24 de fevereiro de 2015

dubai


A viagem entre Lisboa e Manila foi provavelmente a mais curta das viagens longas que já fiz. Com vôo directo de Lisboa para o Dubai e um sem fim de escolhas possíveis entre o Dubai e Manila, nunca foi tão rápido chegar tão longe.

Mas como uma viagem com o carimbo ventonocabelo não fica completa sem uma noite mal dormida num aeroporto, aproveitamos para fazer uma escala prolongada no Dubai “aquela cidade que sempre tivemos curiosidade de visitar...”

Pois o Dubai, apesar de recente, está cada vez mais popular. 
Com uma posição estratégica a 5h de distância simultaneamente da Europa, da Índia e da China, políticas liberais (tendo em conta os padrões da região) e belíssimas infra-estruturas direccionadas para uma gama alta de turistas, o Dubai apesar de ser uma cidade de deserto, está basicamente, na moda. 
É no Dubai que a tal gama alta faz as suas pit stops para compras, festas megalómanas, praia (mais ou menos) desinibida, aventuras nas dunas, hotéis e restaurantes de sete estrelas.

O Dubai é uma cidade de superlativos onde encontramos o maior, o mais alto, o mais rápido, o mais espectacular, o mais caro. 
Mais ou menos como se via nos States no séc.XX. Mas este é o séc.XXI e o Dubai está a arrebatar todos os records.


E o que é que conseguimos aprender em algumas horas de Dubai?

Pois a primeira lição é que é absolutamente impossível dormir no Aeroporto. Aquela ideia de backpacker "se chegarmos de madrugada ao aeroporto, podemos sempre encontrar uma zona mais calma e menos iluminada para tentar cochilar umas horas antes de nos lançarmos à cidade"... é uma verdadeira miragem no deserto. 
O aeroporto do Dubai não pára nunca! 
Parece um casino em Las Vegas: se não existirem relógios nem percebemos se é de dia ou de noite! Os restaurantes e lojas funcionam 24h, assim como os vôos a chegar/partir e a realidade é que os terminais estão sobrelotados. 
Por isso, para quem tiver sono leve, ou necessitar de alguma tranquilidade, vá, para conseguir dormir, a melhor opção é mesmo é apanhar o elevador e alugar um dos quartos do hotel do aeroporto a 60USD/hora... 
Mas o mais certo é estarem esgotados. Eu perguntei!

Quando decidimos finalmente sair para a cidade, tudo começa com uma viagem de metro do aeroporto até ao centro. Os metros são normais com a habitual carruagem para mulheres e crianças que também vemos noutros países. Mas para além desta, o Metro do Dubai tem também uma carruagem VIP / Premium / Gold, para passageiros de primeira classe que não gostem de grandes misturas.

Em direcção ao centro, o metro segue pela Sheikh Zayed Road, a avenida principal do Dubai, que atravessa o moderno centro empresarial da cidade. A vista dos arranha-céus é impressionante, sim, mas não podemos deixar de reparar que ao contrário de outras Manhattans já consolidadas por esse mundo fora, os arranha-céus só existem ao longo da rua principal. Atrás dos arranha-céus são casas baixinhas, e deserto.


(estação de metro)

Neste momento, o principal ex-libris do Dubai é o Burj Khalifa, que com os seus 830m de altura, é desde 2010 o edifício mais alto do mundo.
Mas não consegui fotografá-lo. 
Se já era difícil enquadrar as malogradas Twin Towers de NYC ou (imagino) as Petronas de Kuala Lumpur (com os seus míseros 450m), tentar fotografar o Burj é à partida uma batalha perdida.

Mas subiste até lá cima? Porque isso é algo que está em todas as To Do lists de qualquer pessoa que visite o Dubai.

Sim. A experiência At the Top, que no meu caso e em bom rigor foi “at the middle”, permite ao visitante subir num elevador supersónico até ao nível 124 (dos 163), e daí observar toda a surpreendente paisagem urbana das redondezas. 
O dia não estava especialmente claro, mas não deixou de ser uma experiência bem interessante principalmente no que diz respeito à informação que obtemos sobre os detalhes do design e construção do edifício.





O acesso ao Burj Khalifa faz-se pelo Dubai Mall que é outro highlight do Dubai. 
Assim à primeira vista, verificar que o highlight de uma cidade é um centro comercial, já é meio caminho andado para não ter vontade de ir lá.
Mas muita atenção: o Dubai Mall não é o Colombo.

O Dubai Mall é um centro comercial mas também é um centro de lazer, hotel, tem um Aquario, uma pista de patinagem no gelo, belíssimos restaurantes e eventos especiais sempre a acontecer.
O Dubai está na moda, por isso todos os criadores, estilistas, designers, dos "para as massas" aos mais exclusivos, tem uma loja no Dubai Mall. Vemos a Zara ao lado de Oscar de la Renta, a Sacoor ao lado de Louboutin e algo como 1200 lojas capazes de pôr qualquer Carrie Bradshaw colada à montra. 

Podemos apreciar o Dubai Aquarium enquanto passeamos no shopping, mas se entrarmos é possível, por exemplo, mergulhar com tubarões. 




Do outro lado do Dubai, a algumas estações de metro mas a um mundo de distância, encontramos o bairro de Al-Bastakia, numa zona designada por Old Dubai.

Claro que é preciso ter em conta que Old Dubai não é o mesmo que Old Lisboa
O Old Dubai tem 100 anos e o próprio bairro de Bastakia foi construído no final do séc.XIX para albergar os comerciantes vindos da Pérsia para negociar pérolas e têxteis.

A arquitectura deste bairro é então reminiscente da arquitectura habitacional mais característica da Pérsia/Irão, com as suas torres de vento, um antigo sistema de ventilação do interior das casas.

E seja em que país fôr eu fico sempre fascinada com o detalhe e a delicadeza destas linhas.






O Dubai Creek, um braço de mar que entra na cidade, separa a cidade em duas: Deira a Norte e Bur Dubai, a Sul.
Aqui temos uma visão do Dubai marinheiro. O Creek foi um elemento influenciador do crescimento da cidade, primeiro atraindo colonizadores para pescar e procurar pérolas e mais tarde tornando o Dubai numa cidade importante na rota comercial entre o mundo oriental e ocidental.

Atravessamos o Creek num dos muitos barcos abra, pequenas balsas de madeira, em direcção aos souks de Deira.




Em Deira e nas suas ruas sinuosas percebemos o melting pot que é o Dubai, com todas as diferentes nacionalidades que se foram instalando na cidade.
Junto à margem do Creek vemos barcos dhows antigos ao lado de barcos modernos a serem carregados e descarregados.

Nas ruelas interiores encontramos o Deira Spice Souk, que à semelhança de outros bazares, nos presenteia com todas as especiarias possíveis de imaginar, sacos de incenso, madeiras aromáticas, etc. 

No Deira Gold Souk, o maior bazar de ouro do mundo, encontramos jóias de todos os tipos, do tradicional ao moderno, com muitas opções de personalização e bem capazes de nos pôr os olhos a cintilar.




O Dubai é um verdadeiro oásis cosmopolita, ícone de modernidade e futurismo. Uma cidade que se re-inventa ano após ano e que hoje é um dos destinos de luxo mais procurados do planeta.

Dizem que no Dubai tudo é possível.
Pois a mim, pareceu-me que sim.



2 comentários:

Carlos Mendes disse...

Só até ao 124? Da próxima quero uma foto do topo.

Anónimo disse...

Ora pois, continua a ser um prazer ler os teus textos!
Deixaste-me com vontade de ir ao Dubai, coisa que nunca havia aflorado o horizonte do meu raquítico período de férias... bom, não digo "ir", mas talvez passar por lá :-).
C.