3 de fevereiro de 2011

Poderes de Navegação

27-Outubro-2010

De manhã cedo, acordamos com o Sol a reflectir no rochedo que nos abrigava o acampamento.
Para o pequeno almoço, ovos mexidos com tomate e café com leite com vista para a paisagem imensa.






A visita começou por volta das 9h00 já o Sol ia alto.

As formações rochosas são avassaladoras, as dunas de areia vermelha como nunca tinha visto igual e os fortuitos encontros com nómadas que nos iam oferecendo chá no meio do deserto fizeram com que esta fosse uma experiência formidável.









O cenário é fenomenal!

Mas de algum modo, ao olhar para o mapa do Rough Guide, através da orientação solar e da posição da linha do comboio que atravessa este vale, percebemos que não estávamos dentro da reserva do Wadi Rum.
Por isso quando a visita acabou, passadas 4h, e nos levaram de volta para a aldeia, explicámos ao nosso anfitrião que, como tínhamos combinado, também queríamos entrar na reserva.

Ele deve ter ficado surpreendido com os nossos "poderes de navegação" pois nem pestanejou e num segundo voltou a meter-nos dentro do jipe a caminho de Rum, para +2h extra, por conta da casa.

Só mais tarde, já de volta a Portugal, percebemos tratar-se de um esquema comum e agora tentamos entender esta atitude como "cada um desenrasca-se como pode".

Mas se falassem melhor inglês, teríamos explicado que descendemos daqueles que descobriram o caminho marítimo para a índia, só a olhar para a posição das estrelas...

2 de fevereiro de 2011

acampamento

26-Outubro-2010

O acampamento revelou-se muito básico, mal cuidado e até um pouco decadente, com restos de comida de anteriores visitas ainda por lá, copos de chá sem estarem lavados, camas ao ar livre e outras dentro de tendas gigantes mas com os cobertores e lençóis todos revirados, nada turístico portanto...
... por isso não nos queixamos.

Mas havia também uma pequena cozinha feita de tijolo com um lavatório, fogão e zona de armazenamento de comida, 2 WC’s e um duche, e um sistema de som que pôs a nossa música e ecoar pelo deserto, um luxo!






Ao jantar percebemos que temos pouca capacidade de falarmos com o nosso anfitrião pois não falava inglês, por isso deixou-nos à nossa vontade enquanto nos refastelámos com o petisco humilde mas delicioso, de arroz, noodles, grão e um mix de vegetais. Acompanhou com uma chaleira de chá bem quente.

A música arabesca no inesperado sistema de som, a noite estrelada e até uma ou outra estrela cadente encantaram o ambiente que no final da noite foi coroado pela luz da lua quase cheia.


Tentei adormecer ao relento, mas o frio lendário que se faz sentir durante a noite no deserto, que eu nunca tinha sentido, lá apareceu...

ventos do deserto

26-Outubro-2010

Depois de atravessarmos a fronteira para a Jordânia, por volta da hora do almoço, queremos apanhar transporte para o Wadi Rum.
Aceitamos a proposta de um taxista que nos leva pela Desert Highway acima até pouco depois da viragem para o Wadi Rum, a uma vila, à casa de uma família beduína mesmo às portas do deserto.

Lá eles recebem-nos com chá e shisha e começamos a negociar a nossa visita. Queremos acampar no deserto esta noite e ver as vistas no dia seguinte. Aqui isso custa 55 JDI por pessoa (=55€), e já inclui a entrada na reserva.
Tento não valorizar isso... estou muito entusiasmada só de pensar que estou no Wadi Rum... sou apaixonada por estas paisagens amplas e remotas.

Passado um pouco os homens discutem sobre as provisões necessárias para o jantar e pequeno almoço e nós despedimo-nos da família.
São todos muito simpáticos e estão muito contentes por nos ver. Percebemos que somos os únicos visitantes no acampamento nessa noite.

Mais tarde, mal assentamos arraiais no acampamento, saímos para ver o pôr do Sol de um local estratégico.

Caminhamos sobre a areia vermelha até um morro ali perto... de onde a paisagem é absolutamente mirabolante e impossível de descrever.





Andamos descalços sobre as dunas virgens só com o rasto do vento...
A luz dourada do final de tarde e a areia alaranjada deste deserto formam uma dupla infalível para captar bons momentos de cores quentes... possivelmente irrepetíveis.






31 de janeiro de 2011

Wadi Rum vs Disseh

Para pernoitar no deserto do Wadi Rum, um dos highlights de qualquer viagem na Jordânia, o melhor é tentar reservar junto de algum guia reputado com licença para fazer tours dentro da reserva natural. Por incrível que pareça isto é para garantir que quer a visita, quer o acampamento se fazem mesmo dentro da reserva do Wadi Rum.

Os “operadores” turísticos de Petra e Aqaba não têm licença para organizar viagens na zona protegida do Wadi Rum, por isso o que acontece aos turistas mais desprevenidos, que chegam a estes locais sem nada marcado e pretendem seguir para o deserto do Wadi Rum, é que acabam por ser levados por beduínos auto-intitulados “organizadores de viagens de aventura no deserto” para Disseh, a Norte/Este da reserva natural.
Este é um local muito popular entre estes “guias beduínos” porque é “quase igual” ao Wadi Rum e ao ser fora da zona protegida eles não precisam de licença para os seus acampamentos.
Para além disso estes “guias” encaixam logo os 5JDI (=5€) de entrada na zona protegida, que dizem estar incluído no preço que combinam com os turistas.
Os passeios de jipe nesta zona também incluem nascentes de água, paisagens dramáticas, dunas vermelhas, pinturas “rupestres”... mas não são o verdadeiro Wadi Rum.
O que acaba por acontecer é que muitos visitantes ao deixarem esta zona de paisagens fantásticas, nem se apercebem que não visitaram o verdadeiro Wadi Rum.

Outro factor suspeito é quando o preço é especialmente baixo pois os preços na zona protegida estão mais ou menos tabelados e não são nada humildes: 25 JDI (=25€) para acampar com jantar e pequeno almoço incluído, 40 JDI para passeios de jipe de 4h... tudo por pessoa...

Mas como em tudo, seguir o livro à risca também pode não ser a melhor opção. Cada vez mais os visitantes do Wadi Rum se queixam da descaracterização do local, que agora mais parece um playground para pessoas de outras nacionalidades, e que aos seus verdadeiros habitantes, os beduínos nómadas, nem vê-los.
E a ideia do acampamento para turistas parece ter-se instalado em detrimento daquela do chá no deserto com o anfitrião a contar histórias sobre a sua vida de nómada...

Para algumas pessoas, a zona de Disseh até começa a surgir no spotlight como a alternativa ao Wadi Rum, pela sua autenticidade e -por vezes- exclusividade, perfeito para quem gosta de quebrar regras.

27 de janeiro de 2011

Jordânia – primeiras nota$


Preocupámo-nos ainda menos com a planificação da parte da viagem na Jordânia do que com a parte egípcia.
Primeiro, é um país infinitamente mais pequeno que o Egipto, com 350km de Norte a Sul. Não seria necessário prever o “como ir” de um sítio para o outro, com tudo tão perto e ainda por cima sem tempo para nos afastarmos dos percursos mais turísticos.
Segundo, provavelmente seria tudo barato, muito mais barato do que no Egipto que é um dos países mais turísticos do mundo.

Resumindo, a nossa equação era:
Jordânia = Egipto + pequeno - turístico, ou seja, Jordânia = + fácil + barato.
Mais uma vez, não podíamos estar + enganados.
Pois há outro factor que costuma ser determinante nestas equações... a concorrência.

Na realidade, praticamente não há transportes públicos na Jordânia. Os que existem não têm horário fixo (só partem mesmo quando estão cheios, se partirem de todo). Depois, a Jordânia até é um país barato, mas só em tudo aquilo que não está relacionado com o turismo...
Por isso a primeira surpresa jordana, logo à saída da fronteira, foi o preço que começámos a pagar pelas nossas deslocações, neste caso de taxi.

A verdade é que a sensação de viajar à aventura de mochila às costas na Jordânia não é comparável àquela que se vive nalguns países da América Latina e muito menos nos países de turismo backpacker massificado do Sudeste Asiático, onde as possibilidades de mobilidade são virtualmente ilimitadas, baratas e principalmente... testadas.

Mas a sensação de viajar assim (na Jordânia ou noutra parte do mundo) é sempre melhor do que a de qualquer outro modo de viajar.

26 de janeiro de 2011

Crossing Borders

26-Outubro-2010

Para chegar à Jordânia, tínhamos o plano de apanhar o barco rápido que sai de Nuweiba (1h a Norte de Dahab) directamente para Aqaba.
Isto para evitar as previsíveis complicações fronteiriças ao andar a saltar de país muçulmano (Egipto) para país judeu (Israel), para país muçulmano (Jordânia) que certamente aconteceriam se fossemos por terra.
Mas nós não percebíamos nada disto.

Em Dahab garantem-nos que indo por Israel é mais rápido. Que chegamos a Aqaba antes do ferry sair de Nuweiba.
E para além de mais rápido... muito mais barato. Fazemos as contas e a taxa de saída de Israel (uns avultados 25 USD/pessoa para quem só permanecerá no país uns meros 25 minutos) não chega aos calcanhares dos bilhetes do catamaran Nuweiba-Aqaba (70 USD/pessoa).

Já para não falar nos horários de saída dos ferrys egípcios, que segundo nos informaram, na melhor das hipótese chegariam a Aqaba já ao anoitecer...

E na realidade as complicações nestas fronteiras não existem... ou melhor, não existem para nós europeus e no sentido Taba (Egipto) – Eilat (Israel) – Aqaba (Jordânia).
O sentido contrário seria simplesmente impossível.
Isto porque a maioria dos países muçulmanos não reconhece a existência de Israel e assim é negada a passagem para o Egipto, Síria e Líbano a quem tiver um carimbo de Israel no passaporte...
Mas com a Jordânia é diferente.

Assim, seguimos a sugestão de quem percebe disto e de manhã apanhamos um mini-bus directo para a fronteira em Taba. No caminho apercebemo-nos da beleza do Golfo de Aqaba de um modo mais cru que em Dahab, sem construções, apenas umas palhotas à beira mar e um mar azul turquesa de pensarmos que estamos no paraíso... mesmo com as montanhas da Arábia Saudita a perscrutar o horizonte além mar.



Em Taba, a saída do Egipto faz-se calmamente. Perguntam-nos se estamos a pensar voltar ao Egipto, pois um carimbo de “saída do Egipto” em Taba (a única fronteira aberta entre estes 2 países) é exactamente igual a um carimbo de “entrada em Israel” em Eilat... e para o Egipto não existe aqui nenhuma fronteira, por isso não podem existir carimbos.
Com essa pergunta percebemos que costumam facilitar a vida às pessoas que viajam nestes países, num sentido e no outro, carimbando uma folha à parte e não o passaporte, àqueles que pretendem voltar. O viajante é que deverá estar atento e solicitá-lo.
O mesmo se passa à chegada a Israel.

Reparamos na diferença assombrosa entre os 2 países, a escassos metros de distância. Em Israel é tudo super desenvolvido e muito menos empoeirado.
Somos todos revistados, uns mais do que outros, e os de aparência “árabe” são marcados com uma etiqueta especial, mesmo na posse de passaporte europeu.

Em 5 minutos atravessamos Eilat, de taxi, até à ponte Itsaac Rabin, na fronteira com a Jordânia e mais uma vez os resorts, os hotéis com dezenas de andares e os restaurantes franchisados que não víamos desde a nossa saída da Europa, contrastaram abruptamente com o Egipto desértico ali ao lado.

Apesar de esta ser uma fronteira popular para day trips a Petra, não há ninguém aqui. Pagamos a taxa de saída de Israel e atravessamos a ponte a pé.
Estamos na Jordânia.

E o catamaran ainda em Nuweiba...

25 de janeiro de 2011

finding Nemo @ Dahab

25-Outubro-2010

Dahab é um local super ventoso (ou pelo menos nestes dias estava bastante), mas mesmo ventoso como em dia de tempestade!

E apesar de ser um local cheio de boa vibração, pensámos que o vento nos iria arruinar as ideias de fazer snorkeling e preguiçar calmamente junto à praia.


Mas não.
Segundo nos explicaram, existem sempre spots bons para snorkeling que não são afectados pelo vento.
E foi para lá que fomos.
Arranjámos um motorista para nos levar ao Blue Hole, a norte de Dahab (35 EGP, 4.5€) e a 3 Pools, a Sul (50 EGP, 6.25€).

Somos praticamente as primeiras pessoas a chegar ao famoso Blue Hole onde já tantos mergulhadores experientes perderam a vida ao tentar encontrar a passagem para o mar aberto que fica a 60m de profundidade... mas nós não somos experientes e só viemos fazer snorkeling.

Está uma ventania desgraçada, mar picado e pensamos que se entrarmos na água vamos ser atirados contra as rochas!
Mas depois vemos velhotas com toucas às flores e mães com crianças, a pegarem nas barbatanas e a entrarem mar adentro...
Por isso deve ser seguro!

Quando pomos a máscara e olhamos para dentro da água, tudo muda.
É como se o mundo (e o mar picado) como o vemos cá fora deixasse de ter qualquer tipo de interesse.
É absolutamente fantástico. A água é límpida e vemos os corais coloridos, peixes de todos os tamanhos, feitios e cores que por ali barbatanam indiferentes à nossa presença.

Tenho muita pena de não ter uma máquina fotográfica à prova de água, por isso deixo aqui algumas fotos que encontrei na internet daquilo que vimos deste paraíso subaquático.






Sim... é mesmo assim.
E felizmente, desta vez consegui manter-me afastada de tubarões...

21 de janeiro de 2011

sweet Dahab

24-Outubro-2010

Dahab é um sítio para aproveitar o melhor da vida.
Vem descrito no Rough Guide como uma espécie de “Goa by the Red Sea”.

Dahab está entre Sharm El-Sheik e Nuweiba, dois grandes resorts egípcios do mar vermelho, onde desembocam os charters de turistas vindos da Europa à procura de um lugar ao sol.
Mas de algum modo conseguiu manter-se relativamente intocado pelo turismo de massas e é um local com muito boa vibração.



Ficamos aqui mesmo no centro da vila onde tudo se passa.... as escolas de mergulho, os restaurantes, os bares... tudo o que faz Dahab fervilhar.

Mas hoje foi dia de dolce fare niente, com os olhos postos no pôr do sol...


20 de janeiro de 2011

Bus ride from Hell

23-Outubro-2010

O autocarro para Dahab é pontual, mas a viagem ficou muito longe de durar apenas as 12h previstas.
VINTE HORAS durou a viagem de autocarro entre Luxor e Dahab.



E porque é que fomos de autocarro para Dahab?... Quem olha para o mapa percebe instantaneamente que perfeito seria atravessar de barco, de Hurghada para Sharm El-Sheik....
Mas como viemos a perceber agora e mais tarde também, o serviço de ferrys egípcios é para inglês ver.

Apesar desta opção vir sempre listada em todos os sites, guias e pontos de informação que consultámos, ouvíamos frequentemente que “o barco está parado para remodelações”, “o barco funciona bem mas só em alguns dias da semana”, “o barco não funciona bem e em dias de vento não sai do porto”, etc...

Por isso, e mais uma vez devido ao facto de não termos tempo a perder... decidimos atravessar para a península do Sinai, no canal do Suez, de autocarro, ou seja, ir dar a volta ao bilhar grande.

E no pior autocarro de viagens de longo curso onde já andei. Ar condicionado ora gelado ora a ferver, bancos pouco reclináveis e duros, impossível de dormir... sem tempo para comer mesmo com as imensas paragens de 15 minutos que não davam para nada a não ser para fumar cigarros, enfim...

Já mencionei que foram VINTE HORAS DE AUTOCARRO?




Pelo caminho um furo no pneu... onde comecei a tentar ver as coisas pelo lado positivo: “Ao menos está Lua cheia..." e há quanto tempo não olhava para a Lua Cheia...

Mas quando infinitamente depois de sairmos de Luxor, chegamos finalmente ao rebuliço do resort de Sharm El-Sheik, ainda a 1h de Dahab, heis que sai toda a gente do autocarro, excepto nós e outros 4 backpackers...

Ainda não tinha chegado, mas já tinha a certeza que ia gostar.

Karnak

23-Outubro-2010

Hoje é o dia de visitar Karnak! O maior complexo de templos alguma vez construído no Egipto.
Tenho muita expectativa em ver os seus corredores de colunas enormes e infinitas.
E são mesmo imensas e espectaculares...




Mas acabamos por compreender, e perdoem-me a heresia, que esta vida de visitar templo sim, templo sim com 40ºC à sombra não é assim muito divertida.
Epah, não é!

E se para mim já é difícil, não posso deixar de pensar naquelas pessoas de mais idade que visitam estes locais (a grande maioria de visitantes) e que por ali se arrastam com imensa dificuldade como se as férias de repente fossem uma espécie de penitência.

Porque não é só o calor, são os magotes e magotes de turistas à nossa volta e o assédio constante aos que parecem mais endinheirados, etc...
Tudo o que pode na realidade irritar uma pessoa e estragar uma viagem... E vimos muita gente irritada!

“E não foram ao Vale dos Reis?” –Não. “Nem ao túmulo do Tutankamon e da Hatshepsut?” –Também não.
As férias não são uma check list de coisas que temos que ver.
Obrigado, mas não, Obrigado...


Por isso, alegremente admitimos que Karnak, em toda a sua inegável grandeza, foi a nossa gota de água.
Não era tarde nem cedo... Decidimos nessa mesma tarde rumar a outras paragens... a vantagem maravilhosa de viajar independentemente...

Estava na hora de largar a rota dos templos e o 1º passo foi comprar um bilhete de autocarro para “dali pra fora”.