Isto porque aqui onde o deserto se fecha em dunas gigantes sobre o Nilo, Aswan oferece-nos um cenário delicioso e arrebatador.


20-Outubro-2010
Aswan fica 950km a Sul do Cairo, mas a viagem nocturna foi um instante e sem nenhum incidente daqueles que, quem visse o 1º vagão do comboio cheio de militares fardados e armados, pudesse imaginar.
Mas antes de lá chegarmos já sabíamos que tínhamos o tempo contado. Uma das consequências do dia extra no Cairo.
E outra das consequências é a possibilidade fortíssima e quase garantida de não podermos visitar os templos de Abu Simbel.
Vicissitudes de quem tenta viajar durante 2 semanas como se tivesse 1 mês.
Mas durante o tempo em que temos de esperar na recepção do hostel, enquanto limpam o nosso quarto, decidimos seguir a estratégia de outros tempos e perguntamos onde podemos falar com um agente de viagens.
“Aqui mesmo!” Respondem.
Tal como nos outros tempos.
Perfeito.
O agente chega em 5 minutos e noutros tantos regateamos um cruzeiro no Nilo de 3 dias e 2 noites (Aswan - Kom Ombo – Edfu - Luxor por 40€ a noite, pensão completa).
Não que sejamos -como se sabe- grandes craques do regateanço.... e já nem a conversa do “somos estudantes” resulta tão bem como nos outros tempos.
Mas ele precisava mesmo de vender.
Depois na recepção do hostel garantem-nos que é o timing perfeito para ir e voltar a Abu Simbel.
Só que Abu Simbel fica ainda a 245km a Sul de Aswan, quase na fronteira com o Sudão. E tal como para viajar de comboio entre o Cairo e Aswan, também para visitar o templo do Sol de Ramsés II não é permitido aos estrangeiros ir como e quando lhes apetecer... é necessária uma escolta militar.
Como fomos percebendo não é fácil viajar independentemente no Egipto.
Simplesmente desaparece todo o conceito. Por isso temos que nos adaptar.
E adaptar a timings muito restritos. Estar a pé às 2h45, sair do hostel às 3h30, sair em convoy às 4h00, chegar a Abu Simbel às 7h00, sair de Abu Simbel às 9h30, chegar a Aswan às 12h30, zarpar em direcção a Luxor às 13h00.
Pegar ou largar.
Avizinhava-se um dia stressante por isso achamos que por enquanto este é o timing perfeito para preguiçar numa felucca com um karkady geladinho na mão.

E quem andou na catequese, sabe que este foi um momento importante...
(não podemos fotografar dentro do museu, mas não resisto a colocar aqui esta foto fabulosa que encontrei no site da National Geographic.)
18-Outubro-2010
A hora de jantar é a hora perfeita para apanhar um taxi para o restaurante “Abou Tarek” sugerido no Rough Guide como o melhor sítio para comer koshary do Cairo... O que quer que isso seja.
E foi um verdadeiro achado!
Assim que entramos no estabelecimento reluzente do Abou Tarek, somos recebidos por um empregado sorridente que nos indica uma mesa.
Estamos ainda a olhar em redor quando o mesmo empregado nos põe um prato cheio de comida à frente...
“E o Menu?” perguntamos.
O empregado –simpatiquíssimo- responde: “Koshary! Aqui só se come Koshary!”
Fantástico! Olhamos e fazemos como as pessoas da mesa ao lado.
O Koshary é –a par do falafel- uma espécie de fast food típico egípcio, uma mistura de esparguete e arroz, com grão, lentilhas pretas, molho de tomate e cebola frita. E como percebemos mais tarde, o que não faltam são casas de Koshary em cada esquina das cidades egípcias.

O empregado sorridente de vez em quando vinha ter connosco e explicava como se faz: junta-se sumo de limão com alho e um pouco de picante. Pegava na nossa colher e misturava tudo.
Sorria e ao mesmo tempo exclamava “Koshary”!
Posso garantir que é fabuloso.
Mais tarde seguimos a recomendação do nosso mais recente companheiro de duty free e assistimos a um espectáculo grátis (!!) que acontece em alguns dias da semana: Whirling Dervishes no Wikalat Al-Ghuri, um antigo caravenserai para mercadores, no coração do Islamic Cairo.
Neste culto sufi os sacerdotes/bailarinos, pretendem ser “um” com Deus através de cerimónias de transe em que rodopiam sem parar durante horas.
O gesto de estender o braço direito para o céu e o esquerdo para o chão significa que as dádivas recebida por deus são distribuídas pela humanidade sem nenhuma parte ser retida pelo dervishe.
A percussão é fantástica, a música, as luzes, as cores... fiquei fascinada e tirei imensas fotografias que me coloriram o álbum até agora ainda tão amarelado.




