28 de dezembro de 2016

badia

A Alta Via 1 desenvolve-se sensivelmente ao longo das cumeadas das montanhas entre Dobiacco e Belluno mas pontualmente desce aos vales e cruza estradas e caminhos que possibilitam a “entrada” ou “saída” àqueles que pretenderem percorrer só uma parte do percurso.

No nosso caso, juntar-nos-íamos à Alta Via 1 em Fanes, a partir de Badia, depois do trilho que nos levaria ao topo da Forcella de Medesc (2591 m).

No entanto, o nevão dessa manhã, que sentimos junto às montanhas de Tre Cime di Lavaredo, tornou alguns caminhos intransponíveis por isso optamos por diminuir a altitude das nossas andanças e ficamo-nos pelo vale de Badia.

Não podia ser um local mais pitoresco.


Badia é uma vila tranquila que mantem o seu charme rural, é conhecida por albergar uma das maiores comunidades Ladin do Sudtirol, por preservar o seu idioma, a sua cultura e organização baseada em políticas de auto-suficiência, as suas tradições de harmonia entre pessoas e natureza e por ser uma verdadeira preciosidade no que diz respeito à arquitectura agrícola alpina.  








19 de dezembro de 2016

lago di braies


O Lago di Braies é um lago muito fotogénico junto à cidade de Dobbiaco, dentro do Parque Natural Fanes - Sennes - Braies.

Fica no sopé da parede de rocha Croda del Becco que se eleva majestosamente centenas de metros à frente das águas serenas cor de esmeralda.

Este é o ponto de partida da Alta Via 1, a caminhada clássica das Dolomites, que inicia neste ponto e durante 10 dias percorre as montanhas até ao Monte Schiara perto de Belluno. 



16 de dezembro de 2016

dolomiti di sesto [tre cime di lavaredo]


O Parque Nacional das Dolomites de Sesto é um dos locais imperdíveis numa visita às Dolomites. A sua singularidade deve-se não somente à esplêndida paisagem mas também ao seu valor cultural e histórico pois foi neste local que aconteceram importantes batalhas entre a artilharia italiana e austríaca durante a 1ª Guerra Mundial. 

Hoje, é impressionante pensar em que condições teriam aqui chegado ambos os exércitos, sem trilhos definidos, sem qualquer ajuda mecânica e como terá sido difícil passar o inverno a esta altitude sem abrigo. Pensei nisso várias vezes enquanto subia o Monte Paterno de mochila às costas e quando, no dia seguinte, regressámos a pé debaixo de um nevão como até ali nunca tinha experimentado. 


Mas começando pelo princípio, de manhã cedo chegamos ao Rifugio Auronzo (2320 m) onde deixamos o carro. A estrada de Misurina até ao refúgio é uma estrada muito panorâmica que está aberta de Maio a Outubro e é necessário pagar uma portagem para percorrê-la.

Do Rifugio Auronzo seguimos o sentiero 101 que segue sempre muito plano junto à base dos 3 Picos. Este trilho é na prática um estradão usado por jipes que levam mantimentos ao Rifugio Lavaredo (2345 m) onde chegamos 45 min depois. O céu está nublado mas as vistas são maravilhosas.


Para subir à Forcella Lavaredo (2445 m) seguimos por um trilho bastante inclinado e ao longe avistamos pela primeira vez o Rifugio Locatelli onde passaremos a noite.



Existem várias opções, relativamente rápidas, para chegar ao refúgio, no entanto escolhemos a via ferrata Innerkofler, um dos percursos mais evocativos do complexo das Dolomites de Sesto, que através de um sistema de túneis e trincheiras de guerra atravessa grande parte do maciço do Monte Paterno.

As galerias vão-se sucedendo. No seu interior existem algumas “janelas” laterais que permitem a entrada da luz e oferecem vistas muito sugestivas para o exterior. O tecto é muito baixo e as janelas muito espaçadas por isso é fundamental levar capacete e lanterna.  





O troço final da via ferrata, que nos leva ao topo do Monte Paterno (2746 m), é praticamente vertical mas está bem equipada com cabos de aço que ajudam à progressão. Do topo vemos a imponente muralha dos Tre Cime di Lavaredo por entre as nuvens, Património Natural Mundial da UNESCO. É um bom local para sentar e aproveitar a vista.

Dali para a frente seria sempre a descer.


Descer uma via ferrata é muito mais complicado do que subir, principalmente com mochila, e às vezes é preciso parar um pouco para ganhar coragem e analisar a melhor maneira de encarar a descida. Mas apesar de termos encontrado várias pessoas, com mais e menos experiência, de várias nacionalidades e idades, nunca notei impaciências, vontades de ultrapassar, nem o contrário. Sempre foram todos muito corteses e reina o espírito de entre-ajuda. Isso é o mais importante para evitar acidentes.



Chegamos ao Rifugio Locatelli, ou Dreizinnenhütte, (2405 m) na parte da tarde.
O refúgio é um edifício de 3 andares em que no piso térreo se encontra a recepção, um bar e um restaurante/cantina e nos pisos superiores vários quartos de várias tipologias, desde os duplos e triplos mais privados até aos dormitórios tipo enfermaria, com vários corredores de beliches duplos, tantos quantos couberem dentro da divisão.


Ao jantar os hóspedes são agrupados nas várias mesas da cantina e segue-se um festim de iguarias como nunca encontrei nem imaginei encontrar num refúgio de montanha: desde o cesto de vários pães, a sopa ou pasta que por si só já era uma refeição inteira, seguida do prato de carne ou peixe à escolha e da sobremesa, café ou chá. Será suficiente dizer que depois todos tivemos que rebolar em direcção aos dormitórios.

Partilhámos mesa com um casal de americanos nos seus 20 e muitos, e com uma dupla muito interessante de pai-filho alemães. O pai, que já passava dos 80 anos, não falava inglês e como nós infelizmente não falamos alemão, muito menos os americanos, o filho fez o favor de ir traduzindo as suas histórias ao longo da noite. Contava-nos, entre outras coisas, da sua paixão por montanhas e como o Rifugio Locatelli estava diferente da primeira vez que lá tinha estado, há 50 anos atrás.





Os refúgios de montanha têm sempre características acolhedoras, mas nunca tinha estado num tão confortável. 
Nem com esta vista.


No dia seguinte as montanhas de Tre Cime di Lavaredo estavam literalmente irreconhecíveis e o Rifugio Locatelli de repente localizava-se num cenário totalmente branco de neve e nevoeiro.

Depois do pequeno-almoço delicioso e reconfortante, entre ter que libertar o lugar no dormitório (esgotadíssimo) e ver as condições meteorológicas a degradar-se a cada 10 minutos que passavam, vestimos os impermeáveis e decidimos pôr-nos a caminho.

Não foi possível seguir pelo caminho mais longo inicialmente pensado e a possibilidade de escorregar fez com que cada passo custasse muito mais a dar que no dia anterior. Foi um bom exemplo de como as condições climatéricas condicionam a nossa experiência na montanha.




Também foi uma daquelas experiências que "formam o carácter".

Quando chegámos ao Rifugio Auronzo, 1h30 depois, de pés ensopados e com os impermeáveis começando a ceder, percebemos que não estávamos equipados para estas intempéries.


Mas mais tarde, de volta ao lago Misurina, olho para trás e penso: "Cada vez gosto mais disto”. 
Só posso estar a ficar maluca.


14 de dezembro de 2016

dolomites [via ferrata e alta via]

Os Alpes são conhecidos pelas suas oportunidades espectaculares de contacto com a Natureza. 

A par de outras caminhadas de notoriedade mundial como o Caminho Inca (Peru), o trek para o Base Camp do Everest (Nepal), o W nas Torres del Paine (Chile) ou o trilho dos Apalaches (EUA), os caminhos de montanha dos Alpes fazem os entusiastas do outdoor atravessar continentes para percorrê-los. 

De entre os passeios de um dia até às grandes caminhadas de semanas, como a icónica Tour du Mont Blanc, a Haute Route que liga Chamonix a Zermatt ou as Altas Vias nas Dolomites, foi difícil escolher. 

Mas por fim decidimos deixar a enorme popularidade do Mont Blanc para outra altura e depois de uma breve paragem em Zermatt para conhecer o Matterhorn, escolhemos as Dolomites para a maior parte das caminhadas desta incursão aos Alpes. 



Esta escolha também foi motivada pelo facto de as Dolomites serem a zona que alberga maior concentração de vias ferratas do mundo.

Uma via ferrata (klettersteig em alemão) é um percurso que se encontra equipado com elementos de protecção que facilitam a progressão e ajudam à segurança do montanhista, como por exemplo, pontes suspensas, escadas, cabos e varões de aço que servem de degraus. Durante a 1ª Guerra Mudial, os soldados italianos prepararam as vertentes destas montanhas deste modo para que as tropas se pudessem movimentar mais rapidamente pelo terreno acidentado. Ou seja, as vias ferratas das Dolomites para além de possibilitarem o acesso a zonas muito remotas são também vias com elevada importância histórica.

A primeira vez que ouvi falar em via ferrata foi quando percorri o Caminito del Rey, em Espanha, antes da sua reabilitação. Nessa altura o caminho apresentava vários troços perigosos e foi necessário percorrer todo o Caminito com equipamento específico que incluía um arnês sempre ligado a uma linha de vida, que fazia desse percurso uma via ferrata.


Nas Dolomites existem vias ferratas de todas as dificuldades, desde as fáceis em que só é necessário caminhar em caminhos relativamente estreitos às mais difíceis que envolvem maior ganho vertical, maior exposição, domínio de técnicas de escalada ou que requerem bastante força e equilíbrio. O mais importante é não ter vertigens.

Existem vias ferratas tipo “one way” em que depois é preciso voltar ao ponto de partida pelo mesmo caminho ou por outro alternativo, e as que servem para ligar trilhos relativamente isolados e assim encurtam distâncias nas caminhadas rifugio-to-rifugio.

As principais caminhadas nas Dolomites são as Altas Vias, itinerários pedonais que atravessam as montanhas de Norte para Sul. Existem 8 Altas Vias, a mais popular é a Alta Via 1 entre Dobbiaco no Norte e Belluno no Sul, com aproximadamente 120 km de cenário espectacular, percorrido em altitudes médias/altas, normalmente em 10 dias.


É proibido acampar ao longo da Alta Via mas, para além dos hotéis nos vales, existe uma ampla rede de refúgios de montanha ao longo do percurso.

Os refúgios podem ser básicos com dormitórios comunitários, wc exterior e refeições à base do prato de esparguete para todos os hóspedes, ou praticamente de luxo, em que oferecem quartos privados, com água quente, refeições completas com entrada, prato principal, sobremesa e café. Muitos deles têm ainda abrigos que podem acolher pessoas extra no caso da lotação estar esgotada, em dias de mau tempo ou se alguém aparecer inesperadamente já de noite. Todos devem ser reservados com bastante antecedência, no pico do Verão, e todos estão localizados em sítios espectaculares.

Para caminhar nas Dolomites é melhor ir preparado com um mapa topográfico com os percursos marcados e um guia que descreva o percurso, alternativas e possíveis “fugas”.


Relativamente à carga na mochila e ao equipamento necessário, para além da habitual roupa em camadas que nos proteja do frio e da chuva (mesmo no Verão), apesar de não ser necessário levar tenda nem muita comida, quem pretender atravessar uma via ferrata (que não é obrigatório na AV1, mas é muito recomendável) deve contar com o peso/espaço extra para o capacete, arnês e “kit via ferrata”.

Neste caso, ao considerar combinar troços de caminhada com troços de via ferrata, deve apostar em sapatos de caminhada que sejam um bom compromisso entre conforto, protecção e flexibilidade, em vez do habitual par de botas pesadas de trekking. 
E levar luvas sem dedos que protejam a mão da fricção dos cabos de aço mas que deixem os dedos livres e sensíveis para manusear mais facilmente os mosquetões.

A Alta Via 1 das Dolomites desenvolve-se resumidamente entre os 2000 e os 2800 m de altitude, por isso a melhor época para caminhar é entre Julho e Setembro. É um curto período que se impõe por motivos meteorológicos com neves que se prolongam até tarde (Junho) nas zonas mais altas e que podem ser precoces (Setembro) deixando os caminhos intransitáveis. Mesmo no Verão é possível que ocorram nevões fora de tempo que não são nada de especial mas demoram 1 ou 2 dias a derreter.


Com o passar do tempo tenho vindo a descobrir que há poucas coisas que me dêem tanta satisfação nas férias como uma caminhada de vários dias. Somos nós e a Natureza e as preocupações primordiais: abrigo, comida, um pé à frente do outro e aproveitar a vista.

11 de dezembro de 2016

[as minhas] 10 montanhas

Há qualquer coisa que nos torna mais humildes junto às montanhas.
Apesar de já praticamente todos os cumes de todas as montanhas do mundo terem sido conquistados, elas mantém sempre uma certa indomabilidade, algo que nos lembra de como somos apenas uma pequena parte da paisagem.
Seja para escalar ou para ficar hipnotizado só a olhar para elas, cá estão aquelas que são para mim as montanhas mais espectaculares do mundo.

10. Huayna Pichu | Peru
O Huayna Pichu, nos Andes, está sempre envolto num misticismo muito próprio, seja pelas omnipresentes brumas a balouçar à sua volta, seja por se situar junto às mais famosas e misteriosas ruínas do império Inca.
Não é uma montanha difícil de subir (para isso ajudam os intermináveis sets de degraus) mas é preciso ter em conta que só o podem fazer um número limitado de pessoas por dia.


9. Grand Teton| USA
As montanhas Teton fazem parte da cordilheira das Montanhas Rochosas que se estende desde o Alaska ao Mexico. Esta zona de montanhas, vales, lagos, rios e céus infinitos alberga uma grande diversidade de vida selvagem.


8. Parinacota | Chile
O vulcão Parinacota é um dos vulcões mais fotogénicos que já vi. Junto com o seu gémeo, Pomerape, situa-se no Parque Nacional Lauca, no Chile, junto à fronteira com a Bolívia. Não parece, mas tem 6348m de altitude. É que para olhar para ele já é preciso estar aclimatizado aos 4500m do Altiplano.


7. Tre Cime di Lavaredo | Itália
Os três picos de Lavaredo são os picos mais famosos das Dolomites de Sesto, nos Alpes italianos. Esta é uma zona fronteiriça por excelência que foi palco de grandes confrontos durante a 1ª Guerra Mundial. O mais alto dos 3 picos tem perto de 3000m de altitude.


6. Licancabur | Bolívia - Chile
Por falar em zonas fronteiriças, o vulcão Licancabur, marca a fronteira entre o Chile e a Bolívia. Visto do Chile este vulcão domina a paisagem maravilhosamente árida e vermelha do Vale da Lua, no deserto de Atacama, mas a minha perspectiva preferida fica do lado da Bolívia, junto à Lagoa Verde.


5. Machapuchare | Nepal 
Mais conhecido por “Fish Tail” devido à sua forma espectacular, o Machapuchare localiza-se junto aos Annapurnas, a poucas dezenas de quilómetros de Pokhara, no Nepal. Esta é uma montanha sagrada dedicada ao deus Shiva, e como tal, é talvez a única montanha dos Himalaias que nunca foi escalada.


4. Matterhorn | Suiça
Uma das montanhas mais míticas de sempreo Matterhorn, com as suas formas trigonométricas perfeitas, tornou-se símbolo dos Alpes. 
É muito procurado por todo o tipo de amantes de montanhas e é uma das montanhas mais fotografadas do mundo.


3. Fitz Roy | Argentina
Perto de El Chalten, na Patagónia Argentina, encontramos o Pico FitzRoy
O Cerro Chaltén, como é conhecido localmente, é uma “montanha fumegante” que se incendeia todas as manhãs. Muitas vezes é difícil apreciá-lo devido à meteorologia imprevisível e instável da Patagónia. Mas vale muito a pena tentar.


2. Everest | Tibete - Nepal
A montanha mais alta do mundo é também a mais hipnótica, chamando a si, todos os anos, muitos alpinistas com o intuito de lhe conquistar o cume.
No Nepal chamam-lhe Sagarmatha, no Tibete é Chomolungma, o Everest é a Mãe de todas as Montanhas e a vista da sua North Face é, de certeza, uma das vistas mais imponentes do planeta Terra.


1. Pico | Açores, Portugal
Ande lá eu por onde andar, este Pico no meio do Atlântico, com o seu cheirinho a mar e com as suas mudanças de humor, ora alegre nos primeiros raios de sol, ora fechado no meio das nuvens, tem lugar cativo no topo desta lista e é a (minha) montanha mais bonita do mundo.


7 de dezembro de 2016

sudtirol [italy or not italy]

Na estrada que nos leva para Norte em direcção às montanhas Dolomites apercebo-me, finalmente, que o ambiente austríaco que se sente nas províncias de Trentino e Sudtirol vai muito mais além do que uma simples proximidade de fronteiras: afinal toda esta zona pertencia ao Império Austro-Húngaro e só há menos de 100 anos atrás foi anexada a Itália. 

Falamos de uma influência cultural que se estendeu durante mil anos e que no século XX, simplesmente, mudou.
Mas terá mudado?


Depois do choque inicial ao verificar o quão resumido é o meu conhecimento da história da Europa, fui pesquisar mais um pouco e descobri, uma vez mais, como as zonas fronteiriças e as suas gentes são sempre tão fascinantes.

Existem várias regiões autónomas com estatuto especial em Itália. Foram criadas por factores geográficos e com o intuito de proteger minorias culturais e linguísticas. São o caso das ilhas da Sardegna e Sicília e das regiões alpinas de Valle d’Aosta, Friuli-Venezia Giulia e Trentino Alto Adige – Sudtirol. 

Durante a 1ª Guerra Mundial toda a zona alpina foi palco de grandes conflitos, principalmente nas montanhas Dolomites, entre os kaiserjager austríacos e os alpini italianos, para quem era de extrema importância estratégica o controlo das montanhas. As montanhas ditavam o acesso ao Mediterrâneo.
Assim, como um incentivo à participação na Guerra contra as Potências Centrais (Alemanha, Áustria, Hungria), os Aliados prometeram a Itália o território a sul dos Alpes. Esse território abrir-lhes-ia portas à apetecível hegemonia do Mediterrâneo.


Quem ganhou a 1ª Guerra, isso eu já sabia.

Os pactos pós-conflito que desmantelaram o império austro-húngaro, dividiram parte do território da Áustria como um espólio de guerra, incluindo a região do Tirol, cuja metade a Sul dos Alpes, tal como prometido, passou a pertencer a Itália, e a designar-se por Sudtirol. Estávamos em 1919.

O que se seguiu foi um período de "italianização" extrema da população local, levado a cabo por Mussolini, que incluiu a proibição dos meios de comunicação alemães, o ensino de alemão nas escolas, baniu nomes de família e a cultura alemã no geral.

Posteriormente, Mussolini e Hitler combinaram que a população de língua alemã deveria ser realojada na Alemanha e muitos deles só com grandes dificuldades conseguiram regressar à sua terra natal que, contra a vontade do governo austríaco, continuou a pertencer a Itália, após a 2ª Guerra Mundial.

Também sei quem ganhou a 2ª Guerra.

Os Aliados voltaram a decidir o destino desta província que se manteria dentro das fronteiras de Itália, desde que fossem reconhecidos direitos à comunidade de origem austríaca.
Mas a chegada de grandes vagas de imigrantes italianos nos anos 50 levou ao aumento da tensão na região que culminou em ataques terroristas por parte de separatistas neo-nazis e transformou a questão do sudtirol numa questão de importância internacional.

Apenas nos anos 70 se chegou a um acordo bilateral austro-italiano capaz de agradar a ambas as partes, que passou por conceder maior autonomia da região dentro de Itália e que tem sido considerado um modelo político capaz de resolver disputas inter-étnicas e de proteger minorias linguísticas.


Num pensamento simplificado, quando saí de casa, achei que vinha "conhecer as montanhas italianas", mas esta viagem acabou por se transformar em algo bem mais abrangente que isso. As montanhas são sempre zonas geo-políticas muito interessantes.