31 de janeiro de 2011

Wadi Rum vs Disseh

Para pernoitar no deserto do Wadi Rum, um dos highlights de qualquer viagem na Jordânia, o melhor é tentar reservar junto de algum guia reputado com licença para fazer tours dentro da reserva natural. Por incrível que pareça isto é para garantir que quer a visita, quer o acampamento se fazem mesmo dentro da reserva do Wadi Rum.

Os “operadores” turísticos de Petra e Aqaba não têm licença para organizar viagens na zona protegida do Wadi Rum, por isso o que acontece aos turistas mais desprevenidos, que chegam a estes locais sem nada marcado e pretendem seguir para o deserto do Wadi Rum, é que acabam por ser levados por beduínos auto-intitulados “organizadores de viagens de aventura no deserto” para Disseh, a Norte/Este da reserva natural.
Este é um local muito popular entre estes “guias beduínos” porque é “quase igual” ao Wadi Rum e ao ser fora da zona protegida eles não precisam de licença para os seus acampamentos.
Para além disso estes “guias” encaixam logo os 5JDI (=5€) de entrada na zona protegida, que dizem estar incluído no preço que combinam com os turistas.
Os passeios de jipe nesta zona também incluem nascentes de água, paisagens dramáticas, dunas vermelhas, pinturas “rupestres”... mas não são o verdadeiro Wadi Rum.
O que acaba por acontecer é que muitos visitantes ao deixarem esta zona de paisagens fantásticas, nem se apercebem que não visitaram o verdadeiro Wadi Rum.

Outro factor suspeito é quando o preço é especialmente baixo pois os preços na zona protegida estão mais ou menos tabelados e não são nada humildes: 25 JDI (=25€) para acampar com jantar e pequeno almoço incluído, 40 JDI para passeios de jipe de 4h... tudo por pessoa...

Mas como em tudo, seguir o livro à risca também pode não ser a melhor opção. Cada vez mais os visitantes do Wadi Rum se queixam da descaracterização do local, que agora mais parece um playground para pessoas de outras nacionalidades, e que aos seus verdadeiros habitantes, os beduínos nómadas, nem vê-los.
E a ideia do acampamento para turistas parece ter-se instalado em detrimento daquela do chá no deserto com o anfitrião a contar histórias sobre a sua vida de nómada...

Para algumas pessoas, a zona de Disseh até começa a surgir no spotlight como a alternativa ao Wadi Rum, pela sua autenticidade e -por vezes- exclusividade, perfeito para quem gosta de quebrar regras.

27 de janeiro de 2011

Jordânia – primeiras nota$


Preocupámo-nos ainda menos com a planificação da parte da viagem na Jordânia do que com a parte egípcia.
Primeiro, é um país infinitamente mais pequeno que o Egipto, com 350km de Norte a Sul. Não seria necessário prever o “como ir” de um sítio para o outro, com tudo tão perto e ainda por cima sem tempo para nos afastarmos dos percursos mais turísticos.
Segundo, provavelmente seria tudo barato, muito mais barato do que no Egipto que é um dos países mais turísticos do mundo.

Resumindo, a nossa equação era:
Jordânia = Egipto + pequeno - turístico, ou seja, Jordânia = + fácil + barato.
Mais uma vez, não podíamos estar + enganados.
Pois há outro factor que costuma ser determinante nestas equações... a concorrência.

Na realidade, praticamente não há transportes públicos na Jordânia. Os que existem não têm horário fixo (só partem mesmo quando estão cheios, se partirem de todo). Depois, a Jordânia até é um país barato, mas só em tudo aquilo que não está relacionado com o turismo...
Por isso a primeira surpresa jordana, logo à saída da fronteira, foi o preço que começámos a pagar pelas nossas deslocações, neste caso de taxi.

A verdade é que a sensação de viajar à aventura de mochila às costas na Jordânia não é comparável àquela que se vive nalguns países da América Latina e muito menos nos países de turismo backpacker massificado do Sudeste Asiático, onde as possibilidades de mobilidade são virtualmente ilimitadas, baratas e principalmente... testadas.

Mas a sensação de viajar assim (na Jordânia ou noutra parte do mundo) é sempre melhor do que a de qualquer outro modo de viajar.

26 de janeiro de 2011

Crossing Borders

26-Outubro-2010

Para chegar à Jordânia, tínhamos o plano de apanhar o barco rápido que sai de Nuweiba (1h a Norte de Dahab) directamente para Aqaba.
Isto para evitar as previsíveis complicações fronteiriças ao andar a saltar de país muçulmano (Egipto) para país judeu (Israel), para país muçulmano (Jordânia) que certamente aconteceriam se fossemos por terra.
Mas nós não percebíamos nada disto.

Em Dahab garantem-nos que indo por Israel é mais rápido. Que chegamos a Aqaba antes do ferry sair de Nuweiba.
E para além de mais rápido... muito mais barato. Fazemos as contas e a taxa de saída de Israel (uns avultados 25 USD/pessoa para quem só permanecerá no país uns meros 25 minutos) não chega aos calcanhares dos bilhetes do catamaran Nuweiba-Aqaba (70 USD/pessoa).

Já para não falar nos horários de saída dos ferrys egípcios, que segundo nos informaram, na melhor das hipótese chegariam a Aqaba já ao anoitecer...

E na realidade as complicações nestas fronteiras não existem... ou melhor, não existem para nós europeus e no sentido Taba (Egipto) – Eilat (Israel) – Aqaba (Jordânia).
O sentido contrário seria simplesmente impossível.
Isto porque a maioria dos países muçulmanos não reconhece a existência de Israel e assim é negada a passagem para o Egipto, Síria e Líbano a quem tiver um carimbo de Israel no passaporte...
Mas com a Jordânia é diferente.

Assim, seguimos a sugestão de quem percebe disto e de manhã apanhamos um mini-bus directo para a fronteira em Taba. No caminho apercebemo-nos da beleza do Golfo de Aqaba de um modo mais cru que em Dahab, sem construções, apenas umas palhotas à beira mar e um mar azul turquesa de pensarmos que estamos no paraíso... mesmo com as montanhas da Arábia Saudita a perscrutar o horizonte além mar.



Em Taba, a saída do Egipto faz-se calmamente. Perguntam-nos se estamos a pensar voltar ao Egipto, pois um carimbo de “saída do Egipto” em Taba (a única fronteira aberta entre estes 2 países) é exactamente igual a um carimbo de “entrada em Israel” em Eilat... e para o Egipto não existe aqui nenhuma fronteira, por isso não podem existir carimbos.
Com essa pergunta percebemos que costumam facilitar a vida às pessoas que viajam nestes países, num sentido e no outro, carimbando uma folha à parte e não o passaporte, àqueles que pretendem voltar. O viajante é que deverá estar atento e solicitá-lo.
O mesmo se passa à chegada a Israel.

Reparamos na diferença assombrosa entre os 2 países, a escassos metros de distância. Em Israel é tudo super desenvolvido e muito menos empoeirado.
Somos todos revistados, uns mais do que outros, e os de aparência “árabe” são marcados com uma etiqueta especial, mesmo na posse de passaporte europeu.

Em 5 minutos atravessamos Eilat, de taxi, até à ponte Itsaac Rabin, na fronteira com a Jordânia e mais uma vez os resorts, os hotéis com dezenas de andares e os restaurantes franchisados que não víamos desde a nossa saída da Europa, contrastaram abruptamente com o Egipto desértico ali ao lado.

Apesar de esta ser uma fronteira popular para day trips a Petra, não há ninguém aqui. Pagamos a taxa de saída de Israel e atravessamos a ponte a pé.
Estamos na Jordânia.

E o catamaran ainda em Nuweiba...

25 de janeiro de 2011

finding Nemo @ Dahab

25-Outubro-2010

Dahab é um local super ventoso (ou pelo menos nestes dias estava bastante), mas mesmo ventoso como em dia de tempestade!

E apesar de ser um local cheio de boa vibração, pensámos que o vento nos iria arruinar as ideias de fazer snorkeling e preguiçar calmamente junto à praia.


Mas não.
Segundo nos explicaram, existem sempre spots bons para snorkeling que não são afectados pelo vento.
E foi para lá que fomos.
Arranjámos um motorista para nos levar ao Blue Hole, a norte de Dahab (35 EGP, 4.5€) e a 3 Pools, a Sul (50 EGP, 6.25€).

Somos praticamente as primeiras pessoas a chegar ao famoso Blue Hole onde já tantos mergulhadores experientes perderam a vida ao tentar encontrar a passagem para o mar aberto que fica a 60m de profundidade... mas nós não somos experientes e só viemos fazer snorkeling.

Está uma ventania desgraçada, mar picado e pensamos que se entrarmos na água vamos ser atirados contra as rochas!
Mas depois vemos velhotas com toucas às flores e mães com crianças, a pegarem nas barbatanas e a entrarem mar adentro...
Por isso deve ser seguro!

Quando pomos a máscara e olhamos para dentro da água, tudo muda.
É como se o mundo (e o mar picado) como o vemos cá fora deixasse de ter qualquer tipo de interesse.
É absolutamente fantástico. A água é límpida e vemos os corais coloridos, peixes de todos os tamanhos, feitios e cores que por ali barbatanam indiferentes à nossa presença.

Tenho muita pena de não ter uma máquina fotográfica à prova de água, por isso deixo aqui algumas fotos que encontrei na internet daquilo que vimos deste paraíso subaquático.






Sim... é mesmo assim.
E felizmente, desta vez consegui manter-me afastada de tubarões...

21 de janeiro de 2011

sweet Dahab

24-Outubro-2010

Dahab é um sítio para aproveitar o melhor da vida.
Vem descrito no Rough Guide como uma espécie de “Goa by the Red Sea”.

Dahab está entre Sharm El-Sheik e Nuweiba, dois grandes resorts egípcios do mar vermelho, onde desembocam os charters de turistas vindos da Europa à procura de um lugar ao sol.
Mas de algum modo conseguiu manter-se relativamente intocado pelo turismo de massas e é um local com muito boa vibração.



Ficamos aqui mesmo no centro da vila onde tudo se passa.... as escolas de mergulho, os restaurantes, os bares... tudo o que faz Dahab fervilhar.

Mas hoje foi dia de dolce fare niente, com os olhos postos no pôr do sol...


20 de janeiro de 2011

Bus ride from Hell

23-Outubro-2010

O autocarro para Dahab é pontual, mas a viagem ficou muito longe de durar apenas as 12h previstas.
VINTE HORAS durou a viagem de autocarro entre Luxor e Dahab.



E porque é que fomos de autocarro para Dahab?... Quem olha para o mapa percebe instantaneamente que perfeito seria atravessar de barco, de Hurghada para Sharm El-Sheik....
Mas como viemos a perceber agora e mais tarde também, o serviço de ferrys egípcios é para inglês ver.

Apesar desta opção vir sempre listada em todos os sites, guias e pontos de informação que consultámos, ouvíamos frequentemente que “o barco está parado para remodelações”, “o barco funciona bem mas só em alguns dias da semana”, “o barco não funciona bem e em dias de vento não sai do porto”, etc...

Por isso, e mais uma vez devido ao facto de não termos tempo a perder... decidimos atravessar para a península do Sinai, no canal do Suez, de autocarro, ou seja, ir dar a volta ao bilhar grande.

E no pior autocarro de viagens de longo curso onde já andei. Ar condicionado ora gelado ora a ferver, bancos pouco reclináveis e duros, impossível de dormir... sem tempo para comer mesmo com as imensas paragens de 15 minutos que não davam para nada a não ser para fumar cigarros, enfim...

Já mencionei que foram VINTE HORAS DE AUTOCARRO?




Pelo caminho um furo no pneu... onde comecei a tentar ver as coisas pelo lado positivo: “Ao menos está Lua cheia..." e há quanto tempo não olhava para a Lua Cheia...

Mas quando infinitamente depois de sairmos de Luxor, chegamos finalmente ao rebuliço do resort de Sharm El-Sheik, ainda a 1h de Dahab, heis que sai toda a gente do autocarro, excepto nós e outros 4 backpackers...

Ainda não tinha chegado, mas já tinha a certeza que ia gostar.

Karnak

23-Outubro-2010

Hoje é o dia de visitar Karnak! O maior complexo de templos alguma vez construído no Egipto.
Tenho muita expectativa em ver os seus corredores de colunas enormes e infinitas.
E são mesmo imensas e espectaculares...




Mas acabamos por compreender, e perdoem-me a heresia, que esta vida de visitar templo sim, templo sim com 40ºC à sombra não é assim muito divertida.
Epah, não é!

E se para mim já é difícil, não posso deixar de pensar naquelas pessoas de mais idade que visitam estes locais (a grande maioria de visitantes) e que por ali se arrastam com imensa dificuldade como se as férias de repente fossem uma espécie de penitência.

Porque não é só o calor, são os magotes e magotes de turistas à nossa volta e o assédio constante aos que parecem mais endinheirados, etc...
Tudo o que pode na realidade irritar uma pessoa e estragar uma viagem... E vimos muita gente irritada!

“E não foram ao Vale dos Reis?” –Não. “Nem ao túmulo do Tutankamon e da Hatshepsut?” –Também não.
As férias não são uma check list de coisas que temos que ver.
Obrigado, mas não, Obrigado...


Por isso, alegremente admitimos que Karnak, em toda a sua inegável grandeza, foi a nossa gota de água.
Não era tarde nem cedo... Decidimos nessa mesma tarde rumar a outras paragens... a vantagem maravilhosa de viajar independentemente...

Estava na hora de largar a rota dos templos e o 1º passo foi comprar um bilhete de autocarro para “dali pra fora”.

Luxor

22-Outubro-2010

Visitamos o templo de Luxor ao anoitecer. O único onde é possível fazê-lo a esta hora.

O templo revela-se muito fotogénico com as suas colunas e estátuas iluminadas e para nós muito “refrescante”, para variar do calor tão exagerado que acontece aqui durante o dia.



Luxor era a antiga capital do Egipto, Thebes, e palco do mais importante festival egípcio, o festival Opet.

Neste festival as estátuas dos deuses da “sagrada família egípcia”, Amun (o criador), Mut (a mãe) e o filho de ambos Khonsu (o viajante) eram escoltadas de Karnak (a 2 km) até ao templo de Luxor, num ritual simbólico de fertilidade e de vida.





Luxor fervilha de história e monumentos grandiosos. É o ponto de partida perfeito para qualquer visita a locais monumentais, como Karnak e o Vale dos Reis...

Apercebi-me que é difícil entender toda a história destes templos assim do pé para a mão... é muita informação para um local só e principalmente para tão pouco tempo. São lugares com milhares de anos de história que foram sendo modificados por um e por outro e por outros faraós ao longo de dinastias, cada um mais megalómano que o outro.

Edfu








18 de janeiro de 2011

Kom Ombo

21-Outubro-2010

Umas horas depois de embarcarmos em Aswan chegamos a Kom Ombo, mesmo em cima do pôr do sol.
Do rio vê-se as colunas do templo. Este é um templo invulgar pois é o único do Egipto que é dedicado a duas divindades.
Tem duas metades idênticas, uma dedicada ao deus crocodilo Sobek, deus da criação do mundo e da fertilidade e outra dedicada ao deus falcão Horus.

A proximidade do Nilo tanto protegeu como destruiu o templo. Tendo estado tantos anos coberto de areia foi protegido dos iconoclastas coptas mas as águas também destruíram algumas colunas e o templo está bastante incompleto.

De qualquer modo, eu nunca tinha visto NADA assim por isso adorei cada detalhe, cada inscrição, cada hieróglifo. O pormenor com que foram esculpidos há 2000 anos foi algo que considerei “out of this world”.