4-Novembro-2008
Torna-se difícil dormir. Não pelo espaço exíguo mas por repararmos que na realidade o espaço não é apenas dividido por 2, mas também entre nós e uma quantidade indeterminada de baratinhas pequenas...
Preparamo-nos para chegar às 07h a uma Bangkok nublada e sombria. Mas na verdade às 07h ainda estamos bem longe. O comboio anda, pára, anda, pára durante muito tempo... e nós “SERÁ POSSÍVEL??” "Não funcionará nenhum comboio como deve ser?!"
Penso durante um segundo algo como “porque não fui para a Europa?”, mas lá recupero o sentido de humor e a sanidade mental depois de uma pequena greve à Ásia durante o pequeno almoço: capuccino + brownie, na estação, quando finalmente lá chegamos (mais de 3h atrasados).
Temos que tratar de várias coisas:
1. Guardar as mochilas (40TB, 1€ cada);
2. Comprar o bilhete Surat Thani – Bangkok (o nosso regresso do Sul) para o dia 11Nov (é muita antecedência, mas no dia 12Nov acontece um dos maiores festivais da Tailândia, o Loy Krathong);
3. Pedir info sobre os barcos para Koh Tao em Chumphon, em direcção a onde vamos nesta noite, mais uma vez de comboio. (Estou preocupada pois só temos 1h entre a chegada do comboio e a partida do barco...);
4. Apanhar um tuk-tuk em direcção ao Wat Pho... o buda deitado, gigante e dourado....
15 de dezembro de 2008
Chegada a Bangkok
12 de dezembro de 2008
back on tracks
Rapidamente estamos de volta aos carris em direcção a Bangkok.
A nossa estadia em Chiang Mai foi infelizmente algo como meteórica, chegar tarde e partir cedo. O comboio nocturno já estava completo quando tentámos comprar o bilhete... mesmo na véspera, por isso temos que ir a meio da tarde.
Mas também percebemos que Chiang Mai voltou ao normal e mal reconhecemos a rua que ontem albergou o mercado de domingo.
Por causa do problema do deslizamento de terras do dia anterior ainda pensamos que vamos ter que voltar a Bangkok de BUS mas não... está tudo a funcionar a 100%. A Northern Line não pode estar interrompida, dizem.
No comboio as instalações são porreiras e reparamos que há vários tipos de empregados ali na 2ª classe. Há 2 ou 3 responsáveis pela comida, que nos servem o jantar ou pequeno almoço se o desejarmos e outro que transforma os bancos em camas num abrir e fechar de olhos... tudo muito robótico e eficiente.
A viagem é longa... e não tenho paciência para ler por isso aproveito para me dedicar ao meu hábito arcaico de apontar tudo num caderninho.
10 de dezembro de 2008
9 de dezembro de 2008
Café na montanha
Hill Tribe Trek
Organizam-se então os chamados “Hill Tribe Trek” em que durante 3 ou 4 dias a pé se visitam algumas tribos.
Quem tem pouco tempo, pode ainda assim visitar uma destas aldeias Hmong que fica a escassos quilómetros de Doi Suthep... de estrada incrivelmente esburacada e muitas vezes intransitável...
É uma aldeia tradicionalmente comercial para os day trippers que visitam Doi Suthep.
Os habitantes têm bancas à porta das suas casas onde vendem as suas mercadorias, sejam elas artesanato, tecidos, especiarias. Dentro de casa trabalham tranquilamente no seu ofício.
Não sei o que estávamos à espera de ver pois quando chegamos... não vemos nada.
Meia dúzia de casas de madeira, meia dúzia de galinhas, 1 gatinho sozinho, cereais ao sol a secar, 1 velhote sentado à sombra, 3 porquinhos.
4 de dezembro de 2008
Buda
Normalmente, quando falamos de Buda, falamos do mestre fundador do budismo Siddhartha, que segundo a história, foi iluminado durante uma meditação sob a árvore Bodhi e então mudou o seu nome para Buda, que quer dizer "ser iluminado".
Defendendo que qualquer ser pode seguir o caminho da luz e da compreensão total, não necessitando de permissão divina, Buda exerceu um papel importante de democratização da religião que, até então, no hinduísmo, estava apenas ao alcance da casta dos bramanes, os únicos em contacto com o divino..
Doi Suthep
De manhã, deixamos as mochilas no “storage room” do Lai-Thai e alugamos uma motinha para o dia todo por 150bahts (menos de 4€).
Queremos visitar um dos mais importantes sítios de peregrinação da Tailândia, o templo de Doi Suthep, que fica a uns 16km de Chiang Mai, empoleirado na montanha.
Os thais não conduzem especialmente bem, principalmente os motoristas de tuk-tuks, que são completamente loucos e especialistas em desafiar limites. Sejam os das regras de trânsito, sejam os do motor do tuk-tuk, sejam os da paciência e capacidade de suster a respiração dos passageiros.
Tentamos mentalizar-nos que já vimos pior e lembramo-nos que se é de conduzir mal que estamos a falar... vimos directamente do “melhor” sitio da Europa nesta matéria... se é que isso nos serve de alguma coisa aqui...
Mas o que custa são os primeiros 10 minutos e quando chegamos ao Doi Suthep já o meu motorista privado pensa que quando se fartar do que faz pode fazer carreira em Bangkok ao volante/guiador de um tuk-tuk.
Para chegar ao templo temos que subir uma escada adragonada e interminável e cá em baixo está tudo apinhado de turistas e peregrinos, lojinhas de souvenirs religiosos e bancas de comida, filas infindáveis de autocarros. Parece que chegámos a Fátima no 13 de Maio.
Temos que tirar os sapatos e não usar roupa muito reveladora para visitar os locais sagrados e para fazer oferendas ao buda... flores de lótus e incenso, velas...
3 de dezembro de 2008
Domingo em Chiang Mai
Depois de 6h de tortura numa viagem de autocarro pelas montanhas, que me fez relembrar o quanto adoro andar de comboio, chegamos derretidos a Chiang Mai.
Ficamos na Lai-Thai Guesthouse onde aproveitamos para relaxar antes de sair novamente.
Como é domingo há milhares de pessoas na rua num frenesim histérico para o mercado semanal. Os templos estão abertos e nos jardins que os rodeiam montam mesas de picnic onde se pode comer. Vende-se comida por todo o lado. Ensinam-me que os noodles/pad thai se polvilha com açúcar e amendoins antes de comer. De colunas gigantes ouvem-se cânticos “zen” e mensagens de paz em várias línguas.
A rua principal no centro da cidade é transformada numa rua pedonal onde o mercado é montado. Vende-se artesanato, fotografias fantásticas, peças de roupa. É muito difícil circular na rua. Impossível de descrever... Só vendo:

(Fotos: archives.fortes.com)
Há muitos Wats (templos) na Tailândia, principalmente em Chiang Mai, mas não se limitam a ser apenas locais de oração. São escolas, orfanatos, centros de desintoxicação, instituições de caridade.
Mas Chiang Mai também é conhecida pela sua cozinha. Há muitas pessoas que chegam a esta cidade para se inscreverem nos muitos cursos de culinária tailandesa. Escolas não faltam por isso tivemos a oportunidade de experimentar esta caprichosa e requintada cozinha... galinha com caju e lemon grass, ligeiramente picante... *humm* delicioso.
No final do dia as pessoas juntam-se em cadeirões gigantes no meio da rua onde se dão massagens aos pés.... bem que eu precisava...
2 de dezembro de 2008
On the way to Chiang Mai
Esta ideia de fazer 3500km de comboio é muito engraçada quando estamos sentados na nossa secretária a idealizar a viagem, em Portugal. Teoricamente são só vantagens:
1º São viagens longas, de mais ou menos 12h, mas vamos confortavelmente a dormir em beliches com colchão e lençol em comboios nocturnos de longo curso;
2º Cada viagem representa menos uma noite que temos de pagar num hotel;
3º Gostamos de andar de comboio.
Mas a irrefutável verdade é que os comboios Tailandeses nunca andam a horas... e as nossas já de si penosas 14h de viagem de comboio de Bangkok para Chiang Mai transformaram-se num abrir e fechar de olhos em 17h de comboio e autocarro.
Tudo devido a algo relacionado com um “desabamento de terras”...
Não sabemos bem o que é... o comboio anda literalmente para trás e para a frente.. Ouvem-se comentários em inglês vindos de alguns turistas que procuram saber o que se passa mas os thais que viajam connosco estão tranquilos... isto é algo normal.
“Carris submersos” é a nova notícia. “O comboio não pode passar”. Temos que ir de autocarro.
Numa estação intermédia fazem-nos trocar de transporte mas somos separados por “thais” e “non-thais”. É a confusão para tentar entrar nos autocarros designados. Ninguém sabe bem quais. Mas para nós é fácil... todos os estrangeiros que aqui estão dirigem-se para Chiang Mai.
Fazem-nos passar à frente de mães com miúdos ao colo. São os turistas que tem permissão para entrar primeiro, são os turistas que vão no maior e melhor autocarro.
28 de novembro de 2008
Sábado em Bangkok
1-Novembro-2008
De manhã cedo apanhamos um taxi preparados mentalmente para a bumpy ride de volta a Poipet e à Tailândia. Não chove... temos sorte outra vez.
Atravessamos a fronteira e por 400bahts alguém nos convence a voltar para Bangkok de autocarro (3h30 de viagem contra as 5h30 de comboio). Felizmente as estradas mudam radicalmente assim que entramos na Tailândia.
O que isto quer dizer é que a meio da tarde já estamos num mundo diferente. A paz do Cambodja ficou definitivamente para trás e agora temos uma cidade delirante pronta a engolir-nos.
É sábado por isso decidimos ir ao Weekend Market de Chatuchak.
Quando saímos do metro a confusão é completa, mas diz-se que esta é a melhor experiência de compras de toda a Tailândia.
Aqui vende-se de tudo.
Ao longo de mais de 8000 bancas é a loucura. Dos tecidos orientais vendidos a metro ou sob forma de qualquer peça de roupa, estatuetas de madeira e artesanato, candeeiros e mobiliário design, dvd’s e material informático, peças de carros ou gatinhos bebés...
Vende-se mesmo de tudo!
Também não faltam bancas de comida para experimentarmos as iguarias thai.
À noite, muita gente na rua. Gente nova, bonita, diferente e até estranha com roupas e penteados esquisitos. Achamos que querem diferenciar-se uns dos outros, pois a verdade é que nos seus traços orientais e cabelos pretos lisos, são muito parecidos uns com os outros.
Bares improvisados cheios de gente, conversas animadas, copos e boa música. É sábado à noite.
Mas nós temos um comboio para apanhar em Hualamphong.
