É neste bairro que estão a maior parte dos serviços “tourist oriented”, principalmente agências de viagens.

Este é um conceito que atinge o expoente máximo na Khao San Road, onde – se diz – começam todas as viagens ao sudeste asiático, por muito curtas que sejam.

Pois nós enquanto “backpackers” não achámos isto um “paradise”.
Existem de facto muitas agências de viagens que vendem vôos para tudo quanto é destino na Ásia e fora. Podemos virtualmente programar viagens de meses aqui e seguir descansado. Mas assim qual é o objectivo de vir à aventura? Curiosamente, a Khao San Road também é conhecida pelos seus esquemas para enganar turistas incautos.

Aqui há de tudo:
São senhoras “mascaradas” com fatos tradicionais tailandeses que se passeiam por ali a tentar vender pulseiras ao mesmo tempo que mostram como pequenas esculturas de madeira em forma de sapo fazem mesmo barulho de sapo.
São bancas que vendem a comida mais estranha como insectos fritos – mas será que alguém come mesmo aquilo tirando os turistas pensando que é algo típico?
São os restaurantes de look ocidental com banners alusivos ao melhor Halloween do mundo... ali mesmo. Em Bangkok? Mas que sabem eles de Halloween?
São as bancas que vendem roupas hippies iguais em todas as partes do mundo. E bandeiras... muitas bandeiras de todos os países do mundo para os viajantes coserem nas mochilas.
São os bares onde se ouvem os Beatles, o Michael Bublé e a invariável Tracy Chapman.
E principalmente... são os néons que publicitam tudo. É como se estivessemos no strip de Las Vegas. Mas um strip curtinho pois a Thanon Khao San demora 5min a percorrer mesmo com todas estas distracções.

Quando saímos da rua já é de noite e caímos no vazio.
Não se vê vivalma, só se ouve o barulho dos carros e luzes só dos faróis, pois eles aqui são poupadinhos no que toca à iluminação... fora da Khao San, claro.

Transportes Públicos

29-Outubro-2008

À porta da Hualamphong Station apanhamos um riquexó (aqui chamam-se tuk-tuks) até um pontão.
Escusado será comentar a insanidade com que estas pessoas conduzem o seu veículo... mas essa impressão é algo que desaparece com o tempo. O objectivo é chegar do ponto A ao ponto B no mais curto espaço de tempo.


Queríamos subir o rio até ao centro.
O sistema de barcos é como se de autocarros se tratassem. Há os rápidos e os standart que se distinguem pelo seu código de cores.

Constatamos que nos transportes públicos desta zona existe mais uma categoria de pessoas a quem devemos ceder o lugar: os monges.
Existe também um código de conduta quando se dirige a palavra a esta classe, inferior apenas à família real... que eu li mas infelizmente para mim resume-se a uma linha “as mulheres não devem falar com monges”


A cidade vista do Rio Chaoprayah é essencialmente suja. O céu cinzento não ajuda. Mas à medida que nos aproximamos da zona apalaçada de Rattanakosin vão surgindo os espigões dourados no céu, os palácios de brilho intergaláctico contrastante com as barracas velhas apalafitadas que noutras zonas vêm até ao rio.

14 de novembro de 2008

Train Lunatic

29-Outubro-2008

Pois o plano é chegar ao Cambodja partindo de Bangkok no comboio das 05h48.
É apertado... e para nós com os fusos horários ainda trocados 05h48 são precisamente 22h48... por isso decidimos ir comprar o bilhete com antecedência.

Lá nos informam que isso não é possível... pois é um comboio de 3ª classe e sem lugares reservados. Só vendem bilhetes no dia.

Depois alguém com uma plaquinha ao peito que diz “tourist info” tenta demover-nos de ir de comboio... essa ideia louca.
“E se fossem de BUS?... É mais rápido... é mais confortável... não tem bancos de madeira e não está cheio de Thais!”

O quê? Não está cheio de Thais?!
Encolhemos os ombros e respondemos “Gostamos de andar de comboio”...

Not India...

29-Outubro-2008


Somos deixados no meio de uma Chinatown borbulhante e conveniente para quem planeia apanhar comboios na Hualamphong Station de manhã cedo.
À primeira vista acho tudo confuso. Bangkok é uma cidade enorme, cheia de fumos, barulhos e cheiros que me são estranhos.



Mas não estamos na Índia. Não.

Aqui as coisas são diferentes. É tudo muito mais limpo e aparentemente organizado. Não somos abordamos a cada 5 segundos por uma pessoa diferente. Há muita gente sentada no chão nas estações de comboio mas não é à balda, é sempre deixado um corredor central para as pessoas passarem e ninguém cospe para o chão. Há caixotes do lixo e são usados.



E os cheiros... sim são desconhecidos, mas se removermos da equação os fumos dos carros – não tão insuportáveis quanto isso – e um ou outro problema de canalização, cheira a flores colocadas junto aos retratos da família real por toda a cidade, cheira a incenso vindo dos templos, cheira a boa comida e também cheira a chão lavado.
Não estamos na Índia e rapidamente percebo que tenho que parar de comparar o que não é comparável. Esta não é a segunda capital da Ásia que visito. É a primeira.
Delhi não conta. A Índia é toda ela um subcontinente à parte onde tudo é diferente, pior, melhor e incrível.

Thaid'up

29-Outubro-2008

Chegamos ao novíssimo aeroporto internacional de Bangkok e o calor sente-se instantaneamente. Estão mais 25ºC que em Amsterdam onde fizemos escala.
Segue-se o ritual de atirar com as camisolas de gola alta, sweat-shirts, cachecóis, casacos... De repente a mochila aumenta estupidamente de volume. Está uma humidade a que não estamos habituados. Os pés incham, a cabeça parece que vai rebentar, as calças de ganga colam-se às pernas.
Passamos na imigração – não precisamos de visto porque somos Portugueses, apanhamos as mochilas do tapete, trocamos euros por bahts, negociamos um taxi até à cidade e fazemo-nos ao caminho.

Encontramos uma Bangkok nublada e cheia de trânsito. São 2 coisas normais.
“No Traffic, no Bangkok!” e ainda estamos na “wet season” que acaba oficialmente na Lua Cheia de Novembro num mega festival ao estilo Santos Populares que acontece por toda a Tailândia. O Loy Krathong. Este ano calha no 12 de Novembro, o dia do regresso.

Verdadeiro Luxo

Há sempre algum stress no momento em que vou viajar.
Quase sempre relacionado com algum contratempo que possa acontecer e não tenha sido previsto.
Mas assim... cheia de stress... que raio de viajante sou? Não deveria ser “O que importa é a viagem”?

Convenço-me que sim.
Mas é difícil. E isso está sempre relacionado com o facto de ir sempre tão pouco tempo de cada vez. 2 semanas aqui... 2 semanas ali... um escapezinho de vez enquando que me faz esquecer por uma fracção de segundo que a minha verdadeira vida é outra...

A verdade é que com tempo, todos os contratempos não previstos até podem ser engraçados. Com todo o tempo para me adaptar todos os problemas podem desaparecer.

O tempo é um luxo que não temos. O tempo é o verdadeiro luxo.

20 de outubro de 2008

fazer kilómetros


Gosto de fazer alguns planos. Mas não muitos.
Só algumas guidelines com 2 ou 3 pontos chave que não queremos perder. De resto tudo o que vier é bom... muito bom.
A isto junta-se o útil de descansar os papás. Só se sentem consolados quando aparece este tipo de mapa colado no frigorífico.
Já sabem que é o máximo que nos conseguem arrancar.

10 de outubro de 2008

Roma em 6h - part IV

27-Agosto-2008

Quando atravessamos o Tiber, chegamos ao bairro do Trastevere, onde morava a antiga classe trabalhadora, comerciante e artesã de Roma.
Adorei. É um bairro muito gracioso. Casas vermelhas e heras nas paredes a contrastar com toda a outra Roma sumptuosa e imperial. Ao longe avistamos a cúpula da basílica S Pedro.
É absolutamente o sítio para se estar à noite, a passear, a jantar numa esplanada, a beber um copo...
Fiquei com muita pena de ir embora... e com a certeza que nunca conhecemos verdadeiramente nada. Há sempre coisas que nos surpreendem.














Para último, a Fontana de Trevi.
Atravessamos o Tiber pela Isola Tiberina e vamos de BUS até lá.
Linda.
Gente de todas as raças junta-se ali para apreciar. Nós, japoneses de máquina em punho e flash atrás de flash, mulheres de sari e pulseiras no pé, artistas, crianças, novos e velhos.
Temos a certeza que a beleza fala uma linguagem universal.
Rapidamente chega a hora e temos que regressar. Mas antes atiramos a moeda... e garantimos o regresso.