Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

World Most Dangerous Road

24-Setembro-2009

O ponto de encontro é sempre o mesmo: Café Alexander, Av.Prado, 7:00.
Aos poucos junta-se um grupo de algo como 30 estrangeiros que se preparam para aquela que é vendida como a aventura mais wild da Bolívia: a descida do alto de La Cumbre a 4800m até Coroico a 1200m, pela antiga estrada do Yungas, mais vulgarmente conhecida como a Estrada Mais Perigosa do Mundo.
Escolhemos a agência Gravity Assisted Mountain Biking sediada em La Paz, simplesmente porque é a melhor.

Os 30 estrangeiros são divididos em 2 grupos. Somos apresentados ao Dave, o nosso guia neozelandês, a fazer uma perninha na Bolívia enquanto não continua a sua viagem pelo mundo.

No alto de La Cumbre dão-nos o equipamento “believe me you’ll need it!” (luvas, viseira, capacete, casaco e calças impermeáveis, colete reflector, protecção para pescoço) enquanto somos apresentados às nossas bicicletas que já vêm “calibradas” de acordo com as nossas necessidades e preferências, enviadas no momento da inscrição online (altura do banco, travão da frente do lado esquerdo).

Dave explica-nos as regras da descida, que basicamente se resumem a uma: nunca ultrapassar o guia que vai na frente do grupo. Ponto.
E depois de breves noções de mountain biking e do necessário sacrifício de álcool à Pachamama (a deusa da terra) começamos a pedalar.

(foto: wikipédia)


Estou ansiosa. Não sou grande master da bicicleta e só me lembro das imagens dos powerpoints que circulam nos emails, de camiões a cruzarem-se nesta estrada... e alguns com as rodas a resvalar no precipício. Aqui não há margem para erros..

Os primeiros troços são em alcatrão e sempre a descer, nem precisamos de pedalar.
A paisagem é do outro mundo. Mas estão sempre a alertar-nos para irmos com atenção à estrada e não olharmos para a paisagem... histórias de clavículas e costelas partidas sucedem-se...
Faço batota e fico prá trás... apesar de não ter máquina para fotografar tenho que gravar estas imagens na minha memória.




Fazemos várias paragens nas quais o grupo se junta e onde o Dave aproveita para nos explicar as características dos troços seguintes.
Atrás de nós, segue-nos de perto o mini-autocarro que nos levou a La Cumbre com bikes suplentes.


Em Unduavi (+- a 10km de La Cumbre) é o checkpoint da polícia onde são revistados todos os carros em busca de cocaína e/ou ingredientes não autorizados que podem levar à sua produção.

Os 40km que se seguem, de Unduavi a Coroico pela estrada velha são absolutamente estrondosos. Um agigantar dos sentidos em todas as direcções.

Antes de entrarmos no percurso de terra batida e na estrada velha propriamente dita reparamos no cartaz com o bodycount deste ano, como medida de sensibilização dos condutores... até agora 43 mortos.




Lama. Fazemos o percurso com chão lamacento e cascatas a inundar a estrada já de si estreita, atravessamos nevoeiro cerrado nas zonas mais altas... factor que ajudou os que sofrem de vertigens...
Em certas zonas a estrada é pouco mais larga que o próprio autocarro, os precipícios têm perto de 600m de profundidade... cruzes semeadas à beira da estrada sucedem-se... esquecemos as clavículas partidas... aqui contam-se outro tipo de histórias.

As regras de trânsito são diferentes... “keep your left”... ou seja, temos a indicação para percorrer a estrada pelo lado esquerdo, o que para quem desce significa ir junto aos precipícios. Foi o modo que encontraram para que os veículos que descem terem maior visibilidade nas curvas.

Fico pasmada com o estado da principal via de comunicação entre o Altiplano e a Amazónia, entre o Brasil e o Pacífico. Não admira o elevado número de mortos estimado em 300 por ano. Imagino em que condições terá sido construída pelos prisioneiros da Chaco War nos 1930’s.

Há alguns anos, para tentar reduzir as estatísticas catastróficas anuais, foi introduzido um esquema de tráfego alternado conforme os dias da semana, o que baixou consideravelmente o número de acidentes. No entanto os condutores de camiões rebelaram-se uma vez que isso prejudicava as suas receitas... e assim o tráfego foi reaberto nos dois sentidos.

Em Dez-2006 foi inaugurada uma variante multimilionária a ligar La Paz a Coroico que retirou finalmente a maior parte dos carros da estrada mais perigosa do mundo. No entanto alguns comerciantes continuam a fazer o caminho pela estrada antiga, por ter menos kilómetros e assim pouparem combustível... ainda que continuem a demorar mais tempo...




Para nós pareceu-nos uma autêntica ciclovia de curvas perigosas. Devemos ter-nos cruzado com 2 ou 3 carros a subir...

Em Yolosa acaba a descida. Faz calor e a lama desapareceu. Almoçamos na Senda Verde, uma organização non-profit onde se recolhem animais mal tratados ou retirados do mercado negro. Há duches quentes e piscina, mas eu perco-me no fetuccini à bolonhesa... à descrição...




Adorámos a subida de autocarro.
Adorei o facto do nevoeiro ter levantado ligeiramente e termos podido ver o cenário imponente, fantástico e aterrador em que nos encontrávamos.





À chegada a La Paz fazemos o bodycount: 0 feridos e 0 mortos. Sobrevivemos...
Nenhuma "história" para contar...

(2009-09-24 Ride photos by Gravity Bolivia)

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

BUS MEMORIES IV - Arica to La Paz

23-Setembro-2009

O nosso autocarro Arica - La Paz sai às 9h30. Está previsto chegar por volta das 17h00. Mas em autocarros diurnos nunca sabemos exactamente a que horas vão chegar... param em todo o lado para entrar e sair gente.

No terminal de Arica algumas pessoas aproveitam para trocar pesos chilenos por bolivianos.
Os passageiros são quase todos bolivianos. Identificamo-los pelos traços indígenas, pela cor da pele mais escura e pelas roupas folclóricas.
Reparo que estou secretamente a fervilhar de alegria por voltar à Bolívia.

As primeiras horas de viagem são-nos familiares pois a estrada para La Paz é a única, a CH-11, a mesma que passa no Parque Nacional Lauca. Fico com um brilhozinho nos olhos quando passamos no vulcão Parinacota. Os poucos turistas que viajam connosco encostam as máquinas fotográficas às janelas do autocarro. Ainda bem que o vimos sem ser através da janela.
No posto fronteiriço Tambo Quemado carimbam-nos o passaporte e recomendam-nos a visita ao vulcão Sajama.

Estamos ansiosos por chegar a La Paz mas a viagem é longa e a paisagem deserta. O autocarro pára onde as pessoas pedem indiscriminadamente, há engarrafamentos nas ruas à chegada... mas finalmente chegamos.

Reparo na diferença desde a última vez que estivemos na cidade. Não temos dores de cabeça, respiramos normalmente e até vamos de mochila às costas rua abaixo procurar um hotel.

Ruta Altiplanica



Em 1998, os países comuns ao Altiplano (Chile, Bolívia e Peru) chegaram a um consenso quanto à proposta para uma Ruta Altiplanica de Integração, uma auto-estrada com 1500km desde San Pedro de Atacama atravessando o altiplano e passando por maravilhas naturais pouco conhecidas tais como os salares de Carcote e Ascotán, o vulcão Ollagüe, o Parque Nacional Vulcão Isluga, o Salar de Surire, o Parque Nacional Lauca (Chile), La Paz e Tiwanaku, (Bolívia), o Lago Titicaca, Puno e Cuzco (Peru).

Ficou marcado o ano de 2000 para o início das obras mas neste momento diz-se à boca pequena que ainda nem foram calculados os milhões de dollars necessários para a sua construção, quando mais a angariação dos fundos.

Independentemente de políticas, esta é uma estrada que se for construída abrirá ao mundo uma região remota e de difícil acesso mas de paisagens avassaladoras...

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Caminhos alternativos

22-Setembro-2009

De manhã despedimo-nos de Putre e seguimos para Arica, por um caminho alternativo.

Mas antes temos que passar numa estação de serviço para pôr gasolina e ar num pneu que está em baixo (o caminho alternativo ainda por cima é em terra batida).



Mas não há estações de serviço em Putre e as indicações de “FUEL HERE” levam-nos a uma porta fechada.
É na mercearia que nos aviamos de 10L super inflacionados mas ainda assim mais baratos que em Portugal.

Enquanto esperamos pelo garrafão, eu percebo alegremente de como as mercearias são organizadas de modo igual em todo o lado.... mas não há mercearias destas em todo o lado... também é o senhor da mercearia que nos ajuda com o problema do pneu em baixo.

Estamos prontos.


Para nós o mais importante é não ter que repetir o caminho, pois só há uma estrada, a CH-11, que liga o Parque Nacional Lauca e Putre a Arica, por isso o nosso caminho alternativo começa em Zapahuira onde saímos da estrada principal alcatroada e viramos para o caminho de terra batida em direcção ao pueblo de Belén, para talvez algo como os 160km mais longos da nossa vida.



O capítulo do Norte Grande do Lonely Planet do Chile (cedido gentilmente pela Mochila às Costas) fala numa aventura “off the beaten track”. O Rough Guide nem tem esta estrada do mapa.

A estrada de curva e contra curva de gravilha que sobe e desce e contorna colinas e precipícios não permite grandes aventuras. Velocidade máxima: 30km/h. Quaisquer 40km entre pueblos transformam-se numa eternidade. E para culminar, quando chegamos aos pueblos... estes parecem desertos.

Em Belén apreciamos uma igreja muito engraçada em adobe pintada de branco, mas nenhuma pessoa na rua, nenhuma taberna aberta, riso de criança, nada...
De vez enquando passamos por um camponês a trabalhar no campo que nos acena... uma tranquilidade completa..... e uma sensação de estar verdadeiramente atrás dos montes e longe de tudo.






A meio do caminho a paisagem muda e com isso também a estrada que começa a ter troços rectos. Velocidade máxima: 50km/h. Deixamos a montanha de vegetação rasteira e passamos para um planalto desértico de canyons amarelos.

O rádio sintonizado vai e vem, indicações kilométricas só as dos marcos nas estradas que felizmente existem e nos servem para saber se seguimos na mesma estrada depois de um cruzamento.





As horas vão passando e nós, mortos de fome, vamos percorrendo os kilómetros quais lone rangers no deserto com um rasto de poeira atrás... o Pico do Parinacota ao longe indica-nos que vamos no sentido certo.

Quando finalmente chegamos à Panamericana, passaram 4h...
Voltaram as pessoas, os carros, o rádio, a rede de telemóvel e o abençoado alcatrão. Velocidade máxima: 120km/h.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Parinacota Love

21-Setembro-2009

De manhã estamos a caminho do Altiplano outra vez.
A estrada é boa, mas assim que começamos a subir, as povoações escasseiam. São 170km sempre a subir do nível do mar até aos 4500m no Lago Chungará. Alertam-nos para o mal das alturas... mas nós devemos ter crédito de aclimatização porque não nos parece diferente de uma subida à Serra da Estrela.


Entramos no Parque Nacional Lauca e pelo caminho vamos parando para ver vicuñas a pastar no bofedal (a pastagem típica do altiplano).



A neblina de Arica desapareceu... também a temperatura amena.... sopra algum vento e está frio... mas a paisagem é fascinante.

O vulcão Parinacota e o seu gémeo Pomerape surgem de topos nevados muito fotogénicos juntos aos lagos altiplanicos. Quando lá chegamos fico maravilhada. É um sítio mágico.
Há refúgios junto aos lagos e imagino como seria acordar com esta paisagem... não se vê vivalma... A calma é total...
Estou maravilhada e apaixonada por um vulcão.





Passamos na vila de Parinacota.
Tem uma praceta central muito simpática e uma igreja muito pitoresca, de adobe pintada a branco. Encontramos uma lama que se apaixona por nós..


e nós por ela..


Em Putre finalmente encontramos alguma movimentação de pessoas e o melhor sítio para se ficar das redondezas, o Terrace Lodge, uma espécie de herdade alentejana gerida por um simpático casal italiano.

Bebemos um capuccino em boa companhia, o Sol entra pelas janelas, o cor de laranja instala-se... depois o azul... foi um dia de coração cheio.

Guerras no Pacífico

21-Setembro-2009

Daqui a 3 dias temos que estar de volta a La Paz para a World Most Dangerous Road.

Podemos seguir em contra relógio para lá da fronteira do Peru em direcção a Arequipa, ou manter o "plano inicial B": ir e voltar ao Parque Nacional Lauca e seguir depois no bus diário Arica-La Paz.

Isto porque o "plano inicial A" é-nos vetado por todas as agências de aluguer de carros que contactamos, ou seja, alugar um carro no Chile (Arica) e devolver na Bolívia (La Paz) é impossível.

"Aqui no es como en Europa" ouço recorrentemente.


Descobrimos que as relações diplomáticas entre Chile, Bolívia e Peru não são as melhores.... e esta é uma zona sensível.
Há pouco mais de 100 anos Arica pertencia ao território peruano e Calama junto com San Pedro de Atacama (no distrito de Antofagasta) pertenciam ao território boliviano, mas com a Guerra do Pacífico (1879-1883), os aliados Bolívia e Peru viram parte do seu território começar a fazer parte do mapa do Chile. incluindo o acesso ao mar da Bolívia.

No entanto, estas complicações latinoamericanas já vêm do tempo do poderio colonial dos espanhóis, sediados em Cuzco, no Peru, versus revolucionários vindos do Sul da Argentina e Chile, apoiados por ingleses.

Hoje em dia, há indícios de melhoras e fala-se de uma “faixa” cedida pelo Chile junto à fronteira com o Peru, para ligar a Bolívia ao mar... Mas também se fala do Peru não estar muito contente com isso... por ter que passar por cima da aliada de sempre, Bolívia, no caso de decidir pensar numa invasão ao Chile, tipo payback...

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Arica

20-Setembro-2009

Amanhecemos às 06h e pelas janelas do autocarro entra uma Arica nublada e nada compatível com as nossas ideias de praia. Ao que parece, quem nos falou das praias e marisco de Arica não se lembrou de mencionar a sua neblina típica e de assiduidade diária.
Mas há um momento em que isso perde toda a importância... quando depois de tanto tempo voltamos a por os olhos no mar.

Ficamos no Hotel Bahia, na praia do Chinchorro. Daqui até ao centro da cidade é uma caminhada de 10 min que não se pode dizer que seja arquitectonicamente interessante, para além dos 2 edifícios metálicos (a Igreja e a Aduana) desenhados pelo “the one and only” Gustavo Eiffel e trazidos de França em pequenos módulos para serem montados no centro de Arica.

A cidade parece adormecida.... se por ser domingo ou fim de semana das Fiestas Pátrias, não sei. Mas quando chegamos ao mercado de peixe no porto da cidade, tudo muda. Este fervilha de actividade humana..... e animal.
Os botes de pesca chegam com os homens nos remos e têm á sua espera dezenas de pelicanos insistentes, leões marinhos, gaivotas e gatos sorrateiros... desejosos de chegar ao mais ínfimo restinho de peixe...





BUS MEMORIES III – San Pedro de Atacama to Arica

19-Setembro-2009


Queríamos alugar um carro para subir a costa do Chile nas calmas, ao nosso ritmo, mas a taxa de “one way” é praticamente da mesma ordem de grandeza que valor do aluguer do carro por isso rendemo-nos às evidências e tratamos de comprar o bilhete de autocarro.

A verdade é que ainda estamos um pouco atordoados por causa da diferença do nível de vida e dos preços que existe entre Bolívia e Chile e que é tão marcada quando atravessamos a fronteira no vulcão Licancabur em direcção a San Pedro de Atacama, uma das cidades mais caras e turísticas do país.

Por isso é oficial: estamos a tentar fugir do Chile.

Decidimos então ir directos a Arica, uma cidade fronteiriça no norte do Chile, junto ao Peru e ex-porto da Bolívia.
Ouvimos falar das suas praias e marisco..... *schlep*

Os autocarros, por seu lado, também demonstram bem a diferença no nível de vida a que me referia... climatizados, mantinhas, pequeno almoço incluído... um verdadeiro "luxo asiático".

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Diários de Bicicleta

19-Setembro-2009

Na agência de aluguer de bikes, um rapaz indica-nos um sítio engraçado onde podemos ir a 8km de San Pedro, as Gargantas do Diabo....
Está um calor imenso logo de manhã e custa-me a pedalar por causa das pedrinhas pequenas e areia que fazem a bike resvalar.
Mas é divertido, pelo caminho atravessamos um rio, descalços.

As Gargantas do Diabo são um desfiladeiro em zigzag de paredes vermelhas espectaculares, provavelmente um antigo leito de rio. O Sol reflecte nas paredes vermelhas e as sombras dançam à medida que passamos por elas, percorrendo os trilhos, passando pelos túneis naturais. Espectacular.



À tarde partimos à direcção do Valle de la Muerte, a 4km de San Pedro.
Vamos experimentar sandboard.
Nunca fiz nada parecido por isso é um pesadelo saber que pé pôr à frente na prancha. Mas é super divertido. São 10 min a subir a duna gigante para 10 ou 20 segundos de descida... em que uns se saem melhor que outros.


Depois do Valle de la Muerte e com areia literalmente dentro de todas as nossas peças de roupa seguimos para o Valle de la Luna para ver o pôr do Sol, um ex-libris do Deserto de Atacama que normalmente se partilha com centenas de pessoas.
A paisagem vermelha surpreende à medida que o Sol se põe e os encarnados vão ficando mais vivos.
Ao longe o Vulcão Licancabur despede-se.... e nós dele.





Foi fácil adormecer, mais tarde no autocarro para Arica, depois de um dia assim.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Chillout en San Pedro de Atacama

18-Setembro-2009

San Pedro de Atacama era uma cidade de encruzilhada de caravanas de lamas que se dirigiam do Altiplano até ao Pacífico para trocar com as comunidades piscatórias. E de facto a cidade gira à volta de meia dúzia de ruas que se entrecruzam em terra batida.

Chegamos no dia em que se festeja a independência do Chile (Fiestas Pátrias) por isso encontramos a cidade toda enfeitada com bandeiras.

As casas são de adobe, castanhas da cor da terra do chão, pontuadas com anúncios de agências de viagens de tours para o dia, ou menus gigantes escritos em quadros de giz, promocionando bebidas em happy hour ou a quantidade interminável de pastas ou pizzas servidas nesse restaurantes.
A decoração dos sítios é étnica, mesas de madeira, pinturas tribais.



Nos cruzamentos encontramos jovens que tentam angariar clientes fazendo publicidade dos restaurantes onde podemos comer, dos sítios que podemos conhecer, actividades para fazer, bares com as melhores bebidas.
Há muita gente nova a trabalhar em San Pedro. Muitos vêm temporariamente, outros imigraram de outras cidades do Sul do país, por causa do bom clima, da descontracção da vila e das oportunidades de trabalho relacionadas com o turismo, virtualmente infinitas.

Estamos num local muito turístico e não faltam os requisitos necessários à satisfação de qualquer turista.

Ao longe o vulcão Licancabur perscruta a cidade. E nós, de cabelo lavado e tshirt de manga curta, misturamo-nos facilmente com o turista despreocupado, desfrutamos do calor de San Pedro e deixamos de vez o pó e o frio de outras terras mais altas.




San Pedro é verdadeiramente um oásis no meio do deserto.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Chegada a San Pedro de Atacama

18-Setembro-2009

A poucos km’s da Lagoa Verde fica um posto fronteiriço da Bolívia.
Despedimo-nos dos nossos companheiros e carimbamos o passaporte. Estamos no Chile.


Assim que entramos no Chile, tudo muda... A paisagem é a mesma (consta que o próprio vulcão Licancabur é metade chileno e metade boliviano, ainda que para mim isso seja difícil de imaginar..) mas de resto tudo é diferente. Do lado chileno as estradas são alcatroadas até ao posto fronteiriço e há placas com indicações quilométricas. Sabemos que faltam exactamente 45km para San Pedro de Atacama.

São 45km sempre a descer. Baixamos dos 4300m da Lagoa Verde até aos 2400m de San Pedro em 30min. Os ouvidos estalam. Á medida que descemos, sobe a temperatura até uns 30ºC com os quais estamos mais familiarizados, mas em termos de altitude continuamos mais altos que outras cidades como por exemplo o Katmandu.

No posto fronteiriço chileno à entrada da cidade somos todos revistados pois não podemos trazer nenhum tipo de comida ou vegetal... mas de algum modo as folhas de coca lá arranjam maneira de passar unnoticed.

Para além de hiper-vestidos estamos hiper-empoeirados do altiplano. Termos acordado às 04h30 com -10ºC perto da Laguna Colorada na Bolívia já parece ter sido noutra vida.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Rota de Jóias II

18-Setembro-2009

São 04h30. Estão -5ºC na rua. O ar é muito seco por isso não há nem um pico nevado...
Vamos ver os geysers “Sol de Mañana”, que são mais extraordinários antes do nascer do sol. Vemos impressionantes lagoas de lama em bolhas gigantes.
Alertam-nos para a altitude, aqui 5000m “é melhor mascar umas folhas de coca”... mas a única coisa que me incomoda neste momento é o frio... entranhado nos ossos. Estou gelada.




O Sol nasce.
Descemos em direcção à Lagoa Polques onde encontramos spots de águas termais... Como estão abrigados do vento lá perco a cabeça e a vergonha e começo a despir-me com aquele frio para entrar na água a 35ºC.
Excelente. O antídoto perfeito para os meus pés gelados a noite toda.



Ao pequeno almoço, muitíssimo bem dispostos, comemos panquecas com doce e iogurte com frutos enquanto tagarelamos com os nossos companheiros argentinos.
Delicioso.

Quando partimos o meu coração começa a bater mais depressa.
Estamos a poucos km da Lagoa Verde.... E ainda passamos por cenários inacreditáveis. Não acredito que estou aqui... estou completamente feliz.



A Lagoa Verde aninhada no Vulcão Licancabur aparece em 1 segundo depois de subirmos uma colina, é como uma descarga de adrenalina. Ficamos de boca aberta de espanto.


Só penso que na primeira vez em que imaginei viajar na Bolívia achei que este sítio escondido num cantinho do país seria algo de remoto e inalcansável. Mas ainda bem que aqui estamos. É o tipo de local que nos faz vir lágrimas aos olhos. Uma verdadeira rota de jóias no deserto.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Rota de Jóias I

17-Setembro-2009

Deixamos o Salar e à medida que nos vamos aproximando da fronteira com o Chile, vai aumentando a altitude, mas está tudo bem, já estamos aclimatizados.
Apreciamos o vulcão Ollagüe, atravessamos a linha de comboio Uyuni-Calama, passamos por um controlo policial... a viagem é longa e desconfortável.
Não há estradas, só trilhos... penso que seria impossível distinguir qual deles seguir.
Por outro lado a paisagem é esmagadoramente estrondosa....






Passamos por várias lagoas: Cañapa, Hedionda, Ramaditas e Chiar Khota, povoadas de flamingos cor de rosa e rodeadas de montanhas.
Vemos vicuñas a pastar e uma raposa ao longe... somos só nós e a natureza.







O deserto de Siloli e as suas estranhas formações rochosas aparecem depois de um promontório. É um deserto de areia que junto com o vento faz surgir verdadeiras esculturas.



Na Laguna Colorada, uma nuvem tapa o Sol brincando com a cor vermelha da água.
Esta cor deve-se aos pigmentos naturais das algas que existem nas suas águas pouco profundas.





À noite no refúgio jogamos às cartas e ao jantar oferecem-nos uma garrafa de vinho de Tarija.
Há muitos cobertores nas camas, ainda bem.. pois estamos a 4500m e na rua a temperatura desce a baixo de zero.

O Salar de Uyuni

16-Setembro-2009

O tour começa com grande entusiasmo em direcção a Colchani, alguns km’s acima de Uyuni, uma povoação à beira do Salar que subsiste à base de venda de artesanato e de extracção de sal.

O Salar de Uyuni é o maior Salar do mundo e ocupa agora a parte mais funda do que foi antigamente o Lago Tauca, um lago gigante que cobria o sul do altiplano há 12000 anos. Formou-se depois das águas do lago terem evaporado.
Desde então faziam-se caravanas de lamas que transportavam o sal até outras províncias da Bolívia, voltando com produtos não cultivados no altiplano como milho ou folhas de coca.







Almoçamos no Hotel de Sal, construído integralmente à base de blocos de sal extraídos directamente da superfície do Salar.
O branco da paisagem deixa-nos a todos espantados... é quase impossível abrir os olhos sem óculos escuros... há aqui qualquer coisa de irreal... parece infinito....

Como é de dia e o sol brilha, até está calor, mas a altitude e o alto índice reflectivo do branco do Salar fazem com que praticamente nenhum calor seja absorvido pelo solo e que as temperaturas à noite caiam bem abaixo dos 0ºC...
Estou preocupada com a chegada da noite, mas entretanto vou-me deliciando com a paisagem absolutamente fantástica e onírica.








Dormimos num Hotel de Sal e para meu espanto as instalações são muito confortáveis... e climatizadas... Há quartos duplos, conchões, lençóis, cobertores e até duches quentes...

Quando chegamos temos chá quente com bolinhos de canela à nossa espera.




Na rua há lamas a pastar... e à medida que a noite chega, adensam-se as estrelas... mas sobre isto não há descrição possível.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Train Graveyard





... a 2 passos de Uyuni