6 de janeiro de 2017

porec [istria bizantina]


À medida que vamos subindo a costa da península da Ístria os resorts vão tomando conta do mar e torna-se cada vez mais difícil acedê-lo para o casual mergulho.

Mas antes do nosso próximo poiso, queria parar no centro de Porec para visitar a Basílica Eufrasiana, do sec. VI, património da Unesco e um dos mais bem preservados exemplos de arte bizantina da Europa, que milagrosamente conseguiu sobreviver aos bombardeamentos Aliados da 2ª Guerra Mundial que destruíram 75% dos edifícios da cidade.

Adorei ver os seus mosaicos dourados, um maravilhoso prenúncio do que ainda estava por vir.






5 de janeiro de 2017

rovinj [istria veneziana]


Rovinj veio acrescentar à minha definição de “felicidade à beira-mar”.
Mantém-se como um dos últimos verdadeiros portos medievais mediterrânicos, onde a influência veneziana é a mais perceptível de toda a península.

No centro histórico da cidade, que antigamente era uma ilha, encontramos as ruas emaranhadas revestidas a pedra polida, casas que se fundem e piazzas elegantes, exposições de artistas, restaurantes e bares em cima do mar, mercados de produtos locais, trufas, espargos e peixe abastecido por pescadores a cada manhã.

Rovinj tem um arquipélago de ilhas a explorar em estadias mais prolongadas, uma baía pitoresca cheia de barquinhos e aquele sunset digno de postal.

















Rovinj apanhou-me na curva e eu apaixonei-me. 

4 de janeiro de 2017

pula [istria romana]


Acho que podemos dizer que foram os Romanos a colocar Pula no mapa. Percebemos isso mal chegamos à cidade ao darmos de caras com o impressionante anfiteatro romano, construído no séc. I.

É uma estrutura enorme e verdadeiramente magnífica construída com o intuito de albergar as tradicionais competições de gladiadores e uma assistência de até 20000 espectadores. É conhecido localmente por Arena e é a principal atracção da cidade, mas é acompanhada por arcos triunfais, templos, mosaicos e outros adereços característicos do status de importante centro comercial imperial.





Pula surge virada para o mar mais como uma cidade portuária com os típicos “vai e vem” de barcos comerciais e as respectivas movimentações de gruas e contentores. Mas tem um centro histórico cheio de recantos e detalhes que me fez lembrar porque gosto tanto de visitar a Croácia.








3 de janeiro de 2017

istria [by the sea]

Uma das coisas mais espectaculares de viajar na Europa é o sem número de possibilidades que existem praticamente ao virar de cada esquina. Como portuguesa, por viver neste cantinho à beira do Atlântico, ainda me consigo surpreender com isto.

Então, depois de enfiarmos as vias ferratas no saco, saímos da alçada das montanhas e descemos até ao mar Adriático e à península da Ístria, na Croácia, uma península em forma de coração mesmo a sul de Trieste. Para lá chegar atravessamos 2 fronteiras (Eslovénia e Croácia), algo ainda perfeitamente indolor numa Europa global.

Eu já tinha estado na Croácia de outras vezes, mas noutras zonas, então na verdade, não fazia ideia do que nos esperava na Ístria, só sabia que existia um anfiteatro romano em Pula, e como tenho um fraquinho por ruínas romanas, pareceu o sítio certo para começar. 
Assim, sem mapa, sem internet e sem saber o nome das cidades, fomos seguindo as direcções “Pula/Pola” e ao final da tarde já tínhamos trocado os apfelstrudels do Sudtirol pelos bureks da Croácia.



Como viemos a perceber, a península da Ístria é outra zona marcada por avanços e recuos fronteiriços, com um legado cultural vasto e complexo. Desde os Romanos, que transformaram Pula num importante centro urbano, à enorme influência Veneziana na Idade Média, Austríaca que passou a Italiana depois da 1ª Guerra Mundial, e por fim Jugoslava.

A costa oeste da Ístria é a zona mais desenvolvida da península e está repleta de resorts que tornam o acesso ao mar por vezes desafiador, mas também encontrámos locais históricos maravilhosos como a Basílica Eufrasiana de Porec, um antigo porto veneziano muito romântico em Rovinjrecantos deliciosos e peixe fresquíssimo, tudo borrifado por uma maresia salgada que nos relembrou que ainda estávamos no Verão e nos fez matar as ubíquas saudades do mar.







Stay tunned.

30 de dezembro de 2016

lagazuoi

Algumas das caminhadas mais emocionantes e exigentes da Alta Via 1, situam-se perto do Passo Falzarego, outra zona de enorme interesse histórico devido à presença de importantes vestígios de batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Aqui se fixaram as primeiras vias ferratas de Itália que ajudaram os soldados a movimentar-se com segurança e mais rapidamente pelas montanhas quase verticais do Monte Lagazuoi (2750 m).
Este é o ponto mais alto do percurso da Alta Via 1, de onde é possível aproveitar panorâmicas maravilhosas de perder de vista.

Estava muito entusiasmada com a hipótese de explorar este local e o que sonhei com as vistas do terraço do Refúgio Lagazuoi, reservado para essa noite.
Mas, como sempre, a montanha é que manda e quando chegamos ao Refúgio, depois de apanhar o teleférico desde o Passo Falzarego, as vistas até se iam revezando com os nevoeiros, mas todos os trilhos estavam debaixo de neve.

Excepto um: a famosa Galleria Lagazuoi, um túnel de guerra escavado na rocha, que atravessa a montanha de alto a baixo pelo seu interior.




A caminhada até à entrada da galeria é uma experiência excepcional, pela paisagem em que se insere (que fomos apreciando nuvem sim, nuvem não) e pelas suas características que nos permitem ter uma ideia das dificuldades extremas em que operavam os soldados de ambos os exércitos.

As cicatrizes das batalhas que aqui aconteceram há 100 anos (entre 1915 e 1917) ainda são reconhecíveis, tais como trincheiras, esconderijos, arame farpado e outras relíquias da Primeira Guerra Mundial que podem ser encontradas junto aos troços originais da via ferrata.




Entramos na galeria atravessando uma porta de madeira no topo de uma escarpa que aparentemente não leva a lado nenhum e lentamente vamos descendo os 650m de desnível até ao Passo Falzarego. 
Ao longo da descida encontramos as habituais janelas de snipers, divisões para armazenamento de mantimentos, abrigos e várias ramificações do túnel principal. 






Com o adensar do nevoeiro na via ferrata de Cengia Martini, a paisagem desaparece, e nós damos a mão à palmatória: decidimos cancelar os refúgios marcados, descer à cota zero e apontar agulhas para o Adriático. 

Mas deixamos as Dolomites, já a pensar em agendar um regresso.