24 de novembro de 2008

Angkor Thom

31-Outubro-2008

Quando saímos do Angkor Wat temos o sorridente Mr Sith à nossa espera que no seu tuk-tuk nos leva até ao Angkor Thom, a cidade muralhada que foi a última capital do império Khmer.
A cidade é um quadrado gigante com 9km2 e para entrar só podemos utilizar um dos 4 passadiços e portões que existem nas suas faces, orientados cada um para o seu ponto cardeal.
Uma vez que foi das últimas construções das redondezas apresenta já bastantes influências budistas.





Entramos no lado Sul.
O passadiço tem 54 deuses de um lado e 54 demónios de outro. Seguram uma naga (cobra), como se fosse um aríete gigante.
O portão tem 23m de altura e no topo 4 caras gigantes perscrutam o horizonte e a floresta. Supõe-se ser a representação de um Bodhisattva, um ser iluminado ("iluminada (bodhi) existência (sattva)")

Angkor map

O culto Devaraja

31-Outubro-2008

Os templos de Angkor estão espalhados ao longo de 300km2 no Cambodja mas a maior concentração é perto de Siem Reap.
Surgiram numa altura em que o hinduísmo era a principal religião e como resultado do frenético desejo dos reis Khmers de servir o Culto Devaraja, algures no sec.XII.

A ideia deste culto era a de que ao ascender ao trono, o rei consagraria o templo a Shiva ou Vishnu. Após a sua morte, o rei e o deus tornar-se-iam um só, podendo assim o rei continuar a proteger o seu reino após a morte.



Todos os templos de Angkor têm fortes raízes na arquitectura hindu. Mas apesar de terem algo como 900 anos, não são peças de museu.
Estes templo convivem organicamente com a densa floresta que os abraça e elevam-se orgulhosos acima de plantações de arroz. São locais de meditação e culto onde frequentemente se encontram sacerdotes nos seus rituais.


21 de novembro de 2008

ventos de Angkor

31-Outubro-2008








Angkor Wat

31-Outubro-2008

Às 05h da manhã, o Mr Sith espera-nos no seu tuk-tuk, pontual e sorridente. Vai conduzir-nos durante o dia pelos templos de Angkor.
Ainda é noite e caem alguns pingos fazendo antever um dia chuvoso... mas definitivamente, nós não percebemos nada de clima.

Não estamos sozinhos, há muitas pessoas que se dirigem para lá das mais variadíssimas maneiras. Estamos numa autêntica procissão.
Atravessamos um passadiço até chegar à 1ª muralha do templo. As pessoas acotovelam-se, vão em passo apressado. Querem o melhor ângulo de fotografia.
Depois da primeira muralha, pomos finalmente os olhos nas 5 torres magníficas do Angkor Wat. Ainda mal se percebem contra o céu que começa a clarear.
Mas é difícil concentrarmo-nos com gente que nos faz autênticas razias e não tem respeito pelas fotos que estamos a tirar.
A meio do segundo passadiço aparecem as piscinas – uma de cada lado – à margem das quais se amontoam toda a gente. Nós também... mesmo à beirinha...

E aí, somos só nós e o Angkor... ou melhor... os Angkors... A wet season tem as suas vantagens e o efeito de espelho que a água nos proporciona vale todos os céus sem nuvens do mundo.
São 06h e centenas de pessoas olham e pasmam à medida que surge o céu cor de rosa por trás das torres em forma de maçaroca de milho. As nuvens dançam por ali, no céu e no lago. As flores de lótus também.
É maravilhoso, fico encantada, emocionada... é um verdadeiro momento de bliss...




"is of such extraordinary construction that it is not possible to describe it with a pen, particularly since it is like no other building in the world. It has towers and decoration and all the refinements which the human genius can conceive of"

20 de novembro de 2008

Siem Reap

30-Outubro-2008

Em Siem Reap ficamos na agradável guest house Two Dragons. Oferecem-nos café mal chegamos, que eu radiante fico a saborear no terraço enquanto espero que me ajude nas dores de cabeça. Resulta.
Ao longe ouvem-se tambores, batuques e música oriental. Pela primeira vez desde que saí de Lisboa, relaxo... e alegro-me por estar aqui.

O L. foi arranjar dinheiro. Aqui, dado o baixo valor do Riel (1€ = 4000riel), usam USD para tudo excepto para comprar uma pepsi ou para 15min de internet.

Decidimos experimentar cozinha Khmer num dos muitos restaurantes da cidade.
E é fácil. Siem Reap, por ser a cidade que dá acesso aos templos de Angkor, é um oásis para turistas. Está cheia de sítios que servem comida típica, do barato ao caro, do banco de plástico à beira da estrada ao restaurante estiloso com decoração design gerido por ocidentais, como é o caso do Viroth.




Penso no porquê de estar aqui: “ver o Angkor Wat...”. E rapidamente se eriçam todos os pelinhos dos meus braços. Penso que isto é a concretização de um sonho.
Olho as pessoas à minha volta. Imagino “se já “o” terão visto?”... “se irão amanhã?”... “se terão gostado?”...
Preocupações como se estará bom para fotografar ou se estará a chover assaltam-me a mente… é uma oportunidade única e quero que seja perfeito.
... Mas na realidade mal posso esperar para estar lá, de uma maneira ou de outra.

Mud

30-Outubro-2008

Tratadas as formalidades de fronteira, entramos finalmente no reino do Cambodja. Está Sol e o suor escorrega corpo abaixo. A dor de cabeça continua.
Nota-se logo uma diferença em relação à Tailândia. O chão não é pavimentado e como ainda estamos na wet season, tudo o que pisamos tem uma camada maior ou menor de lama.
Lama castanha seca com os sulcos das rodas e molhada que os carros atravessam sem contemplações em relação ao *splash* para as outras pessoas. Lama que se cola aos chinelos.

Existem veículos puxados por animais e pessoas. Veículos com pedais adaptados para serem “pedalados” com as mãos e não com os pés...
Acabámos de entrar num dos países mais pobres do mundo, no país com maior percentagem de população deficiente devido a minas anti-pessoais.



A viagem de carro para Siem Reap dura 3h apesar de ser algo como 100km. A estrada é esburacada, cheia de desvios, sobre e desce os rios... ou melhor o pântano, pois é isso que o Cambodja é na wet season: um enorme pântano a perder de vista.
Tivemos sorte porque não choveu e foi possível cumprir o mínimo de 3h num carro normal... Quando chove esta que é uma das estradas mais transitadas do Cambodja por dar acesso ao Angkor Wat desde a Tailândia, torna-se exclusiva de quem conduz pick-ups e 4WD e praticamente intransitável para os demais!

19 de novembro de 2008

Travessia para o Cambodja

30-Outubro-2008

Em Aranyaprathet, os motoristas de tuk-tuk’s sabem exactamente o que estamos ali a fazer por isso vêm assediar-nos dentro do comboio.
É que a fronteira é ainda a 6km da estação.
Mas são uns km’s difíceis de percorrer devido à quantidade de esquemas para apanhar turistas e fazer com que se desviem da sua rota inicial.



Para um europeu, a fronteira Tailândia/Cambodja neste ponto não é uma fronteira difícil de passar, mas é natural que esse mesmo europeu sinta que aqui chegou ao fim do mundo e isso o faça aceitar “ajudas” falsas. Não é que possa acontecer alguma fatalidade caso se aceitem essas ajudas... O máximo que pode acontecer é gastarmos o dobro do dinheiro na emissão do visto.

O nosso motorista de tuk tuk antes de se resignar com a perda de comissão e de nos levar finalmente para a fronteira, passeia ainda connosco por pseudo agências que tratam das formalidades do visto aos turistas. Inventam que o visto à chegada já não se faz e que agora demora 3 dias, inventam que o preço mudou pelas mais variadíssimas razões e que agora é 30USD, 40USD...etc
Já sabíamos que isto ia acontecer. Mas também sabíamos que o visto custa exactamente 20USD -quantia que levavamos contadinha- e que é feito imediatamente após a chegada ao país.

Não conseguimos deixar de nos sentir agredidos com estes malabarismos mas a verdade é que não temos a mínima noção de como vivem e de como lhes pode dar jeito um dinheirinho extra.

Viagem para Aranyaprathet

30-Outubro-2008

Com os fusos horários todos trocados e uma dor de cabeça que não me deixou dormir (se do calor/humidade, se da falta de café, não sei, penso que de facto sou uma amostra de pessoa sem o meu expressozinho), lá nos metemos por volta das 05h30 no comboio para Aranyaprathet – a última cidade antes do Cambodja.

Vamos em 3ª classe.
Isso quer dizer que os bancos são de madeira forrados com uma lona. Não há lugares marcados e vai apinhado de gente. A boa notícia é que a viagem de 5h custa pouco mais que 1€.


Agora, a verdade absoluta que ainda não sabíamos é que os comboios Tailandeses nunca andam a horas... 5h transformam-se rapidamente em 6h... nós não temos posição para dormir... Passadas 3h já temos o “backside” dormente... é realmente desconfortável.
Algo engraçado é que apesar de ir apinhado, os últimos lugares da carruagem a serem preenchidos são os que vão à nossa frente. Ninguém olha para nós ou se olha desvia rapidamente o olhar. Somos turistas e somos diferentes mas ou não suscitamos curiosidade ou não devemos ser incomodados pois os thais não iniciam qualquer tipo de comunicação... somos invisíveis e praticamente ignorados. Mais um ponto a adicionar ao capítulo do “this is not India”, onde éramos autênticos chamarizes de multidões.

Mas são muito simpáticos. No final da terrível viagem, a jovem mãe que ia sentada à nossa frente pede ao filhote para nos cumprimentar. Ficamos contentes por verificar que isto é igual em todo o lado. E ele meio contrariado/ensonado lá nos mostra o seu melhor “wai”, aquele gesto de juntar as mãos abaixo do nariz em jeito de oração... que nós devolvemos atabalhoadamente.

17 de novembro de 2008

Luzes nocturnas

29-Outubro-2008

Saímos da Khao San Road e caímos no negrume que é Bangkok à noite naquela parte da cidade.
Eventualmente chegamos à zona dos palácios e templos, dourada, brilhante e perfeita para uma sessão de fotos nocturnas.


Ao longo da vedação do templo vemos raparigas que estendem esteiras no chão com sinais a dizer “Thai Massage”. Achamos aquilo ligeiramente comprometedor uma vez que são zonas mal iluminadas ainda que na periferia dos elegantes palácios. Há bancas com pessoas a cozinhar, lê-se a sorte, ouvem-se cântigos thai.


Faz-se tarde e ainda não jantámos. Apanhamos um tuk-tuk até à Chinatown (onde fica o nosso hotel) pois entretanto começou a chover.
Debaixo dos neons da Chinatown sentamos num banquinho de plástico à beira da estrada. E aí deliciamo-nos com uns noodles que um senhor cozinha para nós num wok gigante.