6 de dezembro de 2016

trento [color mode]


Trento situa-se no vale do Rio de Adige, na região autónoma de Trentino - Alto Adige / Sudtirol, em Itália, e abriu-nos as portas a uma das regiões fronteiriças mais interessantes que visitei nos últimos tempos.

Ainda que não existam dúvidas que estamos em Itália, Trento tem um ambiente muito austríaco: a sobremesa mais procurada é o apfelstrudel, não faltam sítios para apreciar boa cerveja e o alemão é amplamente falado.

Trento também é uma cidade universitária, vemos estudantes sentados nos degraus dos palacetes a bebericar os seus spritzs enquanto vamos fugindo por entre os pingos da chuva, apreciando os frescos medievais coloridos que caracterizam as fachadas e que são a imagem de marca da cidade.





5 de dezembro de 2016

bergamo [citá alta]


Escolhemos Bergamo para fazer uma pit stop a caminho das montanhas Dolomites. Bergamo está apenas a 50 km de Milão mas é uma cidade onde já encontramos todo um novo ambiente, próprio de quem se encaminha para as montanhas, mesmo a propósito.

Começa por se dividir em Bergamo Bassa, onde está o centro da cidade moderna, os edifícios do séc XIX em diante, o trânsito, a confusão, e Bergamo Alta, a minha preferida, 100 m acima, onde a confusão é outra, uma confusão de edifícios medievais de vários andares, apinhados ao longo de ruas calcetadas praticamente pedonais, onde é possível chegar a pé ou de funicular.

O funicular chega à Piazza Mercato delle Scarpe de onde sai a rua principal de Bergamo Alta, a Via Gombito que passa a ser Via Colleoni após a Piazza Vecchia e segue a linha do antigo decúmano romano.

Bergamo Alta foi construída sobre as linhas romanas, mas é a presença dos venezianos, e a sua influência ao longo de mais de 350 anos, que mais se faz notar um pouco por toda a cidade, principalmente nas fachadas que ostentam porta sim, porta não, o Leão de Veneza, símbolo da antiga República.


Um dos grandes highlights da cidade é a Basílica Santa Maria Maggiore, na Piazza del Duomo, um maravilhoso exemplo de uma obra em contínuo progresso ao longo de mais de 500 anos, desde a sua fundação no séc XII.

Entramos na basílica atravessando o pórtico de Giovanni Campione, do séc XIV, com colunas de mármore de várias cores suportadas por imperturbáveis leões, e no seu interior apreciamos várias cenas da bíblia pintadas ao estilo do séc XVII.




  


Nunca planeei visitar Bergamo. Não é, à partida, a primeira cidade que surge quando pensamos numa visita a Itália. Mas descobri em Bergamo Alta um dos mais belos centros urbanos do norte do país, uma mistura de austeridade medieval com a Renascença, ruas para andar sem rumo em ritmo descontraído, belíssimos restaurantes, exposições de arte, onde cada recanto é melhor que o outro.

Mais uma prova de que as melhores surpresas acontecem quando menos se espera.


10 de novembro de 2016

lago di como [lenno, menaggio, varenna e bellagio]

Vou ser sincera: adoro um bom cliché. Por isso não foi preciso muito para a romântica que há em mim começar a borbulhar de excitação à medida que nos fomos aproximando das margens do Lago di Como, a jóia da coroa dos lagos italianos.

É verdade que este é o lago que recebe a maior parte dos visitantes desta região, em busca do ambiente cinematográfico emprestado pelas celebridades, mas mesmo assim, foi possível encontrar os recantos encantadores que lhe dão a reputação de epítome do romantismo italiano à beira lago. 



A forma do Lago di Como assemelha-se a um ‘Y’ invertido e as suas cidades principais, Lecco e Como, situam-se nas extremidades a Sul dos 2 braços inferiores. 

Saltámos as cidades principais e optámos por basear-nos na zona de confluência dos 3 braços de lago, o Centro Lago, onde se destacam localidades com características especiais: Lenno e Tremezzo com as suas maravilhosas villas neo-clássicas, Menaggio com a sua localização perfeita, Varenna e Bellagio para os românticos mais incuráveis. 

Percorremos uma das estradas mais pitorescas da Europa, num ziguezaguear onírico ao longo de margens cercadas de vegetação abundante, pontuadas por flores e jardins sumptuosos. Mas uma vez estabelecidos, descobrimos que o melhor meio de transporte para aproveitar o Lago di Como é, de longe, o barco.




Em Tremezzo encontramos uma das villas mais famosas do Lago, a Villa Carlotta, pelos seus jardins dispostos em terraços onde é fácil perder a noção do tempo.
É muito mais interessante ver estas casas, que nos fazem lembrar de outros tempos mais glamourosos, navegando no lago.





Em Ossucio existe uma abadia Românica, dedicada a Santa Maria Maddalenna, do séc. XII, que despertou a minha curiosidade pela sua singularidade. 

Pequenas marinas para atracar barquinhos são uma constante, assim como passagens junto ao lago que convidam a mergulhos. Em frente a Ossucio está a misteriosa Isola Comacina, a única ilha do Lago di Como.





Em Lenno, a maravilhosa Villa Balbianello, a minha preferida, pela sua localização genial na ponta de uma península arborizada onde só chegamos depois de 1h de caminhada, ou de barco.

Na loggia panorâmica, as vistas para o Lago são deslumbrantes. O esplendor do jardim, o cheiro das flores e do pinheiro mediterrânico, o clima ameno e o enquadramento da arquitectura na Natureza brindam este local com uma atmosfera única. É difícil não me imaginar num cenário de filme. Adivinham qual?










Menaggio, a meio da margem Oeste do Lago di Como, usufrui de uma localização privilegiada desde os tempos dos romanos. Nessa altura, fazia parte da Via Regina, a estrada real, que ligava Cremona a Milão por antigos caminhos usados por marinheiros, soldados e comerciantes, ao longo da margem do Lago.

O coração da vila é a Piazza Garibaldi com os seus edifícios do séc. XIX pintados de cores suaves, pequenas lojas de artesãos a vender produtos locais, restaurantes, cafés, e a elegante promenade junto ao lago abrigada pela sombra das árvores e salpicada de flores.







Existem muitos barcos que ligam Menaggio a Varenna, na margem Este, uma das vilas mais pitorescas do Lago onde parece que o tempo parou.
Depois de desembarcar no pequeno porto, caminhamos ao longo do Lago apreciando as casas coloridas que se amontoam colina acima. 
Destaca-se o campanário de Igreja San Giorgio e, no topo da colina, o Castello di Vezio, uma fortaleza construída numa espectacular posição de vantagem táctica perante ataques de inimigos. 

Varenna também é conhecida pelas suas villas centenárias, a Villa Monastero, um antigo mosteiro que hoje é um jardim botânico com muitas espécies de plantas raras e a Villa Cipressi que hoje é um luxuoso hotel.

Na Piazza San Giorgio, o centro de Varenna, encontramos a Igreja de San Giorgio, e a capela de San Giovanni Battista, do séc. XI, um dos edifícios mais antigos do Lago Como.









Diz-se que nenhuma visita ao Lago di Como estará completa sem passar por Bellagio, conhecida como a “pérola do lago”. 

Bellagio localiza-se num promontório mesmo no centro do Lago, na convergência dos seus três braços, e por isso desfruta da mais abrangente e luminosa vista sobre as águas. Mas as ruas estreitas e íngremes que nos levam para o interior da vila também são muito especiais.










Lago di Como, foste o local perfeito para superar todas as expectativas desta romântica incurável, por ali perdida nas ruelas de gelado na mão. 

Um delicioso cliché.