talvez tenha ficado hipnotizada
28 de outubro de 2016
24 de outubro de 2016
zermatt [e o matterhorn]
A curta viagem de comboio que nos leva de Tasch
a Zermatt, na Suíça, é uma viagem feita em grande alvoroço e expectativa. Este
é o último troço do mítico Glacier Express que faz a ligação entre duas das
estâncias de ski mais conhecidas do país, St Moritz e Zermatt. E depois deste
troço final ficamos cara a cara com aquele que é provavelmente o mais fabuloso
ícone dos Alpes Suíços.
Os passageiros colam-se aos vidros das enormes
janelas panorâmicas na esperança de “o” ver, mas só quando desembarcamos na
vila é que "ele" surge sozinho no horizonte da cidade, com as suas formas bonitas e
aguçadas, o Matterhorn, uma montanha que é escusado tentar descrever, é simplesmente perfeita.
Depois de chegarmos a Zermatt, o Matterhorn nunca mais
desaparece, é como um maravilhoso emplastro a perscrutar o horizonte, que tem que
caber em todas as fotografias, enquadramentos e perspectivas.
Vemo-lo e ficamos hipnotizados. De repente torna-se impossível desviar o olhar.
Vemo-lo e ficamos hipnotizados. De repente torna-se impossível desviar o olhar.
Zermatt é uma vila de montanha muito exclusiva, procurada
pelo ski, escalada e caminhadas. Na sua rua principal misturam-se alpinistas profissionais,
snowboarders, jet-setters, grupos de turistas e backpackers.
É uma vila que mantém uma traça quase medieval
com uma arquitectura castiça de casas de madeira e flores à janela.
Não existem carros na cidade, por isso anda-se
a pé ou em veículos eléctricos que fazem o transfer
de pessoas entre a estação de comboio, hotéis e teleféricos, a pouco mais de
1km de distância.
É difícil escolher o que fazer em Zermatt: são quilómetros
de pistas de ski nos glaciares, mesmo no Verão, é o Gornergrat-Bahn, um comboio de bitola
estreita que sobe até Gornergrat e aos seus panoramas magníficos para as
montanhas, são os sunrises em Rothorn, um
dos pontos mais espectaculares para ver aqueles primeiros raios de Sol a
incidir no Matterhorn, e os vários teleféricos que nos levam para locais onde as hipóteses
de caminhadas são infinitas.
É difícil escolher, mas para nós acabou por ser uma dificuldade relativa, porque a
montanha com o seu magnetismo faz-nos imediatamente tender para a caminhada
que nos leva para mais perto, em direcção ao seu “base camp”, o Hornlihutte.
Esta caminhada começa depois de uma viagem de
teleférico até Schwarzsee e leva aproximadamente 2h em direcção ao refúgio que
serve de base aos alpinistas que pretendem conquistar o cume da montanha.
O refúgio, chamado Hornlihutte, está a meio da
encosta norte do Matterhorn, e para lá chegar o caminho é por vezes íngreme e bastante
inclinado.
Para além de podermos olhar mais de perto para
a montanha, as vistas para os vales vizinhos, glaciares na fronteira com Itália e outros cumes como o Monte Rosa, também são maravilhosas.
O Hornlihutte foi recentemente reabilitado e na prática é um refúgio de luxo que oferece todas as comodidades aos seus hóspedes e visitantes. Quando
chegamos encontramos um terraço encantador, com vistas deslumbrantes
em dia de céu azul, perfeito para um merecido descanso.
O trilho até ao refúgio, apesar de não ter nada que enganar (é sempre a subir), está muito bem assinalado. O melhor é ir o mais cedo possível
para evitar as horas de maior afluência mas principalmente para conseguir as melhores
vistas do pico. O Matterhorn é conhecido pela sua nuvem residente que costuma
aparecer antes da hora do almoço e vai aumentando ao longo do dia.
Outra caminhada muito popular em Zermatt é a
caminhada das 5 Lagoas, que tem início em Rothorn. Este trilho passa por 5
lagoas fotogénicas: Stellisee, Grindjisee, Grünsee, Moosjisee e Leisee. Em dias de pouco
vento é possível ver o reflexo da montanha nas lagoas e, no Verão, quem sabe dar um
mergulho.
Mas o que mais gostei foi da sensação de fazer parte desta paisagem.
19 de outubro de 2016
lavaux [vinorama]
Na roadtrip
que nos levou dos lagos às montanhas dos Alpes, percorremos a margem Norte do Lago
Léman, também conhecido por Lago de Genebra, na fronteira de França com a Suíça.
No troço entre Lausanne e Montreaux, descobrimos
uma das estradas mais panorâmicas da viagem, conhecida por “vinorama”, que
atravessa a região vinícola de Lavaux.
Nestas encostas viradas a Sul cultiva-se o
vinho em socalcos há centenas, senão milhares de anos, e esta paisagem vinícola (tal como as portuguesas do Douro ou da ilha do Pico) é património da Unesco.
17 de outubro de 2016
lake to mountain [to sea]: itinerary
(click para aumentar)
Quem não gosta de dar mergulhos num bom mar azul
cristalino? Eu sei que gosto! Também gosto de explorar grandes cidades e os seus museus, adoro descobrir
pequenas vilas românticas, e confesso que tenho um fraquinho por ruínas
romanas.
Mas já percebi que as minhas andanças também têm que incluir o que chamo de "componente alpina", ou seja, tenho sempre que ir dar uma volta às montanhas e na prática, é onde prefiro passar a maior parte do tempo.
Mas já percebi que as minhas andanças também têm que incluir o que chamo de "componente alpina", ou seja, tenho sempre que ir dar uma volta às montanhas e na prática, é onde prefiro passar a maior parte do tempo.
Dito isto, apesar de já ter andado em montanhas mais ou menos longínquas, nos últimos tempos comecei a perguntar a mim própria porque é que ainda
não dei quase nenhuma oportunidade às montanhas europeias.
Já estava mais que na hora de juntar os Alpes à minha “componente alpina”.
Já estava mais que na hora de juntar os Alpes à minha “componente alpina”.
Este foi o ponto de partida para delinear uma viagem que
serpenteasse entre os lagos e as montanhas dos Alpes, uma lake to mountain roadtrip capaz de nos levar:
- a conhecer alguns lugares encantadores como Zermatt, a vila suíça que convive de perto com a silhueta permanente do Matterhorn, uma das montanhas mais bonitas do mundo;
- a descobrir a região dos românticos lagos italianos (Orta, Maggiore, Como e Garda);
- a fazer caminhadas e vias ferratas nas Dolomites, as montanhas brancas de uma região fronteiriça por excelência, que é o Alto Adige/Sud Tirol italiano;
- a revisitar as maravilhas históricas e arquitectónicas de Veneza;
- e ainda a terminar com duas pit stops, uma para um mergulho no Mediterrâneo em Génova e outra para piscar o olho a uma ruína romana muito especial no Sul de França.
Este era o plano inicial. E era um bom plano.
Mas um
nevão relativamente precoce e inesperado, no meio de Setembro e no meio das
Dolomites, enfiou-nos a via ferrata no saco, mudou-nos os planos e
acabámos por estender esta roadtrip ao mar Adrático e à península da
Istria na Croácia.
Não é isto
o mais fantástico de viajar na Europa? Quaisquer 100km de distância são capazes
de nos mudar totalmente o cenário, as pessoas, a língua, a moeda, a cultura e,
neste caso, também o clima. Viajar no Velho Continente é sempre ganho!
Aqui fica o itinerário desta roadtrip do Lago à Montanha |e ao Mar|:
1
Voo. Lisboa
– Lyon (França)
Car. Lyon -
Tasch (Suiça) (350km / 4h30)
Train. Tasch
- Zermatt
2
Zermatt
Trek. Materhorn
Trek. Rothorn
3
Train. Zermatt – Tasch
Car. Tasch
– Cannobio (Lago Maggiore) (200km / 4h00)
via Orta San Giulio (Lago Orta)
4
Car. Cannobio – Lenno (100km / 2h00)
via Locarno, Lugano
Villa Balbianello
5
Boat. Lago Como. Bellagio. Varenna
Car. Lenno – Bergamo (100km / 2h30)
6
Car. Bergamo – Cortina D’Ampezzo (360km / 5h30)
via Riva del Garda (Lago Garda)
7
Trek. Dolomiti di Sesto. ½ Loop 3 Cime de
Lavaredo
via-ferrata Monte Paterno
Rifugio Locatelli
8
Trek. ½ Loop 3 Cime de Lavaredo
Trek. Alta Badia
9
Galeria Lagazuoi
via-ferrata Cengia Martini
Car. Cortina D’Ampezzo – Pula (Croacia) (360km
/ 4h00)
10
Pula
Car. Pula – Rovinj (35km / 0h40)
Rovinj
11
Car. Rovinj - Veneza (250km / 2h30)
Veneza
12
Veneza
13
Car. Veneza – Genova (400km / 4h00)
14
Car. Genova – Uzes (450km / 5h00) via Monaco
Uzès
15
Uzès market.
Pont du Gard
Car. Uzès – Lyon (200km / 2h00)
Voo. Lyon – Lisboa
4 de outubro de 2016
dia mundial dos animais
Chile
Nepal
Argentina
Marrocos
Açores, Portugal
Bolívia
Índia
Tibete
Espanha
Portugal
Estados Unidos
29 de setembro de 2016
vilas espanholas [bem castiças]
Uma das coisas mais espectaculares de Espanha é estar mesmo ao lado de
Portugal. Quero dizer, como está tão perto somos uns sortudos por em qualquer par
de dias ou fim-de-semana prolongado, podermos dar uma saltada a um dos países
que mais viajantes move à volta do mundo.
Explorar o território dos nuestros
hermanos, (re)descobrir a história que nos une e que nos separa, encontrar outros
costumes, aproveitar a gastronomia (porque a ideia de que se come mal em
Espanha já era) e descobrir vilas castiças.
Ronda | Andalucia
Uma vila de montanha na província de Málaga, com fortes raízes mouriscas
e conhecida por se localizar à beira de um desfiladeiro vencido pela icónica
Puente Nueva, uma extraordinária obra de engenharia dos anos 1750’s.
Pontevedra | Galicia
Pontevedra tem um ambiente medieval que ganha todo um novo significado durante
a Feira Franca, na primeira semana de Setembro, quando toda a cidade e os seus
habitantes parecem regressar 500 anos no tempo, para comemorar as trocas
comerciais tax free implementadas pelo Rei Henrique IV em 1467.
Trujillo | Extremadura
Trujillo desenvolveu-se principalmente na época dos Conquistadores do
tempo da descoberta das Américas. Como cidade natal de Francisco Pizarro (conquistador
do Peru e fundador de Lima) beneficiou do ouro proveniente da América Latina e
isso é visível nos seus palácios charmosos.
Xátiva | Valencia
Xátiva tem um castelo ultra-fotogénico e foi onde nasceu o controverso Papa
(Bórgia) Alexandre VI. Xátiva teve o seu momento mais negro quando o Rei Filipe
V mandou incendiar a cidade e por isso o retrato do Rei aparece pendurado de
cabeça para baixo, ainda hoje, num dos museus da cidade.
Zahara de la Sierra | Andalucia
Esta é uma das vilas mais pitorescas dos Pueblos Blancos da Andalucia,
na Sierra de Grazelema, e foi apelidada de “Moorish Eagle’s Nest” graças às
vistas imbatíveis desde o seu castelo.
Almagro | Castilla-La Mancha
Almagro tem uma Plaza Mayor única em Espanha, após a remodelação
arquitectónica levada a cabo por uma família de banqueiros alemães nos séc. XVI
e XVII. Inspirados nos edifícios da época na Europa Central redecoraram a praça
colocando janelas de madeira pintadas de verde em todas as varandas.
Mérida | Extremadura
Mérida foi fundada pelos Romanos no séc. I AC e os seus vestígios estão
bem presentes na vida da cidade, do Teatro à Ponte aos templos e mosaicos.
Mérida é um museu ao ar livre pertíssimo de Portugal.
Mérida é um museu ao ar livre pertíssimo de Portugal.
Setenil de las Bodegas |
Andalucia
O principal atractivo deste Pueblo Blanco é a originalidade do emaranhado
de ruas em grande declive desde o castelo adaptando-se ao percurso do rio e a
singularidade das construções debaixo das rochas.
Bulnes | Asturias
Bulnes é a vila mais isolada dos Picos da Europa onde só é possível
chegar de funicular ou depois de caminhadas ultra-recomendáveis e panorâmicas.
Cáceres | Extremadura
Cáceres sempre esteve nas rotas político-comerciais desde a antiguidade.
Vários povos pré-romanos ocuparam a sua localização original seguidos pelos
romanos, árabes, judeus e cristãos, pessoas de culturas diferentes que moldaram a cidade de um modo visível na
arquitectura e história.
Capileira | Andalucia
Capileira situa-se no desfiladeiro o Rio Poqueira, na região das
Alpujarras, perto de Granada e da Sierra Nevada. A região das Alpujarras é
conhecida por ter sido o último reduto dos mouros na Península Ibérica e é o sítio perfeito para estar em contacto com a natureza.
Vámonos!
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