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25 de junho de 2014

boudha



A stupa gigante de Boudha, pareceu o sítio ideal para terminar esta viagem que nos levou até ao coração do Tibete e dos Himalaias.

Para além de ser um dos meus sítios preferidos do Vale de Kathmandu, é um dos locais mais sagrados para o budismo no Nepal onde existe a maior comunidade de refugiados tibetanos, que aqui, tal como na sua terra natal, fazem a kora à volta da stupa, entoando cântigos e mantras, rodando a suas rodas de oração.

Voltamos a ver as senhoras de avental riscado e os monges de trajes cor de laranja. Volta a cheirar a incenso e a manteiga de yak. Parece que por momentos voltámos ao reino que ficou perdido para lá das nuvens, no tecto do mundo.



12 de junho de 2014

border freak freaking out

Ainda não atravessei fronteiras suficientes para deixar de me entusiasmar com uma fronteira. Dá-me adrenalina aquela sensação de mostrar o passaporte, o ar sisudo dos oficiais das fronteiras, e gosto daqueles momentos em que atravesso a terra de ninguém, a pé de mochila às costas, enquanto vou pensando no país que ficou para trás e no país que vem a seguir... Sou border freak.

Gosto de fronteiras. 
Principalmente quando se nota a diferença de um lado para o outro.
Na fronteira entre o Tibete (China) e o Nepal estava no sítio certo. Nunca estive numa fronteira onde se notasse tanto a diferença. 

Pois então, chegamos à fronteira chinesa sabendo que muito provavelmente a nossa bagagem seria revistada em busca de items pouco patrióticos (para a China) que seriam confiscados imediatamente, por exemplo: a bandeira do Tibete, guias de viagem sobre o Tibete ou fotos do Dalai Lama. 
Nós só tínhamos um Lonely Planet Tibet embrulhado em roupa suja dentro da mochila.

Mas quando chegamos, nada de revista, só perguntam se temos livros.
Decidimos mostrar as Viagens do Marco Polo “Isso não nos interessa” e o Rough Guide da China, que foi todo folheado e “Desculpe, não vai poder levar o livro consigo”. Porquê? “Porque temos problemas quanto a não estar incluído um capítulo de Taiwan que como sabe faz parte do território chinês, o que faz com que este livro seja ilegal na China.”

... Oi? 

Já sabia que era assim, mas arrisquei dois dedos de conversa com a oficial que mal falava inglês e heis que chegamos a uma solução de compromisso: Ela arrancaria as páginas do livro que ofendem a China e eu guardaria o resto do livro como souvenir.
Foi assim que fiquei sem metade da China.

a china que ficou para mim                a china que ficou para ela
          


A parte da adrenalina deu-se depois quando ela perguntou se tínhamos mais livros. 
Respondendo "Não", colocamos a mochila no raio-X, com o Lonely Planet Tibet embrulhado em roupa suja lá dentro. 
Não deram pelo livro proibido mas eu senti-me como uma traficante de droga.

Pensando que o pior tinha passado e já vendo o Nepal do lado de lá da porta, seguimos para o guichet do carimbo nos passaportes. 
Mas os nossos passaportes, esses sim, foram confiscados.
Aparentemente havia um erro de copy paste, relativamente à nossa nacionalidade, nos nossos permits de viagem no Tibete (escritos em chinês). Os mesmos permits que já tinhamos mostrado tantas vezes a outras autoridades: ao entrar no comboio para o Tibete, ao chegar a Lhasa, antes de chegar ao campo base do Everest e nas dezenas de checkpoints militares pelo caminho.

Mas só soubemos qual era o problema depois de esperar mais de 1h sem ninguém nos conseguir dizer nada, porque ninguém fala inglês.
Durante esse tempo todo, só consegui ver as autoridades chinesas a esbracejar e a gritar com o nosso guia tibetano enquanto ele se encolhia. Não gostei.

Não pude deixar de pensar que se o guia fosse chinês, o erro de copy paste talvez tivesse sido relevado.
Depois de 1h devolvem-nos os passaportes e bruscamente “Já temos prova que vocês são realmente portugueses”. Somos autorizados a deixar a China.

Enquanto atravessamos a ponte da amizade a pé, penso na última imagem do chinês a gritar com o tibetano e como isso poderia muito bem resumir a situação actual do Tibete. E isso entristece-me. 
Olho para trás, uma última vez, mas já não encontro nada. O "meu" Tibete encantado ficou para trás, algures por cima das nuvens.

Em pouco tempo já estamos do lado nepalês a regatear um minibus que nos levará até Kathmandu.
Tal como na China, passamos por inúmeros checkpoints militares durante a viagem.
Mas quando me perguntam de onde sou, ao responder e apresentar o meu passaporte, nem olham para ele, pedem-me para o guardar, aproveitam para falar de futebol e sorriem sempre muito “Namaste, welcome to Nepal!”. 

Sorrio também. Sinto que cheguei a casa.

11 de junho de 2014

himalayas on the friendship highway


Depois do sunrise no campo base do Everest voltamos a Tingri de onde partimos em direcção ao Nepal.
Ao longo da Friendship Highway podemos ir aproveitando vistas para vários picos dos Himalaias: Everest, Cho Yu, Shishapangma, para mencionar apenas os pesos pesados acima dos 8000m.

Mas depois do Tong La Pass (5130m) é sempre a descer até Zhangmu na fronteira com o Nepal: 2700m de desnível em 90km.
A topografia aqui é muito interessante. Estamos empoleirados na zona de transição onde o planalto tibetano encontra os Himalaias e de seguida, cai a pique para os vales, florestas e selvas do Terai no Nepal e finalmente, para a planície do Ganges na Índia.



em tingri

 everest, ao fundo


cho yu


tong la pass




shishapangma


a descer




Nos últimos quilómetros, depois de passarmos a cidade de Nyalam (3750m) até é difícil acreditar que ainda estamos no Tibete, deixamos o clima árido e rochoso, os vales estreitam, surgem florestas densas, quedas de água, humidade, oxigénio e calor. 

Nas vilas por onde passamos começamos a ver letreiros escritos também em nepalês e inglês. As feições das pessoas mudam. Vemos camiões TATA e mulheres de sari.

Só podemos estar a chegar a uma fronteira.

9 de junho de 2014

everest base camp


Alguns quilómetros após o mosteiro de Rongphu (na foto em cima) encontramos tendas de lã de yak onde os viajantes que não possuem permits de alpinismo podem pernoitar.
Estas tendas funcionam como verdadeiros hotéis, oferecendo vários serviços todas pelo mesmo preço: dormida, refeições e snacks, bebidas, souvenirs.
Assim que o Sol se põe o frio instala-se e é praticamente impossível andar na rua, mas as tendas são bastante confortáveis pois os anfitriões ligam o fogão que existe no meio da tenda, mantendo-a quente.

O problema de pernoitar no Everest Base Camp (5200m) costuma ser a altitude e não o frio. Não é aconselhável dormir no EBC na primeira noite se se percorrer a Friendship Highway no sentido Nepal-Tibete pois a diferença de altitude é muito grande. Quem vem de Lhasa, à partida já estará aclimatizado. A aspirina pode ajudar nas dores de cabeça ligeiras, mas se acontecer falta de ar mesmo em repouso, é altamente recomendável não pernoitar no EBC e descer para altitudes mais baixas.


tendas onde os visitantes podem pernoitar com vista para o Everest






a caminho do base camp, a pé






O campo base oficial fica a 4km de distância das tendas de lã de yak. Existem autocarros que fazem este percurso, mas muitas pessoas decidem ir a pé.
Encontramos uma placa que indica a altitude e um pequeno promontório de onde avistamos o Everest e o acampamento das expedições de alpinismo. 

É o mais perto que podemos ir.
Parece que todos os passos que dei foram para chegar até aqui e agora é tempo de apreciar a paisagem.


a north face e ao longe o acampamento de alpinistas




sunrise



insanely beautiful!

6 de junho de 2014

detour to ebc


Existem duas maneiras de se ter uma “everest base camp experience”.
A maneira tibetana é a maneira mais fácil, uma vez que hoje é possível chegar de carro praticamente até ao base camp tibetano, do lado Norte da montanha. Fácil quando comparada à maneira nepalesa, que se faz através do popularíssimo mas extenuante trekking de 7-10 dias pelo vale de khumbu, até ao base camp nepalês, do lado Sul da montanha. 
Se no Nepal a emoção de percorrer um dos trekkings mais fabulosos do universo é qualquer coisa de muito especial, no Tibete a vista para o Everest é absolutamente imbatível (desculpa lá Kala Patthar)! 
Só sei que eu não dizia que não nem a uma nem a outra maneira.

E assim, ao fazer o desvio da estrada da amizade em Tingri, começamos a nossa a aproximação à montanha mais ilustre de sempre.

A viagem de 70 km dura umas 3h ou 4h e costuma dizer-se que se já não estamos com dor de cabeça por causa da altitude, ficamos por causa da viagem acidentada. 
Mas adoramos cada quilómetro.

A noite anterior foi muito fria por isso ao longo do caminho encontramos uma paisagem nevada que derreterá com o subir do Sol.

As vistas para os gigantes dos Himalaias são uma constante durante todo o caminho, mas nada nos prepara para o momento em que chegamos ao mosteiro de Rongphu onde avistamos pela primeira vez a North Face do Everest, em todo o seu esplendor.

Concerteza um dos spots mais espectaculares do planeta.









concordam?

5 de junho de 2014

shigatse to shegar


Deixamos Shigatse de manhã e continuamos em direcção a Oeste passando por algumas vilas onde vemos agricultores a trabalhar nos campos e a cuidar de rebanhos de animais. 

Neste percurso, um dos principais pontos de interesse é o mosteiro de Sakya, num pequeno desvio de 25 km da estrada da amizade.
A arquitectura na zona de Sakya é diferente das outras zonas que conhecemos no Tibete. A principal diferença é cor das paredes das casas, cinzenta em vez de branca, com riscas vermelhas verticais.
O mosteiro de Sakya foi construído com paredes altas e torres de vigia nos cantos, tipo fortaleza e foi fundado no sec.XI, o que faz dele um dos mais antigos.

Na segunda noite deste percurso Trans-Himalaico ficamos em Shegar/New Tingri, a última cidade antes da reserva natural do Monte Qomolangma, também conhecido por Monte Everest.


aldeias tibetanas







tsuo la pass (4500m)



sakya









gyatso la pass (5275m)