24 de janeiro de 2017

génova [palavras-chave]


Com 2 dias entre Veneza e Lyon decidimos quebrar o caminho em 2 locais, o primeiro Génova, uma cidade que não conhecíamos, cujo tempo se revelou manifestamente insuficiente para o fazer.
Deixo aqui apenas algumas "palavras-chave" genovesas que me garantiram a vontade de regressar. 

Montanha e mar

A nossa relação com Génova começa por uma topografia, bem acidentada e sinuosa onde a montanha cai a pique sobre o mar e onde foi preciso aguçar o engenho e a arte para construir e ganhar raízes. Esta relação de abismo entre as pessoas e o chão não é novidade para portugueses com raízes nas ilhas, nem para quem conhece o extraordinário pedaço de costa do Levante da Ligúria. É assim em Portovenere, Portofino e nas Cinqueterre, e também é assim em Génova, a capital.

Caruggi

Génova é conhecida por ser uma das cidades mais contraditórias e incoerentes de Itália. Isso só pode ser pelo embate quase palpável que existe entre o brilho do mar Mediterrâneo, e a sombra por vezes tenebrosa que caracteriza os seus caruggi, as ruelas estreitas que navegamos entre os edifícios de vários andares na parte medieval da cidade onde dificilmente entra a luz.

Na zona histórica da cidade também encontramos os maravilhosos palazzi do séc. XVI e XVII, património da UNESCO, construídos pelas famílias de mercadores mais abastadas de Génova, mas os meus preferidos foram os mais antigos, palacetes da época medieval de mármore às riscas, ora cinzentas ora brancas, que encontramos um pouco por toda a parte, aqui na Piazza S. Matteo.


Pesto, farinata e mercados de peixe

O “pesto alla genovese” é conhecido por toda a parte e faz as maravilhas de quem se perde pelos aromas do manjericão misturado com pinhão e azeite.
Deliciei-me com focaccias de azeitona e tomate e adorei a farinata, outra especialidade genovesa, um snack saboroso feito com farinha de grão-de-bico, apreciado numa das muitas sciamadde da cidade velha, que as têm sempre a crepitar nos fornos a lenha.

Génova tem muitos mercados, e outra forma de aproveitar a cidade é deambular num mercado e absorver os seus aromas. 


Marinheiros

Génova é uma cidade de marinheiros que, tal como Lisboa, fez fortuna no mar através de grandes rotas comerciais marítimas e beneficiou de influências culturais árabes, em termos de arquitectura, filosofia e matemática.

Esta é a cidade de Cristóvão Colombo que, tal como o português Fernão de Magalhães, não encontrou financiamento na sua terra natal, acabando por contribuir para a glória da coroa espanhola com as suas explorações intercontinentais e o seu espírito visionário.

Marginal

Por fim, percorrer a marginal de Génova ao entardecer, com os edifícios em tons de pastel de um lado e a linha de comboio e o mar do outro, aquela luz, naquele ângulo, fez-me sentir que voltarei outras vezes. 
Possivelmente porque me lembrou de Lisboa. 


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