O Banteay Srei -a casa das mulheres- é um mini templo que se gaba de ter os melhores baixo-relevo por m2 em pedra cor de rosa.
25 de novembro de 2008
Banteay Srei
O Banteay Srei -a casa das mulheres- é um mini templo que se gaba de ter os melhores baixo-relevo por m2 em pedra cor de rosa.
Arrozais
24 de novembro de 2008
Bayon
Uma das suas principais características é a multidão de caras gigantes mas serenas que nos observam das suas torres.
A semelhança de todas as caras entre si e com outras estátuas do rei Jayavarman VII que reinava na altura, leva os especialistas a pensarem que podem ser representações de ele próprio. Outros crêem ser a representação de um Bodhisattva.
Quer uma quer outra podem estar correctas uma vez que a tradição do culto devaraja levava os reis a considerarem-se deuses, Shiva ou Vishnu, e a consagrarem templos a eles próprios. A diferença, é que na altura da construção do templo, com o hinduísmo praticamente extinto, o rei como budista, identificava-se com o Buda. Interessante.
Angkor Thom
Quando saímos do Angkor Wat temos o sorridente Mr Sith à nossa espera que no seu tuk-tuk nos leva até ao Angkor Thom, a cidade muralhada que foi a última capital do império Khmer.
A cidade é um quadrado gigante com 9km2 e para entrar só podemos utilizar um dos 4 passadiços e portões que existem nas suas faces, orientados cada um para o seu ponto cardeal.
Uma vez que foi das últimas construções das redondezas apresenta já bastantes influências budistas.
Entramos no lado Sul.
O passadiço tem 54 deuses de um lado e 54 demónios de outro. Seguram uma naga (cobra), como se fosse um aríete gigante.
O portão tem 23m de altura e no topo 4 caras gigantes perscrutam o horizonte e a floresta. Supõe-se ser a representação de um Bodhisattva, um ser iluminado ("iluminada (bodhi) existência (sattva)")
O culto Devaraja
Os templos de Angkor estão espalhados ao longo de 300km2 no Cambodja mas a maior concentração é perto de Siem Reap.
Surgiram numa altura em que o hinduísmo era a principal religião e como resultado do frenético desejo dos reis Khmers de servir o Culto Devaraja, algures no sec.XII.
A ideia deste culto era a de que ao ascender ao trono, o rei consagraria o templo a Shiva ou Vishnu. Após a sua morte, o rei e o deus tornar-se-iam um só, podendo assim o rei continuar a proteger o seu reino após a morte.
Todos os templos de Angkor têm fortes raízes na arquitectura hindu. Mas apesar de terem algo como 900 anos, não são peças de museu.
Estes templo convivem organicamente com a densa floresta que os abraça e elevam-se orgulhosos acima de plantações de arroz. São locais de meditação e culto onde frequentemente se encontram sacerdotes nos seus rituais.
21 de novembro de 2008
Angkor Wat
Às 05h da manhã, o Mr Sith espera-nos no seu tuk-tuk, pontual e sorridente. Vai conduzir-nos durante o dia pelos templos de Angkor.
Ainda é noite e caem alguns pingos fazendo antever um dia chuvoso... mas definitivamente, nós não percebemos nada de clima.
Não estamos sozinhos, há muitas pessoas que se dirigem para lá das mais variadíssimas maneiras. Estamos numa autêntica procissão.
Atravessamos um passadiço até chegar à 1ª muralha do templo. As pessoas acotovelam-se, vão em passo apressado. Querem o melhor ângulo de fotografia.
Depois da primeira muralha, pomos finalmente os olhos nas 5 torres magníficas do Angkor Wat. Ainda mal se percebem contra o céu que começa a clarear.
Mas é difícil concentrarmo-nos com gente que nos faz autênticas razias e não tem respeito pelas fotos que estamos a tirar.
A meio do segundo passadiço aparecem as piscinas – uma de cada lado – à margem das quais se amontoam toda a gente. Nós também... mesmo à beirinha...
E aí, somos só nós e o Angkor... ou melhor... os Angkors... A wet season tem as suas vantagens e o efeito de espelho que a água nos proporciona vale todos os céus sem nuvens do mundo.
São 06h e centenas de pessoas olham e pasmam à medida que surge o céu cor de rosa por trás das torres em forma de maçaroca de milho. As nuvens dançam por ali, no céu e no lago. As flores de lótus também.
É maravilhoso, fico encantada, emocionada... é um verdadeiro momento de bliss...
"is of such extraordinary construction that it is not possible to describe it with a pen, particularly since it is like no other building in the world. It has towers and decoration and all the refinements which the human genius can conceive of"
20 de novembro de 2008
Siem Reap
Em Siem Reap ficamos na agradável guest house Two Dragons. Oferecem-nos café mal chegamos, que eu radiante fico a saborear no terraço enquanto espero que me ajude nas dores de cabeça. Resulta.
Ao longe ouvem-se tambores, batuques e música oriental. Pela primeira vez desde que saí de Lisboa, relaxo... e alegro-me por estar aqui.
O L. foi arranjar dinheiro. Aqui, dado o baixo valor do Riel (1€ = 4000riel), usam USD para tudo excepto para comprar uma pepsi ou para 15min de internet.
Decidimos experimentar cozinha Khmer num dos muitos restaurantes da cidade.
E é fácil. Siem Reap, por ser a cidade que dá acesso aos templos de Angkor, é um oásis para turistas. Está cheia de sítios que servem comida típica, do barato ao caro, do banco de plástico à beira da estrada ao restaurante estiloso com decoração design gerido por ocidentais, como é o caso do Viroth.
Olho as pessoas à minha volta. Imagino “se já “o” terão visto?”... “se irão amanhã?”... “se terão gostado?”...
Preocupações como se estará bom para fotografar ou se estará a chover assaltam-me a mente… é uma oportunidade única e quero que seja perfeito.
... Mas na realidade mal posso esperar para estar lá, de uma maneira ou de outra.
Mud
Nota-se logo uma diferença em relação à Tailândia. O chão não é pavimentado e como ainda estamos na wet season, tudo o que pisamos tem uma camada maior ou menor de lama.
Lama castanha seca com os sulcos das rodas e molhada que os carros atravessam sem contemplações em relação ao *splash* para as outras pessoas. Lama que se cola aos chinelos.
Existem veículos puxados por animais e pessoas. Veículos com pedais adaptados para serem “pedalados” com as mãos e não com os pés...
Acabámos de entrar num dos países mais pobres do mundo, no país com maior percentagem de população deficiente devido a minas anti-pessoais.
Tivemos sorte porque não choveu e foi possível cumprir o mínimo de 3h num carro normal... Quando chove esta que é uma das estradas mais transitadas do Cambodja por dar acesso ao Angkor Wat desde a Tailândia, torna-se exclusiva de quem conduz pick-ups e 4WD e praticamente intransitável para os demais!
