25 de janeiro de 2011

finding Nemo @ Dahab

25-Outubro-2010

Dahab é um local super ventoso (ou pelo menos nestes dias estava bastante), mas mesmo ventoso como em dia de tempestade!

E apesar de ser um local cheio de boa vibração, pensámos que o vento nos iria arruinar as ideias de fazer snorkeling e preguiçar calmamente junto à praia.


Mas não.
Segundo nos explicaram, existem sempre spots bons para snorkeling que não são afectados pelo vento.
E foi para lá que fomos.
Arranjámos um motorista para nos levar ao Blue Hole, a norte de Dahab (35 EGP, 4.5€) e a 3 Pools, a Sul (50 EGP, 6.25€).

Somos praticamente as primeiras pessoas a chegar ao famoso Blue Hole onde já tantos mergulhadores experientes perderam a vida ao tentar encontrar a passagem para o mar aberto que fica a 60m de profundidade... mas nós não somos experientes e só viemos fazer snorkeling.

Está uma ventania desgraçada, mar picado e pensamos que se entrarmos na água vamos ser atirados contra as rochas!
Mas depois vemos velhotas com toucas às flores e mães com crianças, a pegarem nas barbatanas e a entrarem mar adentro...
Por isso deve ser seguro!

Quando pomos a máscara e olhamos para dentro da água, tudo muda.
É como se o mundo (e o mar picado) como o vemos cá fora deixasse de ter qualquer tipo de interesse.
É absolutamente fantástico. A água é límpida e vemos os corais coloridos, peixes de todos os tamanhos, feitios e cores que por ali barbatanam indiferentes à nossa presença.

Tenho muita pena de não ter uma máquina fotográfica à prova de água, por isso deixo aqui algumas fotos que encontrei na internet daquilo que vimos deste paraíso subaquático.






Sim... é mesmo assim.
E felizmente, desta vez consegui manter-me afastada de tubarões...

21 de janeiro de 2011

sweet Dahab

24-Outubro-2010

Dahab é um sítio para aproveitar o melhor da vida.
Vem descrito no Rough Guide como uma espécie de “Goa by the Red Sea”.

Dahab está entre Sharm El-Sheik e Nuweiba, dois grandes resorts egípcios do mar vermelho, onde desembocam os charters de turistas vindos da Europa à procura de um lugar ao sol.
Mas de algum modo conseguiu manter-se relativamente intocado pelo turismo de massas e é um local com muito boa vibração.



Ficamos aqui mesmo no centro da vila onde tudo se passa.... as escolas de mergulho, os restaurantes, os bares... tudo o que faz Dahab fervilhar.

Mas hoje foi dia de dolce fare niente, com os olhos postos no pôr do sol...


20 de janeiro de 2011

Bus ride from Hell

23-Outubro-2010

O autocarro para Dahab é pontual, mas a viagem ficou muito longe de durar apenas as 12h previstas.
VINTE HORAS durou a viagem de autocarro entre Luxor e Dahab.



E porque é que fomos de autocarro para Dahab?... Quem olha para o mapa percebe instantaneamente que perfeito seria atravessar de barco, de Hurghada para Sharm El-Sheik....
Mas como viemos a perceber agora e mais tarde também, o serviço de ferrys egípcios é para inglês ver.

Apesar desta opção vir sempre listada em todos os sites, guias e pontos de informação que consultámos, ouvíamos frequentemente que “o barco está parado para remodelações”, “o barco funciona bem mas só em alguns dias da semana”, “o barco não funciona bem e em dias de vento não sai do porto”, etc...

Por isso, e mais uma vez devido ao facto de não termos tempo a perder... decidimos atravessar para a península do Sinai, no canal do Suez, de autocarro, ou seja, ir dar a volta ao bilhar grande.

E no pior autocarro de viagens de longo curso onde já andei. Ar condicionado ora gelado ora a ferver, bancos pouco reclináveis e duros, impossível de dormir... sem tempo para comer mesmo com as imensas paragens de 15 minutos que não davam para nada a não ser para fumar cigarros, enfim...

Já mencionei que foram VINTE HORAS DE AUTOCARRO?




Pelo caminho um furo no pneu... onde comecei a tentar ver as coisas pelo lado positivo: “Ao menos está Lua cheia..." e há quanto tempo não olhava para a Lua Cheia...

Mas quando infinitamente depois de sairmos de Luxor, chegamos finalmente ao rebuliço do resort de Sharm El-Sheik, ainda a 1h de Dahab, heis que sai toda a gente do autocarro, excepto nós e outros 4 backpackers...

Ainda não tinha chegado, mas já tinha a certeza que ia gostar.

Karnak

23-Outubro-2010

Hoje é o dia de visitar Karnak! O maior complexo de templos alguma vez construído no Egipto.
Tenho muita expectativa em ver os seus corredores de colunas enormes e infinitas.
E são mesmo imensas e espectaculares...




Mas acabamos por compreender, e perdoem-me a heresia, que esta vida de visitar templo sim, templo sim com 40ºC à sombra não é assim muito divertida.
Epah, não é!

E se para mim já é difícil, não posso deixar de pensar naquelas pessoas de mais idade que visitam estes locais (a grande maioria de visitantes) e que por ali se arrastam com imensa dificuldade como se as férias de repente fossem uma espécie de penitência.

Porque não é só o calor, são os magotes e magotes de turistas à nossa volta e o assédio constante aos que parecem mais endinheirados, etc...
Tudo o que pode na realidade irritar uma pessoa e estragar uma viagem... E vimos muita gente irritada!

“E não foram ao Vale dos Reis?” –Não. “Nem ao túmulo do Tutankamon e da Hatshepsut?” –Também não.
As férias não são uma check list de coisas que temos que ver.
Obrigado, mas não, Obrigado...


Por isso, alegremente admitimos que Karnak, em toda a sua inegável grandeza, foi a nossa gota de água.
Não era tarde nem cedo... Decidimos nessa mesma tarde rumar a outras paragens... a vantagem maravilhosa de viajar independentemente...

Estava na hora de largar a rota dos templos e o 1º passo foi comprar um bilhete de autocarro para “dali pra fora”.

Luxor

22-Outubro-2010

Visitamos o templo de Luxor ao anoitecer. O único onde é possível fazê-lo a esta hora.

O templo revela-se muito fotogénico com as suas colunas e estátuas iluminadas e para nós muito “refrescante”, para variar do calor tão exagerado que acontece aqui durante o dia.



Luxor era a antiga capital do Egipto, Thebes, e palco do mais importante festival egípcio, o festival Opet.

Neste festival as estátuas dos deuses da “sagrada família egípcia”, Amun (o criador), Mut (a mãe) e o filho de ambos Khonsu (o viajante) eram escoltadas de Karnak (a 2 km) até ao templo de Luxor, num ritual simbólico de fertilidade e de vida.





Luxor fervilha de história e monumentos grandiosos. É o ponto de partida perfeito para qualquer visita a locais monumentais, como Karnak e o Vale dos Reis...

Apercebi-me que é difícil entender toda a história destes templos assim do pé para a mão... é muita informação para um local só e principalmente para tão pouco tempo. São lugares com milhares de anos de história que foram sendo modificados por um e por outro e por outros faraós ao longo de dinastias, cada um mais megalómano que o outro.

Edfu








18 de janeiro de 2011

Kom Ombo

21-Outubro-2010

Umas horas depois de embarcarmos em Aswan chegamos a Kom Ombo, mesmo em cima do pôr do sol.
Do rio vê-se as colunas do templo. Este é um templo invulgar pois é o único do Egipto que é dedicado a duas divindades.
Tem duas metades idênticas, uma dedicada ao deus crocodilo Sobek, deus da criação do mundo e da fertilidade e outra dedicada ao deus falcão Horus.

A proximidade do Nilo tanto protegeu como destruiu o templo. Tendo estado tantos anos coberto de areia foi protegido dos iconoclastas coptas mas as águas também destruíram algumas colunas e o templo está bastante incompleto.

De qualquer modo, eu nunca tinha visto NADA assim por isso adorei cada detalhe, cada inscrição, cada hieróglifo. O pormenor com que foram esculpidos há 2000 anos foi algo que considerei “out of this world”.









17 de janeiro de 2011

Cruzeiro no Nilo

21-Outubro-2010

Após a correria habitual para chegar ao barco, quando chegamos zarpamos imediatamente.
E afinal como é que funcionam os célebres cruzeiros no Nilo? Há-os para todos os gostos e para todas as carteiras.

Dos rápidos de 2 dias entre Aswan e Luxor, perfeitos para quem não tem muito tempo para gastar mas não dispensa a sensação de relax de viajar de barco rio acima, até aos cruzeiros de semanas entre o Cairo e Abu Simbel...


Não somos “cruise-persons” por isso o tipo de cruzeiro mais rápido foi sem dúvida, a maneira melhor e mais conveniente de seguir viagem.
Para não voltar “pelo mesmo caminho” (ou seja, pelo mesmo meio de transporte, o comboio). Para fazer o necessário e merecido time-out do assédio constante de que os turistas são alvo no Egipto. Para nos apercebermos porque o Nilo é a verdadeira artéria deste país, do vale verdejante que o acompanha. E já agora para aproveitar ver algumas maravilhas de arquitectura que os antigos egípcios construíram cuidadosamente ao longo do rio.

E por 40€ a noite, o esquema dos cruzeiros é o seguinte:

07:00 – 09:00 – pequeno almoço
piscina
13:00 – 14:00 – almoço
piscina
16:00 – lanche
piscina
19:30 – 21:00 – jantar
22:00 – show

Claro que dada a proximidade ao trópico de cancer, a piscina só é possível debaixo de guarda sol... e pelo caminho fazemos paragens para visitar os templos de Kom Ombo e Edfu.





À noite damos por nós numa espécie de freak show com os turistas russos e franceses mascarados de faraós para as fotografias, depois vendidas a 5€ cada...

Nós aproveitamos para ir para o terraço ver as estrelas e ouvir a água do rio a escorregar no casco do navio.
Mas não estamos sozinhos. Lá, a bailarina de dança do ventre espera escondida pelo momento da sua actuação.
Nem vamos sozinhos. Acompanham-nos duas cervejas geladinhas que contrabandeámos para dentro do barco. É estritamente proibido consumir bebidas não adquiridas a bordo... mas o preço inflaccionado faz com que seja uma grande tentação comprá-las aos vendedores de rua.

A verdade é que os cruzeiros no Nilo, apesar de serem um grande sucesso entre os turistas, não são nem podem ser representativos do que é o verdadeiro Egipto.

A bailarina desce e os gritos e aplausos dos turistas sufocam o tilintar das moedas que ela balanceia à cintura.

Continuamos no terraço. Continua a escorregar a água do Nilo. E a cerveja contrabandeada também.

13 de janeiro de 2011

Abu Simbel

21-Outubro-2010





Abu Simbel é o epítome do orgulho e do ego de Ramsés II. É um dos 6 templos que o grande faraó decidiu erigir na Núbia durante o seu reinado, de modo a impressionar os povos mais a Sul e demonstrar o poderio da civilização Egípcia. É o que diz o Wikipédia.
E diz bem.

Este é o templo do Sol que Ramsés II dedicou às divindades mais veneradas no Egipto Antigo: Amun, o rei dos deuses, Ra-Horakhty, o deus do sol e Ptah, o deus do submundo... e a si próprio também, Ramsés II, o Deus.

Diz a lenda que o templo foi construído pelos antigos egípcios milimetricamente de modo a que o Sol entrasse no santuário e iluminasse todas as esculturas das divindades excepto a do deus Ptah que convenientemente ficaria sempre na escuridão.
Este fenómeno Solar acontecia precisamente nos dias que se pensam ser o do nascimento do Faraó (21 Fev) e o da sua coroação (21 Out).

Por isso visitámo-lo num dia especial.
Claro que com a passagem dos mais de 3000 anos e com a deslocação do templo para terrenos mais elevados, o fenómeno já não é o que alegadamente costumava ser... No entanto –como pudemos ver- são dias que continuam a ser amplamente celebrados em Aswan e em Abu Simbel com festivais.

Outra obra-prima da engenharia arqueológica que sempre me impressionou nestes templos foi o facto de, nos anos 60, terem sido completamente transladados.
A subida do nível das águas do Nilo como consequência da construção da Grande Barragem de Aswan fez com que a UNESCO decidisse desmantelar os 2 templos e reconstruí-los bloco a bloco numa cota mais elevada, livres de submergirem.
Foram precisos 4 anos e 40 milhões de dolares... mas consta que não conseguiram acertar com a posição correcta para se dar o fenómeno solar, mesmo com tecnologia 3000 anos mais avançada.

Ao lado do templo principal há outro mais pequeno que Ramsés II construiu como presente à sua mulher preferida, Nefertari. E isso percebe-se perfeitamente ao vermos o tamanho das estátuas colossais da Rainha existentes na fachada principal, do mesmo tamanho que as do Faraó... isto ao contrário da tradição em que as estátuas das rainhas nunca ultrapassavam a altura dos joelhos das estátuas dos faraós.

E isso é amor.