20 de maio de 2016

terra do fogo


Sempre achei estranho chamarem Terra do Fogo à terra que está mais próxima do Pólo Sul. Parecia-me um contra-senso, uma incoerência.

O que se passa é que os indígenas desta terra andavam com pouca roupa. Mesmo numa zona de clima tão frio e áspero eles optavam por andar despidos porque depois de uma chuvada, algo que é bastante frequente nestas paragens, demoravam muito mais tempo a secar e a aquecer-se se estivessem vestidos.

Eram, assim, muito adeptos de fogueiras. As mesmas fogueiras que Magalhães avistou na margem Sul do Estreito quando o navegou em 1520 e que deram origem ao nome da Terra do Fogo.


A Terra do Fogo é um arquipélago, separado do continente sul americano e da Patagónia pelo estreito de Magalhães. Este arquipélago tem uma Ilha Grande e outras ilhas mais pequenas e está dividido entre a Argentina e o Chile por uma fronteira desenhada a régua e esquadro desde o Estreito de Magalhães até ao Canal Beagle. 


Dizem que a Terra do Fogo com os seus lagos, montanhas nevadas e florestas densas é o Alaska na sua “versão hemisfério Sul”.

No Inverno as montanhas são muito procuradas para desportos de inverno e no Verão as hipóteses de camping + trekking no Parque Nacional da Terra do Fogo são infinitas. 

Os visitantes têm contacto muito próximo com a flora e fauna local, para além de poderem desfrutar de paisagens inesquecíveis e contemplar a natureza no seu melhor. 
Será muito provável conseguir avistar uma raposa vermelha, ver muitas barragens construídas por castores, ou visitar centros de treino de cães tipo Husky, que puxam trenós no Inverno.


Mas também há outra coisa que a Terra do Fogo tem em comum com o Alaska e que faz as maravilhas de numerosos papa-léguas espalhados pelo mundo.

A icónica estrada Panamericana. 
A estrada que percorre todo o continente americano de Norte a Sul, ao longo de mais de 25.000 km, começa em Prudhoe Bay, no Alaska e termina em Ushuaia, a maior cidade da Terra do Fogo, nas margens do Canal Beagle. 

É para lá que vamos. 

18 de maio de 2016

magalhães

Deixamos Puerto Natales de autocarro numa longa viagem que nos levará até à cidade argentina de Ushuaia. Para lá chegar, atravessamos a província chilena denominada “de Magallanes y de la Antartida Chilena”. 
Deixamos os Andes para trás e por algumas horas voltamos à árida estepe patagónica.



Não posso deixar de me orgulhar quando percebo que muitas coisas no Chile, no outro lado do mundo, herdaram o nome de Fernão de Magalhães, provavelmente o maior explorador de todos os tempos, um português.
Esta região, várias espécies de animais e claro, o Estreito que o nosso navegador atravessou em 1520, herdaram o seu nome.


Na altura, o talento e a coragem de partir à descoberta eram portugueses mas o capital que financiou a sua expedição foi, como se sabe, espanhol.
Portugal foi forreta, mas também havia toda uma outra questão “burocrática” relacionada com o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, que dividia as terras "descobertas e por descobrir" entre Portugal e Espanha. Portugal não podia simplesmente navegar para onde quisesse em direcção ao infinito. A descoberta de novas terras no mundo, ainda pouco conhecido, para lá das 370 léguas a Oeste de Cabo Verde já não estava na ordem de trabalhos de Portugal, agora pertencia a Espanha.

Assim, Magalhães pôs-se ao serviço de Espanha com o objectivo de chegar às Molucas, navegando para Ocidente, por mares não reservados aos portugueses e tentando provar que as tão disputadas Ilhas das Especiarias, talvez estivessem na metade do mundo espanhola.

Depois da travessia do Atlântico e de várias tentativas em vários rios e baías sul americanas, Magalhães navega o estreito entre a terra de gigantes a quem chamou de patagões, a Norte, e a terra onde se avistavam inúmeras fogueiras indígenas, a Sul. 
Magalhães baptiza assim a Patagónia e a Terra do Fogo, mas não se fica por aqui. 
Ao chegar a um novo oceano, calmo e sereno, quando comparado à agitação e ventania suportadas ao atravessar o estreito, Magalhães chama-lhe Pacífico.


Notei que há um certo orgulho chileno no nome Magalhães. Em Punta Arenas ergueram-lhe uma estátua num monumento e construíram uma réplica da Nau Victoria, a única da sua expedição que regressou a Espanha (a primeira nau a circum-navegar a Terra).

Nas Filipinas, que foram descobertas pela expedição de Magalhães e onde ele acabaria por morrer depois de atravessar o Pacífico e provar que a circum-navegação à Terra era possível, também encontrámos muitas referências e monumentos ao navegador.

Mas eu, confesso que só depois de voltar desta viagem reparei que a estátua que está no centro da Praça do Chile, em Lisboa, é o Fernão de Magalhães. 
Mais tarde, após alguma pesquisa, aprendi com surpresa, que é uma estátua gémea da que está em Punta Arenas, que é do mesmo escultor e que foi oferecida pelo governo do Chile a Portugal. 

Gostava que o gabássemos assim no nosso país. 
A ele e aos outros que, como ele, partiram em direcção ao desconhecido.



Não há vento quando atravessamos o Estreito de Magalhães. 
É uma travessia calma num ferry pouco dado a poesias. 
Mas há pelo menos 2 portugueses a navegar as mesmas águas que um tal Fernão de Magalhães, português, navegou antes de todos os outros.



16 de maio de 2016

puerto natales

Puerto Natales fica a 2h de distância da entrada do Parque Nacional das Torres del Paine, por isso é a base de operações perfeita para organizar caminhadas, definir itinerários, comprar mantimentos, deixar mochilas.

Apesar de ser uma modesta cidade portuária, Puerto Natales floresceu como meca do trek alimentando-se do turismo de aventura. No entanto, com as suas casas revestidas a alumínio, pequenas pensões com flores à janela e restaurantes estilo “casa da avó” ainda não perdeu o charme rural endémico da Patagónia.

Puerto Natales situa-se na margem da baía Última Esperanza com uma vista infinita sobre o braço de mar a Oeste e sobre as montanhas dos Andes, que nos oferece uma calmante sensação de ponto final, de fim de estrada.

E é realmente assim. 
Puerto Natales está naquela latitude onde quase todo o território do Chile é fragmentado, composto por fiordes, ilhotas, montanhas que mergulham no mar, canais e golfos, de onde desaparecem as estradas e onde é muito mais fácil continuar de barco. É em Puerto Natales que termina a fantástica navegação de 4 dias desde Puerto Montt ao longo de praticamente toda a Patagónia Chilena.

Depois dos 4 dias de trek nas Torres del Paine, chegamos então a esta antiga vila piscatória virada para o mar que nos é estranhamente familiar. Seja onde fôr, sentimo-nos sempre em casa com um pôr do sol no mar. 
Aproveitamos para relaxar, permitindo-nos os pequenos luxos de saborear uma boa refeição, tomar um banho quente, dormir numa cama, enfim, chill out in chile.



13 de maio de 2016

torres del paine #6: lago pehoe


No último dia de caminhada nas Torres del Paine saímos da alçada dos Cuernos e do Paine Grande. Com a distância que colocamos entre nós conseguimos pô-los em perspectiva.

E é uma perspectiva ainda mais espectacular, naqueles momentos raros em que não existe vento, com o reflexo das montanhas no lago.





Caminhamos em direcção ao Lago Pehoé, que atravessaremos de barco, de volta à “civilização”.

Enquanto esperamos pelo barco, juntam-se vários caminhantes que descansam sentados em cima das próprias mochilas enquanto vão partilhando as suas aventuras nos trilhos. Contam o que viram, que percursos fizeram, como estava o tempo, como passaram as noites, como a água era fresca.

Quando o barco chega, saem outros tantos cheios de energia, uns mais efusivos perguntam “How was it?”, outros mais contidos apenas sorriem, mas todos estão inquietos para começar e para saber o que estaremos a sentir, para além de cansaço.



No barco, os passageiros acumulam-se no deck. Toda a gente quer despedir-se deste sítio encantado, único e capaz de surpreender em cada minuto. 
O vento faz com que as nuvens rasem o topo dos maciços gigantes e ao mesmo tempo emaranha-me o cabelo à medida que me vou afastando.

Ainda que haja toda uma explicação científica magmático-sedimentar para a formação destas montanhas recortadas, não consigo enxotar o sentimento de que talvez também tenham surgido por magia.


11 de maio de 2016

torres del paine #5: paine grande


O dia amanhece solarengo no Refúgio Los Cuernos.
Isto torna impossível de descrever a intensidade dos azuis e verdes do Lago Nordenskjold e da vegetação que o rodeia.

Caminhamos junto à margem do Lago com os olhos postos ora no reflexo que a trégua do vento permite, ora na montanha do Paine Grande e nos seus glaciares suspensos sobre o Vale Francês.

De vez em quando ouve-se o som de trovão que sucede os colossais desabamentos de massas de gelo e que acompanha as avalanches que se seguem.




Perto do Camp Italiano atravessamos o Rio del Francês que por ali corre em tumulto. As pontes suspensas que vamos encontrando parecem ser algo improvisadas, há vários sinais que advertem para que só atravessem 2 pessoas de cada vez. 

Entretanto o rio corre forte e ensurdecedor.
As árvores são gigantes com ramos torcidos pelo vento. 



Ao fim da tarde olho para o céu enquanto o Sol lhe pega fogo.
Sinto-me perfeitamente insignificante perante a magnitude da Natureza.
E muito feliz por estar aqui.



9 de maio de 2016

torres del paine #4: los cuernos


Depois de uma aurora nublada na lagoa azul-turquesa das Torres del Paine, seguimos caminho em direcção ao Refúgio Los Cuernos onde será o próximo acampamento. 
É uma caminhada de perto de 16km que nos levará umas 6h, mas não temos pressa. 
A vida de caminhante é simples e as preocupações são básicas: água, abrigo, comida.

Uma parte do caminho já o tínhamos percorrido no dia anterior, mas depois de passarmos pelo Refúgio Chileno rapidamente chegamos ao atalho que nos leva ao trilho que contorna o Cerro Almirante Nieto e acompanha o belíssimo Lago Nordenskjold em direcção a Los Cuernos. 



A margem deste Lago presenteia-nos com um dos trilhos mais bonitos que já percorri. A maior parte do percurso é a descer por isso, apesar de longa, é uma caminhada muito tranquila onde vou aproveitando para me habituar à cor da água que me parece sempre tão surreal.

Qualquer pretexto é bom para parar, tirar fotografias e ficar simplesmente a apreciar a paisagem.





À medida que nos aproximamos do final começam a revelar-se os Cuernos, as outras formações rochosas ex-libris do Parque Nacional. São fáceis de distinguir por causa da sua coloração clara com os topos escuros. 

O Refúgio tem uma localização privilegiada, com uma bela vista para o lago. Acampamos no parque de campismo e jantamos no Refúgio onde se juntam muitos caminhantes de diferentes nacionalidades, com uma coisa em comum: foi um grande dia de caminhada para todos.




6 de maio de 2016

torres del paine #3: las torres

Acordamos de madrugada a ouvir o riacho que passa no meio das árvores que abrigam o Camp Torres.
Não somos os únicos. Muita gente se prepara para a última parte da caminhada que nos coloca frente a frente com as maravilhosas Torres del Paine.

A cereja no topo deste bolo são os primeiros 10 minutos de Sol que pintam as paredes das Torres de vermelho, por isso esta caminhada é feita ainda de noite.
Deixamos as mochilas na tenda, enchemos o cantil no riacho, pego na máquina fotográfica e partimos para a caminhada de aproximadamente 1h sempre a subir num trilho rochoso.

À medida que vamos subindo, percebemos que não se vêem estrelas, e eu vou pensando que de céu nublado, o mais certo é não encontrarmos uma paisagem de cores muito vivas.

Mas a Patagónia é uma terra de surpresas.



Uma viagem à Patagónia será sempre uma viagem pautada por sensações fortes.
Primeiro, a paisagem soberba, claro, para isso uma imagem valerá sempre mais que mil palavras. Depois a percepção que temos dos nossos limites, da nossa resistência física e o choque ao percebermos que afinal aguentamos tão mais e precisamos de tão menos do que pensávamos. Por fim, os momentos, as experiências, também elas imponentes. Na Patagónia não só fui constantemente relembrada de que a Natureza está muito viva e a pulsar de energia, mas também eu me senti inexplicavelmente muito viva.

Quanto às cores, mesmo de céu nublado, mesmo sem paredes vermelhas, nunca vi um azul-turquesa tão vivo como o daquela lagoa.
E as Torres, são tal como sempre as imaginei, maravilhosas.


3 de maio de 2016

torres del paine #2: vale do rio ascencio

O primeiro dia de caminhada nas Torres del Paine reserva-nos a subida ao Camp Torres, situado na base do trilho que dá acesso ao miradouro das Torres del Paine.

Este percurso divide-se facilmente em duas partes: 2h até ao Refúgio Chileno + 2h até ao Camp Torres. É hora de almoço por isso estamos a tempo de lá chegar ainda de dia, mesmo com as mochilas.

A ideia inicial era deixar parte da nossa bagagem em algum lado, de modo a aliviar a carga durante as caminhadas. No entanto, o único local onde voltaríamos mais tarde, o escritório da CONAF, na Laguna Amarga, que marca a entrada/saída do Parque e onde os autocarros param para os visitantes comprarem os bilhetes de entrada, não oferece esse serviço. Por isso, para a frente é que é o caminho.

E neste caso, para cima também.
A caminhada começa de frente para o Cerro Almirante Nieto. Vamos subindo devagar, parando várias vezes para descansar e apreciar a paisagem e eu vou pensando que se há algum sítio onde devemos caminhar sempre a olhar para a frente e também para trás, é aqui. A paisagem é incrível, para onde quer que nos viremos.



Em alguns pontos o caminho bifurca dividindo-se entre o trilho para caminhantes e o trilho para cavalos. Todos os mantimentos que abastecem o Refúgio Chileno são transportados na garupa de cavalos que fazem este percurso várias vezes por dia.

No final da primeira grande subida somos recompensados pela vista do Vale do Rio Ascencio e suas montanhas envolventes. 



Mais à frente, no Refúgio Chileno, aproveitamos para fazer uma pausa e para absorvermos o ambiente de descontracção entre caminhantes. Este é o Refúgio mais próximo do miradouro das Torres del Paine, por isso é muito concorrido.



Depois continuamos atravessando uma floresta de lengas, as árvores típicas da Patagónia onde conseguimos avistar um huemul, uma espécie de veado, que está em extinção, natural da região andina sul e um dos animais icónicos do Chile (a par do condor).

Estamos sem dúvida num local ímpar no que diz respeito ao contacto com a Natureza.



Dados (aproximados): distância: 9km | duração: 4h00 | desnível total: 500m(up)  

27 de abril de 2016

torres del paine #1: trekking world



As histórias sobre a Patagónia evocam invariavelmente paisagens de tirar o fôlego e para isso contribui, em larga escala, o Parque Nacional das Torres del Paine, no Sul da Patagónia Chilena, uma zona do mundo de terreno desafiador onde a estepe encontra os Andes imediatamente antes de estes mergulharem abruptamente no Pacífico.

Depois de uma longa viagem desde El Calafate, que inclui a travessia da fronteira da Argentina para o Chile, chegamos finalmente à Laguna Amarga onde somos recebidos por uma simpática manada de guanacos a petiscar arbustos à beira da lagoa.

É impossível não vibrar de emoção à medida que nos vamos aproximando do Parque Nacional, que culmina no momento em que avistamos ao longe as Torres gigantescas erguendo-se verticalmente do maciço montanhoso.




A Laguna Amarga é a zona de entrada no Parque onde compramos o bilhete e aguardamos por um transfer que nos leve para o sector Las Torres onde vamos iniciar a nossa caminhada. Enquanto esperamos, vemos muitas pessoas de pés descalços, a relaxar na relva verde, recostadas sobre as próprias mochilas. Provavelmenre acabaram de chegar das suas caminhadas e aguardam pelo próximo autocarro de volta a Puerto Natales. Mal podemos esperar para saber o que estarão a sentir, para além de cansaço. Para já, ainda só sabemos que estamos a chegar a uma daquelas zonas que aparecem sempre no top 10 de qualquer ranking de trekkings do mundo.

A caminhada mais procurada das redondezas é o “Circuito W” que se faz em 4-5 dias e nos leva às melhores vistas do Parque. Estas vistas incluem lagoas azul-turquesa, glaciares colossais e montanhas recortadas, formidáveis. Quem tem mais tempo aproveita para fazer o “Circuito Completo” que para além dessas vistas circunda todo o maciço Paine e demora 8-10 dias.


As noites podem ser passadas em refúgios ou parques de campismo, que são geridos por 2 entidades: Fantastico Sur (ex: Chileno, Cuernos) e Vértice Patagónia (ex: Grey, Paine Grande). Os acampamentos into the wild, que são as zonas onde é permitido o acampamento dito “selvagem”, grátis e por isso básico, são geridos pela CONAF a entidade responsável pela conservação do Parque (ex: camp Torres e camp Italiano).

É preciso considerar que as caminhadas nas Torres del Paine são muito mais movimentadas do que as caminhadas em El Chalten, ou seja, os refúgios mais solicitados esgotam com semanas de antecedência e até para acampar em alguns parques de campismo (seja nos que existem junto aos refúgios, ou nos acampamentos into the wild) poderá ser necessário reservar.

Tal como em El Chalten, optamos por acampar, em nome da aventura, do back to basics, da flexibilidade do itinerário e da boa saúde do porquinho mealheiro. Os refúgios, para além de concorridos, são muito caros.

Para caminhar nas Torres del Paine não é necessário guia, os trilhos são fáceis de seguir e estão todos muito bem sinalizados.
No entanto, é preciso dizer, algumas caminhadas não são extremamente acessíveis. Algumas partes do trekking são literalmente longe de tudo, no meio da Natureza, com recursos limitados, onde a comida, água, etc, chega em caravanas de cavalos, ou às costas de porters e onde a estrada mais próxima poderá estar a mais do que um dia a pé de distância. 

A dificuldade das caminhadas é um assunto muito relativo que para além do estado de “fitness” do caminhante, dependerá, naturalmente, do clima e do peso da mochila.
No meu caso, não sendo uma pessoa especialmente “fit”, e tendo que carregar uma mochila de 12kg, confesso que no início talvez não estivesse muito optimista, mas no final dos 4 dias concluí, orgulhosamente, que tudo é possível.

“If you really want to do something, you’ll find a way. 
If you don’t, you’ll find an excuse”.
Jim Rohn